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Os indianos: 9. O Buda e os budas

André Bueno / Professor de História e Filosofia da FAFI-UV (Paraná) do blog indologia.blogspot.com

Abrangendo os cinco primeiros séculos da nossa era, este período foi igualmente influenciado pela cultura helênica, que se prolongou, e sobretudo pela do Irã sassânida. Este período foi tão confuso como o precedente e por volta de 120 da nossa era, vemos Citas afluir do Irã, num redemoinho de turbulentas migrações de tribos seminômades mongóis, rechaçadas pelos Hiong-nu - os Hunos. Um poderoso império surgia, estendendo-se do Oxus à bacia do Ganges, tendo como pivô o Afeganistão; sua influência chegaria até à Indochina. De origem Yue-tche, a dinastia dos Kaniska, cujo zelo budista é bem conhecido.

Os Kushana deixaram inumeráveis esculturas, que nos documentam sobre sua próspera sociedade. Os dois primeiros séculos da nossa era foram marcados pela extraordinária e intensa densidade das trocas comerciais, em todas as direções, desde o Mediterrâneo até à China e pôs em contato os mundos grego, egípcio, romano, árabe, iraniano, indiano, chinês etc... As idéias e as artes deviam forçosamente ressentir-se desses contatos.

Na Índia, no século I, o budismo dividiu-se em duas tendências: o Pequeno Veículo permanece fiel aos textos primitivos, enquanto que o Grande Veículo dá mais importância ao divino e aos comentários dos textos, evoluindo cada vez mais para o misticismo. Outros budas juntam-se ao Buda histórico Sakyamuni. Seis principais precederam-no, um outro é esperado, Maitreya. Ele pertence ao número dos bodhisattva, os Salvadores de compaixão infinita que o Grande Veículo multiplica e venera de tal modo, que suplantarão e mesmo substituirão os budas no culto. Para melhor se consagrarem à felicidade de seus adoradores, os bodhisattva retardam o momento de sua entrada no Nirvana.


Escultura de Buda, dinastia Kushana
Em escultura, a imagem canônica do Buda precisa-se; escultores de imagens fixam alguns dos 80 sinais que o distinguem: a protuberância craniana - que é a deformação mal interpretada de um coque -, um tufo de pêlos entre as sobrancelhas, as três pregas no pescoço, a Roda da lei figurada na palma das mãos ou na planta dos pés, o hábito monástico etc... Fixam-se cânones não menos rigorosos para suas atitudes e gestos das mãos e cada qual se reveste de um significado simbólico, preciso, como uma verdadeira linguagem: meditação, caridade, descontração, concentração, prédica, declaração, gestos para tranqüilizar ou para tomar a terra como testemunha.

Por seu lado, a iconografia brâmane elabora-se igualmente, e ainda que o fervor popular começasse a distinguir os semideuses Krishna e Rama, só muito mais tarde triunfariam no domínio das artes.

Em Bengala, num Estado tradicionalmente aberto às idéias e as artes - sob as dinastias Pala (770-1086) e Sena (até 1202) o budismo lançou seu último clarão antes de se apagar, brandamente, nesta região que tinha sido seu berço. Iniciada em 711, em Sind, por mar, a invasão muçulmana ganhava terreno lentamente, reduzindo os reinos indianos um a um. Em 1202, foi a vez do Império Pala-sena de Bengala. A Índia entrava parcialmente na era muçulmana.


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