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Os romanos: 3. A República

  • Data de publicação
Rainer Souza, Prof. História

O Senado era formado por nobre romanos, muito ricos,
que tinham sido magistrados. O Senado ouvia debates e
fazia as leis.
Novas instituições politícas e expansão militar

Com a instalação da República, os patrícios organizaram uma estrutura social e administrativa que lhes permitia exercer domínio sobre Roma e desfrutar os privilégios do poder.

Os patrícios controlavam quase a totalidade dos altos cargos da República. Esses cargos eram exercidos por dois cônsules e outros importantes magistrados. Na chefia da República os cônsules eram auxiliados pelo Senado, composto por trezentos destacados cidadãos romanos. Havia, ainda, a Assembleia dos Cidadãos, manobrada pelos ricos patrícios.

Conflitos entre Patricíos e Plebeus

Embora os plebeus constituíssem a maioria da população, eles não tinham direito de participar das decisões politicas. Tinham deveres a cumprir: lutar no exército, pagar impostos etc. A segurança de Roma dependia de um exército forte e numeroso. Os plebeus eram indispensáveis na formação desse exército, uma vez que constituíam a maior parte da população.

Conscientes disso e cansados de tanta exploração, os plebeus recusaram-se a servir o exército, o que representou duro golpe na estrutura militar de Roma. Iniciaram uma longa luta politica contra os patrícios, que perdurou por mais de um século. Lutaram para conquistar direitos, como o de participar de decisões
politícas, exercer cargos da magistratura ou casar-se com patricios.

Conquistas da Plebe

Para retornar ao serviço militar, os plebeus fizeram várias exigências aos patrícios e conquistaram direitos. Entre eles encontrava-se a criação de um comício da plebe, presidido por um tribuno da plebe. A pessoa do tribuno da plebe seria inviolável, protegida contra qualquer violência ou ação da justiça. Ela teria também poderes especiais para cancelar quaisquer decisões do governo que prejudicassem os interesses da plebe.

Outras importantes conquistas obtidas pela plebe foram:

  • Lei das Doze Tábuas (450 a.C) – Juízes especiais (decênviros) decretariam leis escritas válidas para patrícios e plebeus. Embora o conteúdo dessas leis fosse favorável aos patricios, o código escrito serviu para dar clareza às normas, evitando arbitrariedades.
  • Lei Canuleia (445 a.C.) – autorizava o casamento entre patrícios e plebeus. Mas na prática só os plebeus ricos conseguiam casar-se com patrícios.
  • Eleição dos magistrados plebeus (362 a.C.) – os plebeus conseguiram, lentamente, ter acesso a diversas magistraturas romanas. Em 336 a.C., elegeu-se o primeiro cônsul plebeu, era a mais alta magistratura.
  • Proibição da escravidão por dívidas – por volta de 366 a.C. foi decretada uma lei que proibia a escravização de romanos por dívidas (muitos plebeus haviam se tornado escravos dos patrícios por causa de dívidas). Em 326 a.C., a escravidão de romanos foi definitivamente abolida.
As diversas conquistas da plebe, entretanto, não beneficiaram igualmente a todos os membros da plebe. Os cargos políticos e os privilégios ficaram concentradas nas mãos da nobreza plebeia, que passou a desprezar o homen pobre da plebe da mesma maneira que um elevado patrício.

Conquistas Militares e expansão territorial

A luta política entre patrícios e plebeus não chegou a desestabilizar o poder republicano. Prova disso é que a República romana expandiu notavelmente seu
território através de várias conquistas militares.

As primeiras evidências da expansão militar consistiram no domínio completo da península itálica. Mais tarde, tiveram inicio as guerras contra Cartago (cidade no norte da África), conhecidas como Guerras Púnicas. Posteriormente veio a expansão pelo mundo antigo.

