Profissionais de diversas áreas falam sobre sua carreira

Artigo publicado em 15/06/2009

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Índice de atualidades

Para ajudar a resolver o dilema sobre qual carreira seguir, abaixo estão entrevistas com 10 profissionais, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.

> Como escolher a profissão certa? 12 boas dicas para ajudar na escolha da profissão

Confira abaixo as respostas de profissionais das seguintes carreiras: engenharia civil, design de games, direito (advocacia), engenharia elétrica, letras, medicina, nutrição, publicidade, relações públicas e turismo.

 

ENGENHARIA CIVIL

Nome / idade: Amir Beber Gualda, 38 anos
Formação / ano: Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Camp), em 1995
Ocupação atual: Gerente de projetos da construtora Camargo Corrêa
Destaques da carreira: atuou na construtora Mendes Júnior
Descreva um dia da sua rotina profissional
Um engenheiro civil trabalha, em média, de 10 a 12 horas por dia (pelo menos os que são voltados a grandes obras, grandes projetos). Geralmente, o profissional recém-formado inicia sua carreira na área da produção, na qual aprenderá na prática "o jeito" de se fazer uma obra, seja ela uma estrada, uma hidrelétrica ou uma simples edificação, como uma casa, por exemplo. A vivência na produção é, sem dúvida, o passaporte para este profissional galgar os maiores patamares em sua carreia – é a partir dela também que ele terá a base para se dirigir às áreas com as quais mais se identifica, como gerencias de produção, comerciais/contratos, planejamento, entre outros. O dia-a-dia deste profissional nunca é o mesmo – os problemas acontecem, como em toda obra, e o profissional deverá "engenhar" dentro das normas e, principalmente, com muito bom senso, as mais rápidas, seguras e baratas soluções para o perfeito andamento deste projeto. No princípio, sua atuação é muito maior na área externa (nas obras) e, adquirindo experiência (geralmente depois de 5 a 8 anos ), ele passa a ter funções de coordenação ou gerência, passando a atuar em escritórios. A coordenação de produção e custos (metas estipuladas), controle de equipamentos, mão-de-obra direta (histogramas), manutenção e controle da qualidade nos serviços são as principais tarefas de um engenheiro quando no início da carreira. E, é evidente, o computador sempre auxiliará no desenvolvimento e acompanhamento destes trabalhos.
Assim que se forma, quais são os caminhos que o recém-formado pode seguir na profissão?
Acredito que o melhor para o profissional recém-formado seja a vivência na área de produção. Dessa forma, ele poderá conhecer a fundo a essência de um profissional da engenharia civil, a forma de se construir, a logística que se emprega em cada campo ou área de trabalho, como o planejamento, produção, controle (riscos de engenharia). Após esse período (de 5 a 7 anos), ele terá o embasamento necessário para escolher o melhor caminho a seguir, podendo se voltar à própria área de produção, qualidade, planejamento, gerenciamento de projetos (neste caso, aconselha-se MBA em gestão de projetos), ou seja, diversas áreas nas quais este profissional poderá atuar – dependendo apenas da área que ele mais gosta, em que deve desempenhar sua melhor performance.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
Um engenheiro deve interagir o dia inteiro com pessoas de diferentes tipos. Trabalhamos com os "doutores" de área (diretores e superintendentes) e também, como na grande maioria das vezes, com os operários.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Não, ou melhor, isto é muito difícil de acontecer. Geralmente, o dia do engenheiro inicia-se às 7h e prolonga-se até às 17h, 18h ou 19h. Isso varia com o prazo do contrato.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Sim, na grande maioria das vezes, os contratos firmados com clientes sinalizam que os trabalhos serão realizados nos fins de semana, principalmente aos sábados. Em casos em que, por situações adversas, o prazo contratual é posto em dúvida pelo cliente e/ou pela própria contratada, podendo gerar atraso na entrega deste projeto, daí então torna-se necessário a realização de trabalho aos sábados, domingos e até feriados.
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
A falta de investimento, principalmente em obras de infra-estrutura, em nosso país. Temos hoje milhares de quilômetros de rodovias a serem feitas e/ou recuperadas, escassez de usinas geradoras de energia (hidrelétricas, termoelétricas), deficiência em hospitais, escolas. Enfim, o país precisa gerar mais investimentos no setor, buscando considerável acréscimo no número de empregos registrados e com expressiva melhora na vida do cidadão.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
É extremamente necessário estar "up to date" com novos métodos e formatos, que aparecem constantemente. Isso pode ser feito por meio de qualificações profissionais, ou com novos equipamentos e softwares. Por isso, é sempre bom estar "ligado". Quanto a cursos de línguas, por exemplo, o inglês não é nem questionado por muitos profissionais de RH, pois eles já pressupõem que o profissional domina completamente o inglês. Aconselha-se também, principalmente aos projetos voltados ao Mercosul, que o espanhol seja também outra língua fluente.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
Acredito que, a princípio, o melhor seja se firmar em uma única empresa. Existem pontos positivo e negativos. Na mesma empresa, com o passar dos tempos e demonstrando bom trabalho, a tendência é a ascensão profissional. Por outro lado, a linha de pensamento e de trabalho que esta empresa exerce terá sempre o mesmo formato e, mudando de empresa, você irá encontrar novas maneiras, jeitos e até linguagens diferentes de trabalho. É interessante também viver este lado, é um novo desafio.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A engenharia, por si só, já encanta. A realização pessoal, a consciência de saber sua contribuição para um projeto, não tem preço. Pude fazer parte de projetos importantes, como o prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes e o Rodoanel (SP): sempre que passo por lá, paro e fico lembrando dos bons (e complicados) momentos que passei. E o meu orgulho é poder mostrar para os meus filhos a obra que ajudei a construir.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Na engenharia, o profissional deve ter a capacidade de saber "engenhar" – este , como já dito , será o diferencial no mercado para este profissional. É evidente que, por melhor que este profissional seja, a humildade e o bom-senso deverão ser sempre adjetivos utilizados durante o seu trabalho.
Como você decidiu embarcar nessa área?
No meu caso, foi motivo familiar. Meu pai é engenheiro. Tenho tios e primos engenheiros. Assim, decidi seguir a carreira.
O curso exige muitos cálculos. Então qual é a maior dificuldade para um engenheiro civil?
Depende muito. Na faculdade, as disciplinas de cálculo, mecânica dos fluidos e resistência dos materiais foram pra mim as mais terríveis. Na vida profissional, foi escolher a modalidade que mais me dá prazer: a vconstrução de rodovias.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Indiferente. No nosso mercado, todas as modalidades são aceitas.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Isso depende muito, mas acredita-se que com 5 anos vivenciando uma área específica, este profissional obtenha estabilidade.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O profissional deve estar inteiramente comprometido com o seu papel e suas funções. E me lembro de um ensinamento de um antigo chefe (e grande empresário da construção): na engenharia, você deve ter 10% de matemática – os outros 90% serão de bom-senso.
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Vejo como promissor. O país vive uma época de crescimento, e, para daqui a 5 anos, teremos a realização da Copa do Mundo do Brasil. Esse evento fatalmente gerará investimentos diretos na construção de nosso país.
 

