Contos, de Eça de Queirós
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Os contos de Eça de Queirós foram reunidos e publicados em 1902. Paixão e realismo se misturam e
enriquecem os textos do autor. Esta aparente contradição se explica se pensarmos que Eça era um
admirador da poesia romântica de Victor Hugo e que, ao mesmo tempo, tinha como seus escritores favoritos
Edgar Allan Poe, Baudelaire e Flaubert.
Em seus contos Eça abusa dos adjetivos, das longas descrições, e de prosopopéias que povoam o nosso
imaginário com "máquinas de escrever como uma boca alvar e desdentada", ou sóis "sem sardas e sem rugas".
O autor desenha tristezas, amores frustrados, dramas morais de todo tipo.
O contista se preocupa não só com a sonoridade do texto mas também com um bom enredo.
Apesar da variedade temática, pode-se perceber nos contos de Eça de Queirós uma grande preocupação com
as dores humanas. Seus personagens são em geral tristes, alguns céticos, outros ingênuos, mas sempre
atormentados.
Os contos Suave milagre, Adão e Eva no paraíso e, principalmente, Civilização,
considerado a semente de A cidade e as serras, já antecipavam uma postura na qual se defendia a
idéia de que a felicidade estaria na Natureza. Essa tese de que o homem só é feliz longe da civilização,
na vida simples do campo, distante do progresso, da máquina, contém a virada na carreira de Eça de
Queirós, dirigida, a partir daí, na superação da ironia e sátira dissolvente em prol de uma concepção de
vida mais larga e humanitária, em que a crença substitui o ceticismo anterior.
Estão reunidos os contos: Singularidades de uma rapariga loura, Um poeta
lírico, No moinho, Civilização,
O tesouro, Frei Genebro,
Adão e Eva no Paraíso, A aia, O defunto, José
Matias, A perfeição e O suave milagre.