O processo de urbanização no Brasil vincula-se a transformações
sociais que vêm mobilizando a população dos espaços
rurais e incorporando-a à economia urbana, bem como aos padrões
de sociabilidade e cultura da cidade. A inserção no mercado de
trabalho capitalista e a busca por estratégias de sobrevivência
e mobilidade social implicam na instalação em centros urbanos
e em uma mobilidade espacial constantemente reiterada, que se desenrola no espaço
da cidade ou tem nela sua base principal.
A maioria dos brasileiros vivem em cidades. Isso significa que pouco resta
da sociedade rural que caracterizava o país nos anos 1940, quando cerca
de 70% da população brasileira morava no campo.
São Paulo: a maior metrópole da América do Sul
O processo de urbanização no Brasil difere do europeu pela rapidez
de seu crescimento. Ao passo em que na Europa esse processo começou no
século 18, impulsionado pela Revolução
Industrial, em nosso país ele só se acentuou a partir de 1950,
com a intensificação da industrialização.
O êxodo rural aumentou na década de 70 do século 20, com
a cidade de São Paulo assumindo a posição de principal
pólo de atração. Por conta desse crescimento descontrolado
nos últimos 30 anos, 40 municípios que envolvem a capital paulista
estão fisicamente unidos, formando uma mancha demográfica chamada
conurbação.
Favelização e outros problemas da urbanização
Ao
crescimento e proliferação das favelas em quantidade e em população,
eventualmente associado à transferência da população
local de moradias legalizadas para conjuntos urbanos irregulares, dá-se
o nome de favelização. Cabe notar, no entanto,
que a definição de "favelização" depende
da própria definição do fenômeno conhecido como favela:
se este for considerado apenas como uma área urbana desenvolvida a partir
de invasão de terrenos particulares, o termo "favelização"
passaria a indicar um aumento da irregularidade na propriedade do solo urbano,
mas não indica necessariamente a qualidade de tais moradias. Se, no entanto,
o termo "favela" for entendido como qualquer tecido urbano que, independente
de sua condição fundiária, apresenta condições
precárias de qualidade de vida, a favelização corresponderia,
portanto, a uma diminuição generalizada da qualidade de vida urbana.
A urbanização desordenada, que pega os municípios despreparados
para atender às necessidades básicas dos migrantes, causa uma
série de problemas sociais e ambientais. Dentre eles destacam-se o desemprego,
a criminalidade, a favelização e a poluição do ar
e da água. Em todo o mundo mais de 1 bilhão de pessoas vivem em
favelas e áreas invadidas.
Histórico da urbanização brasileira
Cidade do Rio de Janeiro nos dias de hoje
Na segunda metade do século 19, a cafeicultura - que transformou definitivamente
o Sudeste na principal região econômica do país - ajudou
a promover a urbanização do Rio de Janeiro e de São Paulo
e deu início a um pequeno processo de industrialização
no país.
Foi somente durantes os governos de Getúlio
Vargas (1930-1945) que se promoveram as primeiras medidas para se industrializar
significativamente o país, o que deslocaria o eixo populacional do país
do campo para a cidade. A implantação da indústria automobilística
no governo
de Juscelino
Kubitschek (1955-1960) deu novo impulso ao processo.
Vemos que a característica exportadora da agricultura brasileira originou
consigo uma onda de desenvolvimento também para as incipientes cidades.
À medida que a exportação de café aumenta, a receita
aumenta, possibilitando ao governo estadual empreendimentos para a agricultura,
que favorecem também o desenvolvimento industrial, facilitando, inclusive,
a imigração” (para que fossem ocupados postos na indústria
e também em algumas lavouras especificas), sem contar, ainda, a construção
de estradas de ferro. É na dependência das lavouras, como já
citamos anteriormente, que as cidades crescem e se desenvolvem. Instalam-se
bancos, para financiar os cafezais, necessita-se também de produção
para a nova sociedade, voltada para o mercado interno. A industrialização
é acelerada pelo êxodo rural que se torna mais intenso, como já
citado, a partir da década de 1930, baseado, principalmente, por dois
fatores:
1. aumento da produtividade do trabalhador e 2. integração daagropecuária à
indústria
Indústria e cidade
As cidades ofereciam oportunidades de trabalho e de melhoria da qualidade
de vida, atraindo a população do campo, onde novas técnicas
agrícolas e a mecanização da agricultura tornavam cada
vez menor a necessidade de mão de obra.
Paróquia de Nossa Senhora Assunção e São Paulo (Catedral da Sé), em 1860
A aceleração da urbanização no Brasil é
intensificada no governo de Getúlio Vargas, cujas ações
políticas visavam à modernização do país
com medidas sociais e econômicas, baseadas, principalmente, em maciços
investimentos na industrialização. Junte-se a isso a fase da explosão
demográfica, entre os anos de 1940 a 1970. Tais processos aliados intensificaram
o ritmo de crescimento urbano. Só para se ter uma idéia da rápida
urbanização, no sentido histórico, em 1860, São
Paulo ainda era uma cidade modesta, com 15.200 habitantes, dos quais 46% ainda
viviam na região rural do município; diferente da cidade do Rio
de Janeiro, com agricultura nos municípios circunvizinhos. Uma das características
marcantes da urbanização brasileira é a chamada macrocefalia,
ou seja, o crescimento acelerado dos grandes centros urbanos e a diminuição
progressiva da população relativa das pequenas cidades.