DESIGN DE GAMES

Nome / idade: Thiago Guarino Appella, 23 anos
Formação / ano:
Universidade Anhembi Morumbi, em 2006
Ocupação atual: Gerente de produtos da Electronic Arts (EA), produtora e distribuidora de jogos de computador
Destaques da carreira:
especialização em gerenciamento de projetos
Descreva um dia da sua rotina profissional
Por conta de oportunidades no mercado de trabalho brasileiro, hoje atuo como gerente de produtos, no departamento de marketing da Electronic Arts. É sempre bom dizer que, por conta da pirataria, há muitas limitações em ações e campanhas para os lançamentos, já que a verba é definida de acordo com o volume de vendas projetado. Meu trabalho é baseado em um escritório, mas não se restringe somente a este local. Além de muitos encontros sobre parcerias, visitas a clientes-chave e ações de relações públicas, quem trabalha com marketing deve sempre estar em alerta para toda e qualquer oportunidade que aparecer. Ou seja, mesmo aos finais de semana, quando estou passeando e, teoricamente, não deveria pensar em trabalho, acabo sempre avaliando as possibilidades de atividades que se encaixam com a estratégia para os produtos que gerencio. Sendo o "embaixador" de um produto/franquia dentro da empresa, preciso estar disponível no período comercial para todo e qualquer suporte para outros setores - que sempre precisam de detalhes sobre os produtos e do plano de marketing destes. Mesmo utilizando o computador em quase 100% do tempo, ainda há espaço para muitas apresentações, nas quais é preciso uma habilidade extra para transmitir sua comunicação da melhor forma possível. E, sem dúvida, o que consome mais tempo é o e-mail – a melhor e mais barata forma de comunicação em uma empresa global.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Sem dúvida alguma deve-se estar sempre atualizado sobre o mundo dos games. Esta indústria, apesar de estar muito baseada em criatividade e comunicação, tem como fundação a tecnologia. Portanto, nesta área é preciso estar atualizado não só nos games que revolucionam no roteiro, na direção de arte ou na tecnologia, mas é muito importante também saber como está o modelo de negócio, ações virais e correlatos do mundo corporativo. Há um erro gravíssimo na concepção dos cursos de games hoje, sem exceção: games não é uma formação ou disciplina, na verdade é um conglomerado de disciplinas. Em outras palavras, os cursos oferecem uma formação em games com diversas matérias, desde matemática até animação 3D, passando por marketing e inteligência artificial, que no final de quatro anos formam um profissional genérico. Mas o mercado não é composto dessa forma e muito menos sua formação acadêmica. O correto seria estudar a fundo o que você quer fazer dentro da indústria de games e escolher seu curso universitário: fazer ciências da computação, caso você queira programar, fazer design, caso você queira ser artista/designer e assim por diante. Portanto, para quem se forma nos cursos de games disponíveis atualmente, faz-se extremamente necessário uma pós-graduação para especialização em sua área e evitar que o profissional seja mais um genérico no mercado. Não tente fazer tudo. Escolha uma área e seja o melhor nela. E, claro: inglês é fundamental. Qualquer kit de desenvolvimento, manual de software, literatura da área e possíveis investidores exigirão inglês.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Não trabalho aos fins de semana. Tento deixar tudo em dia durante a semana. Entretanto, como ofereço um alto comprometimento com a empresa, quando é extremamente necessário ter que trabalhar nos fins de semana para cumprir uma data, trabalho sem nenhum problema.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Não posso fazer meu próprio horário de trabalho, pois há outros departamentos e outras empresas que dependem de informações que eu devo fornecer; e como eles trabalham somente em horário comercial, é este o horário que devo estar disponível.
Assim que se forma, quais são os caminhos que o recém-formado pode seguir na profissão?
Existem diversos caminhos depois que você pode seguir quando se forma, mas isso não é exclusivo para games. Assim como em qualquer área, você pode seguir a área acadêmica e de pesquisa (que considero a mesma) ou ir para o mercado de trabalho, tanto em uma empresa de terceiros como abrindo a sua própria. Como o mercado de games no Brasil ainda é muito pequeno, a alternativa mais vista é a abertura do próprio negócio. Lembrando que isso não é conselho algum, somente um retrato do que acontece no mercado.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
Nenhuma empresa e nenhum emprego é igual ao outro. Por experiência própria, aprendi muito passando por várias empresas e a experiência adquirida em empregos anteriores e diversificados compõe minha caixa de ferramentas de conhecimento e habilidades. Mudar de emprego é bom, mas chega um momento em que as opções se esgotam, já que temos poucas empresas de games no Brasil, com forte concentração em São Paulo. Há até mesmo carência de algumas carreiras dentro da área de games no Brasil, nas quais a única alternativa é trabalhar no exterior.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
O tempo todo é preciso estar em contato com outras pessoas e outros setores, principalmente quando a data de lançamento do jogo está chegando e é preciso ter respostas e informações rápidas para que você prossiga com seu trabalho. Cada departamento tem seu planejamento e é preciso trabalhar o seu produto de acordo com as limitações que outros setores terão, principalmente para não acontecer retrabalho e atrasar um lançamento.
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Me decepciona o amadorismo que ainda temos no Brasil e a falta de apoio do governo com nossa categoria, que poderia dar um grande boom em terras tupiniquins. Assim como divulgado por toda mídia, nossa categoria fatura mais que Hollywood, nos EUA, já faz um tempo.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
Ultimamente tem me surpreendido como este mundinho, antes considerado nerd, está se massificando. Muito pelo leque de produtos oferecidos, mas também por conta da geração que já nasce conectada e high tech. Quem não conhece o Nintendo Wii ou mesmo nunca perdeu umas horas em um jogo de internet.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
