Estilos Literários: 14. Terceiro Tempo Modernista

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Colaboração: Bartolomeu Amâncio da Silva (Prof. Bartô)

Nesta terceira fase, presencia-se a rejeio da gerao de 22 na poesia. Surge o Concretismo, a Poesia-Prxis, o Poema-Processo, o Poema-Social, a Poesia Marginal e os msicos-poeta. Na prosa, a explorao do psicolgico e dos conflitos entre o homem e a modernidade, a busca da universalizao e de uma literatura engajada e o mergulho no realismo fantstico e no romance de reportagem passam a ser o foco. A crnica, o conto, a prosa autobiogrfica e o teatro ganham fora.

A Poesia - A poesia da segunda metade da dcada de 40 marcada pela presena da Gerao de 45, onde se destacariam grandes nomes dentro de nossa literatura, entre eles Joo Cabral de Melo Neto. Essa gerao tem como marco a publicao dos nove nmeros da "Revista Orfeu", no Rio de Janeiro. Pregavam, acima de tudo, a rejeio aos moldes modernistas da gerao de 22, ou seja: o fim do verso livre, da pardia, da ironia, do poema-piada, etc. A poesia deveria seguir um modelo mais formal, de cunho neoparnasiano ou neo-simbolista, com versificao mais regrada, maior erudio com relao s palavras e uso de temas mais universais.

Contrapondo a toda essa busca pelos padres clssicos, Dcio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos criaram o Concretismo, que condizia mais com a rapidez e agilidade da sociedade moderna. O Concretismo vai alm de tudo o que o Modernismo conquistou: prega o fim do verso, do lirismo e do tema, alm da explorao do espao em branco, e a decomposio e montagem de palavras, com seus vrios sentidos e correlaes com outras palavras. O poema em si muitas vezes lembra um cartaz publicitrio que se evidencia pelo apelo visual e permite vrias leituras.

Outro movimento de profunda importncia literria o da Poesia-Prxis, liderado pelo poeta Mrio Chamie e por Cassiano Ricardo. A poesia, segundo essa nova concepo, deve ser energtica e dinmica, com um contedo de importncia, podendo ser transformada e reformulada pelo leitor, permitindo uma leitura mltipla. O Poema-Processo, assim como a poesia concreta, apela para o campo visual, atravs do uso de cortes e colagens e signos no-verbais. So poemas de apreciao e compreenso muito truncadas, mais para serem vistos do que lidos. A Poesia Social surge para trazer novamente tona a fora do verso, abolido pela poesia concreta e pelo Poema-Processo, sendo que a principal preocupao est sempre voltada para o retrato da realidade social. A Poesia Marginal mantm, no entanto, algumas relaes com o Concretismo e o Poema-Processo. Sua linguagem marcada pela busca da descrio do cotidiano, do instante, numa linguagem mais simples e um tom coloquial que tem como marca a ironia, o humor e o desprezo elite e sociedade, retomando algumas caractersticas da obra de Oswald de Andrade. Eram, na maioria dos casos, rodadas em mimegrafos e entregues de mo em mo.

Uma das caractersticas da poesia contempornea uma busca cada vez maior de uma intertextualidade com outros meios de expresso, exigindo uma linguagem cada vez mais fragmentada e rpida que muitas vezes contrasta com uma necessidade de reencontro com os padres clssicos, onde se evidenciam poemas mais longos e lineares. Outra caracterstica relevante que s veio a contribuir para a difuso da poesia foi seu casamento com a msica popular, que acentua o crescimento dos meios de comunicao de massa e a produo mais industrializada da literatura. Surgiram msicos-poeta como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros, precedidos pela excelncia de Vincius de Moraes.

A Prosa - A publicao do livro Perto do Corao Selvagem, de Clarice Lispector, em 1944, j indiciava um novo caminho: a prosa da dcada de 40 e 50 seria marcada pela explorao do campo psicolgico das personagens, o urbanismo que revela a relao conflituosa entre o homem e a modernidade, e o regionalismo que renova a linguagem literria, numa profunda busca pela universalizao. Alm de Clarice Lispector, outro nome se destacaria dentro dessa nova concepo literria: Guimares Rosa. Clarice Lispector vai usar na maioria das vezes o cenrio das grandes cidades como pretexto para expressar um outro mundo: o mundo interior de cada personagem. Guimares Rosa usa e abusa do testemunho realista e de uma linguagem completamente inovadora e mtica para redescobrir a linguagem e o serto do Brasil, ampliando o conceito do serto e do sertanejo que ali vive.

A prosa urbana vai ser cada vez mais explorada a partir dos anos 60, mostrando os problemas acarretados pelo progresso, e um ser humano cada vez mais solitrio, marginalizado e vtima de um mundo violento, que se fecha e enfrenta tambm a si mesmo. A linguagem vai tender cada vez mais conciso e fragmentao, rompendo muitas vezes com a linearidade temporal e espacial, tentando descrever o fluxo do pensamento e mostrando a rapidez e o absurdo da modernidade. Nascendo a partir dos mesmos campos urbanos e psicolgicos que propulsionaram a literatura nos anos 40 e 50, tem-se a prosa mais introspectiva, o realismo fantstico e o romance reportagem.

A prosa de cunho poltico vai tambm se impor com grande fora, tendo como objetivo retratar a violncia e a represso poltica que assolaram o pas desde 1964, ou denunciando de um modo satrico e irnico a corrupo que assola o homem, e por conseqncia o governo, e que promove a sempre a discrdia e a desigualdade social. o caso, por exemplo, de Incidente em Antares, de Érico Veríssimo.

Outros gneros que ganham fora dentro do panorama literrio brasileiro so a prosa autobiogrfica, o conto e a crnica, sendo que os dois ltimos se consolidaram como modelos de literatura moderna. O conto consegue a sntese e a rapidez que a modernidade pede, mostrando-se mais fcil e mais gil de ser lido. A crnica ganhou um espao muito grande dentro dos principais veculos de comunicao como a revista e o jornal devido sua linguagem mais coloquial, sua ligao mais ntima com o cotidiano, sua irreverncia e ironia, e sua mais fcil assimilao por parte dos leitores, destacando escritores consagrados e novos como, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga, entre outros.

O Teatro - Merece destaque tambm a revoluo que o teatro brasileiro, que perdia terreno para o rdio e o cinema, sofreu a partir da dcada de 40, principalmente com a estria da pea Vestido de Noiva, em 1943, de Nelson Rodrigues, que promove uma verdadeira renovao com relao ao, personagens, espao e tempo.

A dcada de 60 e 70 vai mostrar tambm o teatro poltico que expressa um forte nacionalismo preocupado em revelar e denunciar a realidade agonizante do Brasil durante o regime militar, buscando uma ligao e uma participao cada vez mais slida do pblico dentro da pea, e revelando atores, diretores e dramaturgos de qualidade excepcional, premiados a nvel nacional e internacional.

Fonte: USP

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