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Estilos Literários: 03. Renascentismo (Classicismo)

Colaboração: Bartolomeu Amâncio da Silva (Prof. Bartô)

Ainda que, já no fim da Idade Média, os autores da Antigüidade Clássica fossem conhecidos em Portugal, só se pode falar na existência de um estilo renascentista expresso a partir de 1527 quando Sá de Miranda regressa da Itália com o dolce stil nuovo - e inicia a divulgação, em Portugal, das modalidades poéticas clássicas. Esse conjunto de procedimentos artísticos, em território luso, denominou-se medida nova.

A medida nova, além da utilização de versos decassílabos, que substituíram as redondilhas (medida velha), consistia na adoção de várias formas fixas, assimiladas dos modelos gregos, latinos e dos modelos italianos, mais recentes. Contudo, apesar da aceitação das novas formas literárias introduzidas pelo Classicismo, notadamente as poéticas, mais identificadas com a inclinação portuguesa para o lirismo que a prosa romanesca, o espírito medieval não foi completamente abandonado. Por isso, o Quinhentismo luso constituiu uma época bifronte, pela coexistência e, não raro, pela interinfluência das duas formas de cultura: a medieval, popular, tradicional, materializada na medida velha, e a clássica, erudita, renascentista, que se expressava por meio da medida nova. Esse bifrontismo é lugar-comum entre os autores portugueses da época renascentista, cujas aparentes contradições só podem ser explicadas quando se tem em vista a ambivalência cultural da época.

No caso português, acresce não ter havido um Renascentismo típico, pois, dada a prevalência do catolicismo e do poder eclesiástico, o racionalismo e a ideologia burguesa não vingaram de modo tá expressivo, como ocorreu em outros países.

Características

1. Equilíbrio e harmonia - de forma e fundo. Clareza, mentalidade aberta, intensidade vital, ímpeto progressista, euforia, ânsia de glória e perenidade, apreço pelo humano, sentido do nu artístico. Racionalismo, primado da razão que governa as emoções e os sentimentos. Sobriedade, simetria, simplicidade.

2. Culto da Antigüidade Greco-Latina - Retomada das regras e modelos clássicos e da disciplina gramatical, poética e retórica dos antigos. presença da mitologia, dos deuses pagãos usados como figuras literárias e claras alegorias.

3. Universalismo - Apego aos valores transcendentais (o Belo, o Bem, a Verdade, a Perfeição). Ajustado a sistemas racionais, simplificação por lucidez técnica, simetria.

4. Imitação - Autores gregos e latinos são tomados como modelos ideais de verdade, beleza e perferição. A obediência às formas e gênereos da Antigüidade prevalece sobre o impulso pessoal e sobre a busca da originalidade.

5. Ideal ético-estético - Seguindo os gregos, a idéia de Beleza estava sempre associada à de Bem, como um ideal de perfeição simultaneamente estético e ético. O Belo é o Bem e vice-versa.

6. Verossimilhança - Os clássicos entendiam que o belo é racional, o verdadeiro, e o verdadeiro é o natural. Daí a valorização da natureza e sua imitação artística.

7. Fusionismo - A fusão do racionalismo e paganismo com a tradição judaico-cristã levou Camões a harmonizar divindades da mitologia pagã com personagens bíblicas do Antigo e Novo Testamento.

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