A tentação em mudar de área. Definitivamente, games não é uma área onde se ganha muito bem no Brasil. Mas trabalhar com algo que você ama, não tem preço. Ainda mais depois que você se envolve com os bastidores - você não quer largar nunca.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
Sem entrar nos quesitos técnicos, o profissional na área de games – principalmente no Brasil – precisa ter em mente que ele deve fazer mais que o combinado. Essa é a principal característica que vejo nas pessoas ao meu lado. Além disso, o pensamento coletivo é muito bem vindo, visto o cenário brasileiro e o quanto podemos contribuir para o nosso próprio crescimento. Esta é uma idéia que venho praticando com o IGDA (uma associação internacional de desenvolvedores de games, na qual represento o capítulo Paulista).
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Como a indústria brasileira de games é muito pequena, a tendência é que as pessoas comecem a abrir o próprio negócio. Isso já está acontecendo aos poucos, e tende a aumentar, já que a cada ano muitos profissionais entram no mercado oriundos dos diversos cursos de games, mas as empresas não podem absorvê-los.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Isto é muito pessoal e cada um deve se conhecer primeiramente. Como em qualquer área, o profissional tem qualidades e fraquezas. No meu caso, como tenho muitos títulos sob meu gerenciamento, a organização e atenção aos detalhes são habilidades que estão em meu radar em todo período de trabalho.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Infelizmente nossa carreira não é uma ciência exata, ou seja, depende muito de nosso empenho e das oportunidades de mercado. Comecei a trabalhar com games em 2003, quando iniciei a faculdade, e creio que somente hoje tenho certa estabilidade. Entretanto, o período que nos deixa mais inseguro é logo após nos formarmos. Correr atrás do primeiro emprego sob CLT e assumir mais responsabilidades são os primeiros passos para esta estabilidade.
Quais tipos de cursos livres eu poderia fazer para conseguir trabalhar nesta profissão?
Complementando o que disse anteriormente, games não é uma disciplina por si só. Você pode fazer vários tipos de cursos livres, mas antes de tudo você precisa decidir o que quer fazer. Um exemplo da área de design: você pode fazer alguns treinamentos em animação e 3D, desde estudos sobre anatomia humana, como silhuetas (posições-chave), e timing. Esse processo de escolha da sua área de atuação é difícil, já que o mundo de desenvolvimento de games não é muito difundido e você acaba optando por fazer uma faculdade de games somente para descobrir sua vocação.
Uma pessoa que não tem dom para fazer desenho pode fazer o curso de design de games?
Com certeza. O nome design foi erroneamente traduzido e reconhecido como "desenho", o que não é verdade. Melhor seria falar em "planejamento", "projeto". O designer de games é o responsável pela diversão, mecânicas de jogo e a forma como o jogo deve ser jogado. Este profissional precisa ter uma bagagem de jogo incrível e o processo de criação de jogos é um aprendizado. Ao passo que você vai criando jogos, seu conhecimento vai aumentando e seu trabalho se aprimora.
Qual seria a expectativa para o profissional desta área aqui no Brasil? Realmente existe mercado de trabalho e o profissional brasileiro é bem visto pelas grandes empresas?
Espero não estar sendo a pessoa que o faça desistir dos seus sonhos, espero que pondere meus comentários e que tome a melhor direção baseado neles. A minha impressão é que curso de games virou a "bola da vez", toda universidade vai ter o seu, já que o interesse está aumentando cada vez mais. Entretanto, não há nada fomentando o desenvolvimento do mercado, nem universidades, nem o governo. E tenho certeza de que o mercado brasileiro não tem capacidade de absorver os profissionais recém-formados. Como citado acima, o que tem acontecido muito é a abertura de novos negócios pelos recém-formados. No mercado internacional de desenvolvimento de games, não conta muito sua nacionalidade. Conta sua experiência e casos de sucesso. É muito comum ver em descrições de empregos o requisito: ter trabalhado no processo de desenvolvimento de, no mínimo, dois jogos lançados.
Esse curso é mais voltado para programação?
Para trabalhar com games, não é preciso um curso de games. Escolha uma disciplina e siga em frente. Games não é uma disciplina, é um conglomerado delas. Será importante conhecer como funciona e como se integram as disciplinas que compõem a indústria, mas isso é facilmente obtido em sites, revistas especializadas, fóruns de discussão e palestras. Infelizmente, os cursos de games no Brasil são bem genéricos e acabam abordando as diversas disciplinas da área de forma superficial, alguns se aprofundam mais do que outros em alguns conhecimentos – uns em design, outros em programação. Não tenho dúvida de que, se fizer um curso profundo na área de conhecimento almejada, poderá trabalhar na área de games com um conhecimento maior ao obtido em um curso de games.
Qual seria a diferença entre um curso técnico em design de games e o bacharelado oferecido nas faculdades?
A diferença é a bagagem cultural que você terá a oportunidade de adquirir em uma universidade. Sendo que a criação de um game é baseada muito em inspiração, conhecimento e cultura, a universidade se torna essencial para sua formação. Mas caso você opte por fazer outro curso universitário, já adquirindo a bagagem importante para você, não vejo nenhum problema em fazer um curso técnico em games para conhecer mais sobre este mundo. Como o nome do curso diz, é técnico e, normalmente, vai te ensinar como fazer, mas não o que fazer.
É muito complicado montar sua própria empresa de animações e jogos digitais? Como dar o primeiro passo?
Esta é uma visão muito particular: eu não abriria minha empresa sem antes ter conhecimento e experiência de mercado que me dessem um bom destaque e reconhecimento na área. Abrir empresa é fácil, o difícil é você fazer a empresa girar com o que se propôs a fazer. Conheço pessoas que abriram empresas de jogos logo depois de terminarem a faculdade e acabaram por serem especialistas em desenvolver sites. Quando se tem uma empresa, você tem necessidades primárias a serem cumpridas, e a principal é fazer dinheiro.
 

