A Guerra de Canudos

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Mapa do estado da Bahia com destaque para uma
cidadezinha quase na fronteira com o Estado de
Pernambuco, que leva o nome da histrica Canudos,
a 10 km da cidade original.
A Guerra de Canudos foi um conflito singular na histria dos primeiros anos do Brasil Repblica, que aconteceu no perodo do governo do primeiro presidente civil da histria de nosso pas: presidente Prudente de Moraes (1894-1898).

Aps quatro expedies militares, no dia 5 de outubro de 1897, um ano de incensveis lutas e uma feroz resistncia por parte de seus defensores, o arraial chamado Belmonte, fundado por Antnio Conselheiro no Nordeste da Bahia, foi finalmente tomado pelo exrcito.

A Religio no Interior do Brasil Beatos e Conselheiros: segundo Lus Koshiba e Denise M. F.Pereira, no seu livro Histria do Brasil, pgina 226-227:

A origem dos beatos encontra-se nas atividades ligadas ao Padre Jos Maria Ibiapina, que seguindo a orientao do catolicismo de seu tempo, procura melhor comunicao entre clero e fiis. Ao Padre Ibiapina deve-se a criao de inmeras casas de caridade mescla de orfanato e escola que se multiplicaram a partir da segunda metade do sculo XIX.
Essas casas de caridade eram administradas por ordens leigas, no oficiais, isto , no reconhecidas pela Igreja, mas toleradas por ela.
em funo dessas casas que iro se multiplicar estas ordens de beatos, que eram expresso concreta da intensificao da religiosidade no serto nordestino.
Dentro desse quadro que comea ento a aumentar o prestgio de Antnio Conselheiro que, por isso mesmo, passa a ser perseguido sistematicamente pela Igreja. J com inmeros seguidores, logo aps a proclamao da Repblica, Antnio Conselheiro se estabelece no serto baiano, na localidade denominada Arraial de Canudos, margem do rio Vaza-Barris.
Formam ali uma comunidade de beatos, que em virtudes das crescentes presses religiosas e civis, decidem romper com o mundo circundante, organizando-se assim uma comunidade consciente de suas particularidades. (...)

No interior do Nordeste, mais pobre que o litoral, surgiram, a partir do final do sculo XVIII e incio do XIX, algumas manifestaes msticas, que relembram algumas fases religiosas do Oriente Mdio, na Antigidade, com a figura dos profetas, acompanhados de uma pequena multido de crentes, a perambular pelas estradas. A imitao dos profetas acontecia no Nordeste brasileiro, na figura dos beatos e dos conselheiros, que percorriam o serto pregando o Evangelho de Cristo, levando a tiracolo um surrado exemplar do Novo Testamento. So tentativas de se imitar So Joo Batista ou, at mesmo, uma tentativa de imitar o prprio Cristo. Essas figuras existem, ainda hoje, no interior do Brasil.

Em relao s funes, o beato diferente do conselheiro: o beato tira rezas, pede esmolas e ajuda os pobres. O conselheiro vai alm: d conselhos prega a palavra. Na hierarquia informal do serto, o conselheiro situa-se acima do beato.

Um dos principais motivos da ocorrncia de tais guias espirituais, no interior do Nordeste, podia ser explicado pela ausncia de padres locais. Segundo o professor e escritor Cndido da Costa e Silva, da cadeira de Histria das Religies da Universidade Federal da Bahia: (...) no existiam para contestar a Igreja oficial, mas para suplement-la. A falta de padres que dariam assistncia permanente s famlias levava necessidade de algum movimento por parte das pessoas a fim de suprir essa falta. Por isto, os tiradores de reza e as incelncias representavam frmulas que supriam a falta de uma liturgia oficializada, bem como a falta de pessoal. A ascenso condio de beato ou conselheiro dava-se de maneira natural, pelo gradativo destaque que essas figuras iam conquistando junto populao, em virtude de sua liderana, capacidade de expresso, compaixo e outras qualidades.

