dcsimg

Arte Egípcia: 1. Introdução

  • Data de publicação
FAAP | Danilo José Figueiredo, Mestre em História Social | Jornal "A Tarde"

Fachada do templo principal de Abu Simbel, construído por Ramsés II há 3.000 anos
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em todos os tempos, a civilização egípcia foi, sem dúvida, uma das culturas orientais mais admiradas e estudadas pelas nações ocidentais. As investigações sobre essa antiga e misteriosa civilização atingiram o auge na Idade Média e no renascimento, mas foi somente no período neoclássico que avançaram decisivamente.

Com base na pedra da Rosetta, encontrada por um soldado de Napoleão em 1799, o egiptologista francês Jean-François Champollion decodificou em 1822 uma série muito importante de hieróglifos, levando em conta as traduções em grego e em escrita demótica feitas na pedra.


Busto de Nefertiti
Museu Egípcio do Cairo
A partir de então constituiu-se a ciência da egiptologia. Sua aplicação imediata serviu para a tradução e interpretação dos textos pintados e gravados em muros e esculturas de templos funerários. Esses textos, por sua vez, revelavam a sua função: repouso de reis e nobres e de seus incalculáveis tesouros, após sua morte. Muito pouco, no entanto, resistiu até os nossos dias. Os magníficos tesouros dos faraós foram, em sua época, alvo de assaltantes e ladrões, que ignoraram seu caráter intocável e sagrado.

O Egito foi o primeiro Estado-Nação do mundo, ou seja, a primeira região onde a política, a religião e as manifestações artísticas trabalharam juntas no sentido de construir uma identidade nacional, sendo esta aceita (muito mais do eu imposta) por todas as partes do Reino. A arte Egípcia se desenvolveu de forma a criar formas perfeitas, muito mais do que os Greco-Romanos, que construíam suas estátuas e faziam suas pinturas para retratar a aparência estética dos homens, os Egípcios, com suas figuras sóbrias, retilíneas e (no caso da pintura) chapadas, ou seja, sempre na posição padrão (tórax de frente, cabeça de perfil e membros trabalhando no sentido de mostrar a atividade do indivíduo), imprimiam uma noção de perfeição aos homens.


A rainha Nefertari (à esquerda) junto a Hathor.
Pintura mural da tumba de Nefertari no Vale das Rainhas
Os artistas Egípcios nunca retratavam velhos e doentes como eles realmente eram, mas como deveriam ser, ou seja, perfeitos. A arte do Vale do Nilo também desenvolveu a técnica, posteriormente muito utilizada na Europa Medieval, de representar os indivíduos mais importantes, bem como os Deuses, com estaturas maiores do que aqueles menos importantes, dessa forma, para a arte, não importava a real estatura de um indivíduo, mas sim sua importância social (mulheres, a menos que fossem muito importantes eram sempre retratadas como sendo menores do que os homens), o Faraó era sempre o maior de todos os indivíduos a ser retratado, afinal, era um Deus. Mesmo que o faraó estivesse sentado, os demais indivíduos seriam menores do que ele, ou, na pior das hipóteses, estariam prostrados de joelhos adorando-o com a face colada ao chão.

A arte correspondia ao exato pensamento Egípcio de relação hierárquica, uma vez que ninguém, nem mesmo o Tjati, podia falar com o Faraó ou sequer olhá-lo nos olhos. Quando o Faraó conversava com alguém, referia-se a si mesmo na terceira pessoa e também assim era referido por seus interlocutores, com efeito, ninguém falava com o Faraó, mas, tão somente, em sua presença.


Anúbis - Dinastia 18
Para Platão, a arte Egípcia era uma representação mais realista do mundo do que a Grega, visto que a Grega, por retratar as imperfeições, segundo o Filósofo, não conseguia discernir entre o real e o imaginário, enquanto que a arte Egípcia, ao retratar os indivíduos sempre no esplendor de sua forma física, sem emoções ou desequilíbrios, conseguia ver o âmago (e porque não a alma) de cada um, conseguia ver sua verdadeira essência, como ele realmente era. Na realidade, os Egípcios foram os primeiro a pensarem os homens como seres feitos à imagem e semelhança dos Deuses (tradição que certamente se espalhou pelo Mediterrâneo Oriental) e, dessa forma, perfeitos.

Na arte egípcia é possível reconhecer a presença do pensamento religioso nas atividades diárias, bem como os procedimentos e conceitos que possibilitavam a continuidade da vida do espírito depois da morte do corpo físico no reino de Osíris. Permitem reconhecer as alterações ocorridas durante extenso período de tempo na construção das formas e na representação da figura humana. Indicam que, em certos momentos, optavam por cânones de proporções, que conferiam ao corpo um aspecto longelíneo, em outros, construíam figuras idealizadas que não identificavam um indivíduo em particular e, ainda em outros, detinham-se na feitura de retratos em que traços pessoais se somavam à indicações da personalidade e do estado de espírito.

Alguns utensílios como paleta, pincéis e formões mostram de que meios o artesão dispunha para realizar o seu trabalho. Peças inacabadas, permitem reconhecer a parceria de escribas, pintores e escultores para a realização de um mesmo trabalho. Essas mesmas obras possibilitam que os gestos e procedimentos daqueles profissionais sejam recuperados em cada uma das etapas necessárias para sua concretização. Um fragmento de pedra desenhado com tinta escura por um aprendiz e corrigido em tinta vermelha por seu mestre para que o entalhador cumpra bem sua tarefa, revela que a experiência tão conhecida por qualquer estudante dos tempos modernos remonta há alguns milênios.

A arte Egípcia surgiu a mais de 3000 anos A.C., mas é entre 1560 e 1309 A.C. que a pintura egípcia se destaca em procurar refletir os movimentos dos corpos e por apresentar preocupação com a delicadeza das formas.

O local a ser trabalhado primeiramente recebia um revestimento de gesso branco e em seguida se aplicava a tinta sobre gesso. Essa tinta era uma espécie de cola produzida com cores minerais.

Os egípcios ao esculpir e pintar tinham o propósito de relatar os acontecimentos de sua época, as histórias dos Faraós, deuses e do seu povo em menor escala, já que as pessoas não podiam ser representadas ao lado de deuses e nem dentro de templos. Provavelmente eles não tiveram a intenção de nos deixar a "arte" de seus criadores.

O tamanho das pessoas e objetos não caracterizavam necessariamente a distância um do outro e sim a importância do objeto, o poder e o nível social.

Os valores dos egípcios eram eternos e estáveis. Suas leis perduraram cerca de 6.000 anos. O Faraó representava os homens junto aos deuses e os deuses junto aos homens, assim como era responsável pelo bem-estar do povo, sendo considerado também como um próprio Deus.

>> AINDA SOBRE Arte Egípcia

Comentários

Siga-nos:

Confira no Passeiweb

  • O primeiro voo do Homem no espaço

    Em 12 de abril de 1961 o homem decolava, pela primeira vez, rumo ao espaço. Em 2011, no aniversário de 50 anos deste fato, ocorreram comemorações no mundo inteiro e, principalmente, na Rússia.
  • Tsunami

    Tsunami significa "onda gigante", em japonês. Os tsunamis são um tipo especial de onda oceânica, gerada por distúrbios sísmicos.
 

Instituições em Destaque

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e receba as últimas notícias do Vestibular além de dicas de estudo:
 
 
 
-

Notícias e Dicas - Vestibular

Cadastre-se na nossa newsletter e receba as últimas do Vestibular e dicas de estudo: