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Português - Literatura 5


01. (FUVEST-SP)

Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a “Canção do Exílio”.
Como era mesmo a “Canção do Exílio”?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!

(Carlos Drummond de Andrade, Europa, França e Bahia, Alguma poesia)

Neste excerto, a citação e a presença de trechos ........... constituem um caso de ........... .

Os espaços pontilhados da frase acima deverão ser preenchidos, respectivamente, com o que está em:
  • (A) do famoso poema de Álvares de Azevedo / discurso indireto.
  • (B) da conhecida canção de Noel Rosa / paródia.
  • (C) do célebre poema de Gonçalves Dias / intertextualidade.
  • (D) da célebre composição de Villa-Lobos / ironia.
  • (E) do famoso poema de Mário de Andrade / metalinguagem.
02. (UFU-MG) Sobre linguagem literária e estilos literários, indique a alternativa INCORRETA:
  • (A) A linguagem da poesia simbolista tende a ser mais vaga e imprecisa, e vem cercada por musicalidade, a exemplo do verso: “Véus neblinosos, longos véus de viúvas”.
  • (B) Os poetas românticos fizeram uso de uma linguagem excessivamente adjetivada, cujo objetivo era a expressão dos estados de alma do poeta, como no verso: “A tarde está tão bela, e tão serena”.
  • (C) A poesia parnasiana ficou marcada por uma linguagem espontânea, cujas palavras ornamentais ampliavam o significado, como no verso: “Purpúreas velas de real trirreme”.
  • (D) A partir do Modernismo a poesia passou a se expressar em uma linguagem menos clássica e mais voltada para o cotidiano, como no verso: “Estes cães da roça parecem homens de negócio”.
  • (E) n.d.a.
03. (UNOPAR-PR) Considere o que se afirma abaixo, sobre a obra de Graciliano Ramos:

I. Exprime a realidade crua do homem nordestino.
II. O romance São Bernardo, considerado uma obra-prima de nossa literatura, é narrado por Paulo Honório, que conta sua vida com a esposa, Madalena.
III. O estilo dos textos é enxuto e trabalhado com rigor.

Deve-se dizer, a respeito dessas afirmações, que:
  • (A) apenas I está correta.
  • (B) apenas I e II estão corretas.
  • (C) todas estão corretas.
  • (D) somente II está correta.
  • (E) somente I e III estão corretas.
04. (PUCCAMP-SP) Na novela Miguilim, de Guimarães Rosa, o leitor compreenderá que as sofridas experiências de menino no Mutum permitirão que o protagonista, quando adulto,
  • (A) procure esquecê-las, valorizando a vida que passou a ter depois de superar as privações de sua infância vazia.
  • (B) a elas se refira de modo a compensar aqueles momentos negativos com as fantasias que agora lhes acrescenta.
  • (C) a elas se refira com o natural ressentimento de quem olha para o passado e percebe que só tem perdas a lamentar.
  • (D) as retome para analisar sua fragilidade de criança, em meio às condições penosas daquela rotina sem revelações
  • (E) as retome para valorizar o aprendizado profundo da infância, que incluiu as perdas afetivas e o ganho de quem descobre.
05. (UFPI-PI) Marque a alternativa em que predominam todas as características na primeira fase poética de Vinícius de Moraes:
  • (A) Desordem sensorial; estética primitivista e de base antropológica; hermetismo.
  • (B) Religiosidade mística; visão idealista em poemas longos; erotismo conflituoso.
  • (C) Narratividade épica; recriação de lendas e tradições brasileiras; imagens oníricas.
  • (D) Anarquismo formal; concepção irracional da existência; culto da blague e da piada.
  • (E) Poesia de participação social; valorização do trabalho humano; temática nacionalista.
06. (UFRN-RN) O fragmento textual que segue, retirado da narrativa A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, servirá de base para esta questão..

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio — o rio — pondo perpétuo [grifo nosso]. Eu sofria já o começo da velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais.
De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar o vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.

ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976.

