Introdução à Filosofia: 1. Origem e definição

  • Data de publicação
Universidade Federal de Santa Catarina

Aristteles
A cada dia que passa maior a necessidade de que os indivduos sejam sujeitos de si mesmos, sujeitos conscientes de sua histria. At mesmo o mercado j exige um perfil profissional que supe uma mo de obra criativa e atuante, e no mais meros executores de tarefas.

A preocupao, para alm do mercado, com a formao de um indivduo crtico e responsvel socialmente pelos seus atos.

A possibilidade da formao deste indivduo deve ser viabilizada para o adolescente e o jovem. Ela no se d espontaneamente. Uma das formas de viabiliz-la atravs do processo ensino-aprendizagem das cincias, da filosofia, das artes, e da experincia de vida de cada um.

Neste contexto, cabe Filosofia garantir no s a viso de totalidade da histria e do processo do conhecimento, sem negar a necessidade de especializao hoje imposta, mas tambm desenvolver no educando - junto com outras disciplinas - a sua capacidade de buscar, atravs da leitura, da observao, da percepo de transformaes ocorridas a partir da sua prpria interferncia em situaes sociais, o melhor caminho historicamente possvel para a organizao da vida em sociedade.

Desta forma, um curso de Filosofia busca fornecer ao adolescente o instrumental bsico elaborao de uma reflexo sobre o mundo, e sobre si mesmo no mundo, de forma a possibilitar-lhe a conquista de uma autonomia crescente no seu pensar e agir.

Desta forma, ao aprender Filosofia, espera-se que a pessoa:

- aprenda conceitos, sabendo relacion-los entre si e aplic-los em sua realidade;
- reconhea-se como ser produtor de cultura e, portanto, da histria;
- compreenda a produo do pensamento como enfrentamento dos desafios humanos;
- compreenda o papel da reflexo, em especial, o da filosfica;
- saiba construir "universos" histricos de diferentes tempos em seu pensamento, sem preconceitos;
- situe-se como cidado no mundo em que vive, percebendo o seu carter histrico e a sua dimenso de liberdade;
- compreenda o conhecimento como possibilidade de libertao social;
- compreenda o pensamento do seu mundo como sntese de diferentes culturas anteriores e concomitantes a ele;
- elabore criticamente seu prprio pensar a partir de notcias/anlises de jornais/revistas e de suas vivncias concretas.

A ORIGEM DO TERMO FILOSOFIA


Pitgoras
Uma definio precisa do termo "filosofia" impraticvel. Tentar formul-la poderia, ao menos de incio, gerar equvocos. Com alguma espirituosidade, algum poderia defini-la como "tudo e nada, tudo ou nada...". Melhor dizendo, a filosofia difere das cincias especiais na medida em que procura oferecer uma imagem do pensamento humano - ou mesmo da realidade, at onde se admite que isso possa ser feito - como um todo. Contudo, na prtica, o contedo de informao real que a filosofia acrescenta s cincias especiais tende a desvanecer-se at parecer no deixar vestgios.

Acredita-se que esse desvanecimento seja enganoso. Mas deve-se admitir que at aqui a filosofia no tem conseguido realizar suas grandes pretenses. Tampouco tem logrado xito em produzir um corpo de conhecimentos consensual comparvel ao elaborado pelas diversas cincias. Isso se deve em parte, embora no integralmente, ao fato de que, quando obtm-se conhecimento verdadeiro a respeito de determinada questo situa-se essa questo como pertencente cincia e no filosofia.

0 termo "filsofo" significava originariamente "amante da sabedoria", tendo surgido com a famosa rplica de Pitgoras aos que o chamavam de "sbio". Insistia Pitgoras em que sua sabedoria consistia unicamente em reconhecer sua ignorncia, no devendo portanto ser chamado de "sbio", mas apenas de "amante da sabedoria".

Nessa acepo, "sabedoria" no se restringia a qualquer dos domnios particulares do pensamento e, de modo similar, "filosofia" era usualmente entendida como incluindo o que hoje denomina-se "cincia". Esse uso sobrevive ainda hoje em expresses como "filosofia natural".

Na medida em que uma grande produo de conhecimento especializado em um dado campo ia sendo conquistada, o estudo desse campo se desprendia da filosofia, passando a constituir uma disciplina independente. As ltimas cincias que assim evoluram foram a psicologia e a sociologia. Dessa forma, poder-se-is falar de uma tendncia contrao da esfera da filosofia na prpria medida em que o conhecimento se expande. Recusa-se a considerar filosficas as questes cujas respostas podem ser dadas empiricamente.