  • Guerras Púnicas (264-146 a.C.) – A principal causa das Guerras Púnicas foi a disputa pelo controle comercial do Mediterrâneo. Quando os romanos completaram o processo de conquistas da península Itálica, Cartago era uma próspera cidade comercial que possuía colônias no norte da África, na Sicília, na Sardenha e na Córsega. Era, portanto, uma forte concorrente dos romanos. Para impor sua hegemonia comercial e militar na região do Mediterrâneo, os romanos precisavam derrotar Cartago. Após batalhas violentas, desgastantes e com duras perdas, os romanos conseguiram arrasar Cartago em 146 a.C. A Primeira Guerra Púnica durou cerca de 20 anos; Roma tinha melhor exército que Cartago, cujas forças eram quase todas mercenárias. Cartago pediu paz e teve de enfrentar um período de muitas dificuldades. Na Segunda Guerra Púnica, um general cartaginês alimentara grande ódio por Roma. Seu nome? Aníbal Barca. Com 90.000 guerreiros, 12.000 cavaleiros e 37 elefantes bélicos, Aníbal se preparou para por em prática o mais arriscado e fantástico plano de guerra do Mundo Antigo: A expedição sobre os Alpes, rumo à Itália. Suas várias vitórias durante o caminho alimentaram um medo traumático dos romanos. Fábio, comandante romano, partiu ao encalço de Aníbal, tendo sob seu comando uns 80.000 homens, que foram arrasados por 50.000 soldados de Cartago. Porém os romanos venceram os aliados que Aníbal havia conseguido e marcharam na direção de Cartago, obrigando o regresso do brilhante general em socorro da pátria. Aníbal foi ferido e suas tropas vencidas. Depois das muitas batalhas, o ódio dos romanos contra os cartagineses transformou-se em sentimento nacionalista, deixando em segundo plano muitas divergências entre classes em Roma. No século II a.C., coube a Catão, o censor, personificar obsessivamente uma campanha pela destruição completa de Cartago. Nos seus discursos, no Senado romano, Catão sempre os encerrava com a frase Delenda est Carthago (Cartago seja destruída). O sucesso de suas pregações selou o destino da cidade. Cartago seria arrasada e teria suas terras aradas e saturadas de sal, além de receber uma grande maldição.
  • Expansão pelo mundo antigo – Eliminando a rival (Cartago), os romanos abriram caminho para a dominação de regiões do Mediterrâneo ocidental (Macedônia, Grécia, Ásia Menor). O mar Mediterrâneo foi inteiramente controlado pelos romanos que o chamavam de mare nostrum (nosso mar).
Consequências das conquistas militares

As conquistas militares acabaram levando à Roma a riqueza dos países dominados. O estilo de vida romano, antes simples e modesto, evoluiu em direção ao luxuoso, ao requintado, ao exótico. A elevação do padrão e do estilo de vida romano refletia-se na construção das casas, no vestuário e na alimentação das
classes dominantes. Mas o luxo e a riqueza eram privilégios de uma minoria de patrícios e plebeus ricos.

No plano cultural, as conquistas militares colocaram os romanos em contato com a cultura de outras civilizações. Nesse sentido, deve-se destacar a grande
influência dos gregos sobre os romanos.

A sociedade também sofreu transformações. Os ricos nobres romanos, em geral pertencentes ao Senado, tornaram-se donos de grandes latifúndios, que eram cultivados pelos escravos. Obrigados a servir no exército romano, muitos plebeus regressaram à Itália de tal modo empobrecidos que, para sobreviver, passaram a vender seus bens. Sem terras, inúmeros camponeses plebeus emigraram para a cidade, engrossando a massa de desocupados pobres e famintos.

Crise e fim da Republica

O aumento da massa de plebeus pobres e miseráveis tornava cada vez mais tensa a situação social e politica de Roma. A sociedade dividia-se em dois grandes
pólos. De um lado, o povo e seus líderes, que reivindicavam reformas sociais urgentes. De outro, a nobreza e os grandes proprietários rurais.