DIREITO (ADVOCACIA)

Nome / idade: Luiz Fernando Martins Castro, 47 anos
Formação / ano:
Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), 1984
Ocupação atual:
Advogado e vice-presidente da Comissão Especial de Informática da Ordem dos Advogados do Brasil, em São Paulo
Destaques da carreira:
mestre em direito civil pela USP | doutor em direito e informática pela Faculdade de Direito de Montpellier, na França
Descreva um dia da sua rotina profissional.
Os advogados trabalham pelo menos 8 horas por dia. Normalmente, começam mais tarde do que as empresas (por volta das 9h) e também terminam mais tarde (após as 18h). As atividades são variadas e dependem do tipo de trabalho que eles fazem, e também do local onde trabalham. Estamos sempre trabalhando no computador, seja para realizar um trabalho (petições, contratos, memorandos), seja para receber e mandar e-mails profissionais, além de pesquisa de textos (leis e julgados), e também para acompanhar o andamento de processos. Geralmente, temos horário de almoço, mas não raras vezes somos chamados para reuniões ou audiências que nos obrigam a fazer um lanche rápido.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
O advogado interage com muita gente, raramente trabalhando sozinho. Tem que receber o cliente, que o procura com alguma demanda, precisa interagir com a sua equipe jurídica dentro do escritório ou empresa, além do pessoal de apoio (secretária, bibliotecária e estagiários – que dão uma grande ajuda nas tarefas diárias). E, externamente, isso também acontece muito, pois estamos em constante contato com juízes, funcionários de cartórios judiciais (nos fóruns), delegados de polícia, escrivãos e funcionários de outros órgãos da administração pública, junto aos quais realizamos algum tipo de serviço. Eu diria que o advogado tem de interagir sempre, e que o resultado de seu trabalho depende em grande parte dessa habilidade de se relacionar com pessoas, pois sempre estamos "advogando" e não "impondo" o interesse de nossos clientes.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Um advogado que organiza o seu tempo de maneira produtiva consegue, na maioria das vezes, não levar trabalho para casa, à noite, ou nos fins de semana. Mas é inevitável que em momentos de maior demanda, ou urgência, isso ocorra. E se você atuar na área criminal, saiba que essas urgências sempre surgem nesses horários.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Eu diria que o advogado mais experiente, e que tenha uma equipe, tem maior flexibilidade de horário, mas isso não se aplica aos profissionais que estão começando, pois senão cada um desejaria fazer o seu horário. Mas não se esqueça de que o advogado acaba tendo de se sujeitar a horários de reuniões marcados por clientes e de audiências designadas pelo juiz, cujo horário pode atrasar bastante.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
O advogado tem de estudar sempre, em toda a sua vida profissional. Durante a faculdade, deve buscar frequentar os vários cursos e atividades extracurriculares que são oferecidos, o que, além de enriquecer a sua formação, lhe permitem ter uma ideia mais clara dos diferentes ramos do direito. Hoje, vemos muitos cursos de pós-graduação (latu sensu ou de "especialização") impropriamente procurados por alunos que tiveram uma formação deficiente na graduação. Mas isso lhes permite rever muita matéria que não foi aprendida na graduação, e se aprofundar em outras mais específicas e focadas, objetivo principal desses cursos. Quanto a línguas estrangeiras, acho fundamental e mesmo imprescindível que o advogado saiba se comunicar, ler e escrever em inglês, e preferencialmente em uma outra língua (como o espanhol, em primeiro lugar, ou outras línguas mais usuais como francês, alemão e italiano). Atualmente, é comum vermos alunos estudando línguas como japonês e chinês. Na prática, não acredito que um advogado brasileiro (sem ascendentes dessas nacionalidades) possa dominar amplamente uma dessas línguas, a ponto de trabalhar efetiva e autonomamente numa delas, mas conhecê-las será sempre um facilitador de relações pessoais, se você for lidar com pessoas, advogados e empresas que sejam desses países.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
Por um lado, como os jovens ingressam muito cedo na faculdade, com pouco conhecimento da profissão, seria útil e recomendável que pudessem conhecer diferentes atividades da advocacia (escritório pequenos, especializados em matérias específicas ou mais generalizadas, ou em escritório grandes, com dezenas, ou mesmo centenas de advogados), e mesmo das demais profissões jurídicas, como a de juiz e promotor de Justiça, além da advocacia em defesa dos entes públicos (procuradorias). Mas hoje em dia, com a grande concorrência na profissão, existe uma tendência de se efetivarem estagiários mais antigos, que já estejam integrados na "cultura" do escritório ou empresa. Em resumo, eu diria que o aluno pode e deve testar diferentes trabalhos nos dois primeiros anos da faculdade e já tentar focar em algo mais preciso e com que mais se identifique, a partir do terceiro ano.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A profissão de advogado nos obriga a buscar uma evolução constante, seja através dos estudos, seja no campo do relacionamento humano. Lembre-se que o advogado é sempre procurado para resolver um problema concreto do cliente, que normalmente lhe traz graves preocupações (questões de família, empresariais, desafios econômicos), assumindo assim grande responsabilidade, pois passa a fazer parte de sua vidas. Tudo isso permite um enriquecimento de suas relações humanas, e costumo dizer que o advogado aprende com os erros dos clientes.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