No quadro do Modernismo literário no Brasil, a obra de Guimarães Rosa destaca-se pela inventividade da criação estética.
Considerando-se o fragmento em análise, essa inventividade da narrativa roseana pode ser constatada através do(a):
  • (A) recriação do mundo sertanejo pela linguagem, a partir da apropriação de recursos da oralidade.
  • (B) aproveitamento de elementos pitorescos da cultura regional que tematizam a visão de mundo simplista do homem sertanejo.
  • (C) resgate de histórias que procedem do universo popular, contadas de modo original, opondo realidade e fantasia.
  • (D) sondagem da natureza universal da existência humana, através de referência a aspectos da religiosidade popular.
  • (E) Todas as afirmativas são corretas.
07. (CEFET) Em relação à obra Meus Poemas Preferidos, de Manuel Bandeira, assinale a alternativa INCORRETA:
  • (A) Em Desalento, poema inicial da coletânea, Manuel Bandeira expõe sua arte poética, que consiste em afirmar o afastamento da vida em relação à poesia, presente nestes versos: “E nestes versos de angústia rouca / Assim dos lábios a vida corre, / Deixando um acre sabor na boca.”
  • (B) Em Os sapos, Bandeira estabelece um juízo crítico e negativo contra os poetas parnasianos: “O sapo-tanoeiro, / Parnasiano aguado, / Diz: - ‘Meu cancioneiro/É bem martelado.’”
  • (C) Em Meninos carvoeiros, Bandeira narra a vida dos meninos pobres, mas o faz, suspendendo a tragicidade à medida que a narrativa-poema é dada também pelo ponto-de-vista dos meninos: “Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis.”
  • (D) Em Pneumotórax, Bandeira trata da morte e da doença com pouca dramaticidade e sentimentalismo.
  • (A)(E) Nos versos “Criou-me, desde eu menino, / Para arquiteto meu pai. / Foi-se-me um dia a saúde...”, percebemos o tom autobiográfico em que Bandeira poetiza a sua saúde debilitada, tema recorrente em sua obra.
08. (CEFET) “Passa gente vindo da feira. Agora temos uma feira aqui perto de casa. Para mim apenas movimenta a esquina, com tantas empregadas e donas-de-casa carregadas de sacos e cestas de frutas, verduras e legumes. Ao poeta Drummond, que mora mais além, a feira deve incomodar, porque os grandes caminhões roncam sob a sua janela, e o vozerio dos mercadores e freguesas perturba o seu sono matinal.
O que não tem a menor importância: na atual situação do mundo é bom que os poetas estejam vigilantes. Quanto aos cronistas, que eles durmam em paz; é melhor que se recolham e se esqueçam de fazer a crônica destes dias, em que não há nenhum exemplo nem lição. O poeta é mais adequado para ouvir as exclamações patéticas (“os tomates estão pela hora da morte”) e tomar o pulso dos fatos concretos da mercância local. Além disso deve subir até sua janela a fragrância das verduras e de todas essas coisas nascidas na terra, ainda frescas e vivas, coloridas. É bom que ele veja as quinquilharias ingênuas, as ervas misteriosas, as pequenas inúteis e preciosas coisas do mar e do sertão, os cavalos-marinhos e as sementes escuras. Só ele poderá entender as coisas de barro e de palha, a glória dos tomates, o espanto de pedra no olho dos peixes eviscerados, e o constrangimento amarelo desses abacaxis sem sabor que amadurecem no meio do inverno.”
(Rubem Braga, A feira)

O fragmento acima permite compreender os seguintes aspectos de 200 Crônicas Escolhidas, EXCETO:
  • (A) a aproximação entre a poesia e a crônica, empregando o cronista recursos utilizados pelos poetas.
  • (B) a transformação do cotidiano em assunto para as crônicas.
  • (C) a construção da crônica a partir de uma confissão da falta de assunto, de vontade ou de tempo para escrever.
  • (D) a transformação de acontecimentos corriqueiros em “exemplo” ou “lição”.
  • (E) o interesse do cronista exclui as “coisas nascidas na terra”, “quinquilharias”.
09. (CEFET) Os trechos abaixo são do romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha. Assinale a alternativa em que o comportamento humano não é explicado por leis biológicas.
  • (A) “E agora, como é que não tinha forças para resistir aos impulsos do sangue? Como é que se compreendia o amor, o desejo da posse animal entre duas pessoas do mesmo sexo, entre dois homens?”
  • (B) “Nunca se apercebera de semelhante anomalia (...) As mulheres o desarmavam para os combates do amor (...) E o mais interessante é que ‘aquilo’ ameaçava ir longe, para mal de seus pecados... Não havia jeito, senão ter paciência, uma vez que a ‘natureza’ impunha-lhe esse castigo.”
  • (C) “Afinal de contas era homem, tinha suas necessidades, como qualquer outro: fizera muito em conservar-se virgem até aos trinta anos (...) sendo muitas vezes obrigado a cometer excessos que os médicos proíbem (...) É que nem todos têm força para resistir: a natureza pode mais que a vontade humana...”
  • (D) “Isso de se dizer que o comandante preferia um sexo a outro nas relações amorosas podia ser uma calúnia como tantas que se inventam por aí... Ele, Bom-Crioulo, não tinha nada que ver com isso. Era uma questão à parte, que diabo! ninguém está livre de um vício.”
  • (E) “Esse movimento indefinível que acomete ao mesmo tempo duas naturezas de sexos contrários, determinando o desejo fisiológico da posse mútua, essa atração animal que faz o homem escravo da mulher e que em todas as espécies impulsiona o macho para a fêmea, sentiu-a Bom-Crioulo irresistivelmente ao cruzar a vista pela primeira vez com Aleixo.”
10. (CEFET) O REBANHO

Oh! minhas alucinações!
Vi os deputados, chapéus altos,
Sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas,
Saírem de mãos dadas do Congresso...
Como um possesso num acesso em meus aplausos
Aos salvadores do meu estado amado!...


Desciam, inteligentes, de mãos dadas,
Entre o trepidar dos táxis vascolejantes,
A rua Marechal Deodoro...
Oh! minhas alucinações!
Como um possesso num acesso em meus aplausos
Aos heróis do meu estado amado!...
E as esperanças de ver tudo salvo!
Duas mil reformas, três projetos...
Emigram os futuros noturnos...
E verde, verde, verde!...
Oh! minhas alucinações!
Mas os deputados chapéus altos,
Mudavam-se pouco a pouco em cabras!
Crescem-lhes os cornos, descem-lhes barbinhas...
E vi os chapéus altos do meu estado amado,
Com os triângulos de madeira no pescoço,
Nos verdes esperanças, sob as franjas de ouro da tarde,
Se punham a pastar
Rente do Palácio do senhor presidente...
Oh! minhas alucinações!”
(Mário de Andrade: Paulicéia Desvairada)

Assinale a alternativa correta sobre o poema acima:
  • (A) Introduz vocabulário característico da civilização tecnológica.
  • (B) Retrata o cotidiano como matéria para a poesia.
  • (C) Revela na sua sintaxe a influência do futurismo.
  • (D) Contém uma releitura crítica de episódios da história nacional.
  • (E) Demonstra descrença na forma democrática de governo.



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