A queda do Império Romano

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A chegada dos hunos e a ameaa visigtica

As antigas crnicas chinesas mencionavam um povo nmade e guerreiro das estepes asiticas, denominado Xiong-Nu os hunos. Parentes dos turcos, os hunos ganharam a fama de guerreiros invencveis. Com seus inseparveis cavalos, eram tambm considerados os mais hbeis cavaleiros do mundo. No sculo IV, apesar da Grande Muralha chinesa, os hunos conquistaram o norte da China. Enquanto isso, outro grupo, o dos hunos ocidentais, rumava para o oeste. Em 370, depois de atravessarem os rios Volga e Don, esses hunos entraram em contato com os ostrogodos, no sul da Rssia, e derrotaram-nos em 375. Os ostrogodos que no aceitaram submeter-se fugiram para o Ocidente e se juntaram aos visigodos. Mas estes, pressionados pelos hunos, inimigos que julgavam incapazes de vencer, suplicaram ao imperador da parte oriental do Imprio Romano, Valente (364 - 378), a permisso para ingressar em seus domnios. Perto de 200 mil visigodos atravessaram o Danbio, com autorizao imperial, para se instalar no territrio romano da Ilria. Foi um erro do imperador. Uma vez em segurana, os visigodos marcharam em direo ao Mediterrneo, pilhando o que encontravam pelo caminho. Valente deu-se conta do erro e, confiante, resolveu enfrentar os visigodos em Adrianpolis, em 9 de agosto de 378, mas teve seu exrcito aniquilado pela cavalaria visigtica e ele prprio foi morto. Felizmente para os romanos, Teodsio (379 - 395), sucessor de Valente, impediu que os visigodos tomassem Constantinopla, forando-os a fazer um acordo pelo qual deveriam instalar-se na Trcia como federados.

Saque de Roma por Alarico (410)

Com a morte de Teodsio em 395, os visigodos, chefiados por Alarico, reiniciaram os ataques, ameaando Constantinopla. Mediante negociao diplomtica, foram desviados para a Grcia, que saquearam e destruram durante anos, sobretudo Corinto e as cidades do Peloponeso. Em 401, aps novas negociaes diplomticas, as autoridades de Constantinopla fizeram com que Alarico fosse para a Itlia. L chegando, depois de duas tentativas, os visigodos cercaram a cidade de Roma, nela penetrando na noite de 24 de agosto de 410. Durante trs dias Roma foi saqueada e incendiada. No dia 27, Alarico evacuou a cidade, levando consigo refns, entre os quais a irm do imperador. Tomando a direo sul, destruiu Cpua e atingiu o estreito de Messina. De l pretendia passar para a Siclia e tomar depois o rumo da frica, onde pretendia se fixar. Porm, sua morte sbita, ainda naquele ano, fez os visigodos mudarem de plano.

Enquanto o Imprio estava ocupado em defender-se dos visigodos, uma srie de ondas invasoras se iniciava no norte, o que acabaria resultando na queda do Imprio Romano Ocidente.

A primeira onda: a grande invaso de 406

No dia 31 de dezembro de 406, em meio a um rigoroso inverno, uma federao informal de tribos germnicas, composta pelos suevos, vndalos e alanos, pressionada pelos hunos, atravessou o Reno e devastou a Glia. Pela brecha aberta entraram em seguida os burgndios, que se instalaram entre Worms e Spira, na Alemanha atual, e os alanos, que ocuparam a Alscia.

Em 409, os germnicos daquela federao informal passaram para a Espanha. Essa provncia era mais pobre do que a Glia e, submetida pilhagem, nela espalhou-se a fome, que dois anos depois atingiu tambm os invasores. Sem alternativas, os germnicos viram-se obrigados a negociar com o Imprio e aceitar a condio de federados. Os suevos se estabeleceram ao norte do rio Douro, os vndalos na regio de Sevilha e os alanos no planalto central da Espanha.

A reconciliao dos visigodos

Alarico teve como sucessor Ataulfo, seu cunhado, que procurou reconciliar os visigodos com o Imprio. Depois de demonstrar sua lealdade aos romanos combatendo um rival de Honrio (395 - 423), imperador do Ocidente, os visigodos foram admitidos como federados na Aquitnia, no sul da Glia. Ataulfo foi assassinado por um de seus criados em 415 e sucedido por Wallia, que reafirmou lealdade a Roma.