Rua da Glória, São Paulo, em 1860
Além disso, existia, principalmente nesse momento de explosão
demográfica, uma grande falácia na mente das pessoas de outras
regiões que a cidade grande poderia gerar melhor condição
de emprego e renda para todos. Temos, dessa forma, uma decepção
e conseqüente conformação com a situação de
exclusão. Como nos demais países da América Latina, o crescimento
demográfico não foi acompanhado do correspondente crescimento
econômico. Não houve, por exemplo, um processo simultâneo
de desenvolvimento e geração de empregos e de mudanças
estruturais para absorver os contingentes da população e a ausência
de reformas sociais, tanto no campo, quanto na cidade tem agravado os problemas
destas últimas, expandindo suas mazelas até mesmo para aquelas
de pequeno porte. A rapidez com que as cidades se formaram e cresceram tornaram
a vida cada vez mais difícil e selvagem no âmbito social. Na segunda
metade do século XX, o número de pessoas nos centros urbanos mais
que duplicou e, em decorrência disso, as demandas por infra-estrutura,
moradia, transporte, também cresceram consideravelmente, muito mais a
que a capacidade atual das cidades atenderem-nas. As cidades multiplicaram-se
de forma nunca ocorrida anteriormente, em número, tamanho da população
áreas ocupadas, e complexidade dos impactos sobre os locais onde elas
vieram a se assentar. Nessas condições, encontramos campo para
a discussão da viabilidade dessas cidades que são verdadeiros
contínuos de terra ocupada por bolsões cada vez maiores de pobreza.
A industrialização teve continuidade durante cerca de 15 anos
do Regime
militar (1964-1985), o qual procurou atrair investimentos estrangeiros para
o país, ao mesmo tempo que fez o Estado assumir atividades empresariais.
Sendo uma decorrência da industrialização, a urbanização
do país se deu nesse período histórico breve e recente.
População urbana
Desse modo, se em 1940, a população urbana brasileira se compunha
de 31,2% do total dos habitantes do país, esse percentual cresceu aceleradamente:
em 1970, mais da metade dos brasileiros já viviam nas cidades (55,9%).
De acordo com o censo de 2000, a população brasileira é
agora majoritariamente urbana (81,2%).
O país, entretanto, sempre foi uma terra de contrastes e, nesse aspecto,
também não ocorrerá uma exceção: a urbanização
do país não se distribui igualitariamente por todo o território
nacional. Muito pelo contrário, ela se concentra na Região Sudeste,
formada pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito
Santo.
Região
Sudeste
Apesar destes quatro Estados ocuparem somente 10% de nosso território,
neles se encontram cerca de 40% da população nacional: são
aproximadamente 72 milhões de habitantes, 90% dos quais vivem em cidades.
É também no Sudeste que se encontram três das cidades brasileiras
com mais de 1 milhão de habitantes (São Paulo, Rio de Janeiro
e Belo Horizonte), bem como 50% das cidades com população entre
500 mil e 1 milhão de habitantes.
As sucessivas crises econômicas que o país conheceu nas últimas
duas décadas fez seu ritmo de crescimento em geral diminuir e com isso
o fluxo migratório para o Sudeste se reduziu e continua em declínio.
Região
Centro-Oeste
A segunda região de maior população urbana no país
é a Centro-Oeste, onde 89% dos habitantes vivem em cidades.
A urbanização dessa região é ainda mais recente
e se explica pela criação de Brasília, bem como de uma
explosão do agronegócio.
A agropecuária impulsionou a urbanização do Centro-Oeste,
cujas cidades apresentam atividades econômicas essencialmente de caráter
agro-industrial.
Região
Sul
A região Sul, apesar de contar com o terceiro maior contingente populacional
do país - cerca de 25 milhões de habitantes - e uma economia vigorosa,
também baseada na agropecuária - apresenta um índice mais
baixo de urbanização. Isso se explica devido ao modo como as atividades
econômicas se desenvolveram na região.
A pequena propriedade e o trabalho familiar foram as características
essenciais do modo de produção agrícola na região,
o que ajudou a fixar as populações no campo. Esse modelo, entretanto,
está passando por mudanças e o êxodo rural já se
tornou uma realidade também nessa região.
Região
Norte
A região Norte tem o menor número de municípios do país
e cerca de 15 milhões de habitantes. No entanto, é a região
com o menor percentual de população urbana no país (62%).
Além de ter-se inserido tardiamente na dinâmica econômica
nacional, a região tem sua peculiaridade geográfica - a floresta
Amazônica - que representa um obstáculo ao êxodo rural. Ainda
assim, Manaus (AM) e Belém (PA) têm população superior
a 1 milhão de habitantes.
Região
Nordeste
Com cerca de 50 milhões de habitantes e peculiaridades geográficas
como as secas, nunca efetivamente combatidas desde os tempos do Império,
o Nordeste é a região brasileira com o maior número de
municípios (1.792), mas somente 65% de sua população é
urbana. Só recentemente as cidades de Recife, Salvador e Fortaleza se
tornaram pólos industriais.
Outras fontes: José Roberto Lapietra Diogo, Bacharel em Administração
Rural