O surgimento da bomba atômica teve sérias implicações
históricas, políticas e culturais. Durante o período da Guerra
Fria, o pesadelo da chamada "hecatombe nuclear" rondou a vida dos habitantes
do planeta. Acreditava-se que o ataque de um dos lados, num momento qualquer,
desencadearia uma guerra que poria fim à vida humana na Terra.Nós
vamos ver de que modo a bomba atômica surgiu e se transformou num dos elementos
principais do jogo de poder entre Estados Unidos e União Soviética.
Um jogo macabro conhecido como "o equilíbrio do terror".
Einstein e a bomba atômica
O físico Albert Einstein e
a Bomba atômica
O início da corrida armamentista nuclear foi marcado por um apelo de Albert
Einstein ao presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, numa carta enviada
em 1939. O físico alemão mostrava-se preocupado com a possibilidade
de Hitler ter acesso à tecnologia nuclear antes dos americanos. Roosevelt
decidiu ampliar os investimentos em pesquisas e determinou, em 1942, o início
do Projeto Manhattan, voltado ao desenvolvimento da bomba atômica.
Três anos depois, em julho de 45, a equipe de Robert Oppenheimer fez o
primeiro teste bem sucedido de explosão nuclear no deserto de Alamogordo,
no estado americano do Novo México.Na mesma ocasião, realizou-se
na Alemanha a Conferência de Potsdam. O presidente dos Estados Unidos,
Harry Truman, negociou com Josef Stalin, da União Soviética, e
Winston Churchill, da Grã-Bretanha, a nova divisão do mundo após
a Segunda Guerra. Informado do sucesso dos testes no Novo México, Truman
endureceu sua posição na conferência e tentou limitar a
influência soviética na Europa.
Para muitos historiadores, o marco inicial da Guerra Fria foi o lançamento
da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, logo após
o fim da Segunda Guerra Mundial. Nessa perspectiva, a destruição
das duas cidades nada teve a ver com o Japão, já militarmente
derrotado, e sim com a divisão geopolítica do mundo.
O propósito dos Estados Unidos, para esses historiadores, foi de intimidar
Moscou e conter o avanço do comunismo.Em fevereiro de 47, Truman fez
no Congresso americano um discurso que mais tarde ficaria conhecido como "Doutrina
Truman". O presidente prometia acabar com a chamada "ameaça
comunista" em qualquer parte do mundo onde ela surgisse. Era apenas o início
de uma longa temporada de tensões internacionais que caracterizariam
a Guerra Fria.
A Europa se divide
Bandeira da OTAN
Em
abril de 1949, diversos países ocidentais, sob a liderança dos
Estados Unidos, criaram a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico
Norte. A aliança consagrava, no aspecto militar, a divisão da
Europa em dois blocos antagônicos. Os primeiros países a integrar
a OTAN foram Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Canadá,
Bélgica, Dinamarca, Islândia, Itália, Luxemburgo, Holanda,
Noruega e Portugal. Em 52, entraram a Grécia e a Turquia. Em 55, a Alemanha,
e em 82, a Espanha.A situação esquentaria ainda mais em agosto
de 49, quando a União Soviética faria seu primeiro teste nuclear
bem sucedido.O antagonismo na Europa ficou mais evidenciado com a divisão
da Alemanha em dois países, ainda em 49. A área ocupada pelo Exército
soviético tornou-se a República Democrática da Alemanha
e passou a integrar o bloco socialista. Sua capital era a parte oriental da
cidade de Berlim, também dividida em duas.
Comunismo chinês: a Guerra Fria na Ásia
O ano de 1949 foi conturbado também no continente asiático. Em
outubro, o Partido Comunista Chinês, liderado por Mao Tse-tung, tomou
o poder e proclamou o nascimento de mais um país socialista, a República
Popular da China. Um gigante continental com uma população, na
época, de mais de 500 milhões de habitantes.Os americanos, com
a Doutrina Truman, não estavam alheios ao avanço da esquerda na
Ásia e reforçaram a presença militar na bacia do Pacífico,
procurando preservar sua influência no sudeste asiático. Dessa
forma, a revolução chinesa levou para a Ásia as fronteiras
da Guerra Fria. Havia o receio de que o Japão, pela proximidade com a
União Soviética e a China, fosse engolido pelo bloco socialista.
