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2ª Guerra Mundial: 4. 65 anos do bombardeio atômico sobre Nagasaki

Cristiane A. Sato, Cultura Japonesa | Equipe Passeiweb

Há 65 anos os Estados Unidos lançaram a segunda bomba atômica em Nagasaki, Japão, três dias de lançarem a primeira bomba atômica sobre Hiroshima. O fato acelerou o fim da Segunda Guerra Mundial, forçando a rendição do Exército Imperial japonês seis dias após o atentado.

A bomba lançada em 9 de Agosto de 1945 em Nagasaki, foi chamada de "Fat Man" por ser maior do que a utilizada em Hiroshima. Ela era mais arredondada e um pouco maior que a Little Boy. Media 3 metros e 20 centímetros de comprimento, tinha um diâmetro de um metro e meio, pesava 4,5 toneladas e tinha uma carga de plutônio 239 e o processo era de implosão.

A título de comparação, supondo que essa bomba explodisse na cidade de São Paulo sobre a Catedral da Sé, no centro da cidade, a área de destruição total abrangeria os bairros da Liberdade, Cambuci, Brás, Bom Retiro, Bela Vista, República e a região próxima à Universidade Mackenzie.

A taxa de sobrevivência no raio de um quilômetro do epicentro da explosão foram de menos de um habitante a cada grupo de mil. Robert Lewis, co-piloto do Enola Gay, referindo-se à explosão, escreveu em seu diário: "Meu Deus, o que foi que nós fizemos?" .

A bomba era mais potente embora, devido às características de Nagasaki, teve um efeito menos devastador do que em Hiroshima, tendo no entanto provocado mais de 73 mil mortes. Outras 130 mil morreram nos 5 anos subsequentes, em função de ferimentos e doenças causadas pela exposição à radiação. Assim, calcula-se que 200 mil pessoas teriam sido o custo pago pela passagem da humanidade para a Era Nuclear, mas estas são cifras mínimas estimadas. A verdade é que nunca se saberá ao certo quantas centenas de milhares de vidas foram tomadas ou afetadas para sempre com apenas duas explosões.

Nagasaki foi um alvo secundário. O bombardeiro B-29 sobrevoou a cidade de Kokura não tendo lançado a bomba devido ao fumo intenso, então mudou de rumo e seguiu para o segundo alvo: Nagasaki.

No dia seguinte à explosão da bomba atómica em Nagasaki, o imperador Hirohito declarou o fim da guerra.

A cidade nesse dia (imagem acima) foi fotografada por Yosuke Yamahata

Ainda hoje centenas de pessoas sofrem as consequências nefastas do ataque.

O legado cultural nuclear

Por muitos anos, o que ocorreu em Hiroshima e Nagasaki foi ocultado do grande público. Num primeiro momento, o governo japonês da 2ª Guerra ocultou os bombardeios atômicos do povo japonês, com a distorcida prioridade de manter o "moral popular e das tropas elevado". Num segundo momento foi a vez do governo americano, logo após a rendição do Japão, pelas também distorcidas razões e estratégias da nascente Guerra Fria.

Relatos superficiais do grau de destruição causado pelos bombardeios atômicos geraram um sentimento generalizado de medo, que se acentuou a partir de 1949 quando a União Soviética conseguiu fazer explodir sua primeira bomba nuclear num teste, iniciando uma corrida armamentista bipolarizada. A restrição de informações, entretanto, não fez com que o medo se dissipasse - muito ao contrário. Em 1954, um teste de armas termonucleares americanas no Atol de Bikini chegou à potência de 15 megatons (o equivalente a 15 milhões de toneladas de TNT, ou cerca de 1.150 bombas de Hiroshima).

A mera possibilidade de uma hecatombe nuclear gerou um medo que se instalou na cultura da época, e a censura sobre o assunto na mídia - fosse ela auto-promovida ou não - fazia com que o tema fosse tratado apenas de forma poética ou através de analogias. O assunto foi tema de vários filmes de ficção científica. Popular, este gênero de filmes refletiu o medo nuclear da época e produziu um ícone. "Godzilla" (em japonês, "Gojira"), filme de 1954 dos estúdios Toho, foi protagonizado por um monstro gigante gerado pelos testes em Bikini, que chega ao Japão destruindo tudo pelo caminho com seu enorme rabo e matando pessoas com seu bafo radioativo, numa analogia aos bombardeios atômicos. Em 1959, "Hiroshima Mon Amour", produção franco-japonesa, ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes e tornou-se um sucesso internacional tratando de forma séria mas poética a questão do medo nuclear, apresentando imagens dos sobreviventes da bomba atômica como pano de fundo de um filme romântico.

Nagasaki antes e depois da bomba




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