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Estilos Literários: 08. Simbolismo

Colaboração: Bartolomeu Amâncio da Silva (Prof. Bartô)

Corrente literária que começava a surgir nas últimas décadas do século XIX (1890 em Portugal, com a publicação de poemas Oaristos, de Eugênio de Castro - introdutor oficial, embora o grande expoente tenha sido Camilo Pessanha), fruto da evolução no campo científico (física, eletrônica, biologias, inúmeros progressos técnicos), do novo tipo de relações humanas (fim do feudalismo, e regime de concorrência que acarretava a corrida para a mecanização e racionalização industriais) e econômicas (simbiose do capital bancário e industrial em monopólios, "holdings" e cartéis com sucursais por todo o Mundo). Os Estados poderosos disputavam entre si as matérias primas e mão-de-obra dos Países menos desenvolvidos, do desenvolvimento de novas atitudes, ideários e concepções (anti-racionalismo de Nietzsche e Bergson; psicanálise de Freud, fenomenologia de Husserl e escola sociológica de Durkheim), e revoluções estéticas (explosão de novos meios expressivos na arte - impressionismo, cubismo, surrealismo, expressionismo - e revolução na música), que se refletiram na literatura.

Opunha-se às correntes que continuavam o realismo-naturalismo, e caracterizava-se sobretudo por um retorno ao "Eu" (egocentrismo e introspecção ainda mais profundos do que no Romantismo, mas afastando-se da confissão direta e oratória romântica); afastamento do Real, em prol da nebulosidade (culto do Vago, Oculto, Mistério, Ilusão, Solidão, recuperando a crença na Teologia e Metafísica, anteriormente abandonadas pelo Positivismo); nova gramática e sintaxe psicológica, recorrendo ao Símbolo e à alegoria da imagem, a fim de conseguir traduzir a interioridade e o impalpável; musicalidade, redundando o significante; exploração de temas do quotidiano burguês, folclórico e nacional - inconsciente coletivo, com o qual o artista identificava o conteúdo do seu subconsciente; temas medievais e místicos; visão pessimista da existência, cuja efemeridade era dolorosamente sentida; e métrica de verso livre, com metros sonoros, coloridos e evocativos.

Embora Eugênio de Castro seja o introdutor do Simbolismo, com Oaristos, o poeta mais importante desta corrente, ligada ao clima de inquietação e incompletude da atmosfera finissecular, que produz correntes de pensamento de componente idealista (e em Portugal se agrava com os ecos do "Ultimato Inglês"), é Camilo Pessanha.

Também Fialho de Almeida, na prosa, representou esta tendência (embora o seu estilo impressionista se filie igualmente na escola naturalista), assim como Venceslau de Morais (assumindo a temática da evasão, que concretizou nas suas viagens ao Oriente e radicando-se no Japão) e, mais ligados ao século XX, António Patrício, Carlos Malheiro Dias, Teixeira Gomes e Raul Brandão.

Na poesia, Antônio Nobre e Florbela Espanca articularam-se ainda com a mentalidade elegíaca e de aspirações indecisas característica do Simbolismo, que na prosa produziu sensíveis inovações na narrativa, insistindo na materialidade da escrita e abalando os mecanismos tradicionais da representação através do discurso.



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