Uma das primeiras conseqüências dos acontecimentos na China foi
a invasão da Coréia do Sul pelos vizinhos norte-coreanos, de governo
pró-soviético. Eles queriam reunificar o país sob a bandeira
do socialismo. A ofensiva, em junho de 1950, desencadeou uma ação
enérgica dos Estados Unidos, que aprovaram na ONU uma ajuda multinacional
à Coréia do Sul. Era tudo o que os americanos queriam. Em algumas
semanas, sua indústria bélica produzia uma quantidade expressiva
de armamentos para uso na Guerra da Coréia. Além disso, Washington
estimulou a participação do Japão no chamado "esforço
de guerra". A indústria japonesa passou a produzir o material de
apoio aos soldados no front, como roupas, remédios e alimentos sintéticos.
Com isso, o Japão tentou resolver o problema do desemprego por meio de
compromissos econômicos com o bloco capitalista. No final do conflito,
em 53, a rígida divisão entre capitalistas e socialistas na bacia
do Pacífico estava cristalizada.
Essa batalha estratégica pelo controle do sudeste asiático teria
desdobramentos dramáticos nos anos 60, com o envolvimento direto dos
Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
A bomba soviética e o armamentismo das superpotências
Nos dias atuais, com uma perspectiva histórica, podemos imaginar a repercussão
política e psicológica provocada pelo surgimento da bomba atômica
soviética, em 1949. Dali em diante, duas potências antagônicas
dominavam a tecnologia de destruição em massa.
Com todo o clima de confronto, americanos e soviéticos lançaram-se
à corrida tecnológica e ao aperfeiçoamento permanente dos
armamentos nucleares, como se poucos deles já não pudessem pôr
fim à vida humana na Terra. A corrida armamentista implicava também
uma estratégia de dominação, em que as alianças
regionais e a instalação de bases militares eram de extrema importância.
Para fazer frente à OTAN, surgiu, em 1955, o Pacto de Varsóvia
Os países liderados por Moscou criaram o Pacto em 14 de maio de 55,
uma semana depois da adesão da Alemanha Ocidental à OTAN. No início,
integravam o pacto a União Soviética, a Albânia, a Alemanha
Oriental, a Bulgária, a Tchecoslováquia, a Romênia, a Polônia
e a Hungria. A Albânia, tradicional aliada da China, sairia do Pacto em
1968, por causa do estremecimento de relações entre Moscou e Pequim.
As bases militares montadas nos países da OTAN e do Pacto de Varsóvia
receberam, no primeiro momento, mísseis americanos e soviéticos
convencionais. Eram foguetes equipados com bombas potentes, não nucleares,
do tipo das famosas "V-2" criadas pelo físico alemão
Werner Von Braun e utilizadas por Hitler no bombardeio de Londres, em 44.
O avanço da tecnologia nuclear logo permitiria a redução
do tamanho da bomba atômica: em 1954 a bomba já podia, em tese,
ser transportada na ogiva de um foguete. Ganhavam importância, nessa fase,
aspectos como o alcance e o nível de segurança dos foguetes.
Sputnik-1: a URSS lidera a corrida
Moscou exibe seus mísseis táticos
Em
1957, coube à União Soviética inaugurar a era dos mísseis
de longo alcance e precisão. Em outubro, os soviéticos lançaram
um foguete que colocou em órbita o primeiro satélite artificial
da história, o Sputnik-1. Tratava-se de um artefato simples, uma esfera
de alumínio de 58 centímetros de diâmetro e 84 quilos, equipado
com um termômetro e um transmissor de rádio. Em novembro de 57,
foi lançado o Sputnik-2. Dessa vez, um satélite de meia tonelada
com uma célebre passageira a bordo: a cachorra da raça laika,
que permaneceu dez dias no espaço ligada a instrumentos de medição
da pressão arterial, dos batimentos cardíacos e de outras reações
neurofisiológicas.
