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Questões: O Vampiro de Curitiba, de Dalton Trevisan - 2


6. (UEL) A questão a seguir refere-se ao conto “Último Aviso”, de Dalton Trevisan (1925 - ), presente em O vampiro de Curitiba (1965).

<
p> Duas da tarde, Nelsinho viu a fulana descer do ônibus. Na esquina o tal Múcio, com quem trocou olhares.Entrou no cinema, o sujeito atrás.
Apagada a luz, sentaram-se na última fila, a conversar em voz baixa. De sua cadeira Nelsinho não os podia ouvir. Certo que não prestavam atenção ao filme. No meio da sessão, Múcio levantou-se e saiu.
O herói pediu licença, sentou-se ao lado, precisava falar com ela.
- Está louco? Sabe que sou casada.
Por ele não fazia diferença.
- Olhe que chamo o guarda.
- Aí, safadinha, pensa que não vi?
- Não tem nada com minha vida.
- Eu não. Teu marido pode ter.
- Se disser alguma coisa, conto que me perseguiu.
- Isso é velho. De você eu sei coisas do arco-da-velha.
Ofendida, Odete ergueu-se e, subindo a escada, foi para o balcão. Minutos depois, o rapaz surgiu ao lado.
- Como é? Posso falar com você? Sabia que teu marido tem amante? Sabia que eles se encontram à noite? Ainda não sabe, não é? Já vi os dois juntinhos em tantos lugares. Sei que ele pouco demora em casa. Trata você aos gritos quando lhe pede dinheiro. Foi seduzido por essa tipa. Me dói o coração ver você desprezada. É a única de quem gostei na vida. Tire a máscara dessa sem-vergonha. Também é casada. Mãe de filhos, quem sabe do teu marido... O homem dela viaja muito. Na sua ausência, ela se mostra o que é: uma sirigaita. Pode que aconteça uma tragédia quando o marido volte e alguém conte. É bobagem brigar com o teu. Sabe como são os homens. São fracos – não resistem a um palminho de cara bonita. Cuidado com essa aventureira, que se entrega a ele de olho fechado. Quer um conselho, Odete? Olhe, você dê o desprezo. Faça com ele o mesmo que lhe faz.
Sem responder, a bela foi para a platéia, seguida de Nelsinho. Ameaçou contar ao marido assim que chegasse. Ora, se falasse qualquer coisa, não a surpreendera com outro? Odete saiu furiosa, esqueceu até a sombrinha. Em casa, descreveu o incidente à sua velha mãe:
- Não se pode ir sozinha ao cinema.
Aconselhada pela velha a nada revelar ao marido. Muito nervoso, alguma desgraça. Odete insistia, olhos sonhadores, na loucura do rapaz. Intrigá-la com o marido não era vingança de um doente de paixão?
Àquela hora o nosso herói telefonava para o marido:
- Boa tarde, seu Artur. Como foi de viagem? Viajar é bom – quando a mulher fica em casa.
- Que história é essa? Quem está falando? Não estou entendendo.
- Aqui é um amigo. O nome não interessa. O caso é tão delicado. Não sei o que diga. Por onde comece. O marido viaja, a mulher fica de namoro. O senhor merece essa falseta? Vou contar o que sei... A sua mulher... Ela tem um amante!
- Canalha! Dou um tiro na boca. Você prova, seu patife?
Então, diga. Quem é que anda com minha mulher?
- Um tal doutor Múcio.
No súbito silêncio, e antes que o palavrão explodisse, Nelsinho desligou. Da folha branca alisou as rugas.
Grande sorriso até o fim da carta, em letra de forma, com a mão esquerda:
Dr. Múcio
Grande filho da mãe
Previno-te cuidado! Cuidado!
De hoje em diante vou te perseguir
Já não fiz asneira porque não quis manchar o meu nome
De hoje em diante farei meus pensamentos
Já considerei tua mulher e teus filhos
Mas como você é covarde só merece uma bala na cabeça
E te previno pense bem na tua mulher e teus filhos
E outros inocentes que andam sofrendo no mundo por tua causa
Covarde sem-vergonha descarado
Pense no futuro do teu lar porque tua vida é curta
Se continuar tirando a honra das mulheres casadas
Você também é casado e anda corneando os maridos
Não é só com a minha tem muitas outras
Não pense que eu sou um covarde como você
Tenho coragem para tirar teu miolo fora
Talvez você não alcance o Ano Novo
Farei uma limpeza em Curitiba
Eu só desejo a vingança
Derramarei o sangue deste desgraçado na rua
Cuide do teu pêlo
É o último aviso.

