Antártica: 1. Aspectos principais

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INPE | CONFINS - Revista Franco-Brasileira de Geografia

Viso do continente Antrtico
No extremo Sul do planeta Terra h a ltima fronteira ao avano e controle total do homem. Se j so tantas as dificuldades para a sobrevivncia em um ambiente hostil, pode-se imaginar o esforo maior para a permanncia total e indefinida. Tal territrio, sempre idealizado pelos antigos gregos, cerca de 300 a.C., mas descoberto h pouco mais de um sculo a Antrtica.

Suas diferenas so marcantes em relao ao seu par, no plo Norte, em todos os sentidos. O mais importante o fato de a Antrtica ser realmente um continente, enquanto que o rtico apenas uma calota de mar congelado. As diferenas geogrficas so muito importantes para se ter uma idia de diversos comportamentos climatolgicos e oceanogrficos entre os dois hemisfrios da Terra. Deve-se dar nfase a estas caractersticas geogrficas para o estudo da regio. Enquanto no plo Norte h o rtico como um mar congelado, com espessura de gelo prxima de 10 metros, cercado de continentes por todos os lados, com estreitas faixas de oceanos livres, o plo Sul exatamente o oposto. Temos um continente de fato, a Antrtica, cercada de oceano livre por todos os lados, o Oceano Circumpolar Antrtico. Este um motivo chave para os deslocamentos dos fluidos geofsicos do planeta: os oceanos e a atmosfera. Com a ausncia de perturbaes causadas pela presena de massas continentais, os fluidos podero formar fenmenos considerveis.

A Antrtica foi o ltimo continente a ser descoberto e explorado, e ainda hoje quase inabitado. Mesmo no vero, quando as condies so mais amenas, a populao de poucos milhares de habitantes, sendo nenhum deles permanente. Apenas turistas, que permanecem nos navios ao longo da costa, fazem este nmero aumentar para algumas dezenas de milhares durante os poucos dias que duram os passeios. Ao contrrio da regio rtica, onde existe a presena humana natural dos esquims, na Antrtica nunca houve habitantes devido ao frio excessivo. Hoje, ela uma gigantesca reserva da humanidade, protegida e destinada apenas a estudos cientficos, onde no se desenvolvem atividades comerciais, industriais, extrativas e militares. Neste texto se verá, resumidamente, porque sua histria to diferente e especial.

Origem do nome

Embora obscurecido pela Idade Mdia, o conhecimento de que a Terra era esfrica j era sabido pelos antigos Gregos. Chegou-se a calcular seu raio com pouca margem de erro, quando o diretor da biblioteca de Alexandria, Eratstenes, em 331 a.C. descobriu anotaes interessantes sobre a posio de sombras durante um solstcio de vero boreal na cidade de Siena (s margens do mar Vermelho, Egito antigo). Outras observaes da esfericidade da Terra eram bem claras durante os eclipses lunares. Os antigos conheciam as terras do Norte e sabiam da existncia das regies geladas do rtico e das regies quentes equatoriais prximas no continente africano. Imaginando a simetria de um corpo celeste esfrico, concluram que deveria haver uma regio fria na outra extremidade do planeta. Como sobre o plo Norte h a estrela polar (Polaris), pertencente constelao da Ursa Menor, a regio fria do Norte recebeu o nome de Arktus (h grafias Arktikus), que significa Ursa Menor. Ento, pela derivao e simetria, a concluso que se chegou foi da existncia de uma regio fria ao Sul. Assim nasceu o nome Anti-rtico, ou contrrio da Ursa Menor. Formou-se as palavras derivadas "antrtico", usada como adjetivo e o substantivo "Antrtica", para nomear o continente. Mas nem sempre a lngua portuguesa foi fiel s origens gregas, da a formao do substantivo latino "Antrtida". o nico continente polar do planeta. Alm do mais, estas terras continuam sua deriva, como todas os outras da Terra e, num futuro distante, deixar de ser a antpoda da regio rtica. Oficialmente, o governo brasileiro adotou o termo Antrtica para descrever o continente nos seus trabalhos e documentos. Notoriamente, ambos os modos esto corretos. muito comum encontrar nos jornais e livros a grafia Antrtida.