No deseja-se com isso sugerir que a filosofia poder acabar sendo reduzida ao nada. Os conceitos fundamentais das cincias, da figurao geral da experincia humana e da realidade (na medida em que se formam crenas justificadas a seu respeito) permanecem no mbito da filosofia, visto que, por sua prpria natureza, no podem ser determinados pelos mtodos das cincias especiais.

sem dvida desencorajador que os filsofos no tenham logrado maior concordncia com respeito a esses assuntos, mas no se deve concluir que a inexistncia de um resultado por todos reconhecido signifique que esforos foram realizados em vo. Dois filsofos que discordem entre si podem estar contribuindo com algo de inestimvel valor, embora ambos no estejam em condio de escapar totalmente ao erro: suas abordagens rivais podem ser consideradas mutuamente complementares.

O fato de filsofos distintos necessitarem dessa mtua complementao torna evidente que o ato de filosofar no unicamente um processo individual, mas tambm um processo que possui uma contrapartida social.

Um dos casos em que a diviso do trabalho filosfico se torna bastante proveitosa consiste na circunstncia de que pessoas distintas usualmente enfatizam aspectos diferentes de uma mesma questo. Contudo, boa parte da filosofia volta-se mais para o modo pelo qual conhecemos as coisas do que propriamente para as coisas que conhecemos, sendo essa uma segunda razo pela qual a filosofia parece carecer de contedo. No entanto, discusses a respeito de um critrio definitivo de verdade podem determinar, na medida em que recomendam a aplicao de um dado critrio, quais as proposies que na prtica delibera-se serem verdadeiras. As discusses filosficas da teoria do conhecimento tm exercido, ainda que de modo indireto, importante efeito sobre as cincias.

UTILIZAO DA FILOSOFIA


Plato
Para Plato, a filosofia o uso do saber em proveito do homem. Isso implica a posse ou aquisio de um conhecimento que seja, ao mesmo tempo, o mais vlido e o mais amplo possvel; e tambm o uso desse conhecimento em benefcio do homem. Essa definio, porm, exige a uma definio de benefcio, que por sua vez exige uma definio de Bem. Para saber o que o Bem, entretanto, tambm necessrio descobrir o que a Verdade.

Alguns filsofos, definem a filosofia como a busca do Bem, da Verdade, do Belo e de como os homens podem conhecer essas trs entidades. Portanto, a filosofia toma para si a rdua tarefa de debater problemas ou especular sobre problemas que ainda no esto abertos aos mtodos cientficos: o bem e o mal, o belo e o feio, a ordem e a liberdade, a vida e a morte.

Leia um exemplo de texto filosfico, em que um filsofo norte-americano, John Dewey, procura refletir justamente sobre o que senso comum:

Visto que os problemas e as indagaes em torno do senso comum dizem respeito s interaes entre os seres vivos e o ambiente, com o fim de realizar objetos de uso e de fruio, os smbolos empregados so determinados pela cultura corrente de um grupo social. Eles formam um sistema, mas trata-se de um sistema de carter mais prtico que intelectual. Esse sistema constitudo por tradies, profisses, tcnicas, interesses e instituies estabelecidas no grupo. As significaes que o compem so efeito da linguagem cotidiana comum, com a qual os membros do grupo se intercomunicam. "Lgica", VI, 6, J. Dewey

H uma questo que muita gente formula de imediato quando ouve falar de filosofia: qual a utilidade da filosofia? No h certamente expectativa alguma de que ela contribua para a produo de riqueza material. Contudo, a menos que se suponha que a riqueza material seja a nica coisa de valor, a incapacidade da filosofia de promover esse tipo de riqueza no implica que no haja sentido prtico em filosofar. No valoriza-se a riqueza material por si prpria - aquela pilha de papel que se chama de dinheiro no boa por si mesma -, mas por contribuir para a felicidade de cada um. No resta dvida de que uma das mais importantes fontes de felicidade, ao menos para os que podem apreci-la, consiste na busca da verdade e na contemplao da realidade; eis a o objetivo do filsofo. Ademais, aqueles que, em nome de um ideal, no classificaram todos os prazeres como idnticos em seu valor, tendo chegado a experimentar o prazer de filosofar, consideraram essa experincia como superior em qualidade a qualquer outra. Visto que a maior parte dos bens que a indstria produz, excetuando os que suprem as necessidades bsicas, valem apenas como fontes de prazer, torna-se a filosofia perfeitamente apta, no que se refere utilidade, para competir com a maioria dos produtos industriais, quando poucos so os que podem dedicar-se, em tempo integral tarefa de filosofar.

