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Questões: Macunaíma, de Mário de Andrade


1. (UFU-MG) Leia as afirmativas seguintes sobre a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, e assinale a alternativa INCORRETA:

(A) Sendo uma rapsódia, a obra caracteriza-se pelo acolhimento e assimilação de elementos variados de nossa cultura. Por esse caráter multifacetado, Macunaíma é inviável enquanto representação de nossa identidade.
(B) O herói Macunaíma é um tipo criado a partir de contos populares e está ligado a personagens do folclore brasileiro, como Pedro Malazarte. Mais recentemente, pode-se aproximá-lo a João Grilo, da peça Auto da Compadecida.
(C) São elementos da obra a mitologia indígena, o folclore nacional, a nossa língua falada, os costumes brasileiros. Os costumes brasileiros, Mário de Andrade retira-os da cidade de São Paulo, onde Macunaíma passa um bom tempo.
(D) Há um acentuado procedimento parodístico sustentando a obra. A paródia recai, inclusive, sobre obras da Literatura Brasileira, como Iracema, de José de Alencar, e também sobre a Carta do achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha.


2. (UFMG-MG) As histórias de Macunaíma foram contadas pelo papagaio ao narrador, que vai continuar contando-as: “… ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente”.
Sabe-se que o livro Macunaíma foi considerado, por seu autor, uma rapsódia.
Com relação a esse fato, é CORRETO afirmar que:

(A) a palavra rapsódia significa narrativa acompanhada de viola.
(B) as histórias populares, tradicionalmente chamadas de rapsódia, são moralizadoras.
(C) o narrador “alinhava”, na rapsódia, histórias da tradição oral.
(D) rapsódia é o nome que se dá às narrativas orais recuperadas por escritores.


3. (FATEC) Texto I

Então Macunaíma pôs numa criadinha com um vestido de linho amarelo pintado com extrato de tatajuba. Ela já ia atravessando o corgo pelo pau. Depois dela passar o herói gritou pra pinguela:
- Viu alguma coisa, pau?
- Via a graça dela!
- Quá! Quá! Quá quaquá!...
Macunaíma deu uma grande gargalhada. Então seguiu atrás do par. Eles já tinham brincado e descansavam na beira da lagoa. A moça estava sentada na borda duma igaraté encalhada na praia. Toda nua inda do banho comia tambiús vivos, se rindo pro rapaz. Ele deitara de bruços na água rente dos pés da moça e tirava os lambarizinhos da lagoa pra ela comer. A crilada das ondas amontoava nas costas dele porém escorregando no corpo nu molhado caía de novo na lagoa com risadinhas de pingos. A moça batia com os pés n’água e era feito um repuxo roubado da Luna espirrando jeitoso, cegando o rapaz. Então ele enfiava a cabeça na lagoa e trazia a boca cheia de água. A moça apertava com os pés as bochechas dele e recebia o jato em cheio na barriga, assim. A brisa fiava a cabeleira da moça esticando de um em um os fios lisos na cara dela. O moço pôs reparo nisso. Firmando o queixo no joelho da companheira ergueu o busto da água, estirou o braço pro alto e principiou tirando os cabelos da cara da moça pra que ela pudesse comer sossegada os tambiús. Então pra agradecer ela enfiou três lambarizinhos na boca dele e rindo muito fastou o joelho depressa. O busto do rapaz não teve apoio mais e ele no sufragante focinhou n’água até o fundo, a moça inda forçando o pescoço dele com os pés. Ele ia escorregando sem perceber de tanta graça que achava na vida. Ia escorregando e afinal a canoa virou. Pois deixai ela virar! A moça levou um tombo engraçado por cima do rapaz e ele enrolou-se nela talqualmente um apuizeiro carinhoso. Todos os tambiús fugiram enquanto os dois brincavam n’água outra vez.
(
Mário de Andrade, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter)

