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Demografia - Imigração Japonesa: 1. O início

Revista Cultura Japonesa

A imigração japonesa no Brasil começou no ínicio do século XX, como um acordo entre o governo japonês e o brasileiro, pois o Japão vivia desde o final do século XIX uma crise demográfica enquanto que o Brasil necessitava de mão-de-obra para a lavoura do café.

A população japonesa do Brasil está estimada em um milhão e quinhentas mil pessoas, sendo a maior população nipônica fora do Japão.

O começo

O primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses foi o Kasato Maru, em 18 de Junho de 1908, no Porto de Santos. Trazia 165 famílias, que vinham trabalhar nos cafezais do oeste paulista.

Diário de bordo relata os 52 dias de viagem no Kasato Maru

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Vapor japonês, Kasato Maru, atracado nas docas do Porto de Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Viagem que deu início à imigração japonesa foi marcada pelas dificuldades:

“Depois de uma noite tranqüila de viagem, o Kasato Maru percorreu as primeiras 195 milhas e a viagem transcorre normalmente”, relata o diário de bordo escrito por Ryo Mizuno, considerado o pai da imigração” . “Os passageiros usam trajes ocidentais confeccionados na Europa. Os homens deixam de lado o quimono e vêm de terno e gravata, chapéu e bota. Alguns trazem no peito condecorações de guerra com a Rússia.”

“No dia 30 de abril, choveu à tarde. O navio percorreu 247 milhas e os imigrantes viram a pequena ilha de Suwa. Agora todos são 'soldados da fortuna', querem enriquecer e voltar dentro de cinco anos.” Na bagagem, além da esperança, traziam manuais práticos de português que se tornariam inúteis na nova terra. Frascos de conserva, molhos para temperos, cobertores, pauzinhos para comer, travesseiros de bambu, papel e tinta nanquim (532 passageiros eram alfabetizados) compunham seus pertences.

“Na quarta-feira, 6 de maio, o primeiro incidente: o foguista Kataoka demonstra irritação e deixa todos inquietos. Ele tentou invadir os aposentos das mulheres e foi contido pelos vigias noturnos. Nada aconteceu”, escreveu Ryu Mizuno.

“A 9 de maio, após uma madrugada de forte tempestade, o navio aportou em Cingapura. Shuhei Uetsuka é o único que desembarca, para despachar a correspondência” .

O diário de Ryu Mizuno diz que "a viagem trancorre sem anormalidades até o dia 13 de maio, quando os imigrantes passaram a sofrer mal-estar generalizado, em conseqüência dos fortes ventos que fazem o navio jogar" .

O farol Lang foi avistado no dia 31 de maio e, em poucas horas, surgiu a África. Às 22 horas do dia 2 de junho, o navio chegava à Cidade do Cabo.

Ryu Mizuno foi o único a desembarcar por um curto período de tempo.

Três dias antes da chegada ao Brasil, o foguista Kataoka voltou a demonstrar perturbações. À meia-noite de 15 de junho, armado de uma faca, tentou matar Ryu Mizuno, mas foi contido por seu chefe, Seizo Yokoyama, que acabou sendo ferido gravemente na barriga. Durante alguns dias ele resistiu. Chegou a ser internado em Santos, mas morreu e foi sepultado no túmulo número 50 do cemitério santista.

Às 17 horas do dia 18 de junho, o Kasato Maru atracava no porto de Santos no cais número 14. Os imigrantes agitavam bandeirolas de seda, do Brasil e do Japão. Somente desembarcaram no dia seguinte e permaneceram na cidade por duas horas, sendo em seguida encaminhados para a Casa da Imigração em São Paulo. Após alguns dias, todos foram enviados às fazendas do interior paulista. Os japoneses começavam a construir sua nova pátria.

