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Questões: Os Lusíadas - O Velho do Restelo, de Luís Vaz de Camões

  • Data de publicação

1. (FUVEST) Leia o trecho de Memorial do convento, de José Saramago.

“Já vai andando a récua dos homens de Arganil, acompanham-nos até fora da vila as infelizes, que vão aclamando, qual em cabelo, Ó doce e amado esposo, e outra protestando, Ó filho, aquém eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha, não se acabavam as lamentações, tanto que os montes de mais perto respondiam, quase movidos de alta piedade”.

Em muitas passagens do trecho transcrito, o narrador cita textualmente palavras de um episódio de Os Lusíadas, visando a criticar o mesmo aspecto de vida de Portugal que Camões, nesse episódio, já criticara. O episódio camoniano citado e o aspecto criticado são, respectivamente:

a) O Velho do Restelo; posição subalterna da mulher na sociedade tradicional portuguesa.
b) Aljubarrota; a sangria populacional provocada pelos empreendimentos coloniais portugueses.
c) Aljubarrota; o abandono dos idosos decorrente dos empreendimentos bélicos, marítimos e santuários.
d) O Velho do Restelo; o sofrimento popular decorrente dos empreendimentos dos nobres.
e) Inês de Castro; e o sofrimento feminino causado pelas perseguições das Inquisições.


2. (FUVEST) Sobre o episódio do Velho do Restelo, assinale a alternativa correta:

a) O discurso do Velho do Restelo tem significado complexo, na medida em que sua opinião se apresenta de maneira obscura: ele condena certos aspectos da expansão ultramarina ao mesmo tempo em que exalta o poderio bélico de Portugal.
b) Trata-se de um episódio de intensidade dramática, dadas as circunstâncias em que a cena ocorre e ao conteúdo do discurso proferido pela personagem, que nada mais é do que a opinião do próprio autor da epopéia.
c) A veemência do discurso do Velho do Restelo reside no apelo feito pelo próprio aspecto físico do personagem, que indica a sabedoria acumulada por quem se tornou, com o decorrer dos anos, humilde e resignado.
d) Embora surja como uma voz discordante em relação ao propósito de exaltação das Navegações apresentado pelo narrador épico, o discurso do Velho do Restelo mostra-se coerente com uma ideologia defensora da vida junto à Pátria e à Família.
e) A opinião do Velho do Restelo em relação às Navegações é, ao mesmo tempo, reacionária, uma vez que defende a conservação dos valores humanitários e familiares, e arrojada, já que o personagem prevê com sabedoria os desastres que resultariam das viagens.


3. (POLI) O episódio do Velho do Restelo representa um contraponto à glorificação das navegações portuguesas narradas por Camões em todo seu poema. Em seu livro Dialética da Colonização (Companhia das Letras, 1992), Alfredo Bosi considera o episódio como o anticlímax da narrativa. Para ele:

"A fala do Velho do Restelo destrói ponto por ponto e mina por dentro o fim orgânico de Os Lusíadas, que é cantar a façanha do Capitão, o nome de Aviz, a nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana envolvida no projeto. (...) A viagem e todo o desígnio que ela enfeixa aparecem como um desastre para a sociedade portuguesa: o campo despovoado, a pobreza envergonhada ou mendiga, os homens válidos dispersos ou mortos, e, por toda parte, adultérios e orfandades. 'Ao cheiro desta canela/ o reino se despovoa', já dissera Sá de Miranda.
A mudança radical de perspectiva (que dos olhos do capitão passa para os do Velho do Restelo) dá a medida da força espiritual de um Camões ideológico e contra - ideológico, contraditório e vivo. (...)
No largar da aventura marítima e colonizadora o seu maior escritor orgânico se faria uma consciência perplexa: 'Mísera sorte! Estranha condição!'"

O "Camões ideológico e contra-ideológico, contraditório e vivo", ao qual se refere Alfredo Bosi, pode ser visto como um resultado de:

a) Um período marcado pelo bifrontismo [coexistência de um espírito medieval que não foi abandonado por completo e de uma visão clássica, antropocêntrica, mercantilista].
b) Um período essencialmente materialista, no qual o homem superou o dilaceramento entre o teocentrismo e o antropocentrismo, o que justifica Os Lusíadas como epopéia sem ambivalência.
c) Um período em que os ideais renascentistas exaltam a expansão do Império Luso, dentro de uma unilate-ralidade que impede o uso de ideais cristãos e medievais dentro de uma epopéia como Os Lusíadas.
d) Um período paradoxal, porém marcado por ideais pacifistas, já que Camões, em Os Lusíadas, não celebra feitos guerreiros, mas sim, fatos humanos.
e) Um período bifronte, mas rígido em valores espirituais, representados pelo Velho do Restelo, que enaltece glória, honra e fam.


4. (PUC-PR) Leia os textos que se seguem e responda à questão:

Fala do Velho do Restelo ao Astronauta
(José Saramago)

Aqui na terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez,
E pusemos em ti nem eu sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro,
No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas de espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.
Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome, astronauta, só a fome.

Mar Português
(Fernando Pessoa)

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Que quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Os Lusíadas (Camões)

Ó glória de mandar , ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C´uma aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

Os textos de Fernando Pessoa e de José Saramago são intertextuais em relação ao episódio do Velho do Restelo. Refletindo sobre a visão destes dois autores lusos, assinale a correta:

a) Saramago não faz referências críticas aos valores éticos ou existenciais, detendo-se na questão da guerra e do progresso.
b) Fernando Pessoa estabelece uma relação irônica com o texto camoniano, pois parodia o tom grandiloqüente da fala do Velho do Restelo, valendo-se de apóstrofes.
c) Os versos de Fernando Pessoa se assemelham aos do episódio do Velho de Restelo pela ausência de personificação.
d) Saramago e Fernando Pessoa não se valeram da perfeição formal camoniana, o que invalida o teor intertextual, que compreende apenas estrutura e conteúdo.
e) Saramago apresenta uma crítica universalizante que retoma o alerta feito pelo Velho do Restelo, atualizando-o.


5. (POLI) Interpretando a estrofe extraída do episódio do Velho do Restelo, inserida no poema épico Os Lusíadas, poderíamos concluir que os termos "fama" e "glória" são usados, na opinião da personagem, para:

a) Recuperar Portugal do gosto fraudulento, das crueldades e das mortes que as navegações propiciaram aos lusos.
b) Ocultar do povo experiente a degeneração moral que o expansionismo acarretaria.
c) Disfarçar os desastres, os abandonos e a corrupção moral para que o povo tolo pudesse se beneficiar materialmente da "máquina mercantil lusitana".
d) Enganar o néscio povo, para que este perceba que, por trás de palavras enobrecedoras, estão a cobiça fútil, a vaidade leviana e os perigos.
e) Enaltecer os navegadores, que morrerão no mar para defender a honra do povo simples.

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