(TREVISAN, Dalton. Último aviso. In: O vampiro de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 30-33.)

Assinale a alternativa cuja personagem apresentada é a única a quem não se faz referência de uma traição a seu cônjuge.

a) Múcio.
b) Odete.
c) Artur.
d) A amante de Artur.
e) A esposa de Múcio.


7. (UEL) A questão a seguir refere-se ao conto “Último Aviso”, de Dalton Trevisan (1925 - ), presente em O vampiro de Curitiba (1965).

Duas da tarde, Nelsinho viu a fulana descer do ônibus. Na esquina o tal Múcio, com quem trocou olhares.Entrou no cinema, o sujeito atrás.
Apagada a luz, sentaram-se na última fila, a conversar em voz baixa. De sua cadeira Nelsinho não os podia ouvir. Certo que não prestavam atenção ao filme. No meio da sessão, Múcio levantou-se e saiu.
O herói pediu licença, sentou-se ao lado, precisava falar com ela.
- Está louco? Sabe que sou casada.
Por ele não fazia diferença.
- Olhe que chamo o guarda.
- Aí, safadinha, pensa que não vi?
- Não tem nada com minha vida.
- Eu não. Teu marido pode ter.
- Se disser alguma coisa, conto que me perseguiu.
- Isso é velho. De você eu sei coisas do arco-da-velha.
Ofendida, Odete ergueu-se e, subindo a escada, foi para o balcão. Minutos depois, o rapaz surgiu ao lado.
- Como é? Posso falar com você? Sabia que teu marido tem amante? Sabia que eles se encontram à noite? Ainda não sabe, não é? Já vi os dois juntinhos em tantos lugares. Sei que ele pouco demora em casa. Trata você aos gritos quando lhe pede dinheiro. Foi seduzido por essa tipa. Me dói o coração ver você desprezada. É a única de quem gostei na vida. Tire a máscara dessa sem-vergonha. Também é casada. Mãe de filhos, quem sabe do teu marido... O homem dela viaja muito. Na sua ausência, ela se mostra o que é: uma sirigaita. Pode que aconteça uma tragédia quando o marido volte e alguém conte. É bobagem brigar com o teu. Sabe como são os homens. São fracos – não resistem a um palminho de cara bonita. Cuidado com essa aventureira, que se entrega a ele de olho fechado. Quer um conselho, Odete? Olhe, você dê o desprezo. Faça com ele o mesmo que lhe faz.
Sem responder, a bela foi para a platéia, seguida de Nelsinho. Ameaçou contar ao marido assim que chegasse. Ora, se falasse qualquer coisa, não a surpreendera com outro? Odete saiu furiosa, esqueceu até a sombrinha. Em casa, descreveu o incidente à sua velha mãe:
- Não se pode ir sozinha ao cinema.
Aconselhada pela velha a nada revelar ao marido. Muito nervoso, alguma desgraça. Odete insistia, olhos sonhadores, na loucura do rapaz. Intrigá-la com o marido não era vingança de um doente de paixão?
Àquela hora o nosso herói telefonava para o marido:
- Boa tarde, seu Artur. Como foi de viagem? Viajar é bom – quando a mulher fica em casa.
- Que história é essa? Quem está falando? Não estou entendendo.
- Aqui é um amigo. O nome não interessa. O caso é tão delicado. Não sei o que diga. Por onde comece. O marido viaja, a mulher fica de namoro. O senhor merece essa falseta? Vou contar o que sei... A sua mulher... Ela tem um amante!
- Canalha! Dou um tiro na boca. Você prova, seu patife?
Então, diga. Quem é que anda com minha mulher?
- Um tal doutor Múcio.
No súbito silêncio, e antes que o palavrão explodisse, Nelsinho desligou. Da folha branca alisou as rugas.
Grande sorriso até o fim da carta, em letra de forma, com a mão esquerda:
Dr. Múcio
Grande filho da mãe
Previno-te cuidado! Cuidado!
De hoje em diante vou te perseguir
Já não fiz asneira porque não quis manchar o meu nome
De hoje em diante farei meus pensamentos
Já considerei tua mulher e teus filhos
Mas como você é covarde só merece uma bala na cabeça
E te previno pense bem na tua mulher e teus filhos
E outros inocentes que andam sofrendo no mundo por tua causa
Covarde sem-vergonha descarado
Pense no futuro do teu lar porque tua vida é curta
Se continuar tirando a honra das mulheres casadas
Você também é casado e anda corneando os maridos
Não é só com a minha tem muitas outras
Não pense que eu sou um covarde como você
Tenho coragem para tirar teu miolo fora
Talvez você não alcance o Ano Novo
Farei uma limpeza em Curitiba
Eu só desejo a vingança
Derramarei o sangue deste desgraçado na rua
Cuide do teu pêlo
É o último aviso.

