Ressurreição, de Machado de Assis
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Primeiro romance de Machado de Assis, publicado em 1872, Ressurreição
foi uma obra bem recebida pelo público e pela crítica da época. Machado de
Assis ainda vivia quando foi lançada sua segunda edição (1905). Nesse romance
estão os traços de sua maneira de escrever definitiva: a penetração psicológica,
a preocupação da análise, o monólogo interior, o desenvolvimento alinear da
intriga, a narrativa complexa.
Apesar do convencionalismo da linguagem, esse romance inaugural rompe com o
nacionalismo literário, com a ênfase na descrição da natureza e dos costumes,
com a novela histórica e indianista e com o regionalismo de superfície que
tinham dominado a ficção brasileira durante o Romantismo. O prefácio do livro é
bem ilustrativo da busca do autor por um novo caminho:
Não quis fazer romance de costumes; tentei o esboço de uma situação e o
contraste de dois caracteres; com esses simples elementos busquei o interesse
do livro.
Ao propor o esquadrinhamento da alma humana como alvo de sua narrativa, ele anunciou
um tipo de análise psicológica que apenas os realistas europeus vinham realizando.
No entanto, seu projeto não se realiza adequadamente: a trama banal, cheia de
fórmulas românticas derrota a investigação íntima dos personagens.
Enredo
Conta a história do Dr. Félix, um solteirão de 36 anos que, apesar de não
acreditar no amor, se apaixona por uma viúva, a bela Lívia, sendo emocionalmente
instável e sacudido a todo momento por impulsões de ciúme na conquista de Lívia.
Pode-se perceber que o romance é atribulado devido ao temperamento desconfiado e
inseguro de Félix.
Cansada do comportamento de Félix, Lívia decide tornar definitiva a separação.