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Estilos Literários: 11. 3º Tempo Modernista - Neorealismo

Colaboração: Bartolomeu Amâncio da Silva (Prof. Bartô)

Corrente literária de influência italiana que anexou alguns componentes da literatura brasileira, nomeadamente a da denúncia das injustiças sociais do romance nordestino. Quer na poesia, quer na prosa, o neo-realismo assume uma dimensão de intervenção social, firmada pelo pós-guerra e pela sedução dos sistemas socialistas que o clima português de ditadura mitifica.

Sua matriz poética concentra-se no grupo do Novo Cancioneiro, coleção de poesia, com Sidónio Muralha, João José Cochofel, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Mário Dionísio, Fernando Namora e outros.

No romance, Soeiro Pereira Gomes, com Esteiros, e Alves Redol, com Gaibéus, de 1940, inauguraram, na ficção, uma obra extensa e representativa, que também muitos dos outros poetas mencionados (sobretudo os quatro primeiros) contribuíram para enriquecer.

O romance neo-realista reativa os mecanismos da representação narrativa, inspirando-se das categorias marxistas de consciência de classe e de luta de classes, fundando-se nos conflitos sociais que põem sobretudo em cena camponeses, operários, patrões e senhores da terra, mas os melhores dos seus textos analisam de forma aguda as facetas diversas dessas várias entidades, o que se pode verificar, nomeadamente, em Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira, Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, O Dia Cinzento, de Mário Dionísio e Domingo à Tarde, de Fernando Namora.

Na confluência com o existencialismo e com certas componentes da modernidade, é necessário salientar as obras mais tardias de José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado e O Hóspede de Job, de Urbano Tavares Rodrigues, Bastardos do Sol, de Alexandre Pinheiro Torres, A Nau de Quixibá, ou de Orlando da Costa, Podem Chamar-me Eurídice.

Características gerais

Literatura "engajada", antifascista, de denúncia social. Busca a conscientização do leitor, a realidade social e a miséria moral. Tensão dialética: literatura ativa - instrumento de transformação social.

Reação contra a "alienação" e o evasionismo da Geração Presença. Negação da "arte pela arte", privilegiando o conteúdo e a função social da arte.

Simplificando da expressão artística, aproximações com a técnica jornalística e com a linguagem cinematográfica, visando à comunicação com o grande público. Em seu limite inferior, o Neo-Realismo resvala no panfletário, na literatura "de comício", desvitalizando o propósito de denúncia pela dissociação entre o conteúdo e a forma artística.

Influências Norte-Americanas (Steinbeck, Hemingway e John dos Passos), francesas (o Existencialismo e o "novo romance") e brasileiras (José Lins, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e Jorge Amado).

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