Brasil - A Ditadura Militar - Resistências

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O movimento estudantil

Os Estudantes, organizados pela UNE, UBEs e respectivas UEEs, eram, antes de abril de 64, um dos grupos que mais pressionavam o governo Joo Goulart no sentido de faz-lo avanar e, mesmo, radicalizar, na realizao das reformas sociais. Por isso, aos olhos dos militares que tomaram o poder, eles eram um dos setores mais identificados com a esquerda, comunista, subversiva e desordeira; uma das formas de desqualificar o movimento estudantil era cham-lo de baderna, como se seus agentes no passassem de jovens irresponsveis, e isso se justificava para a intensa perseguio que se estabeleceu.

Logo em novembro de 1964 o governo Castelo Branco fez aprovar uma lei que ficou conhecida como lei "Suplicy de Lacerda", nome do ministro da Educao, que reorganizava as entidades, proibindo-as de desenvolverem atividades polticas.

Os estudantes reagiram negando-se a participar das novas entidades oficiais e realizando manifestaes pblicas (passeatas), que se tornaram cada vez mais freqentes e concorridas. Ao mesmo tempo, o movimento estudantil procurou assegurar a existncia das suas entidades legtimas, agora na clandestinidade.

Em 1968 - ano marcado mundialmente pela ao poltica estudantil - o movimento estudantil cresceu em resposta, no s a represso, mas tambm em virtude da poltica educacional do governo, que j revelava a tendncia que iria se acentuar cada vez mais, no sentido da privatizao da educao, cujos efeitos so sentidos at hoje.

A poltica de privatizao tinha dois sentidos: um era o estabelecimento do ensino pago (principalmente no nvel superior) e outro, o direcionamento da formao educacional dos jovens para o atendimento das necessidades econmicas das empresas capitalistas (mo-de-obra e tcnicos especializados). Estas diretrizes correspondiam forte influncia norte-americana exercida atravs de tcnicos da Usaid (agncia americana que destinava verbas e auxlio tcnico para projetos de desenvolvimento educacional) que atuavam junto ao MEC por solicitao do governo brasileiro, gerando uma srie de acordos que deveriam orientar a poltica educacional brasileira.

As manifestaes estudantis foram os mais expressivos meios de denncia e reao contra a subordinao brasileira aos objetivos e diretrizes do capitalismo norte-americano. O movimento estudantil no parava de crescer, e com ele a represso. No dia 28 de maro de 1968 uma manifestao contra a m qualidade do ensino, realizada no restaurante estudantil Calabouo, no Rio de Janeiro, foi violentamente reprimida pela polcia, resultando na morte do estudante Edson Lus Lima Souto.

A reao estudantil foi imediata: no dia seguinte, o enterro do jovem estudante transformou-se em um dos maiores atos pblicos contra a represso; missas de stimo dia foram celebradas em quase todas as capitais do pas, seguidas de passeatas que reuniram milhares de pessoas.

Em outubro do mesmo ano, a UNE (na ilegalidade) convocou um congresso para a pequena cidade de Ibina, no interior de So Paulo. A polcia descobriu a reunio, invadiu o local e prendeu os estudantes.

Movimentos sindicais

A greve dos metalrgicos de Osasco, So Paulo, e de Contagem, Minas Gerais, ambas em 1968, foram as ltimas manifestaes operrias da dcada de 60. Em 12 de maio de 1978, a greve de 1.600 trabalhadores, no ABC paulista, marcou a volta do movimento operrio cena poltica. Em junho, movimento se espalhou por So Paulo, Osasco e Campinas. At 27 de julho registraram-se 166 acordos entre empresas e sindicatos, beneficiando cerca de 280 mil trabalhadores. Nessas negociaes, tornou-se conhecido em todo o pas o presidente do Sindicato dos Metalrgicos de So Bernardo e Diadema, Lus Incio da Silva, o Lula.

Em 29 de outubro de 1979, metalrgicos de So Paulo e Guarulhos interromperam o trabalho. No dia seguinte morreu o operrio Santos Dias da Silva em confronto com a polcia, durante um piquete na frente uma fbrica no bairro paulistano de Santo Amaro. As greves se espalharam por todo o pas.

Em conseqncia de uma greve realizada no dia 1 de Abril de 1980 pelos metalrgicos do ABC paulista e de mais 15 cidades do interior de So Paulo, no dia 17 de Abril, o ministro do Trabalho, Murillo Macedo, determinou a interveno nos sindicatos de So Bernardo do Campo e Santo Andr, prendendo 13 lderes sindicais dois dias depois. A organizao da greve mobilizou estudantes e membros da Igreja.

Ligas Camponesas

A resistncia aconteceu tambm no campo. Alm da sindicalizao, registrou-se a formao de Ligas Camponesas que, sobretudo no Nordeste, sob a liderana do advogado Franscisco Julio, foram importantes instrumentos de organizao e de atuao dos camponeses. Em 15 de maio de 1984 cerca de 5 mil cortadores de cana e colhedores de laranja do interior paulista entraram em greve por melhores salrios e condies de trabalho. No dia seguinte invadiram as cidades de Guariba e Bebedouro. Um canavial foi incendiado. O movimento foi reprimido por 300 soldados. Greves de trabalhadores se espalharam por vrias regies do pas, principalmente no Nordeste.

A luta armada

Parte da Esquerda brasileira optou pela luta armada como forma de resistir ao Regime Militar e abrir caminho para uma revoluo. Destacaram-se: Ao Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighella, ex-deputado e ex-membro do Partido Comunista Brasileiro, morto numa emboscada em 69; Vanguarda Popular Revolucionria (VPR), comandada pelo ex- capito do Exrcito Carlos Lamarca, morto na Bahia, em 17 de setembro de 1971; e o Partido Comunista do Brasil (PC do B), uma dissidncia do PCB. As organizaes armadas, conhecidas tambm como guerrilha, fizeram assaltos a bancos e seqestros de diplomatas para troc-los por presos polticos e colaboradores do regime.

A Ao Popular foi, na dcada de 60, um dos mais importantes movimentos de resistncia ao regime militar. Teve origem em 1962 a partir de grupos catlicos, especialmente influentes no movimento estudantil. De 62 at 1972 a Ao Popular fez todos os presidentes da UNE. De inicialmente moderada a AP passou a discutir a necessidade da luta armada, devido radicalizao dos rgos de represso. A AP lanou o movimento Contra a Ditadura e em 67 mudou sua sigla para APML (Ao Popular Marxista-Lenista) buscando aliar-se aos movimentos camponeses e de bias-frias. Vrios lderes da AP foram assassinados. A AP terminou com sua incorporao ao PC do Brasil.

Veja tambm: A Ditadura Militar | Governo Castello Branco | Governo Costa e Silva | Resistncias | Governo Mdici | Junta Militar | Governo Geisel | Governo Figueiredo

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