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Questões: O Primo Basílio, de Eça de Queirós - 2


6. (FUVEST) Costuma-se reconhecer que tanto O primo Basílio quanto as Memórias póstumas de Brás Cubas possuem notável conteúdo de crítica social. Apesar das muitas diferenças que separam os dois romances, em ambos essa crítica:

a) fundamenta-se em minuciosa análise das relações sociais e tem como finalidade propor soluções construtivas para os problemas detectados.
b) dá a ver um conjunto de personagens que, com raras exceções, têm como traços mais marcantes a inconsistência, a pretensão, a veleidade e outras características semelhantes, figurando assim uma sociedade globalmente medíocre.
c) assume a forma do romance de tese, próprio da estética realista, no qual se procura validar um conjunto de hipóteses científicas, verificando-se sua pertinência na vida social das personagens.
d) visa a demonstrar o prejuízo que o excesso de leituras romanescas pode trazer à formação moral dos indivíduos, em particular quando interfere na educação das mulheres, matrizes da família.
e) incide principalmente sobre as mazelas sociais derivadas da persistência da escravidão em um contexto já moderno, no qual ela não mais se justifica.


7. (FUVEST) Prosperava, com efeito! Não punha na cama senão lençóis de linho. Reclamara colchões novos, um tapete para os pés da cama, felpudo! (...) Tinha cortinas de cassa na janela, apanhadas com velhas fitas de seda azul; e sobre a cômoda dois vasos da Vista Alegre dourados! Enfim um dia santo, em lugar da cuia de retrós, apareceu com um chignon de cabelo! (Eça de Queirós – O primo Basílio)

O trecho acima refere-se a:

a) Luísa.
b) Juliana.
c) D. Felicidade.
d) Leopoldina.
e) Joana.


8. (VUNESP) A questão a seguir é baseada no trecho extraído de O Primo Basílio, de Eça de Queirós. Nesse trecho, a personagem Luísa, cujo marido (Jorge) está viajando a trabalho, é narrada num momento de solidão:

Havia doze dias que Jorge tinha partido e, apesar do calor e da poeira, Luísa vestia-se para ir à casa de Leopoldina. Se Jorge soubesse não havia de gostar, não! Mas estava tão farta de estar só! Aborrecia-se tanto! De manhã ainda tinha os arranjos, a costura, a toilette, algum romance... Mas de tarde!
À hora em que Jorge costumava voltar do ministério, a solidão parecia alargar-se em torno dela. Fazia-lhe tanta falta o seu toque de campainha, os seus passos no corredor!...
Ao crepúsculo, ao ver cair o dia, entristecia-se sem razão, caía numa vaga sentimentalidade : (...) o que pensava em tolices então!
(Eça de Queirós. O Primo Basílio. São Paulo: Ateliê, 2000)

Em relação aos sentimentos expressos na narração desse trecho assinale a alternativa INCORRETA:

a) No trecho "Se Jorge soubesse não havia de gostar, não!" poderíamos imaginar que a voz do narrador se mistura à imaginação de Luísa.
b) No trecho "De manhã ainda tinha os arranjos, a costura, a toilette, algum romance... Mas de tarde!" podemos ler o retrato do modo de vida da classe burguesa cujo ócio leva ao tédio.
c) Nos períodos "À hora em que Jorge costumava voltar do ministério, a solidão parecia alargar-se em torno dela. Fazia-lhe tanta falta o seu toque de campainha, os seus passos no corredor!..". as construções "toque de campainha" e "passos no corredor" fazem alusão à sensibilidade auditiva da solidão de Luísa.
d) O trecho "(...) o que pensava em tolices então!" sugere uma certa malícia nos pensamentos de Luísa.
e) Em "caía numa vaga sentimentalidade", o narrador expressa a satisfação da personagem.


9. (POLI) Leia os textos que seguem. O primeiro, escrito pelo poeta romântico brasileiro Casimiro de Abreu; o segundo, trecho da obra O Primo Basílio, do escritor realista português Eça de Queirós, narra um trecho do primeiro encontro de Luísa e Basílio:

texto 1

A valsa
Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co´as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Casimiro de Abreu, in Clássicos da Poesia Brasileira. São Paulo: Klick, 1997.