A pré-história da imigração

Embora o Japão tenha enviado seus primeiros imigrantes ao Brasil em 1908, os primeiros japoneses a pisar o solo brasileiro foram os quatro tripulantes do barco Wakamiya Maru, em 1803, que afundou na costa japonesa. Os náufragos foram salvos por um navio de guerra russo que, não podendo desviar-se de sua rota, levou-os em sua viagem. No retorno, a embarcação aportou, para conserto, em Porto de Desterro, a atual Florianólis-SC, no dia 20 de dezembro, ali permanecendo até 4 de fevereiro de 1804. Os quatro japoneses fizeram registros importantes da vida da população local e da produção agrícola da época.

Outros japoneses estiveram de passagem pelo país incidentalmente, mas a primeira visita oficial para se buscar um acordo diplomático e comercial ocorreu em 1880. No dia 16 de novembro daquele ano, o vice-almirante Artur Silveira da Mota, mais tarde Barão de Jaceguai, iniciou, em Tóquio, as conversações para o estabelecimento de um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países. O esforço nesse sentido prosseguiu em 1882, com o ministro prenipotenciário Eduardo Calado, mas o acordo só foi concretizado 13 anos mais tarde: no dia 5 de novembro de 1895, em Paris, Brasil e Japão assinaram o Tratado da Amizade, Comércio e Navegação.

Abertura à imigração

Entre eventos que antecederam a assinatura do Tratado, destaca-se a abertura brasileira às imigrações japonesa e chinesa, autorizada pelo Decreto-Lei nº 97, de 5 de outubro de 1892. Com isso, em 1894, o Japão enviou o deputado Tadashi Nemoto para uma visita, em cujo roteiro foram incluídos os Estados da Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

Satisfeito com o que viu, Nemoto mandou um relatório ao governo e às empresas de emigração japonesas, recomendando o Brasil como país apto a acolher os imigrantes orientais. A partida da primeira leva de japoneses que deveria vir trabalhar nas lavouras de café em 1897, teve, no entanto, de ser cancelada justamente na véspera do embarque. O motivo foi a crise que o preço do produto sofreu em todo o mundo, e que iria perdurar até 1906.

Em 1907, o governo brasileiro publicou a Lei da Imigração e Colonização, permitindo que cada Estado definisse a forma mais conveniente de receber e instalar os imigrantes. E, em novembro daquele mesmo ano, Ryu Mizuno, considerado o pai da imigração, fechou acordo com o secretário da Agricultura de São Paulo, Carlos Arruda Botelho, para a introdução de 3 mil imigrantes japoneses num período de três anos. Nessa época, o governador era Jorge Tibiriçá. Assim, no dia 28 de abril de 1908, o navio Kasato Maru deixou o Japão com os primeiros imigrantes, rumo ao Brasil.

O período da imigração


Japoneses recém-chegados, aguardando seu destino na Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo.
Museu Histórico da Imigração Japonesa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As 781 pessoas do grupo pioneiro que chegou ao Brasil em 1908 no Kasato Maru foram alocadas em 6 fazendas de café no interior de São Paulo. De imediato todas as expectativas positivas dos imigrantes, e até mesmo dos representantes das empresas que intermediavam a vinda de imigrantes, foram desmanteladas pela realidade das coisas no Brasil.

As "moradias" que os fazendeiros ofereceram aos imigrantes nada mais eram que as antigas senzalas de barro ou madeira construídas para os escravos negros, que haviam sido abandonadas e estavam há anos sem limpeza ou manutenção. Não havia piso, móveis, ou paredes divisórias. Não havia água ou instalações sanitárias. Quem quisesse ter iluminação em casa à noite tinha que comprar velas no armazém da fazenda, bem como quem quisesse ter algo para comer, o que se limitava a arroz de sequeiro, feijão, milho, carne ou bacalhau seco, ítens que os japoneses não gostavam e mal sabiam como preparar. Os brasileiros não cultivavam verduras ou soja, e os japoneses passaram a improvisar conservas com plantas encontradas no mato, como o picão e o caruru. Tais condições de vida subumanas causaram em poucos meses subnutrição generalizada, doenças e mortes entre os imigrantes.

