O Ermitão de Muquém, de Bernardo Guimarães
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Primeiro romance regionalista
brasileiro, escrito em 1858 e publicado em
1869, ano que Bernardo Guimarães começou a ganhar fama como romancista, O
Ermitão de Muquém conta-nos a história da fundação da romaria de Muquém
na Província de Goiás, manifestação religiosa que
se repete desde a segunda metade do século 18 no povoado próximo a Niquelândia,
a 400 quilômetros de Brasília e nos
expõe em toda a sua simplicidade, crueza e exuberância nativa as intenções
nacionalistas. Opô-se à descrição das florestas e praias
dos índios à descrição dos largos campos sertanejos e do homem que os habita.
O Ermitão de
Muquém trazia como subtítulo História da Fundação da Romaria de Muquém da
Província de Goiás, e era apresentado pelo autor como "romance realista e de
costumes".
A obra tem como enredo a história de um rapaz muito devoto de Nossa Senhora da
Abadia em Muquém, na margem do Tocantins, em Goiás. Ao matar, quase acidentalmente
um amigo, teve que se refugiar para não acertar as contas com a Justiça. O milagre
da santa o recambiou a Muquém, onde tornou-se um ermitão místico, de comportamento
medieval. Relato romanceado da vida do nativo do Planalto Central. Na obra se
encontra não só o caráter indianista, mas o retrato das paisagens, tipos, usos
e costumes do sertão do Brasil Central, do qual era profundo conhecedor. Por isso,
é marcante, em sua obra narrativa, uma linguagem impregnada de oralidade, isto
é, suas histórias parecem estar sendo contadas com simplicidade e num tom de conversa.