A descoberta do Continente


Thaddeus Bellingshausen
Desde tempos remotos, a Terra Australis Nondum Cognita era grafada nos mapas antigos como sendo uma regio existente, porm no descoberta. difcil oficialmente dizer quem foi o explorador, ou melhor dizendo, a expedio, que encontrou o continente. Diversos pases, inclusive o Brasil, participaram de expedies de ataque as regies sub-polares e polares. Contudo, com a tecnologia dos sculos XVIII e XIX, tais jornadas eram muito crticas e trabalhavam no limite extremo entre a vida e a morte. Pode-se fazer uma idia de como tais misses eram perigosas quando comparamos com os dias atuais. Se mesmo hoje, um acidente nos mares antrticos ou mesmo sobre o continente muito difcil de prestar socorro, imaginemos h mais de 100 ou 200 anos atrs. Os expedicionrios realmente tinham um esprito aguado de aventura. Infelizmente, nem todos tinham uma viso ecolgica e cientfica acurada. Avaliando a Histria, pode-se dizer duas coisas interessantes de um grande personagem no descobrimento antrtico. O nome Bellingshausen.


Capitão James Cook
Embora haja muita controvrsia sobre os descobridores da Antrtica, sumariamente, avaliando-se todos os documentos registrados da poca, se pode atribuir com muito mais certeza o encontro das terras antrticas ao comandante Thaddeus Bellingshausen, chefe de duas expedies antrticas russas iniciadas na data de 1819. Naqueles tempos de descobertas, tais expedicionrios saam em suas misses para ficarem mais de 2 anos percorrendo as regies dos mares gelados, fazendo retornos breves para recarga de suprimentos e reparos de avarias. Normalmente tais retornos eram feitos na Austrlia, Nova Zelndia, Argentina e Brasil. Havia uma corrida mundial entre muitas naes para o descobrimento das terras austrais. Muito antes de Bellingshausen, diversos outros exploradores tentaram encontrar o continente. Em 1768, o jovem comandante ingls James Cook, a bordo do Endeavour, j partira para as guas do Sul. Porm, somente na sua segunda viagem, no comando do Resolution, em 1772, que ele conseguiu chegar ao ponto Sul mximo at aquela poca. Tal marca s seria batida em 1933 na expedio do almirante americano Richard Bird. quase uma fatalidade Cook no ter descoberto a Antrtida, pois avanou at o paralelo 7110, mas na longitude 16054, ou seja, penetrou na regio mais profunda e exaurida de terras da Antrtida, o mar de Ross. Se no fosse por esse fato, sua expedio teria descoberto o continente j no sculo XVIII.

O comandante Belligshausen, seguindo pelas recm descobertas ilhas Shetland do Sul, encontrou a pennsula Antrtica. Isto s ocorreu depois de diversas tentativas de ultrapassar as barreiras de gelo que cercavam sua flotilha constantemente (navios Vostok e Mirnyi). Pode-se dizer que a data mais correta para se atribuir descoberta 28 de janeiro de 1821.

Toponmia geral da Antrtida - A navegao da frota russa do Cap. Bellingshausen navegava sempre alm dos 60S. Sendo assim, encontrou a pennsula Antrtica em 28 de janeiro de 1821. O mar Oeste da pennsula recebe o seu nome. Nota-se tambm que o continente no centrado no Plo Sul. Cerca de 90% dele pertence Antrtida Oriental.

Ilhas da regio j haviam sido descobertas um pouco antes, como por exemplo a da Gergia do Sul, em 1775, pelo Capito Cook. As Shetlands do Sul, onde fica a Estao Antrtica Brasileira Comandante Ferraz (EACF), no norte da Pennsula Antrtica, foram visitadas em fevereiro de 1819, pelo capito ingls William Smith, ao ser desviado para o sul de sua rota no Estreito Drake por uma das fortes e comuns tempestades naquela regio; em sua prxima viagem oito meses depois, ele reclamou a posse para o Imprio Britnico.

Veja o mapa da Antrtica

Caractersticas peculiares

O continente Antrtico especial pelos mais diversificados motivos. Inicialmente levar-se- em conta os fatores geogrficos mais comuns referentes Antrtida. Foi um continente que derivou do Norte para o Sul nestes milhes de anos de evoluo terrestre, saindo de uma regio tropical. Por este motivo, j comportou florestas e animais. A existncia disto foi comprovada por estudos geolgicos da regio que mostram excelentes reservas de carvo, petrleo e madeira petrificada. Alm disto, h reservas de diversos minerais cuja quantificao excede muitas reservas exploradas em outras regies do mundo. Metais como ferro, cobre e outros preciosos so abundantes. Por estas poucas caractersticas, a Antrtida j se torna uma rea de relativo interesse econmico. Contudo, estas no so caractersticas econmicas de fcil obteno. Talvez por isso, e afirma-se que somente por isso, elas ainda no foram exploradas de fato. O clima e o tempo tornam impraticveis economicamente tais atitudes.