Dificuldades de entendimento entre os imigrantes e fazendeiros devido à total diferença de cultura, idioma, usos e costumes geravam constantes atritos. "Capitães-do-mato" e "capangas" armados para levar os imigrantes aos cafezais e fiscalizar seu trabalho passavam aos japoneses a sensação de que seus contratadores não lhes tinham confiança e queriam mantê-los prisioneiros como mão-de-obra escrava. Obrigados a comprar comida e itens de primeira necessidade apenas no armazém da fazenda, os imigrantes logo perceberam que ao invés de receber um salário no fim do mês passaram a ter dívidas com os fazendeiros, dado os preços exorbitantes cobrados no armazém.

Pior mesmo era a remuneração dos imigrantes, que de acordo com as propagandas das empresas de imigração era calculada sobre uma média superestimada de 9 sacos de 50 quilos de café colhido por dia por família, que no câmbio da época equivaleria a 5 ienes e 50 sens por dia (em dois dias de trabalho no Brasil os imigrantes esperavam ganhar o salário mensal de um policial no Japão). Entretanto, ao chegar nas fazendas os japoneses foram colocados para trabalhar com cafeeiros velhos, de baixa produtividade, que resultavam numa colheita escassa, que mal chegava a 2 sacos colhidos por dia por família. Do dia para a noite passando a ser explorados como mão-de-obra escrava, empurrados para a miséria e correndo risco de vida pela situação de abandono, os imigrantes não tiveram outra alternativa senão fugir das fazendas e buscar outras profissões. Até o fim de 1908 apenas 359 das 781 pessoas que chegaram em junho daquele ano no Kasato Maru ainda se encontravam nas fazendas contratantes. Na Fazenda Dumont, que recebeu o maior grupo de imigrantes japoneses (210 pessoas), ninguém ficou.

Não obstante, no ano seguinte a segunda leva de imigrantes já estava a caminho. E no dia 28 de junho de 1910, o navio Ryojun Maru aportava em Santos com mais 906 trabalhadores à bordo. Distribuídos por outras fazendas, eles viveram os mesmos problemas de adaptação dos compatriotas que os antecederam. Aos poucos, porém os conflitos foram diminuindo e a permanência nos locais de trabalho mais duradoura.

Não obstante, em 1909 a segunda leva de imigrantes já estava a caminho. E no dia 28 de junho de 1910, o navio Ryojun Maru aportava em Santos com mais 906 trabalhadores à bordo. Distribuídos por outras fazendas, eles viveram os mesmos problemas de adaptação dos compatriotas que os antecederam. Aos poucos, porém os conflitos foram diminuindo e a permanência nos locais de trabalho mais duradoura.

Mobilidade profissional e o início das colônias

Ao contrário do que hoje se imagina, grande parte dos imigrantes pioneiros não tinha sido agricultor no Japão. Alguns dos imigrantes japoneses tinham estudo; muitos já haviam morado em cidades e trabalhado como comerciantes, carpinteiros e ferreiros, e ao fugir das fazendas voltaram a exercer a profissão que tinham no Japão como trabalhadores independentes. Outros passaram a empregar-se na construção civil, ou tornaram-se empregados domésticos, ou ainda estivadores nas docas. Na década de 1910 instalou-se em Santos um pequeno grupo de profissionais autônomos e pequenos comerciantes imigrantes, e na década de 1920 japoneses passaram a morar e abrir negócios na Rua Conde de Sarzedas, na região central da Sé em São Paulo.

O fracasso da alocação de imigrantes como mão-de-obra assalariada em fazendas de café levou a uma alteração na forma pela qual se deu continuidade ao processo imigratório. Aproveitando a onda de expansão desenvolvimentista para o interior que então ocorria no Brasil, a partir de 1910 as empresas de emigração japonesas passaram a comprar grandes áreas de mata virgem para instalar as shokuminchi (colônias ou núcleos coloniais). Por este sistema de colônias os imigrantes passaram a vir para o Brasil como adquirentes a prazo de lotes de terra pertencentes às empresas de emigração, desbravando áreas distantes e mata virgem sem ajuda governamental para se tornarem pequenos produtores agrícolas. Ao invés de empregados em regime de semi-escravidão em cafezais, os imigrantes passaram a vir como pequenos agricultores independentes produtores de arroz e algodão (na época produto-base da indústria têxtil mundial, tão valorizado quanto o café).