(TREVISAN, Dalton. Último aviso. In: O vampiro de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 30-33.)

Com base no conto “Último aviso” e no conjunto de contos de O vampiro de Curitiba, considere as afirmativas a seguir.

I. A presença de Nelsinho é ostensiva neste conto e em outros, na condição de uma personagem que circula pela cidade em busca de se aproveitar de mulheres.
II. O uso de uma linguagem agressiva aparece neste conto e em outros como demonstração de relações interpessoais marcadas pela deterioração dos afetos.
III. A narração de cenas com tonalidades eróticas é um recurso que neste conto não aparece com o mesmo detalhamento como em outros contos em que há referências a seios desnudos e beijos ardentes em episódios com a participação de Nelsinho.
IV. A violência prometida neste conto, através da ameaça de morte a tiros presente na carta, concretiza- se em outros contos quando o protagonista assume a condição de justiceiro, assassinando mulheres e homens rivais.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.


8. (UEL) A questão a seguir refere-se ao conto “Último Aviso”, de Dalton Trevisan (1925 - ), presente em O vampiro de Curitiba (1965).

Duas da tarde, Nelsinho viu a fulana descer do ônibus. Na esquina o tal Múcio, com quem trocou olhares.Entrou no cinema, o sujeito atrás.
Apagada a luz, sentaram-se na última fila, a conversar em voz baixa. De sua cadeira Nelsinho não os podia ouvir. Certo que não prestavam atenção ao filme. No meio da sessão, Múcio levantou-se e saiu.
O herói pediu licença, sentou-se ao lado, precisava falar com ela.
- Está louco? Sabe que sou casada.
Por ele não fazia diferença.
- Olhe que chamo o guarda.
- Aí, safadinha, pensa que não vi?
- Não tem nada com minha vida.
- Eu não. Teu marido pode ter.
- Se disser alguma coisa, conto que me perseguiu.
- Isso é velho. De você eu sei coisas do arco-da-velha.
Ofendida, Odete ergueu-se e, subindo a escada, foi para o balcão. Minutos depois, o rapaz surgiu ao lado.
- Como é? Posso falar com você? Sabia que teu marido tem amante? Sabia que eles se encontram à noite? Ainda não sabe, não é? Já vi os dois juntinhos em tantos lugares. Sei que ele pouco demora em casa. Trata você aos gritos quando lhe pede dinheiro. Foi seduzido por essa tipa. Me dói o coração ver você desprezada. É a única de quem gostei na vida. Tire a máscara dessa sem-vergonha. Também é casada. Mãe de filhos, quem sabe do teu marido... O homem dela viaja muito. Na sua ausência, ela se mostra o que é: uma sirigaita. Pode que aconteça uma tragédia quando o marido volte e alguém conte. É bobagem brigar com o teu. Sabe como são os homens. São fracos – não resistem a um palminho de cara bonita. Cuidado com essa aventureira, que se entrega a ele de olho fechado. Quer um conselho, Odete? Olhe, você dê o desprezo. Faça com ele o mesmo que lhe faz.
Sem responder, a bela foi para a platéia, seguida de Nelsinho. Ameaçou contar ao marido assim que chegasse. Ora, se falasse qualquer coisa, não a surpreendera com outro? Odete saiu furiosa, esqueceu até a sombrinha. Em casa, descreveu o incidente à sua velha mãe:
- Não se pode ir sozinha ao cinema.