A Perseguio dos Coronis e da Igreja: segundo Lus Koshiba e Denise M.F.Pereira, em seu livro Histria do Brasil, pgina 227:


Antnio Conselheiro
A comunidade de Canudos assim torna-se um ncleo prspero dedicando-se inclusive trocas com as cidades vizinhas. Naturalmente, os grandes proprietrios rurais se inquietaram com o crescimento de Canudos e, dessa forma, as articulaes para a sua disperso se iniciam, com o apoio da Igreja. Contra Canudos, as denncias oficiais se multiplicam, acusando seu lder Antnio Conselheiro de conspirar contra a Repblica em virtude de sua posio monarquista. Argumento, alis, amplamente utilizado como pretexto s represses que sero desencadeadas.

Antnio Conselheiro nunca se aventurou a ministrar sacramentos, ou seja, jamais ousou ir alm do que sua condio permitia. Por no aconselhar seno prticas de longa tradio sertaneja como o jejum, longas caminhadas e carregar pedras para pagar pecados (penitncia) -, e tambm pelo fato dele no pregar alm da teologia conservadora da regio, Antnio Conselheiro no podia, de forma alguma, ser acusado de desvios de doutrina.

No obstante, a Igreja se mostrava cada vez mais hostil frente sua presena, tanto que no ano de 1887 o arcebispo de Salvador, Dom Lus Antnio dos Santos, pediu providncias ao governo do Estado, que, por sua vez, transferiu a responsabilidade para governo do Imprio. O objetivo era internar Conselheiro no Hospcio D. Pedro II, no Rio de Janeiro.

A resposta da autoridade Imperial era de que, no dado momento, no havia vaga no referido hospcio. Ainda objetivando reprimir Conselheiro, a autoridade eclesistica tratou de se unir aos coronis do serto, que tambm se sentiam duplamente incomodados com a enorme influncia, tanto no sentido poltico quanto no econmico, que Antnio Conselheiro exercia sobre as pessoas.

Tanto o Conselheiro, atuando nos sertes do Sergipe, quanto o Padre Ccero, no Cear, ambos contemporneos, conseguiam drenar a mo-de-obra das fazendas, ao mesmo tempo que atrapalhavam o voto de cabresto, instrumento de manipulao que garantia a eleio e reeleio dos coronis na poca.

Quando a influncia do movimento de Antnio Conselheiro atingia seu auge, o Brasil passou do Regime Monrquico para o Republicano. O Conselheiro, tradicionalista como era, recusou-se a aceitar o novo regime, alegando ser a Repblica um instrumento do anti-Cristo, uma ordem estabelecida por Satans.

Tivera a audcia de separar a Igreja do Estado, alm de instituir o casamento civil, usurpando da Igreja o poder oficial e exclusivo de celebrar matrimnios.

A mentalidade moral da poca considerava a mulher casada no civil uma prostituta testemunhada.

O novo regime tambm delegava aos municpios o poder de instituir e coletar impostos. O Conselheiro encontrou, certa vez, o povo da cidade de Natuba inconformado com os impostos anunciados em editais no centro do povoamento e incentivou a destru-los. Esse foi o seu primeiro ato de desobedincia civil.

Por esse motivo, uma tropa policial tentou det-lo, nas proximidades de Masset, o que resultou na retirada das tropas, e trs mortos de cada lado.

A situao para Antnio Conselheiro comeava a ficar crescentemente desfavorvel, pedindo uma deciso urgente.

Depois de vinte anos de incansveis peregrinaes, pregaes, jejuns e andanas, Conselheiro decidiu procurar, com seus seguidores, um lugar onde pudessem rezar em paz, aconselhar em paz, a viver em paz, longe dos agentes do insano governo dos incrus, ou dos bispos que faziam o jogo do Diabo. Nascia, portanto, Canudos, o futuro povoado de Belomonte.

O Arraial de Canudos: o arraial cresceu rapidamente, a cada dia incorporando-se a ele novos agregados e famlias vindas de muito longe, e de todas as partes. Uma multido de casas de taipa desordenadas em volta de uma praa: eis o que era o arraial.
Na praa central havia duas igrejas, uma em frente da outra as chamadas igreja velha, a menor, e igreja nova, esta ambiciosa obra empreendida pelos conselheiristas, nunca terminada.