Diante do clima de tensão, os irmãos Tibério e Caio Graco, que eram tributos da plebe, tentaram promover uma reforma social (133-132 a.C.) para melhorar as
condições de vida da massa plebeia. Entre outras medidas, propuseram a distribuição de terras entre camponeses plebeus e limitações ao crescimento dos
latifúndios. Sofreram então forte oposição do Senado romano. Acabaram sendo assassinados a mando dos nobres, que se sentiram ameaçados pelo apoio
popular que os irmãos vinham recebendo. Fracassadas as reformas sociais dos irmãos Graco, a política, a economia e a sociedade romanas entraram num período de grande instabilidade.

A transição para o império

Com o agravamento da crise, tradicionais instituições foram questionadas, e um clima de desordem e agitação foi tomando conta da vida das cidades. Diversos
chefes militares entraram, sucessivamente, em luta pelo poder, marcando o processo de transição para o império. Entre os principais acontecimentos desse
processo destacam-se:

  • Em 107 a.C., o general Caio Mário tornou-se cônsul. Reformou o exército, instituindo o pagamento de salário (soldo) para os soldados.
  • Em 82 a.C., o genreal Cornélio Sila, representando a nobreza, derrotou Caio Mário e instituiu um governo ditatorial. Em 79 a.C., Sila foi forçado a deixar o poder devido a seu estilo antipopular de governo, pois a situação social estava incontrolável.
Os triunviratos e o final do período de República

Em 60 a.C., o Senado acabou elegendo três fortes líderes políticos ao Consulado: Júlio César, Pompeu e Crasso governaram juntos no chamado Primeiro Triunvirato, dividindo entre si os domínios romanos.

Contudo, um 54 a.C., Crasso morreu combatendo na Pérsia e, dois anos depois, Pompeu foi proclamado cônsul único, destituindo César do comando militar da Gália. Ao receber a mensagem senatorial de sua destituição, César, entretanto, resolveu lutar e avançou para o Sul.

Foi nesse momento que César, atravessando o rio Rubicão, fronteira entre sua província e a Itália, teria dito "A sorte está lançada" (Alea jact est) e dirigiu-se para Roma, causando a fuga de Pompeu. César assumiu imediatamente o poder romano, mas só iria derrotar Pompeu definitivamente na Grécia, em Farsália, em 49 a.C. Pompeu escapou ileso e fugiu para o Egito, onde acabou sendo assassinado.

Nessa época, crescia no Egito a disputa pelo poder entre o faraó Ptolomeu e sua irmã Cleópatra. Júlio César foi para Alexandria, apoiou Cleópatra e colocou-a no poder. Em seguida, dirigiu-se para a Ásia Menor, onde aniquilou as tropas sírias inimigas.

Retornando a Roma, Júlio César foi proclamado ditador vitalício, em clara oposição ao Senado, que organizou uma conspiração contra ele. Em 44 a.C., foi assassinado a punhaladas em pleno Senado. Sua morte gerou uma grande revolta na população, fato habilmente explorado por Marco Antônio, um dos fortes generais de Júlio César que, juntamente com Otávio e Lépido, formou o Segundo Triunvirato.

Após eliminarem os opositores de César, os novos triúnviros iniciaram suas disputas internas. Otávio, aproveitando-se da ausência da Marco Antônio, que se encontrava no Egito, tentou ampliar seus poderes. Desconsiderou Lépido e declarou guerra a Marco Antônio, o qual foi derrotado na batalha naval de Actium, em 31 a.C.

Em seguida, Otávio recebeu do Senado o título de Prínceps (primeiro cidadão), etapa inicial para obter o título de imperator (o supremo). Otávio tornou-se progressivamente senhor absoluto de Roma, recebendo além dos dois títulos, o de Augustus (o divino), até então inédito entre os governantes romanos. Com o advento do império, reorganizou-se a estrutura política romana, concentrando-se toda a autoridade nas mãos do imperador.


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