O Judas em sábado de Aleluia, de Martins Pena
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A obra O Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena, é
uma comédia de costumes, escrita no final do século XIX, contendo
apenas um ato e doze cenas.
Martins pena é um dos maiores dramaturgos brasileiros, o criador do
Teatro Nacional. Na peça, ele zomba dos costumes sociais do Rio de Janeiro
do século XIX, pois trata basicamente de um tema comum esboçado
pelos autores românticos: das moças que buscam um noivo para si,
bem como um reforço retratista da pequena burguesia: funcionários
públicos, militares etc.
Dotado de singular veia cômica, soube aproveitar o momento em que se
intensificava a criação do teatro romântico brasileiro,
que possibilitava tratar das situações e personagens do cotidiano,
e mostrou a realidade de um país atrasado e, predominantemente, rural,
fazendo a platéia rir de si mesma. Seus textos envolvem, sobretudo, flagrantes
da vida brasileira, do campo à cidade. Assim, apresenta com temas principais,
os problemas familiares, casamentos, heranças, dotes, dívidas,
corrupção, injustiças, festas populares etc. Sua galeria
de tipos compreende: funcionários públicos, padres, meirinhos,
juízes, malandros, matutos, moças namoradeiras ou sonsas, guardas
nacionais, mexeriqueiros, viúvas etc.
Na peça fica patente a crítica de Martins Pena à sociedade
hipócrita que semeia visões distorcidas daquilo que é em
sua interioridade podre. Percebe-se a crítica à moral burguesa
com os seus desejos e certezas. Fica clara ainda a figura da esperteza de Faustino.
A história passa-se no Rio de Janeiro, no ano de 1844.
PERSONAGENS
JOSÉ PIMENTA, cabo-de-esquadra da Guarda Nacional
CHIQUINHA
MARICOTA e suas filhas
LULU (10 anos)
FAUSTINO, empregado público
AMBRÓSIO, capitão da Guarda Nacional
ANTÔNIO DOMINGOS, velho, negociante
Meninos e moleques
RESUMO
A história se desenrola na casa de Pimenta, cabo da guarda-nacional
e pai de Maricota e Chiquinha. Estas duas moças, principalmente, Maricota
sonham com o casamento. Sonho e desejo comum das jovens solteiras do século
XIX. Para isso, resolveu namorar a tantos quanto pudesse. Isso permitiria a
ela maiores oportunidades. Conforme ela mesma disse à irmã:
Ora dize-me, quem compra muitos bilhetes de loteria não tem mais
probabilidade de tirar a sorte grande do que aquele que só compra um?
Não pode do mesmo modo, nessa loteria do casamento, quem tem muitas amantes
ter mais probabilidade de tirar um para marido?
Já a sua irmã Chiquinha possuía uma atitude mais sôfrega.
Não era dada a requestos tão intensos.
A história avoluma-se ou alcança um ponto inflexivo quando aparece
a figura de Faustino à porta da casa para ter com Maricota. Faustino
lamentoso, questiona o amor de Maricota por ele e afirma a infelicidade que
habita a sua alma inquieta. Maricota diz que o ama. De repente chega o capitão
da Guarda Nacional, que é um dos pretensos namorados de Maricota. Faustino
assume o disfarce de Judas, que alguns meninos preparam para o Sábado
de Aleluia. Portanto, este escuta a fala de Maricota com o capitão. Em
seguida, chega ainda o pai de Maricota. Esta corre. Pimenta, o pai das duas
donzelas, fica a tratar de negócios com o capitão. Conversam basicamente
sobre a situação de indisciplina que anda a Guarda Nacional. Faustino
disfarçado de Judas de aleluia escuta a conversa. O capitão retira-se.
Volta à sala a figura de Chiquinha para continuar a coser o seu vestido
para a festa de sábado de aleluia. Em dado momento, esta suspira alto
e confessa a sua paixão por Faustino. O rapaz deitado, disfarçado
no chão, aproxima-se dela e é solidário ao amor da moça.
Chiquinha sente-se envergonhada, mas se mostra crédula com a recepção
do amor de Faustino. O pai retorna à sala, Chiquinha corre e Faustino
se esconde. Pimenta dessa vez traz consigo a figura de Antônio. Os dois
especulam sobre um negócio escuso que estão praticando no porto.
E temem. Faustino absorve todas estas informações. Os dois homens
temem ser descobertos pela polícia. Isso propiciaria um destino infausto.
Faustino, deitado, ensaia uma voz que parece ser da polícia. Os dois
encolhem-se de medo. Quando à porta bate o capitão. Pimenta e
Antônio se atarantam. Finalmente, os três ficam juntos e entendem
que algo misterioso se passava no interior daquela casa.
Os meninos que preparavam o Judas entram na sala para malharem-no. Faustino
corre. Os presentes à sala se assustam com o espantalho que toma vida.
Todos correm. Uns se escondem embaixo da mesa; outro sobe num móvel;
outros ainda rolam no chão. Chiquinha não se altera por saber
a identidade do espantalho Judas. De repente Faustino volta ao interior da casa
ameaçado por algumas crianças que encontra na rua. Temendo a própria
vida volta para ter com os que jaziam espantados. Martins Pena deixa transparecer
a sua verve cômica nessa cena.
Começa a partir daí a vingança de Faustino. Este se põe
no meio daqueles que dantes estavam espantados. O capitão, Antônio,
Pimenta e Maricota ameaçam Faustino. Tal ameaça expressa claramente
uma ignorância por parte dos personagens, que não têm conhecimento
dos segredos adquiridos por Faustino. Este se apropria da fala e se vinga de
cada um dos personagens. As suas intenções são manifestadas:
Maricota se casa com Antônio (um velho). Suas intenções
não graçam, não tomam vida. Ao cabo, Faustino beija o rosto
de Pimenta, realizando o ato de Judas, o discípulo de Jesus, que o traiu
com um beijo na face. Aqui o personagem ironiza e pede a mão de Chiquinha
em casamento.
Créditos: Carlos Antônio M. Albuquerque