A partir de 415, o Imprio se conformou com a presena germnica em seu territrio e procurou incorpor-los, colocando-os a seu servio, como outrora fizera com tanto sucesso nas provncias.


A desintegrao do Imprio Romano do Ocidente

A partir de 406, com a grande invaso, a unidade do Imprio Romano do Ocidente encontrava-se seriamente comprometida. Depois de se instalarem na Espanha e serem admitidos como federados, os vndalos romperam o tratado com o Imprio e reiniciaram seu movimento expansionista. Chefiados por Genserico, um rei enrgico, os vndalos os nicos brbaros que possuam uma frota cruzaram o estreito de Gibraltar em 429 e chegaram dez anos depois a Cartago, estabelecendo um extenso domnio no norte da frica.

Os visigodos, que haviam ocupado a Aquitnia, expandiram o seu domnio para a Espanha (418). Os burgndios (nome do qual veio Borgonha) penetraram na Glia, no rastro da grande invaso de 406, e se estabeleceram na Sabia, incorporando a partir de 458 os vales do Saona e do Rdano, fundando a o seu reino.

Esses invasores germnicos, teoricamente federados e obedientes a Roma, haviam estabelecido, na realidade, domnios soberanos e independentes. A unidade imperial do Ocidente tornara-se, de fato, uma fico.

Contudo, essa primeira onda invasora germnica foi levada a cabo por povos que haviam sofrido forte influncia romana. No tinham, por esse motivo, o objetivo de destruir o Imprio. Esse fato foi demonstrado por ocasio dos perigosos ataques desferidos pelos hunos.

A invaso dos hunos no Ocidente

Depois de terem atacado os germnicos na Europa oriental, provocando a grande invaso de 406, os hunos se estabeleceram na regio atual da Hungria, na bacia do Danbio. O Imprio do Oriente temia ser atacado e, para prevenir essa eventualidade, Constantinopla comprou a paz, literalmente a peso de ouro, entregando 6 mil libras desse metal aos hunos, em 443. Em 450, tendo frente um imperador com maior firmeza, Marciano (450 - 457), Constantinopla recusou-se a renovar o pagamento daquele tributo.

Desde 439, os hunos eram governados por um rei de forte personalidade, chamado tila. Por razes desconhecidas, sob sua liderana os hunos renunciaram s suas pretenses no Oriente e decidiram invadir o Ocidente. Assim, pela segunda vez, o Imprio Romano do Oriente se salvou custa do Imprio Romano do Ocidente.

Contra esses invasores asiticos formou-se no Ocidente uma forte coligao romano-brbara. Quando os hunos chegaram Glia, em 451, eram esperados por esse exrcito de foras conjugadas, que inclua alanos, burgndios, francos, saxes e visigodos os aliados brbaros de Roma.

Repelidos da Glia, os hunos, depois de refazer as suas foras, voltaram Itlia, em 452, sitiando, destruindo e saqueando suas cidades. Caminharam diretamente para Roma, cujos habitantes entraram em pnico. Para incredulidade geral, o papa Leo I, o Grande (440 - 461), tomou a iniciativa de negociar com tila, ao qual ofereceu uma enorme riqueza para abster-se do ataque a Roma. Para surpresa de todos, tila aceitou a oferta e se retirou da Itlia. Dois anos depois, quando se preparava para novas campanhas no Oriente, sofreu morte sbita na noite de npcias de mais um de seus casamentos. Com a morte de tila, a unidade dos hunos se desintegrou.

A queda de Roma

A unio temporria romano-brbara contra os hunos no eliminou a instabilidade interna em que se encontrava a parte ocidental do Imprio. Em 476, um grupo de brbaros composto por hrulos e godos, que serviam como mercenrios em Roma, estava reivindicando o estatuto de federados, o que lhe daria o direito de obter terras e, aos chefes, o direito de receber tributos. Diante da negativa imperial, um desses chefes, Odoacro, um hrulo, tomou a iniciativa de derrubar o fraco imperador Rmulo Augstulo (475 - 476) e assenhoreou-se da Itlia, coroando-se rei. Desaparecia, assim, o Imprio Romano do Ocidente.