Aconselhada pela velha a nada revelar ao marido. Muito nervoso, alguma desgraça. Odete insistia, olhos sonhadores, na loucura do rapaz. Intrigá-la com o marido não era vingança de um doente de paixão?
Àquela hora o nosso herói telefonava para o marido:
- Boa tarde, seu Artur. Como foi de viagem? Viajar é bom – quando a mulher fica em casa.
- Que história é essa? Quem está falando? Não estou entendendo.
- Aqui é um amigo. O nome não interessa. O caso é tão delicado. Não sei o que diga. Por onde comece. O marido viaja, a mulher fica de namoro. O senhor merece essa falseta? Vou contar o que sei... A sua mulher... Ela tem um amante!
- Canalha! Dou um tiro na boca. Você prova, seu patife?
Então, diga. Quem é que anda com minha mulher?
- Um tal doutor Múcio.
No súbito silêncio, e antes que o palavrão explodisse, Nelsinho desligou. Da folha branca alisou as rugas.
Grande sorriso até o fim da carta, em letra de forma, com a mão esquerda:
Dr. Múcio
Grande filho da mãe
Previno-te cuidado! Cuidado!
De hoje em diante vou te perseguir
Já não fiz asneira porque não quis manchar o meu nome
De hoje em diante farei meus pensamentos
Já considerei tua mulher e teus filhos
Mas como você é covarde só merece uma bala na cabeça
E te previno pense bem na tua mulher e teus filhos
E outros inocentes que andam sofrendo no mundo por tua causa
Covarde sem-vergonha descarado
Pense no futuro do teu lar porque tua vida é curta
Se continuar tirando a honra das mulheres casadas
Você também é casado e anda corneando os maridos
Não é só com a minha tem muitas outras
Não pense que eu sou um covarde como você
Tenho coragem para tirar teu miolo fora
Talvez você não alcance o Ano Novo
Farei uma limpeza em Curitiba
Eu só desejo a vingança
Derramarei o sangue deste desgraçado na rua
Cuide do teu pêlo
É o último aviso.

(TREVISAN, Dalton. Último aviso. In: O vampiro de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 30-33.)

Assinale a alternativa que explica corretamente a referência a Nelsinho como um herói.

a) A figura do herói e o uso desse termo sobressaem como um recurso irônico para dar destaque à caracterização de uma personagem que se diferencia das demais, tentando pervertê-las.
b) A caracterização do protagonista como herói decorre de uma estratégia narrativa que o apresenta como alguém imbuído de boas intenções para combater comportamentos desajustados, ainda que através de métodos pouco ortodoxos.
c) A atuação do protagonista como alguém que não tem participação direta na rede de traições apresentada neste conto e em outros justifica sua condição de herói, uma vez que ele se distancia da degradação do amor.
d) A apresentação do protagonista como herói provoca um descompasso com outras figuras heróicas do romantismo pela demonstração de um comportamento vulgar, mas se sustenta pela iniciativa de converter vítimas da decadência da sociedade.
e) A alusão ao protagonista como herói é uma forma de retratar comportamentos que diferem dos padrões de herói tradicionais, como a busca de obter vantagens e prazeres num ambiente desprovido de valores românticos quanto ao amor e ao sexo.

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