O Egito está situado no nordeste da África, entre os desertos de Saara e da Núbia.
É cortado pelo rio Nilo no sentido sul-norte, formando duas regiões distintas:
o Vale, estreita faixa de terra cultivável, apertada entre desertos, denominada
Alto Egito; o Delta, em forma de leque, com maior extensão de terras aráveis,
pastos e pântanos, denominado Baixo Egito.
No Período Neolítico, com o progressivo ressecamento do Saara, tribos nômades indo-européias instalaram-se
na região do vale do rio Nilo, onde construíram cidades-estados, como Tebas, Memphis e Tânis.
Os grupos humanos constituíam-se em clãs, que adotavam um animal ou uma planta como entidade protetora, o
Tótem. A cerca de 4.000 a.C., as aldeias de agricultores passaram a se agrupar, visando a um melhor
aproveitamento das águas do rio, formando os nomos, primeiras aglomerações urbanas. Desenvolveu-se um
trabalho coletivo de construção de reservatórios de água, canais de irrigação e secamento de pântanos. A
agricultura passou a gerar excedentes, utilizados nas trocas entre os nomos. Os egípcios aproveitavam
também a riqueza mineral da região, extraindo granito, basalto e pedra calcárea das montanhas que
margeiam o vale.
Os nomos eram independentes entre si e dirigidos pelos nomarcas que exerciam ao mesmo tempo a função de
rei, juiz e chefe militar. Gradualmente, os nomos foram se reunindo em dois reinos, um no Delta, Baixo
Egito, e outro no Vale, Alto Egito, que mais tarde irão constituir um só Império. Nesse período anterior
à unificação, os egípcios já haviam criado a escrita hierográfica e um calendário solar, baseado no
aparecimento da estrela Sírius, dividido em 12 meses de 30 dias cada, mais cinco no final do ano.
Os antigos habitantes atribuíam a unificação do país, que ocorreu por volta de 3 000 a.C., a um
personagem lendário, Menés, rei do Baixo Egito, que teria conquistado o Alto Egito e formado um só reino
com capital em Mênfis. Segundo a crença, o responsável pela unificação era considerado sobre-humano,
verdadeiro deus a reinar sobre o Alto e o Baixo Egito e o primeiro faraó (rei-deus egípcio).
Ora, isso não pode ser comprovado arqueologicamente. A unificação decorreu da necessidade de uma direção
centralizada para o melhor controle das enchentes do rio, que tanto podiam trazer a fartura das
colheitas, como a destruição das aldeias e das plantações. De todo modo, a crença serviu para divinizar
os governantes que se utilizaram muito bem dela para se impor à população e manter um domínio direto
sobre todas as terras do Egito. Recebendo impostos e serviços dos camponeses das aldeias, que
cultivavam as terras, os faraós acumularam grande soma de poder e de riqueza.
Até 2700 a.C., o Egito manteve-se relativamente isolado. Por volta de 2000 a.C. deu os primeiros passos
para romper esse isolamento. Realizou incursões contra os beduínos do Sinai e conquistou suas minas de
cobre e pedras preciosas.
A invasão dos hicsos, de origem caucasiana, interrompeu essa expansão. O Egito
expulsou os hicsos em 1600 a.C. e, em seguida, conquistou Síria, Palestina, Mesopotâmia,
Chipre, Creta e ilhas do mar Egeu. Em 332 a.C. passou a integrar o Império Macedônico
e, a partir de 30 a.C., o Império Romano.
Período dinástico
Pirâmide (túmulo)
de Quéops
Com a unificação dos nomos em um único Estado, iniciou-se o período dinástico
da história do Egito, que se divide em três eras principais o Antigo Império,
o Médio Império e o Novo Império, separados por períodos intermediários em que
a autoridade faraônica decaiu, trazendo anarquia e descentralização.
O Antigo Império, entre 2.700 e 2.200 a.C., foi a época em que o poder absoluto dos faraós atingiu o
auge, principalmente durante a IV Dinastia, dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, que mandaram
construir as enormes pirâmides (sepulcros) da planície de Gizé, perto da capital, Mênfis.
O Médio Império, com capital em Tebas, aproximadamente de 2.000 a.C., a 1.700 a.C., foi uma época de
expansão territorial, de progressos técnicos nos canais de irrigação e de exploração de minérios na
região do Sinai. A mando do faraó Amenemá I, da XII Dinastia, foi construída uma grande represa para
armazenamento das águas, que ficou conhecida como lago Méris ou Faium. No período intermediário que se
seguiu, houve aumento do poder dos nomarcas, rebelião de camponeses e escravos e ocupação do Delta pelos
hicsos, povo de origem asiática, iniciando um período que durou cerca de um século e meio.
Ramsés II
(Museu Britânico, Londres)
O Novo Império começou com a expulsão dos hicsos por volta de 1.580 a.C., e marcou
o ponto culminante do país como potência política. Os faraós do Novo Império,
destacando-se Tutmés II e Ramsés II, deram início a uma política externa expansionista,
com a conquista da Núbia (ao sul), da Síria, da Fenícia e da Palestina, formando
um Império que chegava até o Eufrates.
Seguiu-se um período denominado Baixo Império, de sucessivas invasões por povos estrangeiros: assírios
(671 a.c.), persas (525 a.C.), macedônios (332 a.C.) e romanos (30 a.C.) que liquidaram o Império
Egípcios, uma civilização que perdurou por cerca de 35 séculos (3.500 anos).
