Assuntos:Estilos Literários
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SimbolismoRealismo
Colaboração: Bartolomeu Amâncio da Silva (Prof. Bartô)O Realismo teve seu início na França em 1857, quando Gustave Flaubert publicou sua obra Madame Bovary, em que sua principal personagem buscava um amor romântico, perfeito e impossível, mas a dura realidade, sem emoções, não permitia realizar suas pretensões, e ela acabou por se suicidar.
O Realismo se iniciou em Portugal com a Questão Coimbrã, polêmica literária entre Antero de Quental, Teófilo Braga e os jovens literatos que surgiram na década de 1860, e os representantes da geração anterior, entre os quais se destacava Castilho.
O ambiente social, na Europa de então, sofria os efeitos da consolidação da civilização burguesa, o surgimento do proletariado e de suas lutas, das idéias do liberalismo e democracia e suas inúmeras mudanças, o desenvolvimento das ciências naturais e teorias científicas. Foi um cenário de ênfase no aspecto material, com uma forte redução no espiritualismo e críticas severas à religião, apresentada como manifestação primitiva do ser humano. Assim, no Realismo a literatura torna-se menos uma distração e mais um meio de crítica e combate às instituições.
Assim, as características principais do Realismo incluíam a busca da realidade de vida, mostrada como realmente é, com os lados positivos e negativos; um pessimismo latente, onde as criaturas eram más e mal intencionadas, ao contrário do Romantismo, onde eram tratadas como bondosas; uso de temas de caráter grosseiro, para chocar os padrões morais do leitor; preocupação em relatar os fatos comuns do dia-a-dia, que no Romantismo eram preteridos pelo extraordinário, pelo invulgar; tudo descrito com minúcias, muitas vezes em demasia.
O Realismo não foi tanto uma escola literária como um sentimento novo, uma nova atitude espiritual em que couberam direções muito divergentes, que se alçou contra um idealismo sem idéias. A sua conseqüência mais vital e duradoura foi romper com o patriotismo provinciano dos ultra-românticos, abrindo o espírito nacional a todas influências externas e ampliando a gama de escolha dos motivos literários.
Embora tenha conhecido na França a sua forma mais rigorosa, o Realismo é igualmente um fenômeno europeu.
Em Portugal, as semelhanças entre Realismo e Naturalismo eram muito fortes. O principal representante do Realismo português foi Eça de Queirós, com a publicação do conto Singularidades duma rapariga loira que, na opinião de Fialho de Almeida, foi a primeira narrativa realista escrita em português. Com o aparecimento de O crime do padre Amaro e de O primo Basílio, ambos de Eça de Queirós, onde Realismo e Naturalismo se confundem, a nova escola implantava-se definitivamente. Mas na década de 1890, o Realismo, cada vez mais confundido com o Naturalismo, já havia perdido muito de sua força.
Características
Objetivismo, impassibilidade, observação e análise. Busca de uma explicação lógica e cientificamente aceitável para os fatos e ações.
Sensorialismo. Impressões sensoriais nítidas e precisas. Predomínio da descrição objetiva. Narrativa lenta, devido ao acúmulo de pormenores. A ação e o enredo perdem a importância para a caracterização das personagens. Personagens esféricas, complexas, multiformes, imprevisíveis e dinâmicas. Densidade psicológica. Ruptura com a linearidade das personagens românticas (Herói x Vilão, Bem x Mal). O autor ausenta-se da narrativa, colocando-se como observador neutro. O "romance que se narra a si mesmo" (Flaubert).
Temas Contemporâneos. Crítica social à burguesia, ao clero, ao obscurantismo provinciano; ao capitalismo selvagem, ao preconceito racial, à monarquia. Romance social, psicológico e de tese. Sexo, adultério, degradação das personagens, assassinatos, triunfo do mal.
Preocupação formal. Clareza, concisão, precisão lexical, purismo, vernaculidade. Predomínio da denotação. A metáfora cede lugar à metonímia.Todos os artigos de Estilos Literários
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