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Os indianos: 3. O período de expansão e conflito

André Bueno / Professor de História e Filosofia da FAFI-UV (Paraná) do blog indologia.blogspot.com

Bimbasara, rei de Magadha, visitando Sakayamuni Budha,
século I a. C.
Foi provavelmente por volta do século VI que as tribos árias, até então estabelecidas entre os cursos do Indo e do Ganges, progrediram para o oriente. Um certo número de Estados ou de reinos mais ou menos estáveis fundou-se, então, na região de Delhi, no "País do Meio" (Madiadeça), no Aud (Coçala e Videa), no Biar meridional (Magada); estendem-se, ao sul, até os montes Vindia e possuem todos eles muitas cidades importantes, entre as quais podemos citar Cauçambi sobre o Yamuna e Caci (Benares) sobre o Varanavati.

Depois da hegemonia tentada pelo reino dos Currus (Delhi) na época precedente, é o Magada (Biar meridional) que tentará a sua oportunidade. Apresenta-se como uma região menos profundamente arianizada que as de oeste, e na qual os característicos aborígines são mais firmemente assinalados; é, de resto, considerado pelos árias como uma região semibárbara. Entre os séculos VI e IV cabe-lhe empreender a conquista da bacia do Ganges; é o momento em que a dinastia dos Siçunagas, vinda de Avanti (isto é, do reino ária mais meridional da época precedente), derruba a dinastia de Briadrata, sobre a qual praticamente nada se sabe. Os Siçunagas - dos quais apenas os reis Bimbisara (543-491?) e Ajataçatru (491-459?) são bem conhecidos, em razão do papel que desempenham na literatura budista - teriam anexado Bengala, a região de Caci (Benares), o Coçala (Aud) e o Videa (Biar setentrional). Controlando, assim, uma vasta região cujo eixo era formado pelo curso médio e inferior do Ganges, o reino de Magada transportou a sua capital de Rajagria, no Biar setentrional, para Pataliputra (Patna), na confluência do Sone e do Ganges. Por volta do fim do século IV a. C., os Siçunagas foram substituídos no trono de Magada pelos Nandas, sob os quais, segundo se supõe, prosseguiu a atividade unificadora, e que foram os antepassados dos Maurias que, por sua vez, conseguiram fundar, por volta de 320, o primeiro império pan-hindu.

Enquanto os territórios orientais da Índia ária assim se organizavam e procuravam unir-se, os do oeste conheciam a ameaça de novos invasores: o Império Persa empreendia a conquista das províncias limítrofes, a princípio sob a direção de Ciro (557-529), ao qual se atribui a conquista do Capiça (região de Cabul), e em seguida sob Dario (521-485), cujas novas possessões teriam englobado o Gândara (regiâo de Peshawar); o conjunto do Pendjab central até o Biar e, enfim, o Sind. Isto constituiu, para o noroeste da Índia, o prelúdio de um longo período de agitações, que manteve a região durante muito tempo à margem da vida hindu propriamente dita. Isto porque a dominação persa prolongou-se por quase dois séculos e foi seguida de uma nova intrusão: a dos exércitos de Alexandre, o Grande, em 326-325. cujas consequências estudaremos mais tarde.

Podemos, portanto, considerar que a época do reinado de Bimbisara tem sua importância, pois consagra a primeira unificação de um vasto território a leste e uma dissidência forçada do oeste, através do qual as influências iranianas penetram novamente, como no tempo em que os próprios árias as importavam. Mas esta época é ainda notável em virtude de acontecimentos de ordem religiosa, espirituais e sociais, cujas consequências repercutirão por muito tempo. De fato, a religião védica transformou-se profundamente sob a ação cada vez mais rígida dos brâmanes; paralelamente, uma codificação mais marcada começa a encerrar em castas a sociedade; a moral, tomando-se mais rígida, por imposição dos brâmanes, tende a restringir a liberdade dos costumes.

Em poucas palavras, o conjunto de fenômenos que compõem a civilização védica evoluiu para um formalismo que suscitou toda uma série de "reformas". Multiplicaram-se as seitas, cada uma propondo uma modalidade diferente, quanto à obediência à tradição, ao sacerdócio, à obtenção da libertação etc. Na época do reinado de Bimbisara, dois homens agem no mesmo sentido: Sáquia-Múni, que funda o budismo, e aquele que é designado pelo nome de Maavira, fundador do jainismo. Ambos encontram os espíritos hindus preparados para a admissão de um reajustamento do pensamento em relação aos problemas que lhes surgem com crescente acuidade.



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