Talvez exageradamente, o exrcito estimou em 25.000 a sua populao total, o que a tornava a segunda cidade da Bahia na poca, somente inferior a Salvador.


Euclides da Cunha foi contratado
por Jlio de Mesquita, editor do
jornal O Estado de S. Paulo, para
ir frente de batalha em Canudos
como correspondente de guerra.
A Guerra de Canudos travou-se, verdadeiramente, em torno da praa das igrejas, mais precisamente, da igreja nova, em cujas torres e andaime entrincheiravam-se os sertanejos a fim de alvejar os inimigos, e que, por outro lado, consistia no alvo predileto da fuzilaria e dos canhes do exrcito. Quando caiu a igreja nova, acabou-se Canudos.

Na obra Os Sertes, Euclides da Cunha, testemunha ocular da Guerra de Canudos, descreve o arraial com desdm e visvel antipatia. Horrorizou-se com a arquitetura e o urbanismo do arraial, que chamou de urbs monstruosa e civita sinistra do erro. Apesar de toda a sua erudio, Euclides ignorava, at ento, o interior do Brasil e nem sabia que aquelas eram como ainda so hoje as habitaes comuns do sertanejo pobre.


Canudos a Sudeste - Em primeiro plano, uma típica casa do arraial. Segundo o relato do correspondente da Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, Favila Nunes, as construções eram de "pau-a-pique, cobertas com folhas de icó com barro por cima ou telha vã. (...) As portas são tão pequenas que é preciso abaixar-se para transpô-las; estendendo-se o braço para cima, toca quase a cumeeira; os caibros e ripas são seguros com cordas e cipós, as dobradiças das portas e microscópicas janelinhas são de sola, na sua quase totalidade não têm reboco nem caiação, interna ou externa". À esquerda, ao fundo, as ruínas da Igreja do Bom Jesus.

A Guerra de Canudos e as Quatro Expedies Militares

A Primeira Expedio aconteceu no governo de Prudente de Moraes, em Novembro de 1896.

Em Juazeiro, s margens do Rio So Francisco, noroeste de Canudos, corriam rumores de que, por causa do atraso de um carregamento de madeira encomendada para a construo de uma nova igreja no arraial, os conselheiristas preparavam uma invaso da cidade. Comeou, ento, a guerra, a princpio como um equvoco.

Assustada com o boato, a populao pressionou o juiz local a notificar o fato ao governador do Estado, Lus Vianna, que resolveu enviar a Canudos uma expedio punitiva, composta por 104 homens, sob o comando do tenente Pires Ferreira. Este acontecimento representou o primeiro dos sucessivos vexames que foi imposto aos militares.

Quando os soldados encontravam-se em Uau, j nas proximidades de Canudos, sentiram a aproximao de estranho cortejo, composto de uma fila de pessoas que rezavam entoando cnticos religiosos, carregando, frente, um estandarte do Divino, juntamente com uma grande cruz. Armados com faces, paus, trabucos, pedras, foices etc., enfim, tudo o que as circunstncias permitiam no momento, o grupo de pessoas compunha um batalho do Conselheiro, prontos para lutar e morrer por sua fantica causa. Os conselheiristas, aps quatro horas de intensa batalha, embora com muito mais perdas, puseram o inimigo a correr. Assim, tinha o trmino o episdio que ficou conhecido na Histria como a Primeira Expedio.

Uma Segunda Expedio foi comandada pelo major Febrnio de Brito, e foi cinco vezes mais poderosa do que a primeira, com seus 550 homens. Estrategicamente, utilizou o Monte Santo como base de operaes e ponto de partida da ofensiva militar. A segunda expedio permaneceu por quinze dias na cidade, antes de marchar contra Canudos. Ento, tudo aconteceu muito rpido: ao se aproximar de Canudos, bastaram apenas dois longos dias para que a expedio, igualmente mal articulada, fosse posta a correr, depois de ter sido surpreendida pelo inimigo numa emboscada nos morros prximos do arraial dos rebeldes.

