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Questões: Macunaíma, de Mário de Andrade - 4


16. (UNIFESP) Uma feita em que deitara numa sombra enquanto esperava os manos pescando, o Negrinho do Pastoreio pra quem Macunaíma rezava diariamente, se apiedou do panema e resolveu ajudá-lo. Mandou o passarinho uirapuru. Quando sinão quando o herói escutou um tatalar inquieto e o passarinho uirapuru pousou no joelho dele. Macunaíma fez um gesto de caceteação e enxotou o passarinho uirapuru. Nem bem minuto passado escutou de novo a bulha e o passarinho pousou na barriga dele. Macunaíma nem se amolou mais. Então o passarinho uirapuru agarrou cantando com doçura e o herói entendeu tudo o que ele cantava. E era que Macunaíma estava desinfeliz porque perdera a muiraquitã na praia do rio quando subia no bacupari.
Porém agora, cantava o lamento do uirapuru, nunca mais que Macunaíma havia de ser marupiara não, porque uma tracajá engolira a muiraquitã e o mariscador que apanhara a tartaruga tinha vendido a pedra verde pra um regatão peruano se chamando Venceslau Pietro Pietra. O dono do talismã enriquecera e parava fazendeiro e baludo lá em São Paulo, a cidade macota lambida pelo igarapé Tietê
. (Mário de Andrade, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.)

Pelas características da linguagem, que incorpora expressões da fala popular e mobiliza o léxico de origem indígena, pelo ambiente sugerido e também pela presença do uirapuru, o texto dá mostras de pertencer ao estilo:

(A) romântico, de linha indianista.
(B) simbolista, de linha esotérica.
(C) modernista, de linha Pau-Brasil e a antropofágica.
(D) naturalista, de linha nacionalista.
(E) pós-modernista, de linha neo-parnasiana.


17. (ESPM) Sobre o trecho abaixo, assinale a afirmação INCORRETA:

“Senhoras:
Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saudade e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo — a maior do universo no dizer de seus prolixos habitantes — não sois conhecidas por “icamiabas”, voz espúria, se não que pelo apelativo de Amazonas; e de vós se afirma, cavalgardes belígeros ginetes e virdes da Hélade clássica.”

(“Carta pras Icamiabas”, Macunaíma, Mário de Andrade)

VOCABULÁRIO:
missiva: carta
belígeros ginetes: cavalos guerreiros
Hélade clássica: Grécia
espúria: falsa; não genuíno; bastarda

(A) o texto surpreende no contexto do romance porque o herói rompe com a modalidade de linguagem espontânea e coloquial utilizada até então.
(B) a linguagem utilizada é marcadamente formal, sobretudo pela escolha de um vocabulário rebuscado.
(C) o narrador satiriza o caráter anacrônico e ultrapassado da cultura urbana em geral (“...boa cidade de São Paulo — a maior no universo no dizer de seus prolixos habitantes”)
(D) o uso de um preciosismo vocabular no romance ridiculariza o gosto lingüístico, então na moda, dos parnasianos.
(E) há um sincero saudosismo e sentimentalismo por parte do narrador (“linhas de saudade e muito amor”).


18. (ESPM) Sobre o trecho abaixo, assinale a afirmação INCORRETA:

“Senhoras:
Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saudade e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo — a maior do universo no dizer de seus prolixos habitantes — não sois conhecidas por “icamiabas”, voz espúria, se não que pelo apelativo de Amazonas; e de vós se afirma, cavalgardes belígeros ginetes e virdes da Hélade clássica.”

(“Carta pras Icamiabas”, Macunaíma, Mário de Andrad(E)

VOCABULÁRIO:
missiva: carta
belígeros ginetes: cavalos guerreiros
Hélade clássica: Grécia
espúria: falsa; não genuíno; bastarda

Baseado no trecho pode-se afirmar que:

(A) o uso da 2ª pessoa do plural (vós) foge do tratamento respeitoso e culto da língua.
(B) o narrador se dirige às “incamiabas”, mais conhecidas por amazonas, mulheres guerreiras.
(C) o texto faz uma apologia do tom solene e da erudição.
(D) o uso de dois pontos após o vocativo “Senhoras” está incorreto; deveria haver ponto e vírgula.
(E) o léxico sofisticado é uma característica típica da personagem Macunaíma.


19. (ESPM) Para a próxima questão, leia o trecho abaixo de Macunaíma, de Mário de Andrade:

Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho.
Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante.
Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifava toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. Macunaíma teve dó e consolou:
— Não se avexe, mano Maanape, não se avexe não, mais sofreu nosso tio Judas!

O “milagre”, a que o texto se refere, está ligado:

(A) Ao fato de Macunaíma ter tomado banho e não ser mais filho da tribo dos Tapanhumas.
(B) Ao tamanho descomunal da lapa, no formato de um pé-gigante.
(C) À transformação do herói: de preto retinto para branco, loiro, de olhos azuis.
(D) Ao fato de os irmãos presenciarem vestígios do evangelho de Jesus.
(E) Ao fato de os irmãos terem encontrado a marca do pezão do Sumé.


20. (ESPM) Para a próxima questão, leia o trecho abaixo de Macunaíma, de Mário de Andrade:

Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho.
Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante.
Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifava toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. Macunaíma teve dó e consolou:
— Não se avexe, mano Maanape, não se avexe não, mais sofreu nosso tio Judas!

“Antes fanhoso que sem nariz” — essa frase utilizada por Macunaíma para consolar Jiguê, após o banho encantado, corresponde:

(A) A um ditado popular, significando para os parnasianos grande contribuição à linguagem literária.
(B) A uma expressão recorrente ao longo da literatura, sendo normal sua utilização em qualquer escola literária.
(C) A uma expressão idiomática, refletindo uma antiga linguagem culta ou padrão, justificando assim sua utilização e aplicação na literatura.
(D) A um dito popular, revelando a intenção do autor em aproximar da literatura a linguagem prosaica.
(E) A uma gíria de época, estabelecendo um código secreto para um grupo social restrito (no caso, os índios da tribo Tapanhumas).

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