Texto II

De outras e muitas grandezas vos poderíamos ilustrar, senhoras Amazonas, não fora persignar demasiado esta epístola; todavia, com afirmar-vos que esta é, por sem dúvida, a mais bela cidade terráquea, muito temos feito em favor destes homens de prol. Mas cair-nos-iam as faces, si ocultáramos no silêncio, uma curiosidade original deste povo. Ora sabereis que a sua riqueza de expressão intelectual é tão prodigiosa, que falam numa língua e escrevem noutra.
Assim chegado a estas plagas hospitalares, nos demos ao trabalho de bem nos inteirarmos da etnologia da terra, e dentre muita surpresa e assombro que se nos deparou, por certo não foi das menores tal originalidade lingüística. Nas conversas utilizam-se os paulistanos dum linguajar bárbaro e multifário, crasso de feição e impuro na vernaculidade, mas que não deixa de Ter o seu sabor e força nas apóstrofes, e também nas vozes do brincar. Destas e daquelas nos inteiramos, solícito; e nos será grata empresa vo-las ensinarmos aí chegado. Mas si de tal desprezível língua se utilizam na conversão os naturais desta terra, logo que tomam da pena, se despojam de tanta asperidade, e surge o Homem Latino, de Lineu, exprimindo-se numa outra linguagem, mui próxima da vergiliana, no dizer dum panegirista, meigo idioma, que, com imperecível galhardia, se intitula: língua de Camões! De tal originalidade e riqueza vos há-de ser grato Ter ciência, e mais ainda vos espantareis com saberdes, que à grande e quase total maioria, nem essas duas línguas bastam, senão que se enriquecem do mais lídimo italiano, por mais musical e gracioso, e que por todos os recantos da urbs é versado.

(Mário de Andrade, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter)

A leitura do Texto I torna possível afirmar que essa passagem:

(A) caracteriza-se como descrição de ações, enfocando o encontro amoroso de um moço e uma criada, ressaltando a sensualidade de seu comportamento (“Eles já tinham brincado”).
(B) narra a exuberância da fauna e da flora brasileiras (“Tirava os lambarizinhos da lagoa” e “A crilada das ondas”), afirmando antropofagicamente os valores nacionais.
(C) deve ser entendida de uma perspectiva psicanalítica, muito utilizada por Mário de Andrade, fazendo entrever na água da igarité um símbolo da sexualidade da cena descrita.
(D) explora oposições amorosas, em que gentilezas são retribuídas com grosserias (“Ele [...] tirava os lambarizinhos [...] pra ela comer” e “A moça batia com os pés n’água [...] cegando o rapaz”).
(E) insinua a futilidade das necessidades humanas mais elementares, tais como procriar, comer e repousar, resgatando influências do realismo – naturalismo, que precedeu o modernismo.


4. (FATEC) Texto I

Então Macunaíma pôs numa criadinha com um vestido de linho amarelo pintado com extrato de tatajuba. Ela já ia atravessando o corgo pelo pau. Depois dela passar o herói gritou pra pinguela:
- Viu alguma coisa, pau?
- Via a graça dela!
- Quá! Quá! Quá quaquá!...
Macunaíma deu uma grande gargalhada. Então seguiu atrás do par. Eles já tinham brincado e descansavam na beira da lagoa. A moça estava sentada na borda duma igaraté encalhada na praia. Toda nua inda do banho comia tambiús vivos, se rindo pro rapaz. Ele deitara de bruços na água rente dos pés da moça e tirava os lambarizinhos da lagoa pra ela comer. A crilada das ondas amontoava nas costas dele porém escorregando no corpo nu molhado caía de novo na lagoa com risadinhas de pingos. A moça batia com os pés n’água e era feito um repuxo roubado da Luna espirrando jeitoso, cegando o rapaz. Então ele enfiava a cabeça na lagoa e trazia a boca cheia de água. A moça apertava com os pés as bochechas dele e recebia o jato em cheio na barriga, assim. A brisa fiava a cabeleira da moça esticando de um em um os fios lisos na cara dela. O moço pôs reparo nisso. Firmando o queixo no joelho da companheira ergueu o busto da água, estirou o braço pro alto e principiou tirando os cabelos da cara da moça pra que ela pudesse comer sossegada os tambiús. Então pra agradecer ela enfiou três lambarizinhos na boca dele e rindo muito fastou o joelho depressa. O busto do rapaz não teve apoio mais e ele no sufragante focinhou n’água até o fundo, a moça inda forçando o pescoço dele com os pés. Ele ia escorregando sem perceber de tanta graça que achava na vida. Ia escorregando e afinal a canoa virou. Pois deixai ela virar! A moça levou um tombo engraçado por cima do rapaz e ele enrolou-se nela talqualmente um apuizeiro carinhoso. Todos os tambiús fugiram enquanto os dois brincavam n’água outra vez.
(
Mário de Andrade, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter)

