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Questões: Libertinagem, de Manuel Bandeira - 4


16. (FUVEST) PROFUNDAMENTE

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Náo ouvi mais vozes nem risos
(...)
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
*
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totânio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
(Manuel Bandeira, Libertinagem.)

No conhecido poema de Bandeira, aqui parcialmente reproduzido, a experiência do afastamento da festa de São João:

(A) é de ordem subjetiva e ocorre, primordialmente, no plano do sonho e da imaginação.
(B) reflete, em chave saudosista, o tradicionalismo que caracterizou a geração modernista de 1922.
(C) se dá predominantemente no plano do tempo e encaminha uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas humanas.
(D) assume feição abstrata, na medida em que evita assimilar os dados da percepção sensível, registrados pela visão e pela audição.
E) é figurada poeticamente segundo o princípio estético que prevê a separação nítida de prosa e poesia.


17. (UFV-MG) Leia atentamente o texto:

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Pra me contar as histórias
Lá sou amigo do rei
Que no tempo de eu menino
Lá tenho a mulher que eu quero
Rosa vinha me contar
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
Vou-me embora pra Pasárgada
É outra civilização
Aqui eu não sou feliz
Tem um processo seguro
Lá a existência é uma aventura
De impedir a concepção
De tal modo inconseqüente
Tem telefone automático
Que Joana a Louca de Espanha
Tem alcalóide à vontade
Rainha e falsa demente
Tem prostitutas bonitas
Vem a ser contraparente
Para a gente namorar
Da nora que nunca tive
E quando eu estiver mais triste
E como farei ginástica
Mais triste de não ter jeito
Andarei de bicicleta
Quando de noite me der
Montarei em burro brabo
Vontade de me matar
Subirei no pau de sebo
— Lá sou amigo do rei —
Tomarei banhos de mar!
Terei a mulher que eu quero
E quando estiver cansado
Na cama que escolherei
Deito na beira do rio
Vou-me embora pra Pasárgada.
Mando chamar a mãe-d’água

( BANDEIRA, Manuel. Vou-me embora pra Pasárgada e outros poemas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 33.)

Pasárgada transubstanciou-se em um espaço utópico, onde o poeta se refugiou de suas derrotas e pôde realizar todos os sonhos e desejos de um adolescente traumatizado pela doença, que lhe marcou a vida e lhe inspirou a produção poética.
Dentre as alternativas que se seguem, assinale aquela que NÃO interpreta corretamente o poema:

(A) Pasárgada surge como um delicioso refúgio, onde o prazer e a liberdade se tornam infinitos e os desequilíbrios da vida adquirem uma ordem lógica.
(B) Vou-me embora pra Pasárgada é um poema de evasão e promete resgatar, oniricamente, as ações simples e insignificantes que constituem a rotina de um menino sadio.
(C) Em Pasárgada, os loucos e alienados podem assumir livremente suas contradições e fantasias, o que reafirma o caráter excepcional desse reino imaginário.
(D) Em Vou-me embora pra Pasárgada, Manuel Bandeira contrapõe o espaço da utopia ao espaço da realidade e, indiretamente, critica uma civilização opressora e impregnada de falsos valores.
E) A lúdica e encantada Pasárgada não conseguiu abrandar as frustrações do poeta, possibilitando a existência de uma hierarquia que determina as diferenças sociais.


18. (FUVEST) Leia os versos de Poética, de Manuel Bandeira:

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e
[manifestações de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho
[vernáculo de um vocábulo

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barabarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

(...)

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero saber do lirismo que não é libertação.

Nos versos transcritos de Poética, de Manuel Bandeira, pode-se identificar a:

I. afirmação de um novo conceito estético, que propõe a rejeição de todos os métodos tradicionais de composição poética.
II. condenação da linguagem acadêmica, erudita, beletrista, valorizada pelo Parnasianismo.
III. proposição de substituição de fórmulas poéticas tradicionais por formas livres, espontâneas que garantam harmonia e comedimento de expressão.
IV. recusa à dissociação entre a espontaneidade do sentimento e da expressão lingüística.

Está correto o que se afirma em:

(A) I e II.
(B) II e III.
(C) I e IV.
(D) II e IV.
(E) III e IV.


19. (POLI) Os textos a seguir referem-se à próxima questão:

Texto I

Irene no céu

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom-humor.

Imagino Irene entrando no céu:
-Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
-Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.


Texto II

Poema tirado de uma notícia de jornal

João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num
[barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de
[Novembro

Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas
[e morreu afogado

Assinale a alternativa que apresenta um enunciado verdadeiro:

(A) tanto o poema I quanto o poema II narram um episódio da história de alguém, e, portanto, pertencem ao gênero épico.
(B) tanto o poema I quanto o poema II pertencem ao gênero lírico, sendo que no poema I todos os versos têm 5 sílabas e o poema II apresenta versos livres.
(C) tanto o poema I quanto o poema II narram um episódio da história de alguém, sendo que o poema I está escrito em verso e o poema II em prosa.
(D) tanto o poema I quanto o poema II dramatizam as vidas de Irene e João Gostoso, respectivamente, e, portanto, pertencem ao gênero dramático.
(E) tanto o poema I quanto o poema II estão escritos em verso, cujas métricas são livres.


20. (PUC-SP) Libertinagem, uma das obras mais expressivas de Manuel Bandeira, apresenta temática variada.
Indique a alternativa em que não há correspondência entre o tema e o poema:

(A) cotidiano — Poema tirado de uma notícia de jornal
(B) recordações da infância — Profundamente
(C) teor metalingüístico — Poética
(D) evasão e exílio — Vou-me embora pra Pasárgada
(E) amor erótico — Irene no céu

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