Fotografia | A Fotografia no Brasil

Última atualização: 14/09/2007 17:15:12

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Capa Arte e Cultura

Foi no Brasil, mais precisamente na cidade de Campinas, em São Paulo, no ano de 1833, que um inventor chamado Hercules Florence criou a palavra Fotografia para designar uma de suas descobertas. Assim nosso País é considerado um dos pioneiros nessa forma de representação da realidade. A data da invenção de Florence surpreende ao se comparar com os demais inventos: na Inglaterra, a Calotipia, por William Henry Fox Talbot, em 1835; e na França, a Heliogravura, por Nicephore Niepce, em 1827; o processo positivo em papel, de Hypolyte Bayard, em 1839; e a Daguerreotipia, por Louis Jacques Mandé Daguérre, também em 1839.

É importante ressaltar que destes inventos apenas os processos de Hercules Florence e de William Henry Fox Talbot eram processos baseados no princípio da reprodutibilidade, como conhecemos hoje (negativo/positivo). Dada a simultaneidade nas descobertas tecnológicas, torna-se difícil a identificação de um único inventor. Descobertas tão importantes são provocadas por uma necessidade emergente da sociedade como um todo. Hoje podemos afirmar que a descoberta da fotografia teve suas bases nestes cinco inventores.

OS PIONEIROS


Senzalas, foto de Victor Frond, Rio de Janeiro, 1859
























Na segunda metade do século XIX, época coincidente com o desenvolvimento da fotografia, o Brasil encontrava-se em acelerado desenvolvimento econômico. A imigração de europeus para compartilhar nossas metas de progresso trouxeram junto à mão-de-obra e à tecnologia, fotógrafos e aparatos fotográficos para documentar e difundir esta transformação social e econômica. Das últimas três décadas deste período temos imagens registradas por excelentes fotógrafos, como Militão Augusto de Azevedo, Henrique Rosen, Alberto Henschel, Carneiro & Gaspar, Guilherme Gaensly, Juan Gutierrez, Marc Ferrez (fotos), Victor Frond, Louis Niemeyer, Augusto Stahl, A. Frisch, Christiano Júnior, Felipe Augusto Fidanza, George Leuzinger, Carlos César, Augusto Riedel. Do início do século XX temos a inacreditável produção de Valério Vieira, sem dúvida o pioneiro no Brasil da fotografia de expressão pessoal ou criativa.

OS MODERNISTAS

Na fotografia brasileira, a partir da década de 20 destacamos Conrado Wessel, não somente pela documentação do Estado e da cidade de São Paulo mas, também, pela fabricação do papel fotográfico Wessel, com o qual colaborou decisivamente para a difusão da fotografia brasileira, de 1928 até 1958. A partir do final da década de 30 recebemos alguns fotógrafos de origem alemã, que trouxeram consigo a centelha da revolução estética do movimento Bauhaus. Estes fotógrafos influenciaram diretamente a produção do meio no tocante ao fotojornalismo e à expressão artística. São eles: Hildegard Rosenthal, Hans Gunther Flieg e Alice Brill. Na década de 40, a "pedra de toque" da fotografia criativa brasileira, Geraldo de Barros, inicia suas pesquisas nesta linguagem. De 1946 a 1952, este mestre formula novas formas de pensar fotografia. Sua produção deste período permanece ainda hoje como fonte de referência e motivação para os artistas brasileiros e estrangeiros.

REALISMO POÉTICO

Na fotografia brasileira, o ponto de mutação dos anos 60 foi, sem dúvida o fotojornalismo. Durante este tempo, o público aprendeu a ver fotografia, principalmente com as revistas O Cruzeiro, Manchete, Fatos e Fotos e os jornais A Última Hora, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Zero Hora e Folha de S. Paulo.

Simultaneamente, tivemos o surgimento de três veículos que promoveram uma fotografia contundente enquanto informação, porém belíssima em sua estrutura estética: as revistas Realidade e Bondinho e o Jornal da Tarde, de São Paulo, fundamentais na evolução e popularização da fotografia moderna brasileira. Através destes veículos tomamos contato com a produção de mestres como Boris Kossoy, Chico Albuquerque, Cláudia Andujar, David Drew Zingg, Domício Pinheiro, George Love, Jean Manzon, José Medeiros, Lew Parella, Luigi Mamprin, Luís Humberto, Maureen Bisilliat, Orlando Britto, Otto Stupakoff, Pierre Verger, Sérgio Jorge e Walter Firmo. Estes fotógrafos ousaram colocar sua interpretação dos fatos que documentaram, trazendo, assim, a marca do autor às suas imagens.

FOTÓGRAFOS CONTEMPORÂNEOS

Nas últimas três décadas do século XX a fotografia brasileira manteve sua posição de pioneirismo, ruptura e renovação. Nestes anos vorazes por imagens surgiram muitos fotógrafos conscientes, decididos a expandir ainda mais as fronteiras deste meio de documentação e expressão. De alguns destes destacados fotógrafos contemporâneos apresentamos as imagens e breves biografias:


São Paulo, foto de Antonio Saggese, 1987
Antônio Saggese - Nascido em São Paulo em 1950 e graduado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Antônio Saggese inicia carreira como fotógrafo em 1969. Dirige estúdio próprio, onde desenvolve trabalhos de publicidade e de expressão pessoal. Atuação: publicidade e expressão pessoal.


Sem título, foto de Eustáquio Neves,
Belo Horizonte, 1997
Eustáquio Neves - Nascido em Juatuba, Minas Gerais, em 1955, o fotógrafo autodidata Eustáquio Neves atua desde 1984 como free-lancer nas áreas de publicidade e documentação. Desenvolve pesquisas com técnicas alternativas, ao mesmo tempo em que busca novas linguagens na fotografia enquanto expressão artística. Atualmente dedica-se a uma pesquisa etnográfica junto às comunidades negras remanescentes dos antigos quilombos. Atuação: etnofotografia e expressão pessoal.
















Bananeira, foto de Marcelo Lerner,
platinotipia, São Paulo, 1994
Marcelo Lerner - Nascido em São Paulo em 1967, iniciou em fotografia no jornal da colônia italiana Il Corriere. Em 1989 trabalhou para o mestre mexicano Manuel Alvarez Bravo, especializando-se em impressão em emulsão de platina e paládio. No início de 1997, imprimiu em platinotipia as 82 imagens da Coleção Referencial da História da Fotografia Brasileira expostas no mesmo ano no Instituto Cultural Itaú, em São Paulo. Desde 1995 é sócio do Imager Centro de Estudos da Imagem Fotográfica, onde desenvolve pesquisas, impressões de portfolios e prints de exibição, além de fotografia aplicada de publicidade. Atuação: publicidade e expressão pessoal.

Mário Cravo Neto - Nascido em Salvador, Bahia, em 1947, iniciou em fotografia como meio de expressão plástica em 1964. Estudou de 1969 a 1970 na Art Student's League de Nova York. Um dos fotógrafos brasileiros mais conhecidos internacionalmente, tem trabalhos nas principais coleções privadas e de museus do mundo. Atuação: expressão pessoal.


Luciana, foto de Mário Cravo Neto, 1994

Tinho com Osso, foto de Mário Cravo Neto, 1990


Fonte: Ministério das Relações Exteriores

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