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Barroco: 4. O Barroco mineiro

Itaú Cultural | Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro

Profeta Jonas. Escultura de
pedra-sabão, de Aleijadinho, realizada
entre 1796 e 1799 para a escadaria
da Basílica do Senhor Bom Jesus, em
Congonhas do Campo.
Surgiram além das igrejas, edifícios públicos e inúmeras moradias. As inovações artísticas pareciam acompanhar a vida econômica e financeira de uma região ilusoriamente próspera.

Nessa sociedade onde, em função da exploração das minas, crescia o número de escravos negros, a mestiçagem ocorria freqüentemente. Nos anos 70 do século XVIII era esmagadora a presença de mulatos e negros na capitania das Minas. Dados da época davam conta de que, dos cerca de 320 mil habitantes, 60 mil eram brancos. Então eram mulados muitos daqueles que participavam desta verdadeira escola que, nascida de mestres europeus, frutificou e amadureceu, encontrando sua própria expressão do "Belo".

Entre eles o mais famoso foi Antônio Francisco Lisboa (1730/1814), responsável por uma vasta obra na arquitetura e na escultura, destacando-se com projetos nas igrejas e nos centros urbanos.

Nascido filho do português Manuel Francisco Lisboa (autor da planta da igreja do Carmo da Vila Rica) com uma escrava negra, seus trabalhos revelavam o extraordinário desenvolvimento do Barroco Mineiro. Considerado gênio por muitos, sofria de uma doença que o deformava - origem do apelido "Alejadinho" - e, por isto trabalhava com o martelo e o cinzel amarrados nos braços. Considerava-se um "escultor ornamental" que utilizava, no exercício de sua arte, o padrão decorativo do entalhe (madeira esculpida).

Entre as suas inúmeras obras, a mais significativa encontra-se na atual cidade de Congonhas do Campo, no santuário de Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos.


Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Ouro Preto,
construída entre 1766 e 1810.
Decorando o interior das igrejas mineiras, simultaneamente desenvolveu-se uma escola de pintura que, assimilando elementos estrangeiros, soube traduzi-los e adaptá-los às características regionais.

Um dos seus representantes mais importantes foi Manuel da Costa Ataíde. Retratou no teto da igreja de São Francisco, em Ouro Preto, a Virgem Maria como uma mulher morena que, cercada de anjos mulatos, acolhia piedosamente os fiéis em sua glória no teto da igreja de São Francisco, em Ouro Preto, fugindo aos padrões da pintura européia.

A música, tanto para o serviço religioso quanto para o entretenimento, era utilizada, desde o tempo da construção dos primeiros arraiais e das primeiras capelas de taipa, no território das Minas.

Assim como na arquitetura e nas artes plásticas, os músicos, em sua maioria, eram negros e mulatos, escravos ou libertos, conduzidos por um regente branco, geralmente um vigário ou padre.

Para os escravos, mesmo os que não tinham qualquer instrução musical, aquela atividade era muito atraente. Podiam através dela, desfrutar de melhores condições e prestígio e, se juntassem algum pecúlio, em certas circunstâncias, podiam comprar a alforria.

Nas festas religiosas, aparentemente o grande momento de congraçamento entre as irmandades, a música estava sempre presente. Os instrumentos mais utilizados eram o cravo e a flauta.

Entre os vários músicos, como o português padre José Maurício (1752-1815), destacava-se Antônio de Sousa Lobo, mulato, chamado de "Mestre Capela," que liderava um grupo muito conhecido e solicitado.

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