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Brasil - A redemocratização

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A derrubada de Vargas em 1945, pelas mesmas forças que o haviam levado ao poder absoluto, quando do Golpe de Estado em 1937, deve ser entendida como mais uma manobra política de acomodação ou, em outras palavras, uma atualização institucional. As bases dessa "atualização" estão relacionadas com a queda do totalitarismo europeu. A queda do fascismo italiano em 1943 estabelecera um marco na mudança da linha política de Vargas. A vitória final dos Aliados estabeleceu o questionamento da ditadura.

Vargas já percebera, desde 1943, que o fim da guerra e a derrota do Eixo colocariam um fim em sua ditadura. Getúlio procurou assim legitimar ideologicamente o seu regime, através da aproximação das massas urbanas. A partir de então, a política populista de Vargas acionou todos os mecanismos: peleguismo (política sindical a serviço dos interesses do governo); política trabalhista (Consolidação das Leis do Trabalho).

O ano de 1943 foi marcante pelos sintomas de abertura democrática: Vargas prometeu eleições para o fim da guerra. Em outubro do mesmo ano, tornou-se público o Manifesto dos Mineiros: timidamente, os assinantes do manifesto - entre eles Magalhães Pinto - exigiam a redemocratização do País. Em janeiro de 1945, os protestos começaram a se avolumar: o Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores pedia liberdade de expressão e eleições livres. Em 28 de fevereiro, Vagas, através de um Ato Adicional, assegurava as eleições a serem marcadas em prazo de 90 dias, com sufrágio universal (excluindo-se os analfabetos). As eleições foram marcadas para 2 de dezembro do mesmo ano, com a campanha eleitoral ganhando vulto e animação, pelo surgimento dos partidos políticos.

A UDN (União Democrática Nacional) foi o primeiro partido político a surgir, dentro da reabertura do processo político, já em abril. Agrupava a oposição liberal a Vargas, radicalizando-se na luta contra o comunismo. Apoiava, para a sucessão presidencial, o nome do brigadeiro Eduardo Gomes.

Em junho foi lançado o PSD (Partido Social Democrático) - o partido dos interventores - liderado por Benedito Valadares e que apoiava a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra.

O PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) surgiu em agosto, organizado pelo Ministério do Trabalho e presidido pelo próprio Vargas.

Plínio Salgado fundou o PRP (Partido de Representação Popular), que conservava algumas linhas políticas do integralismo.

Houve também a legalização do PCB (Partido Comunista Brasileiro), que lançou um candidato próprio à Presidência, o engenheiro Yedo Fiúza.

O populismo de Vargas atingiu o seu auge em 1945 com o queremismo. As massas populares foram atingidas por lideranças trabalhistas e comunistas e passaram a exigir a permanência do ditador, aos gritos de "queremos Getúlio". Isto acelerou sua queda, uma vez que as oposições o acusavam de querer permanecer no poder.

Outros elementos apressaram o fim do Estado Novo: o discurso do embaixador norte-americano Adolf Bearle Jr (29/09/1945), aconselhando a normalizando do processo eleitoral; um decreto antitruste (que contrariava violentamente os interesses estrangeiros) e célebre decreto-pretexto (nomeação do irmão de Getúlio, Benjamin Vargas, para o cargo de chefe da Polícia do Distrito Federal).

Pretextando a ameaça de uma "guinada" de Vargas para a esquerda, em função de sua política populista, os generais Eurico Gaspar Dutra e Góis Monteiro colocaram um fim da ditadura, através de um golpe militar, na noite de 29 de outubro de 1945. Assumiu interinamente o poder o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares.

O resultado das eleições deu a vitória ao representante do PSD / PTB - Eurico Gaspar Dutra - eleito com 3.251.000 votos, contra 2.039.000 de Eduardo Gomes (UDN) e 579.000 de Yedo Fiúza (PCB).

Veja também: A Era Vargas - Parte 1 | Parte 2

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