No início da carreira os advogados não costumam ser bem remunerados, o que leva muitos bacharéis a preferirem as carreiras públicas, com um bom salário inicial e estabilidade. Porém eu diria que em cinco anos de profissão um advogado bem sucedido já consegue equiparar seus rendimentos ao de um profissional de carreira pública. E a partir daí, cada caso é um caso, intimamente ligado ao desenvolvimento das aptidões anteriormente referidas, com especial relevância à sua capacidade de captar clientes. O crescimento profissional do advogado é constante, enquanto nas carreiras públicas é mais lento.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Não conseguiria indicar um único, mas vários desafios, permanentes, como: necessidade de constante atualização técnica; captação de clientes com bom perfil; gestão do escritório, com custos crescentes; morosidade dos processos e dificuldade de sua gestão nos fóruns; grande oferta de serviços, pelos concorrentes, levando, muitas vezes, ao aviltamento dos honorários.
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Não acho que a profissão tenha me trazido grandes decepções. Posso, contudo, qualificar de frustrante o fato de a advocacia não ser devidamente valorizada, existindo uma certa prevenção, ou má-vontade, por parte de alguns juízes, promotores, delegados de polícia e funcionários em geral, que não raras vezes possuem uma ideia preconceituosa face aos advogados, ignorando as dificuldades permanentes no exercício da advocacia.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
O modelo da advocacia autônoma, do profissional generalista, que era comum há 20 ou 30 anos, vem sendo substituído pelo modelo de escritórios maiores, com equipes especializadas em determinados temas, sobretudo nas grandes cidades. Mesmo nesse modelo, a tendência do advogado bem sucedido é se tornar sócio do escritório, mas para isso deverá evoluir na profissão, conseguindo reunir aptidões técnicas (conhecendo bem a matéria a que se dedica) e conseguindo angariar clientes para o escritório, o que entendo relevante para o crescimento do profissional.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O primeiro e fundamental requisito é a adequada capacidade de expressão, verbal e escrita. E isso não quer dizer saber "falar difícil". Muito pelo contrário, a advocacia atual exige a capacidade de redação simples, direta, precisa e correta. Para isso, o aluno deve ler e escrever muito, inclusive para o uso adequado da linguagem jurídica. A advocacia pressupõe um bom raciocínio lógico e uma capacidade extrema de negociar, de saber ceder para também ganhar. Lembre-se que a sobrecarga da Justiça tem dificultado a vida do profissional que atua no fórum, obrigando-o a desenvolver a capacidade de encontrar soluções para o seu cliente, fora dos processos judiciais.
Vale a pena iniciar uma faculdade de direito após os 30 anos? Conhece algum advogado bem sucedido que iniciou nesta idade?
O exercício da advocacia pode se dar após os 30 anos. Porém, o início da profissão é penoso sob muitos aspectos, o que não chega a ser um impeditivo. Lembre-se que a carreira de advogado pode ser longa, sendo muito comum ver advogados com 45 ou 50 anos de formado, em plena atividade, pois todos os conhecimentos acumulados valorizam o profissional. Para aquele profissional que inicia a carreira em idade mais madura, eu sugeriria tentar advogar em área mais ligada às suas experiências anteriores (como por exemplo: em assuntos comerciais, ou mesmo técnicos como ligados à área da saúde, engenharia etc).
Quais são as principais especializações para um profissional de Direito e quais estão mais em falta no mercado de trabalho?
Posso listar algumas especializações em voga, como: direito processual, direito dos contratos, direito do consumidor, direito do trabalho, direito do comércio internacional. Não vejo com clareza a "falta" de nenhum especialista no mercado, mas constato a valorização no mercado para jovens estudantes e recém-formados que saibam escrever bem, que tenham uma atitude pró-ativa na busca de soluções para o cliente e para o escritório e, sobretudo, que tenham uma visão de médio e longo prazo, que se traduza em dedicação à profissão e compromisso com o escritório ou órgão que o contrata.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Como já me referi, acredito que o profissional deve ter grande aptidão de comunicação (verbal e escrita), sólidos conhecimentos teóricos, boa capacidade de relacionamento interpessoal, e mesmo comercial, para saber se valorizar e ter o seu serviço valorizado pelos clientes. E jamais deve perder a humildade, pois os nossos desafios se renovam diariamente, e nunca se deve menosprezar um caso, e menos ainda os colegas de profissão.
Em que áreas um advogado pode trabalhar?
Em todas as áreas acima referidas. Logicamente que são distintas as rotinas e atividades, devendo o estudante identificar as suas características pessoais que mais se encaixam com cada uma dessas atividades, isto é, se ele gosta de estudar e ensinar (área acadêmica), se tem maior aptidão prática de se relacionar e resolver questões práticas (advocacia), se tem perfil para um trabalho mais rotineiro e estável (serviço público).
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Com o aumento brutal do número de faculdades e de formandos, o mercado está muito concorrido. Todavia, existe um crescimento na demanda de profissionais em função do crescimento do número de ações, sendo relevante o crescimento de ações envolvendo consumidores e fornecedores e das chamadas "pequenas causas", além do surgimento de novas áreas da profissão, ligadas às novas tecnologias, desporto e entretenimento, propriedade intelectual etc.