Mesmo que se entendesse a filosofia como fonte de um inocente prazer particularmente vlido por si prprio (obviamente, no apenas para os filsofos, mas tambm para todos aqueles a quem eles ensinam e influenciam), no haveria razo para invejar to pequeno desperdcio da fora humana dedicada ao filosofar.

No se esgota, porm, tudo o que pode ser dito em favor da filosofia. Pois, parte de qualquer valor que lhe pertena intrinsecamente acima de seus efeitos, a filosofia tem exercido, por mais que se ignore isso, uma admirvel influncia indireta at mesmo sobre a vida de gente que nunca ouviu falar nela. Indiretamente, tem sido destilada atravs de sermes, da literatura, dos jornais e da tradio oral, afetando assim toda a perspectiva geral do mundo. Em grande parte, foi atravs de sua influncia que se fez da religio crist o que ela hoje. Deve-se originalmente a filsofos idias que desempenharam papel fundamental para o pensamento em geral, mesmo em seu aspecto popular, como, por exemplo, a concepo de que nenhum homem pode ser tratado apenas como um meio ou a de que o estabelecimento de um governo depende do consentimento dos governados.


John Locke
No mbito da poltica, a influncia das concepes filosficas tem sido expressiva. Nesse sentido, a Constituio norte-americana , em grande parte, uma aplicao das idias do filsofo John Locke; ela apenas substitui o monarca hereditrio por um presidente. Similarmente, admite-se que as idias de Rousseau tenham sido decisivas para a Revoluo Francesa de 1789. inegvel que a influncia da filosofia sobre a poltica pode s vezes ser nefasta: os filsofos alemes do sculo X1X podem ser parcialmente responsabilizados pelo desenvolvimento de um nacionalismo exacerbado que posteriormente veio a assumir formas bastante deturpadas. Todavia, no resta dvida de que essa responsabilidade tem sido freqentemente muito exagerada, sendo difcil determin-la exatamente, o que se deve ao fato de aqueles filsofos terem sido obscuros. Contudo, se uma filosofia de m qualidade pode exercer influncia nefasta sobre a poltica, com as filosofias de boa qualidade pode ocorrer o contrrio. No h meios de impedir tais influncias sendo portanto extremamente oportuno que se dedique especial ateno filosofia com o intuito de constatar se concepes que exerceram alguma influncia foram mais positivas do que nefastas. 0 mundo teria sido poupado de muitos horrores caso os alemes tivessem sido influenciados por uma filosofia melhor que a dos nazistas.

Torna-se, portanto, imperativo abandonar a afirmao de que a filosofia destituda de valor, mesmo com respeito riqueza material. Uma boa filosofia, ao influenciar favoravelmente a poltica, pode gerar uma prosperidade incapaz de ser alcanada sob a gide de uma filosofia inferior. Outrossim, o expressivo desenvolvimento da cincia, com seus conseqentes benefcios de ordem prtica, muito depende de seu background filosfico. Houve mesmo quem tenha chegado a afirmar, talvez exageradamente, que o desenvolvimento da civilizao como um todo seria concomitante s mudanas na idia de causalidade, da concepo mgica de causalidade cientfica. De qualquer modo, a idia de causalidade faz parte do objeto da filosofia. A prpria perspectiva cientfica, em grande parte, foi introduzida inicialmente pelos filsofos.


Alfred North Whitehead
Todavia, certamente no se est nas melhores condies para fazer um estudo proveitoso da filosofia se a encarar principalmente como uma via indireta de acesso riqueza material. A principal contribuio da filosofia consiste no intangvel background intelectual do qual muito dependem o clima espiritual e a feio geral de uma civilizao. Nesse sentido, ocasionalmente se desenvolvem ambies ainda maiores. Whitehead, um dos mais expressivos e acatados pensadores modernos, descreve os dons da filosofia como "a capacidade de ver e de prever, aliada a um sentido do valor da vida, ou seja, o sentido da importncia que anima todo esforo civilizado". Acrescenta ainda Whitehead que, "quando uma civilizao atinge seu auge sem coorden-lo com uma filosofia de vida, difundem-se por toda a comunidade perodos de decadncia e monotonia, seguidos pela estagnao de todos os esforos". Para ele, a filosofia consiste em "uma tentativa de esclarecer as crenas que, em ltima instncia, determinam nossa ateno, a qual integra a base de nosso carter". De um modo ou de outro, pode-se ter como certo que o carter de uma civilizao enormemente influenciado por sua concepo geral da vida e da realidade. At pouco tempo, para a maioria das pessoas, essa concepo era proporcionada pelo ensino religioso, mas as prprias concepes religiosas foram muito influenciadas pelo pensamento filosfico. Ademais, a experincia demonstra que as concepes religiosas podem conduzir loucura, a menos que sejam continuamente submetidas a uma avaliao racional. Os que rejeitam qualquer concepo religiosa devem ter o maior interesse em elaborar uma nova concepo para, se possvel, substituir a crena religiosa. E faz-lo significa engajar-se na filosofia.