O sucesso do projeto Sputnik causou um grande impacto, porque pôs em
evidência a vantagem dos russos na corrida armamentista. Na lógica
militar, um foguete que coloca um satélite em órbita da Terra
é capaz também de transportar ogivas nucleares. Ainda em novembro
de 57, a inquietação no Ocidente aumentou com a exibição,
em Moscou, de mísseis nucleares de curto alcance, os chamados "mísseis
táticos", durante as comemorações do quadragésimo
aniversário da Revolução Russa. A tecnologia disponível
no final da década de 50 tornou cada vez mais próxima a realidade
dos mísseis balísticos intercontinentais, chamados de ICBM, a
mais temível arma inventada pelo homem. Por trás de todo aquele
avanço bélico e tecnológico estava Nikita Khruschev, sucessor
de Stalin no comando da União Soviética. Dono de uma personalidade
carismática, ele tratou de aproveitar as conquistas soviéticas
para fazer propaganda do regime. E gostava de lançar dúvidas sobre
a capacidade dos Estados Unidos de conter o avanço do socialismo.
EUA criam a Nasa
Os americanos, em resposta, aceleraram ao máximo o seu programa armamentista.
Era a lógica da Guerra Fria. Com a evolução da tecnologia
nuclear, o tempo de destruição passou a ser contado em segundos.
Rapidez, precisão e potência passaram a ser uma obstinação
dos responsáveis pela indústria de armamentos dos dois países.
Em janeiro de 1958, os Estados Unidos lançaram o satélite Explorer.
Em outubro, anunciaram a criação da Nasa - National Aeronautics
and Space Administration -, órgão encarregado de coordenar as
pesquisas para o desenvolvimento de foguetes e artefatos espaciais. Os projetos
soviéticos e norte-americanos seguiam duas vertentes paralelas e complementares.
Uma delas era a pesquisa nuclear, com a fabricação de bombas cada
vez menores e mais potentes. A outra vertente era a construção
de foguetes cada vez mais velozes e precisos.
Europa: cenário de uma guerra improvável
Moscou e Washington desenvolveram bases subterrâneas e plataformas móveis,
incluindo submarinos, para o lançamento de mísseis. Criaram também
os mísseis antibalísticos, capazes de detectar e detonar foguetes
inimigos antes de eles atingirem o alvo. Esse armamento, em especial, inquietava
os países europeus, que poderiam servir de cenário involuntário
de uma guerra em que os territórios das superpotências estariam
protegidos.
A crise dos mísseis em Cuba
O primeiro momento de grande tensão aconteceu em outubro de 62. Aviões
de espionagem dos Estados Unidos detectaram movimentos que indicavam a disposição
soviética de instalar mísseis em Cuba. O território norte-americano
ficaria vulnerável a um hipotético ataque deflagrado a menos de
200 quilômetros de distância. O mundo viveu duas semanas de tensão.
O presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, advertiu Khruschev de que seu
país não teria dúvidas em usar armas nucleares contra a
iniciativa russa. O dirigente soviético recuou, mas a opinião
pública conscientizou-se da possiblidade real de confrontação
armada entre os dois países. Essa preocupação tinha razão
de ser. No início dos anos 60, a tecnologia nuclear não estava
mais limitada às duas superpotências: a Grã-Bretanha e a
França também já possuíam a bomba atômica.
Àquela altura, havia uma clara tendência à proliferação
dos arsenais nucleares. Por essa razão, e ainda sob o impacto da crise
dos mísseis de Cuba, os Estados Unidos, a União Soviética
e a Grã-Bretanha assinaram, em 1963, um acordo proibindo testes nucleares.
No ano seguinte, os três países aprovaram o Tratado de Não-Proliferação
de Armas Nucleares. O objetivo dos acordos era tentar conter a corrida armamentista
dentro de certos limites. Apesar disso, a China realizou, naquele mesmo ano
de 64, seus primeiros testes atômicos.
