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Europa - A tomada de Ceuta


Em 14 de agosto de 1415, uma poderosa frota lusitana invadiu o rico entreposto de Ceuta (ilustração ao lado), antiga possessão muçulmana, para onde convergia todo o comércio entre a África árabe e a África negra. Aquele foi um momento-chave na história, pois estabeleceu o início da expansão portuguesa ao redor do globo.

A tomada de Ceuta foi a primeira ação imperialista dos portugueses e, depois dela, os súditos do rei dom João I sentiram-se seguros para iniciar seu avanço por mares nunca dantes navegados. A decisão de invadir Ceuta foi audaciosa e astuta: a cidade, localizada próxima ao Estreito de Gibraltar, não apenas era riquíssima e relativamente desprotegida como se tratava de um autêntico ninho de piratas, cuja ação impedia o fluxo do comércio mediterrâneo.
Dispostos a obter o apoio da Igreja - então dividida entre três papas - e ver reconhecida sua independência com relação a Castela, os portugueses concluíram que um ataque aos "mouros infiéis" elevaria seu prestígio na Europa. E assim, durante os primeiros meses de 1415, dom João I armou uma poderosa frota: 33 galés, 27 trirremes, 32 birremes e 120 outros barcos, onde se amontoaram 50 mil soldados - todos "cruzados" (ou seja, com cruzes de tecido coladas aos uniformes, já que partiam para uma guerra santa).

O comando da armada foi entregue aos filhos do rei dom João I, entre os quais o infante dom Henrique. Na manhã de 14 de agosto de 1415, com Ceuta desprotegida - por um inexplicável desleixo do soberano Sala-bin-Sala -, os lusos invadiram a cidade como uma horda de bárbaros. Mataram milhares de mouros, saqueando tudo o que podiam encontrar. Arrancaram dedos e orelhas das vítimas para roubar brincos e anéis, destruindo lojas, bazares, mesquitas e o palácio do governante. Depois de dez horas de batalha desigual, contra adversários desarmados, os portugueses tornaram-se senhores de Ceuta.

O principal saque foi perpetrado por dom Afonso de Barcelos, membro da Casa Real lusitana e meio-irmão de dom Henrique. Dom Afonso levou para Portugal mais de 600 colunas de alabastro e mármore arrancadas do palácio de Sala-bin-Sala. Aquela foi a última cruzada e a primeira vitória dos europeus na África muçulmana desde os dias de glória do Império Romano. Foi também o início da expansão ultramarina lusitana - que, 85 anos depois, os conduziria até o Brasil.

Fonte: Época

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