Figura em projeo polar
para comparao do
territrio brasileiro em
relao ao continente
antrtico
A Antrtica, incluindo todas ilhas e as plataformas de gelo, tem 13.661.000 km2; sem as plataformas, 12.093.000 km2, e se computada apenas a superfcie continental, 11.900.000 km2. Este ltimo valor 42% maior que o Brasil, que possui 8.512.000 km2. Contudo, menor que a Amrica do Sul, com 17.800.000 km2. Dos sete continentes o 5 em tamanho, porm o de altitude mdia mais elevada, de cerca de 2.300 m, e seu ponto mais alto, o macio Vinson, possui 5.140m; o Plo Sul fica a 2.835 m de elevao. Uma grande parte do continente tem o solo abaixo do nvel do mar, at o limite de -2.555 m na depresso de Byrd, e a calota de gelo chega espessura mxima de 4.776 m na Terra de Wilkes; outra curiosidade, que o Plo Sul Magntico no coincide com o plo geogrfico, e suas coordenadas so 7407' Sul e 10439' Leste.

Devido ao acmulo constante de neve, o gelo que formado registra o passado em sua composio qumica, permitindo o estudo de gases e temperatura da atmosfera por centenas de milhares de anos, e tambm os efeitos mais recentes da poluio atmosfrica.


Icebergs tabulares imperam nos mares antrticos. Muitos deles so maiores que cidades e at pequenos estados
brasileiros. A preocupao maior com estes gigantes de gelo errantes a sua rota. Algumas chegam ao litoral
Sul do Brasil.


 

 

 

 

 

 


Geologicamente, at 140 milhes de anos atrs a Antrtica estava na parte central do super-continente Gondwana, quando os continentes de hoje comearam a se deslocar na crosta terrestre at chegar configurao presente. Suas condies eram ento muito diferentes, conforme estabelecido pelos fsseis de animais e plantas de at 200 milhes de anos. No setor leste predomina um escudo continental e na oeste, onde est a Pennsula, a origem bem mais recente, coincidindo com a dos Andes na Amrica do Sul.

Exceto pelas algas (umas 300 espcies) que se desenvolvem na neve e gelo, a flora terrestre antrtica concentra-se nos 2% do continente que no so permanentemente recobertos por gelo. Devido s baixas temperaturas, quanto mais ao sul e maior a altitude, menor o nmero de espcies e plantas. Liquens (250 espcies) e Brifitas (130 espcies, sendo 100 de Musgos) so mais comuns; fungos tambm so encontrados, e gramneas ocorrem nas ilhas sub-antrticas, mais ao norte, onde somente duas plantas com flores so conhecidas.

A vida na regio depende fundamentalmente dos oceanos, onde a luz abundante no vero e a circulao das correntes marinhas favorecem o alto teor de nutrientes e o crescimento da alimentao primria, composta de fitoplncton e zooplncton; estes efeitos so notados em um cinturo de 35 milhes de km2, conhecido por convergncia antrtica. No centro da cadeia alimentar encontra-se o krill (Euphasia superba), nome genrico de um crustceo (camaro) de poucos centmetros e algumas gramas que alimenta pingins, focas, baleias, podendo mesmo servir de alimento a animais de criao aps processamento industrial; para o Homem, seu teor de flor tem de ser diminudo. Em peso seco, possui cerca de 50% de protena e so ricos em vitaminas. Em alguns anos a captura comercial do krill excede 500 mil toneladas. Os peixes antrticos, de cerca de 150 espcies, so bastante peculiares como resultado da evoluo em temperaturas muito baixas, e alguns possuem at substncias anticongelantes no sangue. Em sua maioria, so pelgicos, de profundidade.

Aves tambm se alimentam de krill, embora muitas sejam preferencialmente carnvoras como as skuas (Catharacta lonnbergi), notrias por seus ataques a filhotes de pingins. Dentre as 60 espcies de aves na regio, os pingins representam a Antrtica para o pblico em geral. No mar so extremamente geis e graciosos, podendo mergulhar at 250 m. Fora do mar, limitam-se a regies costeiras, placas de gelo e banquisas. Na regio da Estao Brasileira Com. Ferraz, so comuns trs espcies: adlia, antrtica ou chinstrap e papua (Pygoscelis adeliae, antarctica e papua, respectivamente). Em ocasies raras observa-se tambm o de penacho (Eudyptes chrysolophus) e o imperador (Aptenodytes forsteri), que o maior de todos e chega a ter 30 kg e 1,1m. O imperador notrio por nidificar na escurido do inverno antrtico, com temperaturas de dezenas de graus negativos, mesmo a centenas de km do acesso ao mar. As colnias de pingins, ou pingineiras, podem atingir mais de um milho de indivduos no vero, o que no impede os pais de encontrar seus filhotes aps o retorno de uma pescaria de krill com a captura de cerca 800g por dia. Em relao aos animais mamferos, apenas so encontrados os marinhos, como baleias, golfinhos, focas, e lees-marinhos.