ENGENHARIA ELÉTRICA

Nome / idade: Alberto Furtado Scodiero Júnior, 37 anos
Formação / ano: Escola Politécnica da USP (Poli-USP), em 1996
Ocupação atual: Especialista em telecomunicações da empresa de telefonia Claro
Destaques da carreira: desenvolveu redes de celulares no Brasil e no México | atuou em empresas como Ericsson e TIM
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
Essa estratégia depende muito das oportunidades que surgirem. Mas é importante ter paciência no início da carreira e não esperar ascensões meteóricas, porque isso não é a regra e, sim, a exceção. Não acho que se deva trocar de empresa apenas para experimentar uma nova, mas, sim, quando as perspectivas forem realmente melhores do que a atual. Uma mudança de emprego implica em sair da sua zona de conforto, restabelecer-se na nova organização, integrar-se à nova equipe e construir novamente sua imagem no novo ambiente. Há que se pesar sempre todos esses aspectos.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
O meu trabalho, como em outras áreas da engenharia, faz parte de um processo. Neste sentido, mesmo quando executo atividades isoladamente, interajo com meus predecessores, clientes internos ou prestadores de serviço que executam meus projetos ou as ações resultantes das minhas análises. Mas é natural na área de engenharia de rádio frequência que muitas atividades típicas do engenheiro sejam realizadas através de um grupo de profissionais com o mesmo tipo de especialidade ou com capacitações ligeiramente diferentes, ou seja, a interação pessoal é diária e constante.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Isto depende da etapa de projeto em que a atividade do engenheiro de rádio frequência esteja inserida. Em situações de "startup" de novas redes celulares, por exemplo, é muito comum um nível de atividade muito intenso e fins de semana ocupados com o trabalho. Mas isso não é a regra e, em geral, não é necessário trabalhar nos fins de semana. Entretanto, o mercado de telefonia celular no Brasil é bastante competitivo e o profissional que pretende ingressar nesta área deve estar preparado para responder a altas demandas e trabalhar sob pressão.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
O engenheiro, embora seja considerado um profissional liberal, normalmente executa sua função trabalhando em empresas, seja como funcionário cujo contrato é regido pela CLT ou como consultor autônomo. Portanto, deve seguir a diretriz de dedicação horária especificada em seu contrato. Algumas empresas permitem flexibilidade de horários e até atuação em "home office". No meu caso, especificamente, tenho horário flexível.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Manter-se atualizado é importante em qualquer área do conhecimento. A atuação na área de tecnologia exige não apenas estar atualizado, mas também estar preparado para reciclar quase que totalmente o conhecimento acumulado em tecnologias em constante substituição. Existem cursos de especialização voltados para esse tipo reciclagem tecnológica. Treinamentos são oferecidos pelas empresas desenvolvedoras de tecnologia, mas é importante ser bastante autodidata para se manter atualizado. Com respeito a línguas estrangeiras, obviamente que o domínio do inglês é fundamental. As empresas que atuam globalmente utilizam o inglês como língua oficial internamente. Muitas consideram o mercado brasileiro inserido dentro de unidades de negócio da América Latina, portanto se comunicar em espanhol também é importante.
Para algumas pessoas, alguns cursos como mecatrônica, engenharia eletrônica, engenharia elétrica, engenharia de teleinformática etc. são a mesma coisa. Quais as diferenças principais entre esses cursos e outros que possam ter alguma relação com essa área?
Normalmente, os cursos de engenharia contemplam um ciclo básico de formação em exatas com disciplinas de cálculo e física. Diferenciam-se depois pela finalidade das áreas. A engenharia elétrica destina-se ao desenvolvimento de sistemas que se utilizam da transformação de energia elétrica para cumprir suas finalidades. Já a engenharia mecatrônica, como habilitação específica da engenharia mecânica, destina-se ao desenvolvimento de sistemas mecânicos controlados eletronicamente, destinados aos mais diversos fins, mas principalmente industriais.
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Não guardo decepções na minha profissão. A gama de possibilidades que se abre ao engenheiro ao longo de sua carreira é bastante grande, dando pouco espaço para decepções.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Creio que o maior desafio seja ser eficiente nas soluções demandadas ao engenheiro. Eficiência implica obter soluções de execução viável, de baixo custo e com a urgência necessária.
Como engenheiro elétrico, posso me especializar em alguma área de energia, como por exemplo a energia solar?
Sim. Geração e distribuição de energia elétrica estão entre as atribuições do engenheiro elétrico. Energia solar é um das áreas de pesquisa em geração de energia na qual este profissional pode se especializar.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Sim, é possível trabalhar como autônomo, atuando como consultor ou empreender seu próprio negócio, seja como desenvolvedor de tecnologia ou como prestador de serviços de engenharia.
O que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva em sua profissão?
A diversidade de campos de atuação é bastante grande, o que possibilita ao engenheiro elétrico escolher aquilo que mais lhe agrada.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
O engenheiro deve utilizar seu conhecimento técnico em algo prático e viável. Considero essa a principal habilidade ao exercício da profissão.
Quais campos se pode atuar e como é o dia-a-dia de um engenheiro elétrico?
A engenharia elétrica compreende as áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, microeletrônica, computação, telecomunicações e automação elétrica. O seu dia-a-dia pode ser consideravelmente diferente nessas áreas, sobretudo porque o campo de atuação é vasto, com espaço para áreas típicas de engenharia como desenvolvimento de produtos ou projetos e outras como pré-vendas, pós-vendas, qualidade, operações etc.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Assim como em outras carreiras, na engenharia não se alcança estabilidade, pois a evolução é constante e até necessária. Há sempre algo novo a ser desenvolvido, estudado, aprendido e executado.
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Ainda existe muito espaço para o setor de telecomunicações crescer no Brasil. A consolidação do mercado de telefonia móvel e fixa ainda está em evolução após apenas 10 anos da privatização do sistema Telebrás. Considerando a telefonia móvel, os avanços tecnológicos têm aberto novas formas de exploração do mercado e a banda larga móvel deverá crescer muito nos próximos anos, trazendo oportunidades para o engenheiro elétrico em toda a cadeia produtiva do setor.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O engenheiro deve ser bastante analítico e pragmático. É necessário ser curioso e observador. Deve ter conhecimento técnico profundo e saber aplicá-lo com criatividade para desenvolver as melhores soluções aos desafios que lhe são impostos. Deve ter método em suas ações, porém, sem excessos para manter-se eficiente. Deve estar sempre disposto ao estudo para se manter atualizado.


