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Os Incas: 8. A educação

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Relógio Solar Inca
Escolas

Os incas eram chamados pelos deuses para dar conhecimento a sua civilização.

Os pais eram os educadores por excelência entre o povo comum. Os homens aprendiam a cultivar, caçar, fazer cerâmica, tecer; as mulheres aprendiam a cozinhar, limpar, e cuidar dos animais.

Além desta instrução, eles também lhe mostravam o comportamento social adequado. Esta educação tinha dois lados: positivo, de bons conselhos, e corretivo, castigando-os quando violavam as pautas de comportamento estabelecidas. Os castigos se pronunciavam, às vezes de forma muito violenta, como chicoteando ou arranhando com espinhos muito afiados.

Depois dos pais, os mais velhos constituíam o segundo nível pedagógico. Sua influência educativa era enorme porque eram considerados portadores de valores fundamentais: experiência e tempo.

Só os filhos da família real e dos nobres concorriam às escolas. Acreditava-se que as ciências pertenciam somente a eles.

A educação nas escolas se limitava à aprendizagem de conteúdos de memória. Compreendia um extenso programa de religião, governo, civilidade, arte limitar, cronologia, história, educação dos filhos, poesia, música, filosofia e astrologia.

Os professores eram chamados de amautas, que é sinônimo de sábio ou filósofo e eram muito queridos.

As escolas se concentravam em um bairro de Cuzco e eram denominadas Yacha huaci, ou casa de aprendizagem. Ali viviam os amautas e os havarec, ou poetas.

O mais surpreendente é que toda esta aprendizagem era feita somente com a ajuda dos quipus, ou contas de nós, onde registravam sua história, sua legislação, sua demografia e os depósitos e gastos estatais.

Educação feminina

As “virgens do Sol” e as esposas do Inca eram mulheres escolhidas para serem educadas nos conventos de Cuzco e das cidades importantes da província. Os espanhóis chegaram a se confundir quando viram tantas virgens e conventos e não conseguiram distinguir umas das outras, mas eram muito diferentes entre si.

As “virgens do Sol” eram mulheres escolhidas pela sua linhagem e por sua beleza, para aprender a tecer roupa fina de lã de vicunha para o seu esposo, o Sol. Como o sol não podia vestir essas roupas, elas eram enviadas para o Inca por ser seu filho natural e herdeiro. Quando o Inca completava o seu guarda-roupa, ele ordenava que os vestidos restantes fossem sacrificados ao deus Sol.

O outro grupo de mulheres escolhidas eram as esposas do Inca. Seus conventos estavam em todas as cidades notáveis, pois eram recrutadas nas províncias do Império. Nestes conventos reuniam-se donzelas de diversas linhagens. Muitas eram de sangue real ou eram filhas de nobres e de curacas, mas a maior parte vinha do povo e eram mulheres de uma beleza incrível.

Nos conventos viviam e eram educadas as mulheres que seriam nomeadas esposas secundárias do Inca, e aquelas que finalmente não eram escolhidas. Enquanto as primeiras eram destinadas ao grande palácio de Cuzco, as segundas ficavam nos conventos provinciais, onde permaneciam virgens por toda a sua vida. Quando se tornavam idosas, elas escolhiam se queriam morrer no convento ou voltar à sua cidade natal.

Sistema de contabilidade

O grande problema da contabilidade incaica era o registro, a anotação, já que não havia escrita. Isso foi solucionado com uns instrumentos elementares, chamados quipus, e com uns homens excepcionais, chamados quipucamayoc.

O quipu era um conjunto de fios, de diversas cores que se juntavam em alturas distintas.O quipucamayoc, ou contador, dotado de uma enorme memória ia registrando com nós os carregamentos de milho ou de lã que entravam nos armazéns reais, as sandálias que saíam, e até os homens que nasciam em determinada região.

Havia quipus para a riqueza existente, para a produção, para a distribuição ou para a demografia. As cores e a ordem eram fundamentais. Assim a cor amarela significava ouro nos quipus de riqueza e milho nos de produção. Nos demográficos, os homens eram anotados primeiro, depois as mulheres e por fim as crianças.

Os quipucamayoc registravam e reproduziam os dados com facilidade. Jamais se equivocavam porque um erro lhes custava a vida. A técnica era difícil, e cada um era especializado em um campo diferente: militar, econômico, demográfico. Eles passavam as suas anotações ao chefe superior e este, por sua vez, a outro. Assim chegavam até Cuzco onde faziam a contabilidade total do império.

O quipucamayoc devia instruir um de seus filhos para que pudesse lhe substituir em caso de necessidade. Dessa forma, garantia-se a continuidade e perfeição do sistema de contabilidade.

Calendário solar

A observação feita pelos incas sobre o sol, lhes permitiu que calculassem os solstícios do verão (21 de dezembro) e do inverno (21 de junho). A grande extensão do território do Império compreendia os dois hemisférios. Foi quando eles descobriram a existência da zona equatorial, onde o sol de meio-dia não fazia sombra em algumas colunas ou pilares durante determinadas jornadas, as do equinócio.

Esta descoberta foi feita em Quito, que eles pensavam estar muito mais perto do sol do que qualquer outro lugar. Provavelmente esta constatação influiu na decisão do Inca Huayna Cápac de mudar a corte para Tomebamba (Equador). Apesar de terem uma idéia pragmática do equador terrestre e das jornadas do equinócio, os incas não chegaram a compreendê-las em um processo científico, mas religioso.

Os astrônomos incas estabeleceram um calendário de 365 dias, cada um deles era materializado em uma huaca ou lugar sagrado. Dez destas huacas representavam uma espécie de semana, e três destas formavam o mês, ou quilla, doze das quais davam lugar ao ano.

Este calendário foi utilizado para os trabalhos agrícolas e para as festas, O ano começava em meses diferentes para as distintas etnias do território. Em geral, entre os agricultores, o ano começava em agosto-setembro, com a semeadura, e acabava em junho-julho depois das colheitas.

O relógio solar de Machu Picchu permitia a identificação precisa do solstício de inverno, para a grande celebração ao deus Sol.

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