O continente rico em recursos naturais, desde minrios com metais preciosos e raros at possivelmente petrleo. Entretanto, devido s questes de pretenso territorial de alguns pases que nunca foram aceitas, e mais recentemente, pelas limitaes impostas pelo Tratado Antrtico, est proibida toda e qualquer atividade comercial, industrial, extrativista, e militar no continente. No ano de 2041, com a reviso do tratado, ser redefinido o futuro deste santurio.

Clima e Tempo na Anttica

Quanto meteorologia, a Antrtica muito peculiar, tanto por ser o continente mais frio, e com ventos mais fortes, como por ter mais gua doce acumulada. A temperatura mdia anual varia de cerca de -10C na costa a -60C nas partes elevadas de seu interior. Na costa, no vero o mximo pode chegar a +10C, e no inverno o mnimo chega a -40C. Em contraste, no planalto o vero pode ter -30C e o inverno -80C. A temperatura mais baixa j registrada no planeta foi -89,2C na estao russa de Vostok em 21 de julho de 1983. Sistemas de baixa presso, chamados de ciclones, costumam afetar a regio costeira e os mares antrticos, causando ventos perigosos de 100 km/h por at alguns dias, com rajadas de 200 km/h; associados com chuva ou neve e nevoeiros, e a mar muito agitado caso se esteja no oceano, as condies de sobrevivncia se tornam crticas. A maior velocidade de vento registrada foi 327 km/h na estao francesa Dumont dUrville, em julho de 1972. O interior do continente tem o ar normalmente seco e subsidente, caracterizando-se do ponto de vista de precipitao como um deserto, com cerca de 50 mm/ano; porm, como a pouca neve precipitada no descongela, o acmulo contnuo, chegando a 4 km em certas partes. Em algumas regies, como no Mar de Bellingshausen e nas Ilhas Shetlands o total anual de vrias centenas de mm de gua.


Cabo Horn, final Sul da Amrica do Sul. Diferentemente de Magalhes, Francis Drake avanou mais ao Sul e
descobriu uma passagem muito mais larga (cerca de 1000km) que ligava o Atlntico ao Pacfico. Contudo, esta
passagem (que leva o seu nome) constantemente atingida pelos ciclones extratropicais. Como os mares
respondem aos ventos, as ondas podem chegar a 12 metros ou mais. Normalmente, atingem 7 metros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Analisando as diversas condies do tempo, pode-se dizer que a climatologia antrtica muito dinmica. Por um lado, na faixa do litoral e oceano Circumpolar Antrtico, agem os ciclones extratropicais e ciclones extratropicais polares. Enquanto que na rea continental imperam, em mdia, escoamentos catabticos originados do interior para o litoral. Mas tal simplicidade aparente esconde muitos mistrios, ainda a serem descobertos e avaliados. Estamos muito longe de descobrir todos os mecanismos da atmosfera antrtica.


Dia calmo, ensolarado e raro na Antrtica
Normalmente a regio costeira atribulada permanentemente devido a passagem de alta freqncia dos ciclones extratropicais. Note na fotografia ao lado que mesmo com mar espelhado e ausncia de ventos, o perigo meteorolgico espreita. Observe a nebulosidade sobre as montanhas. Expedicionrios em terra ou helicpteros que por ventura estivessem passando ali, estariam sujeitos ao Whiteout. Este fenmeno meteorolgico caracterstico de regies rticas e tambm recebe a alcunha de Escurido Branca. Quem estiver dentro dele perde a noo de espacialidade. Expedicionrios se perdem e aeronaves colidem com o solo. Com a modernidade dos instrumentos de navegao, o problema foi abrandado, mas no eliminado.


Outros dois exemplos de Witheout. Na fotografia da esquerda, no possvel encontrar o final da geleira Domeiko,
ilha Rei George, e o incio da nebulosidade. A fotografia da direita mostra o mesmo efeito, sobre a geleira Stenhouse
e Ajax, abrandado por nebulosidade de teto obscurecido.