A sociedade egípcia
A sociedade egípcia estava dividida em várias camadas, sendo que o faraó era a autoridade máxima,
chegando a ser considerado um deus na Terra. Sacerdotes, militares e escribas (responsáveis pela escrita)
também ganharam importância na sociedade. Esta era sustentada pelo trabalho e impostos pagos por
camponeses, artesãos e pequenos comerciantes. Os escravos também compunham a sociedade egípcia e,
geralmente, eram pessoas capturadas em guerras. Trabalhavam muito e nada recebiam por seu trabalho,
apenas água e comida.
Alfabeto egípcio
A escrita egípcia também foi algo importante para este povo, pois permitiu a divulgação
de idéias, comunicação e controle de impostos. Existiam duas formas de escrita:
a demótica (mais simplificada) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos
e símbolos). As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam
sobre a vida do faraó, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores.
Uma espécie de papel chamada papiro que era produzida a partir de uma planta de
mesmo nome também era utilizado para escrever.
A civilização egípcia destacou-se muito nas áreas de ciências. Desenvolveram conhecimentos importantes
na área da matemática, usados na construção de pirâmides e templos. Na medicina, os procedimentos de
mumificação, proporcionaram importantes conhecimentos sobre o funcionamento do corpo humano.
A economia egípcia
Região do Delta do Nilo (imagem de satélite)
O rio Nilo fornecia a alimentação, a maior parte da riqueza e determinava a distribuição do trabalho das
massas camponesas nas aldeias. Durante a inundação (julho /outubro), com os campos alagados, os homens
transportavam pedras para as obras de construção dos faraós, escavavam poços e trabalhavam nas atividades
artesanais. Na vazante (novembro / fevereiro), com o reaparecimento da terra cultivável, captavam as
águas e semeavam. Com a estiagem (março / junho), colhiam e debulhavam os cereais. A alimentação era
complementada pela pesca e pela caça realizada nos pântanos do Delta do Nilo. A agricultura produzia
cevada, trigo, legumes, frutas, uvas e linho.
Os egípcios também praticavam o comércio de mercadorias e o artesanato. Os trabalhadores rurais eram
constantemente convocados pelo faraó para prestarem algum tipo de trabalho em obras públicas (canais de
irrigação, pirâmides, templos, diques).
Como a região era desértica, o rio Nilo ganhou uma extrema importância para os egípcios. O rio era
utilizado como via de transporte (através de barcos) de mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo
também eram utilizadas para beber, pescar e fertilizar as margens, nas épocas de cheias, favorecendo a
agricultura.
Desenvolveram técnicas de irrigação e construção de barcos. Com a unificação, a propriedade
da terra passou dos clãs ao faraó, aos nobres e aos sacerdotes. Os membros dos
clãs foram transformados em servos, que trabalhavam nas minas, na construção de
palácios, templos e monumentais pirâmides de pedra (túmulos dos faraós).
A religião egípcia
A religião egípcia era repleta de mitos e crenças interessantes. Acreditavam na existência de vários
deuses (muitos deles com corpo formado por parte de ser humano e parte de animal sagrado) que
interferiam na vida das pessoas. As oferendas e festas em homenagem aos deuses eram muito realizadas e
tinham como objetivo agradar aos seres superiores, deixando-os felizes para que ajudassem nas guerras,
colheitas e momentos da vida. Cada cidade possuía deus protetor e templos religiosos em sua homenagem.
Como acreditavam na vida após a morte, mumificavam os cadáveres dos faraós colocando-os
em pirâmides, com o objetivo de preservar o corpo para a vida seguinte. Esta seria
definida, segundo crenças egípcias, pelo deus Osíris em seu tribunal de julgamento.
O coração era pesado pelo deus da morte, que mandava para uma vida na escuridão
aqueles cujo órgão estava pesado (que tiveram uma vida de atitudes ruins) e para
uma outra vida boa aqueles de coração leve. Muitos animais também eram considerados
sagrados pelos egípcios, de acordo com as características que apresentavam: chacal
(esperteza noturna), gato (agilidade), carneiro (reprodução), jacaré (agilidade
nos rios e pântanos), serpente (poder de ataque), águia (capacidade de voar),
escaravelho (ligado a ressurreição).
Egito ptolemaico
O Egito ptolemaico é um período da história do Egito que decorre entre 305 a.C., ano em que um antigo
general de Alexandre Magno, Ptolemeu I Sóter, se tornou rei do Egito, e 30 a.C quando a rainha Cleópatra
VII foi derrotada e o Egito passou a ser integrado no Império Romano como província.
Em 333 a.C. Alexandre Magno derrotou os Persas na Batalha de Issus, tendo no Outono do ano seguinte
ocupado o Egipto, onde foi aclamado como libertador pelo povo. Antes de partir para novas campanhas
militares no Oriente, Alexandre fundou na região ocidental do Delta do Nilo a cidade de Alexandria, que
seria nos séculos seguinte a metrópole cultural e económica do Mediterrâneo e capital dinástica.
Alexandre faleceu em 323 a.C. não tendo ficado assegurada a sua sucessão. Nos anos que se seguiram os
seus generais dividiram entre si império criado por Alexandre. Um destes generais, Ptolemeu, já instalado
como governador do Egipto, tomou em 305 a.C. o título de basileus (rei), fundando a dinastia ptolemaica
que governaria o Egipto até 30 a.C..
A última representante da dinastia ptolemaica foi a famosa rainha Cleópatra, que tentou restaurar a
glória anterior do reino, aliando-se aos romanos Júlio César e Marco António. Os seus esforços
revelaram-se inúteis, tendo sido vencida pelas forças romanas de Octaviano na Batalha de Ácio.