Anos 60: onda pacifista
Paz e amor: protestos influentes
No
decorrer da década de 60, os movimentos pacifistas cresceram rapidamente
nos Estados Unidos e na Europa, tornando-se uma fonte permanente de pressão
sobre os governos. Entre os americanos o movimento ganhou força com as
manifestações de protesto contra a Guerra do Vietnã. Na Europa,
a opinião pública tomava consciência de que ocontinente seria
devastado na hipótese de um confronto nuclear.
Esse movimentos pacifistas cresceriam muito nos anos 80, articulados com grupos
de defesa do meio ambiente. Agrupados em partidos políticos, como o Partido
Verde, teriam influência até para alterar resultados eleitorais.
Mas foi um longo caminho. No início da luta pela paz, na década
de 60, os pacifistas organizaram muitas passeatas até alcançar
as primeiras vitórias.
A primeira iniciativa mais concreta de contenção da escalada
armamentista aconteceu em 1968, quando 47 países assinaram o Tratado
de Não-Proliferação de Armas Nucleares, com duração
de 25 anos. Em 72, o presidente norte-americano, Richard Nixon, e o dirigente
soviético, Leonid Brejnev, assinaram em Moscou o Acordo Para Limitação
de Armas Estratégicas, conhecido como Salt-1 (em inglês, Strategic
Arms Limitation Talks). Pelo acordo, as superpotências podiam proteger
um número limitado de alvos essenciais, como as capitais Washington e
Moscou. Assim, no caso de uma guerra, os dois países sofreriam tantas
perdas que o confronto tornava-se inviável. Era essa a lógica
do equilíbrio do terror. O Salt-1 também congelou, por 5 anos,
a construção de plataformas fixas ou submarinas de mísseis
balísticos intercontinentais. Em 1979, as superpotências assinaram
o Salt-2, que em linhas gerais ratificava o Salt-1.
No fim dos anos 70, no entanto, o clima era tenso entre Estados Unidos e União
Soviética, como resultado de uma complicada situação internacional.
Diversos fatos politicamente relevantes se sucederam na mesma época,
como a invasão soviética no Afeganistão, a revolução
sandinista na Nicarágua e a revolução dos aiatolás
no Irã. Numa demonstração de desconfiança, o senado
norte-americano decidiu não endossar o Salt-2, que apesar de tudo foi
respeitado pelas superpotências.
Em 1982, teve início uma nova rodada de negociações, chamada
de Start (em inglês, Strategic Arms Reduction Talks), para a redução
dos sistemas de armas estratégicas. O objetivo era reduzir em 50 por
cento os arsenais de mísseis balísticos intercontinentais. Apesar
das conversações, foram mantidas, nos dois lados, as pesquisas
para a produção de armas cada vez mais mortíferas. Surgiram
as "armas inteligentes", foguetes equipados com computadores que asseguravam
a eficiência do ataque e da defesa.
Reagan e a Guerra nas Estrelas
O delírio tecnológico veio logo a seguir. O presidente dos Estados
Unidos, Ronald Reagan, anunciou em 83 um projeto denominado "Iniciativa
de Defesa Estratégica". A idéia era criar um fantástico
escudo espacial contra mísseis lançados de qualquer ponto do planeta
ou mesmo por extraterrestres. Reagan alegava que o projeto, conhecido como "Guerra
nas Estrelas", tornaria inúteis os mísseis nucleares, pondo
um fim definitivo à corrida armamentista.
Para enfatizar suas intenções, propôs uma parceria à
União Soviética, que recusou o convite. Com o tempo, o projeto
seria abandonado por ser caro e inviável.
À margem das negociações entre as superpotências,
diversos governos continuaram engajados em projetos nucleares. Nos anos 80,
cinco países (Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha,
França e China) possuíam declaradamente a bomba atômica,
enquanto outros países (Índia, Paquistão, Israel, Brasil,
Argentina, Irã, Iraque e África do Sul) destinavam verbas a programas
de energia nuclear. O Brasil fazia parte deste grupo desde 1975.
