Os Bandeirantes

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OS BANDEIRANTES

Logo após a descoberta da América, o papa Alexandre VI mediou um tratado na cidade de Tordesilhas (Espanha), traçando um meridiano para evitar disputas entre navegantes lusitanos e espanhóis.

As terras descobertas a leste do meridiano seriam portuguesas; a oeste, espanholas. Segundo o Tratado, o território do Brasil era o indicado à direita do meridiano. A linha divisória correria das atuais Belém (Pará) a Laguna (Santa Catarina).

Mas no século 17, os paulistas começaram a se embrenhar pelo interior do país, com o pretexto inicial de apreender indígenas para que trabalhassem como escravos.

São Paulo de Piratininga tinha uma centena de casas de taipa por volta de 1623, quando se intensificou o bandeirismo de apresamento. Atacar as reduções jesuíticas tornou-se a via mais fácil para o enriquecimento. Os índios das missões começaram a receber dos espanhóis armas para se defender. Os bandeirantes passaram então a se embrenhar cada vez mais pelo sertão.

O reconhecimento de Felipe II da Espanha como rei de Portugal fundiu os territórios descobertos pelos dois países. Isso legitimou a posse sobre regiões que seriam espanholas. O Tratado de Tordesilhas tornava-se uma relíquia do passado.

Em 1640 a monarquia portuguesa foi restabelecida, com João IV. A posse das terras ocupadas permaneceu sob disputa durante décadas. Em 1750, o Tratado de Madri determinou que a posse das terras determinaria a que Estado pertenceriam. A decisão legitimou o território brasileiro ampliado pelos bandeirantes.

S. Paulo era uma cidade pobre do interior, distante do açúcar, dos rebanhos e do pau-brasil. Sua cultura de subsistência baseava-se no trabalho dos índios, Separada do litoral pela muralha da serra do Mar, a cidade voltava-se para o sertão. Os paulistas iam à 'caça ao índio', pelo interior, navegando pelo rio Tietê e afluentes. As expedições de apresamento (ou preação) começaram em 1562, quando João Ramalho atacou as tribos do vale do rio Paraíba. No século XVII, a ocupação holandesa no Nordeste, mantendo o controle sobre os mercados africanos, interrompeu o tráfico negreiro. Os colonos buscaram então o trabalho indígena, elevando os preços do escravo índio. O bandeirismo de pré-ação tornava-se uma atividade altamente rendosa. Os jesuítas tinham fundado missões no interior, onde viviam milhares de nativos já acostumados ao trabalho agrícola. O que despertou a cobiça dos bandeirantes.

Raposo Tavares - A grande marcha

As bandeiras tinham outra função importante para a Metrópole: ser pontas de lança da conquista e povoamento do interior, numa época em que Espanha e Portugal ainda não tinham definido suas fronteiras na América do Sul. Essa função política e militar se destacou em algumas expedições, como a bandeira chefiada por Antônio Raposo Tavares, português nascido em São Miguel da Beja em 1598. Raposo Tavares veio para o Brasil aos 20 anos. Já era experiente preador de índios quando se envolveu na expedição que tinha o objetivo de aumentar o território sob domínio português, descobrindo novos territórios e, se possível, também metais preciosos. Sua expedição deixou São Paulo em 1648 para chegar até o Amazonas.

Fernão Dias - À caça de esmeraldas

Membro de ilustre família de bandeirantes, Fernão Dias conhecia de perto o sertão. Tinha acompanhado Raposo Tavares numa expedição em 1636, e voltado à região dois anos depois.

Em 1671, aos 63 anos, Fernão Dias Pais foi convidado pelo governador do Estado do Brasil para chefiar uma grande bandeira em busca de prata e esmeraldas. A organização da bandeira demorou quase dois anos. Além de concordar com a missão, Fernão Dias arcou com as despesas, em troca de honras e títulos para si e seus descendentes. A Coroa contribuiu com um empréstimo modesto (215 mil réis) que seria pago pelo bandeirante quando descobrisse as esmeraldas. Em 21 de julho de 1674, a mais importante bandeira da fase de prospecção partiu de S. Paulo, abrindo caminho até Minas Gerais. Fernão Dias tinha 66 anos. Com ele partiram seu filho, Garcia Rodrigues Pais, e seu genro, Borba Gato, e outros sertanistas.

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