LETRAS

Nome / idade: Marcos de Moraes, 42 anos
Formação / ano: Universidade de São Paulo (USP), em 1991
Ocupação atual: Professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP)
Destaques da carreira: doutorado em literatura brasileira pela USP | organizador da Correspondência Mário de Andrade & Manuel Bandeira | desenvolve pesquisas sobre memorialismo a partir da correspondência de escritores no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP)
Descreva um dia da sua rotina profissional
O professor de letras, em uma universidade pública, cumpre, em geral, contrato de dedicação exclusiva, ou seja, ministra aulas, realiza pesquisas e orienta trabalhos de iniciação científica e de pós-graduação, na área específica de seu conhecimento. Isso quer dizer uma dedicação de 40 horas semanais às tarefas acadêmicas. Atividades de docência e de pesquisa definem uma agenda ao mesmo tempo prevista (sala de aula) e flexível (desenvolvimento de projetos em arquivos, consulta a bibliotecas, participação em bancas, reuniões de trabalho etc). Livros, teses, periódicos, documentação de fonte primária (manuscritos, correspondência de escritores etc), computador (acesso a programas de textos, a bases de dados e à internet) são objetos cotidianos de um estudioso da área de letras. Espaço de produção do conhecimento e de diálogo intelectual, as pesquisas universitárias almejam o desenvolvimento pedagógico e científico de largo alcance social. No campo dos estudos literários, especificamente, a organização de acervos de escritores, tendo em vista a sua democrática difusão, bem como a preparação de edições fidedignas de obras, por exemplo, ecoam no espaço escolar e na imprensa, favorecendo reflexões que possam ampliar o conhecimento sobre determinado assunto.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
As pesquisas universitárias na área de Letras são realizadas individualmente, levando em consideração, sempre, os diálogos que envolvem colegas da própria universidade e de outras instituições. Configuram-se estudos de aspectos literários (interpretação de obras, de autores, de períodos literários, brasileiros e estrangeiros), bem como linguísticos. Essas pesquisas são frequentemente divulgadas em congressos nacionais e internacionais, suscitando o apuro crítico-reflexivo do pesquisador. Muitos professores formam grupos de pesquisa que se reúnem periodicamente, ou equipes de trabalho, em atividade conjunta mais cotidiana, em projetos temáticos de grande envergadura e caráter multidisciplinar, congregando estudiosos de várias instituições universitárias. Assim, no meu caso, além do projeto individual que prevê a edição da correspondência reunida do escritor Mário de Andrade, participo do projeto temático subvencionado pela Fapesp, processo de criação de Mário de Andrade, sob a coordenação, no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, de minha colega, a professora Telê Ancona Lopez, pesquisa que, aproximando estudiosos de diferentes áreas das artes e humanidades, deseja compreender os meandros da produção literária do criador de Macunaíma, a partir de seus manuscritos, cartas e biblioteca. Vale assinalar, contudo, que tanto projetos individuais ou coletivos visam também a formação de jovens pesquisadores, alunos de graduação e de pós-graduação.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
Leitura de dissertações/teses e de projetos de orientandos, preparação de aulas, produção de artigos científicos, emissão de pareceres, assessorias a instituições públicas de fomento à pesquisa são, efetivamente, muitas vezes, realizadas em horários alternativos e nos fins de semana. Entretanto, a noção de trabalho do professor pode ganhar nuanças valorativas, pois essas atividades são avaliadas como momentos úteis, que propiciam uma permanente (in)formação. Sob uma perspectiva mais ampla, o professor de literatura, atento à realidade brasileira e às expressões artísticas de seu tempo, estuda sempre; estuda quando vai ao cinema, ao teatro ou a exposições, pois o diálogo previsto da literatura com as artes (e com a sociedade em sentido amplo) será certamente objeto de sua reflexão crítica em sala de aula e em seus trabalhos acadêmicos. Reforça as perspectivas de inter e transdisciplinaridade em seu trabalho, em seu diálogo com a sociedade.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Cumprindo a grade de docência (graduação e pós-graduação), de seu contrato de trabalho e previamente determinada em reuniões de área da disciplina, o professor de letras põe em marcha sua pesquisa de acordo com um cronograma por ele próprio definido e avaliado por comissões científicas da universidade à qual está ligado. Algumas etapas de seu projeto precisam, por exemplo, ser desenvolvidas fora do própria universidade, em bibliotecas, acervos documentais públicos e privados; algumas vezes, a pesquisa demanda a consulta de documentos e livros em instituições culturais e universitárias no exterior.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
