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Os Incas: 5. A religião

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Inti, o Deus sol
Deuses

A religião inca dominante tinha como deus tutelar o Sol, chamado de Inti. Supostamente uma representação do Sol, sob a forma de deus Viracocha, havia aparecido em tempos muito antigos para trazer a civilização ao mundo. Fez o céu, a terra e uma geração de homens que pecou contra ele. Viracocha os transformou em pedras e criou mais tarde uma nova geração. Uma vez cumprida a sua missão, foi para o oeste, distanciando-se do mar.

O deus Sol proporcionava luz e calor e regia as estações do ano e o ciclo agrícola. O representante de Inti na terra era o Inca. Mama Quilla, a Lua, era a irmã e a esposa do Sol, e afetava o mundo feminino. Os templos que foram construídos para ela tinham suas paredes revestidas com folhas de prata.

Os incas acreditavam que as estrelas eram guardiões celestiais e que cada classe de animal e ave tinha sua própria estrela ou constelação. Os carroceiros de lhamas oravam à constelação da lhama que conhecemos como Lira. Nossa constelação, as Plêiades, era Collca para os incas, que significava armazém. Ela tinha a responsabilidade de preservar as sementes e era especialmente honrada.

As deusas femininas eram encarregadas de velar pela reprodução. Graças a elas, o mar e a terra, as duas maiores fontes esbanjadoras de recursos alimentícios eram de fecundidade inesgotável. Elas eram chamadas de Mama Cocha e Mama Pacha: mãe mar e mãe terra, respectivamente.

Huacas

Um huaca era uma força sobrenatural que encarnava em qualquer objeto ou lugar sagrado. Cada colina, rio, rocha e cada manifestação singular da natureza ou objetos específicos como templos, eram considerados por si próprios por serem sagrados. Eles tinham uma forte relação com o culto aos antepassados, cuja máxima expressão era a mumificação do corpo de cada Inca.

Os mallqui, cadáveres sagrados e mumificados dos fundadores dos ayllu, formavam uma categoria especial de huaca e como as outras, eles eram hierarquizados.

Os huacas eram ordenados no espaço e hierarquizados, de acordo com suas funções e com o prestígio daqueles que representavam e de quem recebiam o culto. O Cuzco mesmo era um huaca impressionante e em torno dele, orientados em linhas ou ceques que partiam em todas as direções, se organizavam no espaço os huacas.

Como as huacas tinham poderes especiais, ofereciam-se oferendas em troca de ajuda. As crianças eram oferecidas como sacrifício e as lhamas eram mortas e enterradas junto com elas.

Durante o império incaico existiu um antagonismo entre as divindades da etnia dominante e dos grupos regionais, cada um tinha os seus huacas. Vencer um povo era o equivalente a vitória do deus dos incas sobre os huacas locais. Houve períodos de perseguição contra os huacas, enquanto que em outros momentos, houve a tentativa de incorporação de um panteão em conjunto.

Sacerdotes

Os sacerdotes incas parecem ter sido mais importantes no começo do Império, quando tinham cargos importantes e tentaram se apoderar da administração. Derrotados pelos nobres, eles tiveram que abrir mão de seus privilégios, entre eles, o de dar acesso ao povo à sua profissão.

O pontífice dos sacerdotes era Villca Humu, irmão ou primo do Inca. Ele devia ser celibato, mas acredita-se que tinha concubinas. Ele só se alimentava de ervas, bebia unicamente água e fazia jejum oito dias seguidos. Vivia no campo, perto de Cuzco e vestia uma túnica de lã, comprida até os tornozelos, e uma manta cinza, marrom ou preta.

Nas cerimônias, Villca Humu se cobria com uma manta branca e se enfeitava com um peitoral de ouro em forma de meia lua, com braceletes e pulseiras de ouro com uma tiara do mesmo metal, onde figurava o símbolo solar.

O pontífice era o juiz supremo de todo o religioso e presidia um Conselho formado por oito ou dez altos sacerdotes. Acredita-se que ele nomeava o alto clero que por sua vez designava o subalterno.

Os sacerdotes comuns eram os hatun villca, encarregados do culto e dos sacrifícios. Todos os dias, ao amanhecer, matavam uma lhama branca no seu templo. Depois de o animal ser degolado, eles lhe arrancavam o coração e os pulmões e espalhavam com o seu sangue a imagem do Sol. Se o ritual não fosse realizado com cuidado, poderia provocar grandes males, como secas ou chuvas torrenciais.

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