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O Filho do Pescador, de Teixeira e Souza


O Filho do Pescador, de Teixeira e Souza (1843), é uma obra de ficção em prosa, nitidamente influenciada pelos folhetins franceses que haviam se tornado modismo em vários jornais brasileiros. O romance teve mais duas edições até 1859. O romance  trata do drama amoroso entre uma mulher, chamada Laura, e um filho de pescador, chamado Augusto. O romance tem como ponto de partida um naufrágio ocorrido na deserta e esquecida Praia de Copacabana. Resgatada da morte por Augusto, a bela mulher enfeitiçará, o seu ingênuo salvador.

Ao dar início em sua obra, através de uma das faces de um naufrágio, Teixeira e Souza, segundo a maioria dos críticos, conquista o mérito de ser o iniciador definitivo do romance brasileiro, porque foi o primeiro a dar lugar de destaque as particularidades do nosso ambiente, tanto na utilização das personagens, como na representação das paisagens, como na caracterização dos costumes brasileiros. O seu romance é feito do que é comum a todos os grandes gêneros populares de sua época, como por exemplo: sentimentalismo, prolixidade, lágrimas linguagem retórica e chapada, situações falsas, pieguice, emoções baratas, suspense e reviravolta, ausência de tipos e personagens definidos e etc. É importante ressaltar que são formas estilísticas inerentes ao gênero e não imperfeições, como querem alguns críticos apontar.

No romance de Teixeira e Souza, a unidade da trama ou do enredo é assentada fundamentalmente num drama amoroso. O romance começa a ser dramatizado no seio da comunidade de pescadores. Uma classe que não costumava aparecer no Romantismo. O autor interiorano trabalha com as figuras populares que fazem parte do bucólico universo das praias e dos rochedos do litoral brasileiro, onde o mar sussurra os seus desejos incontidos. Uma parte desse mundo afastada, feita de canoas, redes e heróicos salvadores de naufrágios, Teixeira e Souza procurou utilizar para ambientar o início de seu romance de pura sentimentalidade.

A forma como Teixeira e Souza narra o seu romance, é decorrente dos cuidados tomados diante o público leitor brasileiro incipiente. É nesse contexto que O Filho do Pescador vem ao mundo, pois consciente da deficiência e do despreparo de seus leitores, o escritor utiliza estratégias narrativas voltadas para que a leitura, não seja posta de lado. São recursos, que representam um narrador que “tutela seu leitor de modo paternalista”, a exemplo das explicações constantes e retrocessos no relato para lembrar acontecimentos passados. Em suma, recorre às repetições, “numa recorrência configuradora de quadros e situações para aqueles leitores apenas alfabetizados, que eram maioria”.

O romancista não chega a definir personagens a rigor, o que apresenta são representações de vícios e virtudes, onde ocorre o velho embate entre o bem e o mal, em que vence o bem e a verdade, depois das passageiras vitórias do mal e da mentira. O maniqueísmo com a vitória dos bons sentimentos e da virtude e a simplificação na caracterização dos personagens, é um dos cacoetes estilísticos da ficção em série, ou seja, em fatias seriadas.

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