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Questões: Memorial do Convento, de José Saramago


1. (UNICAMP)

Ficou o Padre Bartolomeu Lourenço satisfeito com o lanço, era o primeiro dia, mandados assim à ventura, para o meio duma cidade afligida de doença e luto, aí estão vinte e quatro vontades para assentar no papel.
Passado um mês, calcularam ter guardado no frasco um milheiro de vontades, força de elevação que o padre supunha ser bastante para uma esfera, com o que segundo frasco foi entregue a Blimunda. Já em Lisboa muito se falava daquela mulher e daquele homem que percorriam a cidade de ponta a ponta, sem medo da epidemia, ele atrás, ela adiante, sempre calados, nas ruas por onde andavam, nas casas onde não se demoravam, ela baixando os olhos quando tinha de passar por ele, e se o caso, todos os dias repetido, não causou maiores suspeitas e estranhezas, foi por ter começado a correr a notícia de que cumpriam ambos penitência, estratagema inventado pelo padre Bartolomeu Lourenço quando se ouviram as primeiras murmurações.

No trecho acima, extraído de Memorial do Convento, de José Saramago, aparecem duas personagens centrais do romance, num momento decisivo para o desenrolar de um episódio muito significativo do livro e que ocupa boa porção da primeira parte deste.

A) qual é esse episódio e o que têm a ver com ele as personagens Blimunda e padre Bartolomeu Lourenço?

B) ao lado do episódio a que se está referindo o trecho acima, o romance relata um outro, que é o da construção do convento que se passa num outro espaço. Faça uma analogia entre as condições de vida nesse outro espaço, Mafra, com aquelas existentes em Lisboa, tais como se podem depreender do trecho citado.

RESPOSTA:

A) O episódio a que se refere o fragmento citado é o da construção da passarola, ação que é comandada pelo Padre Bartolomeu Lourenço. Blimunda e seu marido Baltasar Sete-Sóis auxiliam o padre em seu empreendimento. A participação de Blimunda é decisiva, pois é ela quem se responsabiliza por capturar as vontades que farão a passarola erguer-se do solo.

B) O outro episódio é o que dá nome ao romance. Trata-se da construção do grande mosteiro em Mafra. Do mesmo modo como em Lisboa, onde está a sede do poder monárquico português, espalha-se a miséria e a fome, em Mafra, aqueles que constróem o convento, símbolo da ostentação real e da religião, padecem da opressão e de condições precárias de sobrevivência.

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