Texto 2
Ela via a sua cabeça bem-feita, descaída naquela melancolia das felicidades passadas, com uma risca muito fina, e os cabelos brancos - que lhe dera a separação. Sentia também uma vaga saudade encher-lhe o peito: ergueu-se, foi abrir a outra janela, como para dissipar na luz viva e forte aquela perturbação. Perguntou-lhe então pelas viagens, por Paris, por Constantinopla.
Fora sempre o seu desejo viajar - dizia - ir ao Oriente. Quereria andar pelas caravanas, balouçada no dorso dos camelos; e não teria medo, nem do deserto, nem das feras...
- Estás muito valente! - disse Basílio. - Tu eras uma maricas, tinhas medo de tudo...Até da adega15, na casa do papá, em Almada¹&sup6;!
Ela corou. Lembrava-se bem da adega, com a sua frialdade subterrânea que dava arrepios! A candeia de azeite pendurada na parede alumiava com uma luz avermelhada e fumosa as grossas traves cheias de teias de aranha, e a fileira tenebrosa das pipas bojudas. Havia ali às vezes, pelos cantos, beijos furtados...

Eça de Queirós, O Primo Basílio. São Paulo: Ateliê, 1998.

Em relação aos dois textos, NÃO podemos afirmar:

a) O poema de Casimiro de Abreu é todo composto de versos de duas sílabas cujo ritmo recupera a valsa.
b) No poema, o feminino é romântico e idealizado: uma mulher bela, a dançar delicadamente, exala alegria e uma sensualidade ingênua.
c) Em O Primo Basílio, Luísa é uma personagem que representa a ingenuidade romântica, como, na cena descrita, o sonho de viajar e seus medos infantis. Porém, o estilo realista de Eça se empenhará em destruir e mostrar a realidade hipócrita em que vive.
d) Não há nenhuma relação entre a inocência sonhadora de Luísa e o feminino retratado pelos poemas românticos.
e) Na cena transcrita de O Primo Basílio, Luísa começa a ser seduzida por Basílio através de seu falar galante e aventureiro.


10. (POLI) Vejamos um trecho de O Primo Basílio, de Eça de Queirós, que descreve a personagem Juliana:

A necessidade de se constranger trouxe-lhe o hábito de odiar: odiou sobretudo as patroas, com um ódio irracional e pueril. Tivera-as ricas, com palacetes, e pobres, mulheres de empregados, velhas e raparigas, coléricas e pacientes; - odiava-as a todas, sem diferença. É patroa e basta! pela mais simples palavra, pelo ato mais trivial! Se as via sentadas: - Anda, refestela-te, que a moura trabalha! Se as via sair: - Vai-te, a negra cá fica no buraco! Cada riso delas era uma ofensa à sua tristeza doentia; cada vestido novo uma afronta ao seu velho vestido de merino tingido. Detestava-as na alegria dos filhos e nas propriedades da casa. Rogava-lhes pragas. Se os amos tinham um dia de contrariedade, ou via as caras tristes, cantarolava todo o dia em voz de falsete a Carta Adorada! (Eça de Queirós, O Primo Basílio. São Paulo: Ateliê, 1998.)

Sobre o trecho e a obra, assinale a INCORRETA:

a) Juliana trabalha na casa de Luísa e Jorge e esse trecho retrata como se sentia injustiçada por sua condição social.
b) No trecho "A necessidade de se constranger trouxe-lhe o hábito de odiar" podemos observar o pensamento determinista, uma vez que a condição social de Juliana obrigava-a a servir aos outros e, em conseqüência, passou a odiar os patrões.
c) Em "cada vestido novo uma afronta ao seu velho vestido de merino tingido" notamos o olhar do narrador que, através desse jogo de oposições, chama a atenção para a injustiça social.
d) No trecho "É patroa e basta!" poderíamos imaginar que a voz de Juliana mistura-se ao discurso do narrador.
e) Quando o narrador apresenta "cantarolava todo o dia em voz de falsete a Carta Adorada!", o nome da música foi escolhido aleatoriamente e não apresenta relação com o destino da personagem.

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