A importância do Canal de Suez

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A ideia da construção de um canal que ligasse o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, remonta a época dos faraós do Egito, quando Senuseret III, que reinou de 1878 a.C. a 1840 a.C., ordenou as primeiras escavações que unia o Rio Nilo ao Mar Vermelho (era chamado de “Canal dos Faraós”). A partir daí, a cada reinado, o “canal” era escavado alguns quilômetros, e no governo de Dario I, cerca de 500 anos antes de Cristo, ele foi considerado completado.

O Canal de Suez se estende desde a cidade de Suez, no Egito, às margens do Mar vermelho, até Porto Said, às margens do Mar Mediterrâneo, possui 163 km de extensão – o maior canal do mundo (sendo que desta extensão, 50 km foram escavados em pleno deserto). Para ser construído, precisou-se da força de mais de 1,5 milhões de egípcios e 120.000 deles morreram durante este período em razão da cólera.

A construção durou 10 anos (1859 a 1869) e foi financiada pela França e pelo Egito. Mais tarde o Egito vendeu sua parte do canal ao Reino Unido devido à dívida externa que contraíra e a Inglaterra tornou-se a principal acionista, o que lhe garantia sua rota para as Índias.

O projeto foi proposto pela Companhia Universal de Suez, de propriedade do francês Ferdinand de Lesseps, que estava convencido e conseguiu convencer os governos dos dois países, de que o canal possibilitaria preservar e defender o Império Otomano, e que apesar da empreitada ser uma tarefa difícil, as dificuldades poderiam ser superadas com as técnicas modernas de construção. Além disso, em sua concepção, era um negócio muito rentável, uma obra grandiosa que mostraria sua importância com o passar dos anos, dando um grande impulso para a navegação de longo percurso.


Crise de 1956

Durante o pós guerra surge o nacionalismo no Egito, e com ele a revogação do Tratado anglo-egípcio de 1936 sobre o canal. Em 1951, Nahas Pasha, recém-eleito do partido Wafd nacionalista, fechou o Canal de Suez para o Reino Unido resultando em violência numa escala sem precedentes.


Em julho de 1952 o general Mohammed Neguib tomou o poder no Egito e o secretário britânico de relações exteriores tentou negociar com o novo governo a reabertura do canal, mas sem sucesso.

Em 1954, o coronel Gamel Abdul Nasser substituiu o general Neguib, e em outubro deste mesmo ano um tratado de reabertura do canal foi assinado entre Nasser e o então ministro britânico de Estado dos Negócios Estrangeiros, Anthony Nutting. O acordo duraria por sete anos.


As tropas britânicas retiram-se do Egito em junho de 1956 e no mês seguinte o Canal de Suez foi nacionalizado pelo Egito, que o fechou novamente em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, e assim permaneceu, com uma força de manutenção da paz da ONU que lá esteve até 1974. O canal foi reaberto em 1975.

O Canal de Suez na atualidade

Sendo uma das vias marítimas mais importantes do mundo, pois liga o Ocidente ao Oriente, tem um fluxo de 14% dos produtos que movem a economia do mundo (anualmente mais de 15 mil navios passam por ele, com carga total de 300 a 400 milhões de toneladas!). De incalculável valor estratégico, o Egito retirou dele em 2007 uma receita (pedágio) superior a quatro mil milhões de dólares!

Para o mundo, um dos fatores de importância deste canal é a logística: por ele há a possibilidade de se chegar até a Ásia, saindo da Europa, sem precisar contornar a África, pelo Cabo da Boa Esperança (o que era feito antes de sua construção). Para se ter uma noção, o trajeto de Londres (Inglaterra) até Mumbaim (Índia) é encurtado em 45%. Além disso, por estar perto do Golfo Pérsico, é através dele que se transfere combustível daquele local para a Europa, correspondendo a 26% das importações de petróleo.

Atualmente existe um túnel rodoviário que passa por baixo do Canal de Suez. Ao entrar neste túnel, os veículos descem até 70 metros abaixo do nível do canal.

Insegurança no Canal de Suez

Apesar de sua enorme importância, o Canal de Suez encontra-se vulnerável e a Comunidade Internacional está preocupada com o fato, pois se encontra sob ameaças de ataques terroristas de um grupo do Egito (Brigadas AL-Furqan). Este grupo acusa as forças de segurança do Egito de serem apóstatas e descrentes, e tem atacado navios no canal desde 2013 (foram dois ataques, um em junho e outro em agosto deste ano). Apesar de não terem ocorridos danos nem a navios e nem às carga, os fatos geraram uma situação de insegurança, pois o grupo ameaça fazer novos ataques.

Para Kevin Doherty, presidente da “Nexus Consulting”, empresa de segurança que monitora as ameaças marítimas, o grupo pode e tem capacidade de fazer ataques que poderão prejudicar os navios que passam pelo canal.

Portanto, caso isso venha a acontecer, e chegue a interromper o fluxo de navios no canal, haverá graves consequências, piorando ainda mais a face da economia mundial que está em crise há mais de cinco anos.

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