Embora no possa substituir a filosofia, a cincia suscita problemas filosficos. Pois ela no pode dizer que lugar ocupam os fatos com que lida no esquema geral das coisas, no conseguindo nem mesmo esclarecer suas relaes com os espritos que os observam. Nem mesmo pode demonstrar, embora deva admitir, a existncia do mundo fsico ou a legitimidade do uso dos princpios da induo para prever as provveis ocorrncias futuras ou ultrapassar de alguma forma o que tem sido efetivamente observada. Nenhum laboratrio cientfico pode demonstrar em que sentido os homens tm uma alma, se o universo tem ou no um propsito, se, e em que sentido, se livre, e assim por diante. No deseja-se com isso sugerir que a filosofia possa resolver esses problemas; no entanto, se ela realmente no puder, nada mais poder faz-lo, sendo certamente vlido tentar descobrir ao menos se tais problemas podem ser solucionados. V-se que a prpria cincia pressupe continuamente conceitos que subsumem os domnios da filosofia e, da mesma forma que nenhuma cincia pode florescer se no admitir-se tacitamente uma resposta para certas questes filosficas, no se pode fazer uso mental adequado da cincia, com o intuito de implementar o desenvolvimento intelectual, sem admitir uma viso de mundo mais ou menos coerente. Mesmo as melhores conquistas da cincia moderna no teriam sido alcanadas se os cientistas no tivessem adotado determinadas suposies de grandes e originais filsofos, nas quais basearam todo o seu proceder. A concepo "mecanicista" do universo, que caracterizou a cincia durante os ltimos trs sculos, derivada principalmente do filosofia de Descartes. Por ter ocasionado maravilhosos resultados, o esquema mecanicista deve ser, em parte, verdadeiro, ainda que parcialmente inadequado, apressando-se o cientista em buscar no filsofo o necessrio auxlio para erigir novo esquema que possa substituir o antigo.

Um segundo servio inestimvel prestado pela filosofia (especialmente pela "filosofia crtica") reside no hbito, por ela estimulado, de promover-se um julgamento imparcial considerando-se todas as facetas de uma questo, e na idia que ela oferece do que seja a evidncia e de que se deve buscar ou esperar de uma prova. Pode ser esse um importante questionamento das inclinaes emocionais e das concluses precipitadas, sendo especialmente necessrio, e com freqncia negligenciado, em controvrsias polticas. Se ambos os lados considerassem suas diferenas polticas munidos de esprito filosfico, seria difcil admitir a eventualidade de uma guerra. O sucesso da democracia depende muito da habilidade dos cidados em distinguir um bom de um mau argumento, no se deixando enganar por confuses. A filosofia crtica estabelece um padro ideal para o raciocnio correto e capacita quem a estuda a remanejar argumentos confusos. Talvez seja essa a motivao pela qual Whitehead afirma, na passagem acima citada, que "nenhuma sociedade democrtica poder alcanar xito sem que a educao geral que a inspire exprima uma perspectiva filosfica".

Na medida em que se admite que certa cautela desejvel ao se afirmar que os homens no deixam de viver de acordo com uma filosofia na qual acreditam, e enquanto atribuir-se a maior parte dos desacertos humanos exatamente falta desse desejo de sintonia com ideais mais nobres, no dar para negar a extrema relevncia de crenas gerais a respeito da natureza do universo e do bem para a determinao da progresso ou da degenerao da humanidade. Algumas partes da filosofia inegavelmente produzem resultados prticos mais expressivos, mas no deve-se por isso incorrer no erro de supor que a aparente inexistncia de um suporte de ordem prtica para determinado campo de estudo implica que a investigao desse campo seja destituda de sentido prtico. Conta-se que um cientista, que costumava jactar-se de desprezar a dimenso prtica de toda pesquisa, disse certa vez a respeito de uma: "0 melhor disso tudo que ela possivelmente no revelar qualquer utilidade prtica para quem quer que seja." Todavia, essa linha de pesquisa acabou levando descoberta da eletricidade. De modo similar, estudos filosficos por demais acadmicos e aparentemente destitudos de utilidade prtica terminam por exercer profunda influncia sobre a viso de mundo, chegando at mesmo a afetar, em ltima instncia, a tica e a religio que se adota. Pois as diferentes partes da filosofia, os diferentes elementos que compem a viso de mundo, deveriam integrar-se. Tal pelo menos o objetivo, nem sempre alcanvel, de uma boa filosofia. Sendo assim, conceitos primeira vista muito distanciados de qualquer interesse de ordem prtica podem vir a afetar de modo vital outros conceitos que envolvem mais de perto a vida diria.

