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Questões: Macunaíma, de Mário de Andrade - 5


21. (ESPM) Para a próxima questão, leia o trecho abaixo de Macunaíma, de Mário de Andrade:

Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho.
Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante.
Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.
Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:
— Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.
Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifava toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. Macunaíma teve dó e consolou:
— Não se avexe, mano Maanape, não se avexe não, mais sofreu nosso tio Judas!

O “banho” do herói e de seus dois irmãos, na cova encantada, faz alusão:

(A) À fertilidade e diversidade da terra americana.
(B) Ao sincretismo religioso entre os índios.
(C) À formação étnica miscigenada do brasileiro.
(D) Às diferenças culturais entre as raças humanas.
(E) À necessidade de purificação da alma do brasileiro, ante tantos vícios.


22. (PUC-SP) A respeito de Macunaíma, obra de Mário de Andrade, é CORRETO afirmar que:

(A) está em sintonia com a tendência antropofágica do modernismo brasileiro porque, na relação primitivo/civilizado, é o civilizado que observa o comportamento do selvagem.
(B) opera a manifestação do maravilhoso e do mágico na realidade das personagens e constrói-se como rapsódia ou ainda como paródia de epopéia, uma vez que configura mescla dos diferentes tipos de narrativas da cultura brasileira.
(C) se utiliza da unicidade temporal, caracterizada por determinação e manutenção da cronologia, ainda que admita a simultaneidade de épocas diferentes.
(D) apresenta mistura de registros lingüísticos como os da oralidade e os dos regionalismos, mas garante e defende a supremacia e o rigor da norma culta.
(E) tem como tema central o Brasil, mas o aborda criticamente, uma vez que nega, no desenvolvimento da narrativa, a fusão de diferentes raças e culturas.


23. (UFL(A) Considere as afirmações seguintes sobre a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, para responder à questão e, a seguir, marque a alternativa CORRETA.

I. Percebe-se uma crítica à europeização do índio, que primeiramente era negro (coisa incomum), tornando-se posteriormente branco, o que demonstra a supervalorização do branco europeu como raça superior.
II. O enredo é uma junção de coisas: folclore brasileiro, provérbios populares, a vida do índio e seus costumes.
III. O índio difere do índio de Gonçalves Dias e de José de Alencar, já que em "Macunaíma" ele é frágil, mentiroso, desonesto e infiel.
IV. O romance trata de temas polêmicos, como: amor, religião, política. É uma obra que enfatiza o regionalismo.

(A) Todas as afirmações estão corretas.
(B) Somente as afirmações I e II estão corretas.
(C) Somente as afirmações II, III e IV estão corretas.
(D) Somente as afirmações II e IV estão corretas.
(E) Somente as afirmações I, II e III estão corretas.


24. (UFV) Leia as seguintes afirmações a respeito da estrutura narrativa de Macunaíma, de Mário de Andrade:

I - O autor modernista reúne, ludicamente, nessa obra de ficção, um farto material representativo da cultura nacional, como o folclore, os mitos, a religiosidade, a linguagem, unindo a realidade à fantasia e trazendo à tona questões sobre a identidade cultural brasileira.

II - O narrador, em Macunaíma, apresenta ironicamente o perfil do “herói da nossa gente”, utilizando-se de uma colagem de lendas indígenas, contadas de formas variadas, unindo diferentes estilos narrativos.

III - Mário de Andrade faz dessa obra uma epopéia dos feitos do herói Macunaíma, em estilo ufanista e idealizador do personagem, dando ênfase ao caráter nacionalista proposto na primeira fase do Modernismo brasileiro.

Assinale a alternativa CORRETA:

(A) Apenas a afirmativa I é verdadeira.
(B) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
(C) Apenas a afirmativa II é verdadeira.
(D) Apenas a afirmativa III é verdadeira.
(E) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.


25. (UFV) Dentre as alternativas que se seguem, assinale aquela que transmite informações INCORRETAS a respeito de Macunaíma, o personagem central da obra modernista homônima:

(A) Macunaíma é o “herói sem nenhum caráter” por não possuir uma identidade única: nasce índio-negro e, após banhar-se em águas encantadas, fica branco, louro, de olhos azuis.
(B) Macunaíma configura-se como um ser múltiplo, condensando diferentes características como a bondade, a maldade, a vaidade e, sobretudo, a ingenuidade infantil.
(C) O personagem marioandradino é aventureiro, individualista e, não tendo aptidão para o trabalho, prefere sempre a vida fácil, como a descoberta de dinheiro enterrado.
(D) Macunaíma é o expoente máximo do sincretismo religioso brasileiro, professando simultaneamente o catolicismo, o espiritismo e a macumba, misturados ainda aos rituais e crenças indígenas.
(E) Em busca da muiraquitã, Macunaíma percorre todo o território brasileiro e os diferentes países da Europa, tornando-se, assim, um herói sem fronteiras e sem pátria.

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