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Questões: Laços de Família, de Clarice Lispector


1. (FUVEST) A respeito de Clarice Lispector, nos contos de Laços de Família, seria correto afirmar que:

a) Para freqüentemente de acontecimentos surpreendentes para banalizá-los.
b) Elabora o cotidiano em busca de seu significado oculto.
c) É altamente intimista, vasculhando o âmago das personagens com rara argúcia.
d) É regionalista hermética.
e) Opera na área da memória, da auto-análise e do devaneio.


2. (UEL) A próxima questão refere-se ao texto a seguir.

“Ainda estava sob a impressão da cena meio cômica entre sua mãe e seu marido, na hora da despedida. Durante as duas semanas da visita da velha, os dois mal se haviam suportado; os bons dias e as boas tardes soavam a cada momento com uma delicadeza cautelosa que a fazia querer rir. Mas eis que na hora da despedida, antes de entrarem no táxi, a mãe se transformara em sogra exemplar e o marido se tornara o bom genro. ‘Perdoe alguma palavra mal dita’, dissera a velha senhora, e Catarina, com alguma alegria, vira Antônio não saber o que fazer das malas nas mãos, gaguejar — perturbado em ser o bom genro. ‘Se eu rio, eles pensam que estou louca’, pensara Catarina franzindo as sobrancelhas. ‘Quem casa um filho perde um filho, quem casa uma filha ganha mais um’, acrescentara a mãe [...].”

(LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. p. 109-111.)

Com base no texto, é correto afirmar que Catarina:

a) Sente um certo tédio por ser obrigada a participar do episódio de despedida de sua mãe.
b) Diverte-se observando o constrangimento do marido e da mãe no episódio da despedida.
c) Embora ansiasse pela partida da visitante, sente muita tristeza ao final da visita da mãe.
d) Certifica-se de que a mãe e o marido, para sua tristeza, jamais poderiam manter um bom relacionamento.
e) Compartilha do sofrimento vivenciado pela mãe e pelo marido na hora em que se despedem.


3. (UEL) A próxima questão refere-se ao texto a seguir.

“Ainda estava sob a impressão da cena meio cômica entre sua mãe e seu marido, na hora da despedida. Durante as duas semanas da visita da velha, os dois mal se haviam suportado; os bons dias e as boas tardes soavam a cada momento com uma delicadeza cautelosa que a fazia querer rir. Mas eis que na hora da despedida, antes de entrarem no táxi, a mãe se transformara em sogra exemplar e o marido se tornara o bom genro. ‘Perdoe alguma palavra mal dita’, dissera a velha senhora, e Catarina, com alguma alegria, vira Antônio não saber o que fazer das malas nas mãos, gaguejar — perturbado em ser o bom genro. ‘Se eu rio, eles pensam que estou louca’, pensara Catarina franzindo as sobrancelhas. ‘Quem casa um filho perde um filho, quem casa uma filha ganha mais um’, acrescentara a mãe [...].”

(LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. p. 109-111.)

É correto afirmar que o texto foi extraído:

a) Do final do conto, que focaliza a visita de Severina, a velha, ao casal.
b) Da parte intermediária do conto, pois a parte anterior privilegia as reflexões da velha, enquanto a parte seguinte, os pensamentos de Catarina.
c) Do final do conto, após uma divisão de foco entre os pensamentos de Antônio, o marido, e de sua esposa Catarina.
d) Do início do conto, e, após esta passagem, o foco continua voltado para mãe e filha até se deslocar para os pensamentos do marido sobre esposa e filho.
e) Do início do conto, pois, após esta passagem, o foco se volta para os pensamentos de Catarina sobre a mãe, o filho e o marido.


4. (FATEC) Com relação a Laços de família, de Clarice Lispector, é correto afirmar:

a) A denúncia dos componentes repressivos da instituição familiar volta-se principalmente para a educação moralista recebida pelas mulheres, como se vê em Feliz aniversário.
b) Em O crime do professor de matemática, o narrador ataca o poder de sedução dos professores, na defesa da valorização da moral familiar, alertando contra os perigos do mundo social.
c) Em várias narrativas, a personagem feminina, vivenciando experiências cotidianas, tem revelações fundamentais para sua vida interior.
d) a força da personagem feminina, em contos como Amor, consiste em transformar suas relações pessoais e familiares a partir de um ato de revolta.
e) com personagens pouco habituais, como a galinha e a pigméia Pequena Flor, o narrador revela que não há valor na cultura primitiva, em comparação à vida das instituições modernas.


5. (UEL) A questão a seguir refere-se à passagem transcrita do conto “Feliz Aniversário” (Laços de Família, 1960), de Clarice Lispector (1920-1977).

Na cabeceira da mesa, a toalha manchada de coca-cola, o bolo desabado, ela era a mãe. A aniversariante piscou. Eles se mexiam agitados, rindo, a sua família. E ela era a mãe de todos. E se de repente não se ergueu, como um morto se levanta devagar e obriga mudez e terror aos vivos, a aniversariante ficou mais dura na cadeira, e mais alta. Ela era a mãe de todos. E como a presilha a sufocasse, ela era a mãe de todos e, impotente à cadeira, desprezava-os. E olhava-os piscando. Todos aqueles seus filhos e netos e bisnetos que não passavam de carne de seu joelho, pensou de repente como se cuspisse. Rodrigo, o neto de sete anos, era o único a ser a carne de seu coração. Rodrigo, com aquela carinha dura, viril e despenteada, cadê Rodrigo? Rodrigo com olhar sonolento e intumescido naquela cabecinha ardente, confusa. Aquele seria um homem. Mas, piscando, ela olhava os outros, a aniversariante. Oh o desprezo pela vida que falhava. Como?! como tendo sido tão forte pudera dar à luz aqueles seres opacos, com braços moles e rostos ansiosos? Ela, a forte, que casara em hora e tempo devidos com um bom homem a quem, obediente e independente, respeitara; a quem respeitara e que lhe fizera filhos e lhe pagara os partos, lhe honrara os resguardos. O tronco fora bom. Mas dera aqueles azedos e infelizes frutos, sem capacidade sequer para uma boa alegria. Como pudera ela dar à luz aqueles seres risonhos fracos, sem austeridade? O rancor roncava no seu peito vazio. Uns comunistas, era o que eram; uns comunistas. Olhou-os com sua cólera de velha. Pareciam ratos se acotovelando, a sua família. Incoercível, virou a cabeça e com força insuspeita cuspiu no chão. (LISPECTOR, Clarice. "Feliz Aniversário". In: Laços de Família. 28. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995. p. 78-79.)

Ainda que Clarice Lispector tenha morrido um dia antes de completar cinqüenta e sete anos, a problemática das mulheres de terceira idade faz-se presente em muitos de seus contos. “Feliz Aniversário” registra tal tema. Neste conto, sentada à cabeceira da mesa preparada para a comemoração de seu octagésimo-nono aniversário, D. Anita:

a) Vê, horrorizada, sua descendência constituída por seres mesquinhos.
b) Lembra-se, saudosa, da época em que seu marido era vivo e com ela dividia as dificuldades cotidianas.
c) Contempla seu neto, Rodrigo, a trazer-lhe ao presente a imagem do falecido marido quando jovem.
d) Rememora, com rancor, sua vida de mulher, seja enquanto esposa, seja enquanto mãe, mostrando-se indignada com a atual falta de afeto de filhos, netos e bisnetos.
e) Mistura presente e passado, deixando emergir a saudade que há tempo domina seu cotidiano.

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