Imigrantes japoneses em sua lavoura de batata.
Museu Histórico da Imigração Japonesa
Os primeiros imigrantes japoneses a se tornarem proprietários de terra foram cinco famílias que adquiriram, em fevereiro de 1911, os seus lotes junto à Estação Cerqueira César, da Estrada de Ferro Sorocabana, dentro do projeto de colonização Monções, criado na época pelo Governo Federal. Essas famílias foram, também as primeiras a cultivar o algodão.

Em março de 1912, novas famílias foram assentadas em terras doadas pelo governo paulista, na região de Iguape, graças ao contrato de colonização firmado entre uma empresa japonesa e aquele poder público. Iniciado com cerca de 30 famílias, a maioria proveniente de outras fazendas onde os contratos já haviam sido cumpridos, esse foi um dos mais bem sucedidos projetos de colonização dessa fase pioneira.

Naquele mesmo ano, os imigrantes atingiram o Paraná, tendo como precursora uma família procedente da província de Fukushima, e que se estabeleceu na Fazenda Monte Claro, em Ribeirão Claro, cidade situada no norte do Estado.

Em agosto de 1913, um grupo de 107 imigrantes chegou ao Brasil para trabalhar em uma mina de ouro, em Minas Gerais. Foram os únicos mineiros na história da imigração. Em 1914, o número de trabalhadores japoneses no Estado de São Paulo, já estava em torno de 10 mil pessoas. Com uma situação financeira desfavorável, o governo estadual decidiu proibir novas contratações de imigrantes e, em março, avisou à Companhia da Imigração que não mais subsidiaria o pagamento de passagens do Japão para o Brasil. No entanto, a abertura de novas comunidades rurais, utilizando-se a mão­de-obra existente, continuou. Por essa época ocorreu também um dos episódios mais tristes da história da imigração, quando dezenas de pessoas, que haviam se instalado na Colônia Hirano, em Cafelândia, morreram vítimas da malária, doença então desconhecida para os japoneses.

Adaptação cultural e a Segunda Guerra

Com a aumento do número de colônias agrícolas japonesas, que naquele período se expandiu principalmente em direção ao noroeste do Estado de São Paulo, começou a surgir também muitas escolas primárias destinadas a atender os filhos dos imigrantes. E em 1918 formaram-se as duas primeiras professoras oficiais saídas da comunidade, as irmãs Kumabe, pela Escola Normal do Rio de Janeiro. Em 1923, Escola de Odontologia de Pindamonhangaba formou o primeiro dentista de origem japonesa.

Essa presença crescente de um povo exótico no país porém não parou de gerar polêmicas. Tanto na esfera executiva como legislativa surgiram opiniões a favor e contra a entrada de novos imigrantes japoneses. Em 1932, segundo informações do Consulado Geral do Japão, em São Paulo, na época a comunidade nikkey era composta por 132.689 pessoas, com maior concentração na linha Noroeste. Desse total, 90% dedicava-se à agricultura. Já havia, também diversas publicações em japonês com periodicidade semanal, quinzenal e mensal. Em 1938, ano que antecedeu o do início da Segunda Guerra Mundial, o Governo Federal começou a limitar as atividades culturais e educacionais dos imigrantes. Em dezembro, decretou o fechamento de todas as escolas estrangeiras, principalmente de japonês alemão e italiano.

As comunidades oriundas dos países integrantes do Eixo RO-BER-TO (Roma-Berlim-Tóquio) começou a sentir os sintomas do conflito iminente. Em 1940, todas as publicações em japonês tiveram a sua circulação proibida. No ano seguinte, chegaram as últimas correspondências do Japão. Até o fim da guerra, os japoneses viveram um período de severas restrições, inclusive com o confisco de todos os bens.