Pode-se compreender agora o motivo pelo qual a filosofia no precisa recear a questo de ter ou no valor prtico. Deve-se ao mesmo tempo dizer que no aprova-se de modo algum uma concepo puramente pragmtica da filosofia. A filosofia merece ser valorizada por si prpria, e no por seus efeitos indiretos de ordem prtica. E a melhor maneira de se assegurar esses bons efeitos prticos se dedicar filosofia pela filosofia. Para encontrar a verdade, precisa-se busc-la desinteressadamente. E o fato de a encontrar se revelar muito til do ponto de vista prtico. No obstante, uma preocupao prematura com seus efeitos prticos s dificultar a busca do que de fato verdadeiro. Muito menos pode-se fazer desses efeitos prticos o critrio de sua verdade. As crenas so teis porque so verdadeiras, e no verdadeiras porque so teis.

PRINCIPAIS DIVISES DA FILOSOFIA

Tradicionalmente, a filosofia se divide em cinco reas:

1. Lgica, que estuda o mtodo ideal de pensar e investigar;

2. Metafsica, que estuda a natureza do Ser (ontologia), da mente (psicologia filosfica) e das relaes entre a mente e o ser no processo do conhecimento (epistemologia);

3. tica, que estuda o Bem, o comportamento ideal para o ser humano;

4. Poltica, que estuda a organizao social do homem;

5. Esttica, que estuda a beleza e que pode ser chamada de filosofia da Arte.

Convm concluir lembrando que a cincia e o pensamento cientfico se originaram com a filosofia na Grcia da Antigidade. Com o passar do tempo, certas reas da especulao filosfica, como a matemtica, a fsica e a biologia ganharam tal especificidade que se separaram da filosofia.

FILOSOFIA E SABEDORIA PRTICA


Scrates
A filosofia est associada tanto ao saber terico quanto sabedoria prtica, qual se alude atravs de expresses do tipo "considerar filosoficamente as coisas". De fato, o sucesso da filosofia terica no oferece qualquer garantia de que ser filsofo no sentido prtico ou de que agir e sentir de modo correto sempre que se envolver em determinadas situaes prticas. Uma das doutrinas favoritas de Scrates a de que sempre se pode fazer o bem desde que se saiba o que o bem; no obstante, isso s verdade se acrescentar ao significado do termo "saber" uma adequada nitidez emocional daquilo que se sabe do ponto de vista terico. 0 fato de saber (ou acreditar) que fazer algo que se deseja iria acarretar muito mais sofrimento a uma outra pessoa do que prazer para si mesmo, sendo, em conseqncia, no-recomendvel, no impede, todavia, de praticar tal ao, pois a idia de causar sofrimento poderia parecer menos repugnante que a de perder aquilo que se cobia. Na medida em que inteiramente impossvel a qualquer ser humano sentir o sofrimento alheio com a mesma intensidade que os seus, ocorre sempre a possibilidade de ser tentado a abandonar os deveres, fazendo-se necessrio no apenas o conhecimento, mas tambm o exerccio da vontade. Nem se constitudo de modo a ser sempre fcil, quando se abandonado prpria moral, se opor a um forte desejo, ainda que disso dependa a prpria felicidade. A filosofia no garantia de conduta correta ou do perfeito ajustamento das emoes s crenas filosficas. Nem mesmo do ponto de vista cognitivo ela capaz de dizer o que se deve fazer. Para isso, precisa-se, alm de princpios filosficos, no s do conhecimento emprico dos fatos relevantes e da capacidade de prever as provveis conseqncias, mas tambm de um insight da situao particular, de maneira a se poder aplicar adequadamente os princpios.

Fonte: Universidade federal de Santa Catarina - UFSC

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