Texto II

De outras e muitas grandezas vos poderíamos ilustrar, senhoras Amazonas, não fora persignar demasiado esta epístola; todavia, com afirmar-vos que esta é, por sem dúvida, a mais bela cidade terráquea, muito temos feito em favor destes homens de prol. Mas cair-nos-iam as faces, si ocultáramos no silêncio, uma curiosidade original deste povo. Ora sabereis que a sua riqueza de expressão intelectual é tão prodigiosa, que falam numa língua e escrevem noutra.
Assim chegado a estas plagas hospitalares, nos demos ao trabalho de bem nos inteirarmos da etnologia da terra, e dentre muita surpresa e assombro que se nos deparou, por certo não foi das menores tal originalidade lingüística. Nas conversas utilizam-se os paulistanos dum linguajar bárbaro e multifário, crasso de feição e impuro na vernaculidade, mas que não deixa de Ter o seu sabor e força nas apóstrofes, e também nas vozes do brincar. Destas e daquelas nos inteiramos, solícito; e nos será grata empresa vo-las ensinarmos aí chegado. Mas si de tal desprezível língua se utilizam na conversão os naturais desta terra, logo que tomam da pena, se despojam de tanta asperidade, e surge o Homem Latino, de Lineu, exprimindo-se numa outra linguagem, mui próxima da vergiliana, no dizer dum panegirista, meigo idioma, que, com imperecível galhardia, se intitula: língua de Camões! De tal originalidade e riqueza vos há-de ser grato Ter ciência, e mais ainda vos espantareis com saberdes, que à grande e quase total maioria, nem essas duas línguas bastam, senão que se enriquecem do mais lídimo italiano, por mais musical e gracioso, e que por todos os recantos da urbs é versado.

(Mário de Andrade, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter)

A Carta pras Icamiabas (Texto II) contrasta, pelo estilo, com os demais capítulos de Macunaíma. Com base no excerto, afirma-se que a carta escrita pelo herói a suas súditas, no contexto do romance,

I. parodia o estilo parnasiano, o que se constata pela escolha de vocabulário preciosista, pelo tratamento em 2ª pessoa do plural e pelo emprego da ordem indireta na frase.
II. ironiza o artificialismo parnasiano, cuja poesia desprezava soluções coloquiais, próprias da língua falada.
III. expressa, pela ironia, a tese modernista da incorporação de contribuições do linguajar do imigrante, integrado à população nacional.
IV. representa o antimodernismo, pois traz soluções de linguagem e de estilo que o Modernismo negou, em nome da nacionalização da língua literária.

São corretas as afirmações:

(A) I, II, III e IV
(B) I e IV apenas
(C) I, II e III apenas
(D) II e IV apenas
(E) II, III e IV apenas


5. (FUVEST) Leia o trecho da "Carta para icamiabas", de Macunaíma, de Mário de Andrade para responder ao teste.

"As donas de São Paulo, sobre serem mui formosas e sábias, não se contentam com os dons e excelência que a Natura lhes concedeu; assaz se preocupam elas de si mesmas (...). Assim é que chamaram mestras da velha Europa, e sobretudo de França, e com elas aprenderam a passarem o tempo de maneira bem diversa da vossa. Ora se alimpam, e gastam horas nesse delicado mester, orar encantam os convívios teatrais da sociedade, ora não fazem coisa alguma; e nesses trabalhos passam elas o dia tão entretecidas e afanosas que, em chegando a noute, mal lhes sobra vagar pra brincarem e presto se entregam nos braços de Orfeu, como se diz."

No trecho transcrito, Macunaíma revela sua:

(A) percepção dos comportamentos fúteis e artificiais das mulheres paulistanas.
(B) rejeição ao comportamento elegante e refinado das mulheres da cidade.
(C) ânsia por compreender e incorporar-se à sofisticada vida urbana paulistana.
(D) análise crítica em relação à cultura exibicionista da rica burguesia paulistana.
(E) habilidade e perspicácia em decodificar rapidamente os códigos que regem a sociedade burguesa paulistana.

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