Naquelas circunstncias, a questo do "irredentismo dos fanticos sertanejos" j adquirira projeo nacional, pois a humilhao imposta ao exrcito e Repblica (recm-instituda) j era demasiada. To freqente era o histerismo gerado pelos acontecimentos, que o pensamento dominante acusava Canudos como sendo o foco de uma insurreio contra o novo regime republicano, que consistia numa tentativa de internacional de reimplantar o sistema monrquico no Brasil - o que era considerado pela camada poltica dominante um retrocesso em termos administrao pblica do Estado. O novo regime j enfrentara o desafio da Revolta Armada e da Revoluo Federalista, porm, agora, enfrentava as mesmas ameaas acrescidas de um forte fundamentalismo religioso. Tal revolta oriunda dos sertes, sem dvida, poderia rapidamente se proliferar pas a fora, nos arraiais monarquistas e, quem sabe, com o apoio do exterior? Isto tudo serviria para desestabilizar fortemente o novo sistema implantado.

Apenas um homem seria capaz de acabar com essa angustiante situao: o bravo veterano, coronel Moreira Csar, com seus 47 anos de idade, paulista de Pindamonhangaba, que chefiaria um contingente de 1300 homens, formando, assim, a Terceira Expedio contra Canudos.

"L vo dois cartes de visitas ao conselheiro", disse, ao se aproximar de Canudos, quando ordenou o disparo de dois tiros de um dos seus dois canhes Krupp. Durante sua marcha, o maior medo do coronel Moreira Csar era que os conselheiristas abandonassem a cidade, o que o privaria, naturalmente, da inevitvel glria de derrot-los em combate. O precipitado otimismo do coronel e de seus subordinados aumentava, a medida em que se aproximavam da cidade: "Vamos tomar a cidade sem disparar mais um tiro, toma-la-emos baioneta!".

Moreira Csar ainda contava com um adversrio to difcil de vencer quanto o Conselheiro: a Epilepsia, e, alm disso, era dono de um temperamento instvel e impulsivo. Acabou por sofrer de dois ataques epilpticos srios durante sua campanha em Canudos.

Ento, o excesso de confiana de Moreira Csar foi inversamente proporcional sua previdncia: ordenou que seus homens atacassem aps longo dia de marcha penosa, sem descanso. Obrigou-os a avanar at dentro do arraial, onde, alm de impossibilitar o apoio da artilharia (que atingiria seus prprios homens se utilizada), travou-se luta corpo a corpo contra os homens do conselheiro, que levavam extrema vantagem por conhecerem os labirintos e as ruelas onde a batalha se travou. Moreira Csar ordenou um ataque de cavalaria em plancie aberta, o que complicou ainda mais sua situao, posto que a mesma se tornara um alvo fcil para os homens do Conselheiro, que se encontravam entrincheirados num reduto cheio de barreiras.

Num gesto de agonia, Moreira Csar, talvez por perceber que a derrota estava prxima, abandonou seu posto de comando, endireitou seu cavalo na direo de Canudos e avanou, proferindo: "Vou dar brio quela gente!". Tendo sido atingido no ventre por uma bala, vergou-se, largando as rdeas de seu cavalo, no mais conseguindo ir muito adiante. Morreu naquela mesma noite, cercado por seus subordinados.

Devido ao fracasso da terceira expedio, que resultou na morte de uma lenda viva do exrcito brasileiro, o Coronel Moreira Csar, uma grande mobilizao nacional foi deflagrada. A quarta expedio haveria de ser muito maior e mais equipada, e no deveria ter a mnima piedade dos revoltosos do serto, incapazes de compreender as "maravilhas" que o regime republicano prometia gerar. O ento general Arthur Oscar de Andrade Guimares foi o escolhido para o comando. Ao ter aceito sua misso o general declarou: " Todas as grandes idias tm os seus mrtires. Ns estamos voltados para o sacrifcio de que no fugimos para legar gerao futura uma Repblica honrada, firme e respeitada".

