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Questões: Macunaíma, de Mário de Andrade - 2


6. (FUVEST) O subtítulo da obra Macunaíma - "herói sem nenhum caráter" - expressa simbolicamente a idéia de que o povo brasileiro:

(A) obedece a um código moral próprio, particular, baseado na lei do prazer individual.
(B) trai a sua cultura original, incorpora a cultura do colonizador, perdendo definitivamente a possibilidade de construir uma identidade coesa.
(C) é volúvel, inconseqüente, impulsivo, recusando qualquer limite para realização de seus anseios.
(D) reúne atributos demasiadamente variados e contraditórios, que constroem uma identidade incoerente, indeterminada, indefinível.
(E) não preserva sua identidade, rejeitando qualquer código moral definido, estável e perene.


7. (FUVEST) Sobre a linguagem em Macunaíma, de Mário de Andrade, é incorreto o que se afirma em:

(A) A obra realiza conscientemente as propostas da primeira geração modernista ao incorporar registros orais e populares de linguagem.
(B) A linguagem empregada por Macunaíma é artificial e pedante: ele faz questão de exibir os conhecimentos adquiridos na cidade, seja oralmente ou através da expressão escrita.
(C) Indigenismos, africanismos, regionalismos, gírias, palavrões, barbarismos, são alguns exemplos que revelam a intenção do autor de promover um panorama abrangente e fiel em relação à diversidade lingüística brasileira.
(D) Se, por um lado, o narrador assume, em seu relato, uma linguagem marcada pelo coloquialismo, por outro o protagonista revela, em sua Carta pras Icamiabas, a preferência pelo registro formal da língua portuguesa.
(E) O discurso paródico está presente em toda a obra: o diálogo com a tradição do romance indianista se estabelece desde o início, na própria figura do protagonista; a sátira dos modelos clássicos se verifica, sobretudo, na apropriação inadequada que Macunaíma faz da
linguagem empregada pelos cronistas do século XVI, na Carta pras Icamiabas.


8. (PUC)
"Às mui queridas súbditas nossas, Senhoras Amazonas.
Trinta de Maio de Mil Novescentos e Vinte e Seis.
Senhoras:

Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saudades e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo - a maior do universo, no dizer de seus prolixos habitantes - não sois conhecidas por "icamiabas", voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e de vós, se afirma cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas. Muito nos pesou a nós, Imperator vosso, tais dislates da erudição porém heis de convir conosco que, assim, ficais mais heróicas e mais conspícuas, tocadas por essa plátina respeitável da tradição e da pureza antiga.
(...)
Recebei a benção do vosso Imperador e mais saúde e fraternidade. Acatai com respeito e obediência estas mal traçadas linhas; e, principalmente, não vos esqueçais das alvíçaras e das polonesas, de que muito hemos mister.
Ci guarde a Vossas Excias. Macunaíma, Imperator."

(Macunaíma, Mário de Andrade)

Mário de Andrade, ao inserir em Macunaíma esta "Carta pras Icamiabas", escrita com erudição e em língua portuguesa elaborada, que destoa do conjunto da obra, teve como intenção:

(A) satirizar a língua natural e simples, de característica popular, e valorizar a construção clássica e gramaticalmente correta.
(B) denunciar o pedantismo do brasileiro, que é o de escrever português de lei, e criticar a incoerência dos que imitam irrefletidamente essa linguagem desusada.
(C) valorizar a língua de Camões e contrapor-se ao uso abusivo da linguagem coloquial.
(D) alertar as icamiabas sobre os perigos da civilização e denunciar que "pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são".
(E) ser coerente com o comportamento lingüístico vigente na época que era o de "falar numa língua e escrever noutra".


9. (FUVEST) Em diversas passagens de Macunaíma, Mário de Andrade inverte a visão consagrada pelos viajantes dos séculos XVI e XVII a respeito da terra brasileira. Assinale a alternativa que não é exemplo dessa afirmação:

(A) "Os tamanduás os boitatás as inajás de curuatás de fumo, em vez eram caminhões bondes autobondes anúncios relógios faróis rádios..."
(B) "Então Macunaíma emprestou da patroa da pensão uns pares de bonitezas, a máquina ruge, a máquina meia-de-seda, a máquina combinação..."
(C) "Por cá tudo são delícias e venturas, porém nenhum gozo teremos e nenhum descanso, enquanto não rehouvermos o perdido talismã."
(D) "Roçava nas cunhãs murmurejando com doçura 'Mani! Mani! filhinhas da mandioca...."
(E) "Então resolveu ir brincar com a Máquina pra ser também imperador dos filhos da mandioca."


10. (FUVEST) Assinale a alternativa que não indica características que justificam a classificação de Macunaíma como um anti-herói:

(A) O interesse material e a presunção.
(B) A capacidade de socorrer-se de poderes mágicos.
(C) A sagacidade matreira, empregada muitas vezes com o intuito de ludibriar os outros.
(D) A luxúria incontrolável e a infidelidade.
(E) O final solitário e mal-sucedido do personagem.

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