Arte Chinesa: 1. Fase Arcaica

  • Data de publicação
Guilheme B. Uemura

Cavaleiro e Criado
Museu Guimet - Paris
O primeiro Estado organizado de que se tem conhecimento surgiu na China aproximadamente no ano 1500 a.C. ou, na opinião dos estudiosos chineses que acompanham a seqüência das tradições históricas, em 1700 a.C. emergindo da fase neolítica, agora relativamente bem documentada pelos achados arqueológicos. A cultura deste Estado, que era chamado Xang ou Yin, nomes atribuídos à dinastia, manteve feições neolíticas ao mesmo tempo em que evoluía para a arte de trabalhar com bronze modelado, surpreendente pela excelência de sua técnica e requinte.


Guerreiros Xi'An
7 000 a.C.
Os notáveis vasos rituais de bronze eram moldados para o culto do rei e dos senhores feudais. Os vasos mais antigos ostentam uma técnica avançada e notável qualidade artística, e foram moldados segundo fôrmas de barro, recebendo retoques de acabamento com ferramentas. É possível que os bronzistas responsáveis por estas obras gozassem de regalias semi-sacerdotais, como ocorria em outras civilizações antigas.



Dinastia Han Oriental
16 a 220 D.C.
Bronze

Durante a fase primitiva da dinastia Xang, os vasos rituais dos cultos ancestrais muitas vezes procuravam imitar a cerâmica, tanto no formato, como na ornamentação, especialmente os de Lung-xan. Os jarros têm paredes delgadas e a decoração escassa é limitada a uma faixa estreita. Mesmo em peças Xang mais recentes se denunciam as características da cerâmica. A decoração destes recipientes do vinho do sacrifício forneceria um verdadeiro catálogo dos símbolos da religião ancestral e do culto à fertilidade. O tema mais destacado é uma espécie de máscara vistosa chamada t'ao-t'ieh ou "insaciável", formada por diversos elementos animais. Esta criação, de aspecto atemorizante, certamente tinha por finalidade espantar os maus espíritos ou era um símbolo expressivo das poderosas forças da natureza, comparável ao posterior Tao. Embora o impacto da força mágica destas figuras sela imediatamente sentido pelo espectador, sua significação peculiar pode apenas ser pressentida. Extremamente impressionantes são os vasos de oferendas renda em formatos figurativos tais como corujas ou tigres, recobertos de símbolos. Podem ser considerados como encarnações totêmicas de espíritos ancestrais protetores do fundador do clã.

Machado cerimonial
Fim do período Xang
séc. XII a XI, a.C.
Bronze, 30 x 35 cm.
Museu Staatliche,
Ostasiastiche Kusntabteilung,
Berlim.
Os achados arqueológicos revelam que uma parte dos cerimoniais, que acompanhavam a construção de templos e os aparatos das catacumbas, consistia em matar e enterrar grande número de homens - na maioria, escravos e prisioneiros de guerra - como sacrifício ritual. Em muitos casos, a vítima era degolada, possivelmente com utilização dos enormes machados de formato e peso inadequados ao manejo como armas, estes machados ostentam decorações cabalísticas que os enquadram perfeitamente àquela função macabra.

Depois que o povo Chou (que habitava o lado oriental do reino Xang) infestou o Estado Xang com seus aliados "bárbaros" (1100 e 1000 a.C.), adotou integralmente a superior cultura Xang. A classe dos guerreiros Chou tirou proveito das habilidades dos artífices e sacerdotes Xang de uma forma que as evidências mostram uma contigüidade, sem interrupção, do período da dinastia Xang.

Os vasos de bronze do culto ancestral conservaram algo de cabalístico dos antecessores, mas com feições nitidamente Chou, as inscrições, não raro muito extensas, com uma linguagem relacionada aos textos Chou da literatura chinesa, informam os antecedentes dos feitos da posteridade e as determinações e liberalidade dos regentes dos Chou.


Escultura de argila,
com olhos de jade
incrustados.
Dinastia Hongshan
Na última fase do período Chou, a era dos Estados Belicosos (Xan-kuo, 475-222 a.C.), ocorreu o colapso absoluto da autoridade central; contudo, mesmo em condições políticas meio caóticas, os Estados feudais, extremamente competitivos, conseguiram promover uma cultura notável e profícua. O progresso econômico e a ampliação das relações comerciais entre os diversos Estados trouxeram como resultado à classe dos mercadores uma situação vantajosa. O Estado chinês de Ch'in aumentou seu poderio através de uma habilidosa política econômica. Mesmo os comerciantes podiam então ascender à posição de ministros, exercendo um controle político realmente efetivo.

Não é surpreendente o fato de que, naquela época de condições sociais, políticas e intelectuais instáveis, as artes também se aventurassem por novos caminhos. Nos meados do período Chou, a intensa magia dos bronzes rituais ornamentados desapareceu. Na época dos Estados Belicosos, a superfície dos vasos de bronze era recoberta por uma ornamentação delicada e luxuosa cujo efeito era acentuado por tauxias com materiais preciosos como o ouro, a prata e a turquesa, nessa ocasião usados como elementos decorativos.

A partir das últimas fases, houve o surgimento de culturas regionais, especialmente na parte sul da área chinesa, nos vales dos rios Huai e Yang-tsé. Incluímos nisto a civilização do Estado de Ch'u com sua característica indústria de lacas e, à margem da civilização chinesa, a recém-descoberta cultura Tien, da província de Yunnan, com o esplêndido naturalismo de suas obras em bronze.

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