Euclides da Cunha, que em suas reportagens tentava cobrir a senha patritica em voga, acabou adotando uma postura crtica em relao mesma, escrevendo em seu livro, Os Sertes: A paixo patritica roava, derrancada pela insnia.

Foram mobilizados para a nova investida, inicialmente, mais de 5000 homens, reunidos de batalhes desde o Rio Grande do Sul, at o Amazonas. Dessa vez, as foras foram divididas em duas colunas: a primeira, como as duas anteriores se concentraria em Monte Santo; enquanto a segunda, comandada pelo general Cludio Savaget, partiria de Aracaj para Canudos, essa era a grande novidade.

Foi necessria a presena do prprio ministro da guerra na poca, o marechal Carlos Machado Bittencourt, para levantar o moral das tropas, pois, num dado momento, a avassaladora fora reunida para esmagar o arraial de Canudos, com mais de 5000 homens, se viu atrapalhada e impotente como as expedies anteriores.

A primeira coluna fora surpreendida numa emboscada no Morro da Favela, tendo sido salva por muito pouco, ao conseguir uma juno com a segunda coluna. Segundo Euclides da Cunha, depois de um ms de combate a tropa mais parecia "uma aglomerao de fugitivos". Dos 5000 soldados, 900 estavam mortos ou feridos, ou seja, fora de combate. A fome comeava a imperar: por conta prpria, os soldados organizavam grupos para caar bodes (ou o que houvesse para comer), mesmo correndo o risco de cair nas numerosas armadilhas dos sertanejos - como, de fato, foi o destino de muitos.

A estratgia do marechal Bittencourt no consistia em grandes manobras tticas, ou no aumento de tropas, mas sim na constante regularizao do abastecimento das tropas conciliada com a utilizao racional do contingente de soldados veteranos j em combate. Foi dessa forma que o exrcito comeou a ganhar a guerra, revertendo a sua situao crtica.

E o final da guerra estava bem prximo: veio o cerco Canudos, juntamente com um impiedoso bombardeio, seguido pelo inevitvel massacre e incndio do arraial. As degolas praticadas - as conhecidas "gravatas vermelhadas" tornaram-se uma prtica clebre, aplicadas no pescoo dos conselheiristas.

Calcula-se que morreram, ao todo, 15.000 pessoas na Guerra de Canudos. Quase nada sobrou daquela cidade-santurio que tinha sonhou ser a Jerusalm dos confins do mundo, e acabou num mar de sangue, reduzida a escombros, cadveres e cinzas. Nas palavras de Euclides da Cunha: Canudos no se rendeu. Exemplo nico em toda a Histria, resistiu at o esgotamento completo. Expugnando palmo a palmo, na preciso integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caram seus ltimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criana, na frente dos quais rugiam ruivosamente 5.000 soldados.

No dia 6 de outubro de 1897, um dia aps a tomada definitiva de Canudos, descobriu-se o local onde Antônio Conselheiro tinha sido enterrado. Aps o desenterrarem, fotografaram seu cadver (fot abaixo) e, com uma faca afiada, deceparam-lhe a cabeça (prtica muito comum em guerras naquela poca), e a levaram para Salvador.

Canudos no existe mais. No obstante, a vila do Conselheiro, alm de ter sido destruda pela guerra, tambm foi alagada, em 1968, pelas guas do Aude de Cocorob. Como o mapa acima nos mostra, existe uma cidadezinha que leva o nome da histrica Canudos, a 10 km da cidade original. L existe, hoje, o "Centro de Convivncia" da Igreja Catlica, que consiste num local destinado reunies e festinhas, administrado pela irm Cirila, que guarda muitos objetos da histria de Canudos. L se encontra a cruz de Antnio Conselheiro, aquele cruzeiro que se encontrava em frente da igreja velha, que foi alagada. A madeira encontra-se cheia de fendas, necessitando de cuidados para no apodrecer. A cruz encontra-se deitada no cho, sendo a mais importante relquia encontrada no arraial.

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