Período pós-guerra

Em 1948, Yukishige Tamura foi eleito vereador em São Paulo, tornando-se, assim, o primeiro nikkey a ocupar um cargo eletivo em uma capital. Já em clima de paz, foi restabelecido, em 1949, o comércio entre Brasil e Japão por meio de um acordo bilateral. Um ano depois, o Governo Federal anunciou a liberação dos bens confiscados aos imigrantes dos país do Eixo, e, em 1951 aprovou projeto para introdução no país de 5 mil famílias imigrantes. Encorajadas, as empresas japonesas começaram a planejar investimentos no Brasil.

As primeiras delas chegaram em 1953. Cinqüenta anos após a chegada do navio Kasato Maru a Santos, o número de japoneses e descendentes no país somavam 404.630 pessoas. O príncipe Mikasa, irmão do imperador Hiroito, visitou o país para participar das festividades do cinqüentenário da imigração.

Nas eleições majoritárias de 1962 já se podia observar a plena integração social e política dos brasileiros descendentes de japoneses, quando seis nisseis foram escolhidos por meio das urnas: três para a Câmara Federal (Miyamoto, do Paraná; Hirata e Tamura de São Paulo) e três para a Assembléia Legislativa de São Paulo (Yoshifumi Uchiyama, Antonio Morimoto e Diogo Nomura).

Em 1967, o príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko visitaram o Brasil pela primeira vez. Na recepção ao casal imperial, a comunidade nipo-brasileira lotou o estádio do Pacaembu.

Em 1973, chegou a Santos o Nippon Maru, o último navio a transportar imigrantes japoneses. Em 1978 a imigração japonesa comemorou 70 anos. O príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko participaram das festividades e novamente lotaram o Pacaembu. No prédio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, inaugurou-se o Museu da Imigração Japonesa no Brasil.

A integração consolidada

Os anos 60 marcaram, em muitos aspectos, a plena integração dos nikkeis, à sociedade brasileira. Além da participação ativa na vida política por meio de seus representantes nas casas legislativas, eles começaram a despontar nas áreas culturais, notadamente na grande imprensa - onde o pioneiro foi Hideo Onaga, na Folha de S. Paulo - e nas artes plásticas, com destaque para Manabu Mabe.

Também nesse período, durante o governo Costa e Silva, foi nomeado o primeiro ministro descendente de japoneses, o empresário Fábio Yassuda, que assumiu a Pasta da Agricultura, sem, no entanto, cumprir integralmente sua gestão. Mais adiante, dois outros foram chamados a assumir cargos equivalentes: Shigeaki Ueki, como ministro de Minas e Energia do governo Geisel, e Seigo Tsuzuki, como ministro da Saúde do governo Sarney.

A inauguração da sede da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa na rua São Joaquim, em 1964, foi outro marco importante. O Bunkyo passou a promover e/ou coordenar a maioria dos grandes eventos que envolviam a comunidade nipo-brasileira como um todo: aniversários da imigração, visitas ao Brasil de membros da Família Imperial etc.

A partir da década de 70 começaram a surgir as primeiras obras literárias escritas por nikkeis, tendo como temas o Japão e os imigrantes, entre eles: Japão Passado e Presente, de José Yamashiro (1978), História dos Samurais, também de Yamashiro (1982), e a obra considerada como referência obrigatória dentro da história da imigração, que é O Imigrante Japonês de Tomoo Handa, lançado em 1987.

Em 1988, no 80º aniversário da imigração, comemorada com a presença do príncipe Aya, filho de Akihito, o Censo Demográfico da Comunidade, feito por amostragem, estimou o número de nikkeis no País em 1.228.000 pessoas. Nesse final de década, a comunidade nipo-brasileira, e o próprio país já começaram a sentir os efeitos de um novo e curioso fenômeno que se alastrava rapidamente entre as famílias nikkeis: os dekasseguis.


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