 

 

 

 

 

 

 

Um fenmeno importante na regio o conhecido buraco de oznio, resultante da reduo sazonal deste gs na camada atmosfrica entre 10 km e 50 km, diminuindo a capacidade de filtragem dos raios solares ultra-violeta, muito nocivos pele dos organismos vivos. Sua reduo nos meses do outono aumentou muito nas ltimas dcadas, supostamente como resultado de reaes qumicas do gs cloro, resultante de emisses de gases do tipo clorofluorocarbonos (CFCs) usados por todo planeta na refrigerao e em latinhas de spray. A intensidade maior do fenmeno na Antrtica em relao ao rtico decorre das temperaturas mais frias da atmosfera antrtica. Protocolos internacionais assinados nos ltimos anos esto substituindo os CFCs, e acredita-se que em algumas dcadas os nveis de oznio estratosfrico retornem ao normal.

A gua na Antrtica

O oceano Circumpolar Antrtico possui uma das maiores correntes ocenicas da Terra e de longe uma das mais velozes. Em certos trechos, como o estreito de Drake (passagem entre o oceano Pacfico e Atlntico no Sul da Amrica do Sul e Norte da pennsula Antrtica) pode alcanar velocidades da ordem de 60km por dia. Tal corrente conhecida como Corrente Circumpolar Antrtica (CCA) e caminha prxima linha de Convergncia Antrtica, aos 60S (o local em que se pode dar a volta toda ao redor da Antrtida por mar).

A parte de estudos na rea da Oceanografia Fsica da Antrtida vasta. Existem interaes entre correntes profundas do leito dos trs oceanos do planeta e as guas superficiais ao redor da Antrtida. No Atlntico, por exemplo, alternam-se guas provenientes de afundamento da costa antrtica para a base do Atlntico, caminhando para o Norte e ao mesmo tempo em uma profundidade intermediria. Em contrapartida, guas do Atlntico Norte, passam entre essas duas correntes e se ligam CCA, na passagem ao Sul da frica. Tais movimentos de massas dgua so responsveis por diversos processos. Cabe a Oceanografia Qumica, a Biolgica e a Geolgica desvendar um emaranhado de segredos por trs desta dinmica dos oceanos e sua interao com a CCA. Tais conexes indicam como tudo no planeta est interligado. Outros exemplos so os estudos de densidade e salinidade, gases dissolvidos nos mares antrticos, migraes de cetceos, alm da interao ar-mar.

90% da gua doce do planeta esto na forma de gelo, e deles, 90% encontram-se na Antrtica. Ou seja, cerca de 80% de toda nossa gua doce est na Antrtica e ocupa volume de cerca de 25 milhes de km3. A maior espessura de gelo 4.776 m, na Terra de Adlia. A extenso de gelo nas banquisas ao redor do continente varia entre o mnimo de 4 milhes de km2 em maro (meio Brasil) ao mximo de 22 milhes de km2 em setembro (quase trs vezes o Brasil). A grande preocupao em relao a possveis mudanas climticas, que se todo gelo antrtico derretesse, o nvel dos oceanos no planeta subiria uns 50 metros, trazendo trgicas conseqncias para regies e populaes costeiras. A elevao de alguns centmetros j constatada nos oceanos, e os efeitos decorrentes em algumas ilhas e praias esto sendo vinculados por cientistas ao desprendimento de plataformas de gelo e derretimento de geleiras no entorno antrtico; h previses que nos prximos 100 anos este efeito cause elevao de um metro no nvel dos oceanos. O tema ainda polmico, havendo tambm possibilidade de aumento do gelo antrtico como parte das eventuais mudanas globais. Entretanto, o aumento de icebergs desprendidos e de sua extenso nos ltimos anos est sendo constatada.

A Antrtica se relaciona ao clima e tempo do Brasil de duas formas. Por um lado, no contexto do planeta, a regio continental e ocenica de onde partem as massas de ar frio que vo se misturar com as massas quentes oriundas das regies equatoriais e tropicais mais aquecidas; desta interao resulta o padro de circulao atmosfera e o clima geral do planeta. Por outro, em termos regionais, so as massas de ar da regio do mar de Weddell que em alguns casos trazem frio e precipitao no inverno para o sul e sudeste do pas. A corrente ocenica das Malvinas, no sentido sul-norte tambm afeta a costa do pas, deslocando guas frias e ricas em nutrientes ao longo da costa, e chegando inclusive at Cabo Frio, RJ, onde causa o fenmeno da ressurgncia.


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