Os fatores da queda de Roma

Desde a morte de Teodsio, em 395, as duas partes do Imprio ocidental e oriental foram se diferenciando. Essa diferena era particularmente notvel em relao capacidade de defesa diante das ameaas germnicas. Exemplo disso foi a incapacidade do Ocidente romano de livrar-se da crescente importncia dos germnicos nas foras armadas. Constantinopla conseguiu afastar os germnicos do comando e retomou o controle sobre o exrcito. Em Roma, ao contrrio, o exrcito permaneceu estruturalmente germanizado, apesar dos esforos em contrrio.

Um dos fatos decisivos para a queda de Roma foi a amplitude das fronteiras do Ocidente romano, o que impossibilitava que fossem totalmente guarnecidas. Para sua infelicidade, ocorreu tambm que as migraes germnicas tomaram clara e decididamente a direo ocidental. Nesse ponto, a diviso do Imprio consumada por Teodsio foi altamente negativa para o Ocidente, pois a defesa dos ataques germnicos contra o Ocidente no contou com uma ao coordenada diante de um inimigo comum. Para piorar a situao, a parte oriental, encabeada por Constantinopla, usava meios diplomticos para desviar os germnicos para o Ocidente, como aconteceu com os visigodos.

Desde o tempo de Teodsio (378 - 395), a presso germnica sobre o Ocidente no parou de crescer. Naturalmente, para fazer frente s ameaas externas, Roma viu-se na contingncia de assegurar a arrecadao de impostos. Porm, a sua base econmica debilitada suportava cada vez menos o nus da defesa. Como conseqncia, o peso da situao foi minando gradualmente a parte ocidental, acarretando um grave processo de decomposio. Assim, Roma viu-se num terrvel crculo vicioso: as incurses germnicas desorganizavam a economia, reduzindo a capacidade dos romanos de pagar impostos e, em conseqncia, enfraqueciam o poder militar do Estado. Paralelamente, outro fator, no menos importante, atuava contra a parte ocidental: medida que o Estado se enfraquecia, a nobreza latifundiria, muitas vezes aliada aos chefes militares, reforava a sua autonomia, aprofunda aprofundando a debilidade do governo imperial. Tudo isso ocorria no exato momento em que as ameaas germnicas requeriam, mais do que nunca, uma ao coesa e coordenada do Estado. Essa desintegrao interna do Imprio Romano do Ocidente contribuiu decisivamente para o xito dos ataques germnicos. A facilidade com que Odoacro se apossou de Roma, depondo Rmulo Augstulo em 476, mostrou a extrema vulnerabilidade a que havia chegado o Imprio Romano do Ocidente.

O fim do mundo antigo e o incio da Idade Mdia

A metade oriental do Imprio Romano sobreviveu at 1453. Desapareceu, portanto, 977 anos depois da queda de Roma e da fundao do reino de Odoacro na Itlia, em 476. Nessa ltima data, segundo os historiadores, terminou o mundo antigo e teve incio a era medieval. Esta situa-se entre a queda de Roma (476) e de Constantinopla (1453), isto , entre o fim do Imprio Romano do Ocidente e o fim do Imprio Romano do Oriente, tambm chamado Imprio Bizantino.

Quando Roma desapareceu como centro do Imprio, ainda sobrevivia no Mediterrneo oriental uma grande civilizao da Antiguidade, a dos persas, que a partir de 226 constituiu o Imprio Sassnida. Este, juntamente com o Imprio Romano do Oriente, representava a continuidade do mundo antigo.

J na parte ocidental, com achegada dos germnicos, iniciou-se um longo processo de fuso entre estes e a tradio romana, que s iria ganhar contornos precisos com a constituio do feudalismo, a partir do sculo IX.

A regio do Mediterrneo, que era o centro em torno do qual girava o mundo antigo, no havia sofrido, apesar da invaso germnica, uma ruptura com a Antiguidade. Esta ocorreu, efetivamente, a partir de meados do sculo VIII, com a expanso rabe-islmica. Os rabes representaram um dado completamente novo no cenrio mediterrnico. Sua inesperada irrupo levou de roldo o Imprio Sassnida, pondo fim a uma histria de doze sculos da antiga Prsia, e conquistou tambm dois teros dos territrios do Imprio Bizantino. Foram, portanto, os rabes que alteraram por completo o quadro poltico vigente at ento no Mediterrneo, colocando um ponto final na histria do mundo antigo.

Fonte: Cultura Brasil

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