Além do perigo nuclear, a corrida armamentista trouxe outra conseqüência
direta: uma mentalidade militarista nas relações internacionais,
que criou uma predisposição pouco amistosa no momento de duas
partes negociarem um conflito. Os focos de tensão regionais se multiplicavam,
e os governos passaram a estocar enormes arsenais de armas convencionais. Mesmo
ditaduras miseráveis, como algumas do continente africano, adquiriam
as armas não nucleares mais sofisticadas do mercado. O Brasil era um
dos beneficiários desse mercado, um dos mais prósperos do mundo.
A moratória de Gorbachev e a pacificação leste-oeste
Mikhail Gorbachev
Em
1985, o novo dirigente soviético, Mikhail Gorbachev, declarou a moratória
nuclear unilateral, uma iniciativa surpreendente que favoreceu as negociações
para a redução dos arsenais atômicos.
Em 87, as superpotências concluíram em Washington um acordo para
a eliminação dos mísseis baseados em terra com alcance
de até 5.500 quilômetros. Em 91, em Moscou, assinaram o Start,
Tratado de Redução de Armas Nucleares Estratégicas.
Com o fim da União Soviética, em dezembro de 91, os Estados Unidos
tornaram-se a maior potência política e militar em todo o mundo.
A Rússia, por seu lado, tinha urgência em reduzir os gastos militares
para fazer frente aos problemas econômicos e sociais surgidos na transição
para o sistema de mercado. Em janeiro de 93, os presidentes da Rússia,
Bóris Yeltsin, e dos Estados Unidos, George Bush, assinaram um novo acordo,
o Start-2, para eliminar, em dez anos, dois terços de seus arsenais de
mísseis intercontinentais e todas as bases de lançamento de mísseis
de ogivas múltiplas.
Muitos observadores fazem críticas a Mikhail Gorbachev, dizendo que
o ex-dirigente soviético fez muitas concessões aos Estados Unidos,
num curto espaço de tempo. Uma postura mais firme do líder e a
preservação do poderio militar do país, segundo esses críticos,
poderiam ter evitado a desintegração da União Soviética.
É necessário observarmos outros aspectos da situação
do país naquele período. Ao assumir o poder, em 85, Gorbachev
encontrou a economia soviética à beira do colapso. Alguns historiadores
indicam que o país destinava ao setor de defesa mais de 20% de seu PIB,
Produto Interno Bruto. Os americanos, em 1987, destinavam ao setor 7%, e a Grã-Bretanha,
5% do PIB. Mesmo gastando proporcionalmente menos, o Ocidente também
sentiu o peso econômico da corrida armamentista. A crise foi atenuada
com a transferência de tecnologia para os demais setores produtivos da
economia.
Os americanos sempre trataram de aplicar as conquistas da tecnologia bélica
na indústria de bens de consumo. Isso propiciou o desenvolvimento da
microinformática, das utilidades domésticas e dos automóveis
velozes e econômicos. Mesmo com essa política industrial, os Estados
Unidos figuram, nos anos 90, entre os países mais endividados do mundo,
em parte por causa dos gastos com a defesa. Os reflexos da crise são
notados no corte de verbas para a educação, saúde e serviços
públicos.
Em maio de 95, foi prorrogado por prazo indeterminado o Tratado de Não-Proliferação
de Armas Nucleares, com a assinatura de 178 países. Infelizmente, isso
não quer dizer que o pesadelo nuclear tenha terminado. Sempre há
grupos dispostos a pagar o preço necessário pela bomba atômica.
Além disso, países da ex-União Soviética, como a
Ucrânia, a Bielo-Rússia e o Casaquistão, mantêm intactos
os seus arsenais nucleares.
O mundo respira aliviado
No Ocidente, a França e a China levaram adiante as pesquisas nucleares
nos anos 90, a despeito da opinião pública mundial. Em setembro
de 96, no entanto, finalmente as cinco potências do clube atômico
assinaram na ONU o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares.
O acordo traz uma perspectiva mais otimista de um novo século livre da
sombra da bomba atômica. Com a conscientização da opinião
pública, é possível que o bom senso prevaleça.
A energia nuclear, uma conquista científica importante, precisa ser utilizada
para melhorar a qualidade de vida da Humanidade, e não para destruí-la.