Para o professor universitário de letras que inicia a carreira, o mercado de trabalho é, infelizmente, neste momento, restrito e muito competitivo, em decorrência, principalmente, do fechamento de muitos cursos dessa área em faculdades particulares. Nessa direção, tem sido comum a atuação de mestres e doutores em Letras em instituições de ensino médio, públicas e particulares, muitas delas oferecendo salários não compatíveis com a formação adquirida. O professor universitário, formado em letras em importantes universidades dos centros mais desenvolvidos do país, muitas vezes tem dificuldade em aceitar a idéia de se transferir para áreas mais carentes no interior do Brasil, mesmo quando a remuneração se mostra pertinente. O mercado de trabalho para o graduado em letras, como se sabe, abre-se para o ensino, tanto quanto para as áreas relacionadas à produção do livro (preparação de texto, revisão, difusão editorial etc), à atuação no campo da tradução (ou de intérprete), e à assessoria linguística (o novo acordo ortográfico vem, aliás, demandando profissionais qualificados). Imagino que a profissionalização cotidiana, em uma única empresa ou em trabalhos de freelancer, buscando-se a excelência das tarefas cumpridas, torna-se, na verdade, a moeda de troca para a inserção vantajosa nesse mercado igualmente competitivo (mas, carente de bons profissionais).
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Ao egresso do curso de letras cabe o permanente esforço de atualização, tendo em vista as novas pesquisas em desenvolvimento nas universidades, nos estudos literários e linguísticos. As universidades oferecem frequentemente cursos de extensão que facultam a atualização e abertura de territórios de exploração novos. A pós-graduação em letras, essencial para o refinamento do pensamento crítico, tanto quanto para uma aproximação das atuais vertentes críticas e linguísticas, exige a proficiência em língua estrangeira; em uma língua, no mestrado; em duas, no doutorado.
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Como professor no curso de letras em uma importante universidade pública, tenho percebido que muitos alunos chegam com uma bagagem de leitura muito deficiente e com poucas referências históricas e culturais; resultado certamente da fragilidade da formação escolar básica. Esses alunos não parecem demonstrar interesse pela atuação no magistério público, no ensino fundamental e médio (por questões salariais, principalmente). Assim, temos um processo de formação consistente que pouco será revertido para o melhoramento da educação de base, no que se refere aos estudos de língua portuguesa e de literatura brasileira.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
O curso de letras, ao se abrir para os mais diversos tipos de pesquisas nos estudos literários e linguísticos, favorece o desenvolvimento de amplo espectro de vocações profissionais. Uma pesquisa, bem realizada, promoverá o diálogo pontual com a sociedade brasileira, seja no âmbito editorial (propondo edições de clássicos da literatura em textos fidedignos, de inéditos de autores expressivos do sistema literário brasileiro e de documentos testemunhais, como cartas), seja no âmbito linguístico-pedagógico (sugerindo vertentes teórica e didáticas novas).
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Se o graduado em letras optar pelo ensino, estará, em geral, vinculado a uma instituição pública ou empresa, escola e curso de línguas etc; se preferir o trabalho de revisor, será funcionário de editoras ou de jornais/revistas (em papel e em sites) etc. Poderá, contudo, atuar como autônomo dando cursos de língua (portuguesa ou estrangeira) para particulares, em empresas e em outras instituições. Devidamente concursado, poderá ser tradutor juramentado, prestando serviços para embaixadas. Ou intérprete, auxiliando empresários ou promovendo traduções simultâneas/consecutivas em eventos universitários internacionais. O mestre/doutor em letras será docente em universidades públicas e particulares, no Brasil e exterior, ou, em um novo caminho que agora desponta, pesquisador em fundações culturais subvencionadas pelo capital privado.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O profissional da área de letras pode ter vários perfis: se tiver exclusivamente vocação para professor, desejará sempre o aprimoramento do diálogo da (in)formação na sala de aula; se possuir inclinação para pesquisador em fontes primárias, terá gosto pela longa permanência em arquivos e bibliotecas; se pretender, em nosso país, dedicar-se ao estudo das línguas indígenas, assumindo longas permanências longe dos centros urbanos; se tiver aptidão para revisor, cultivará a atenção e a competência linguística; se preferir ser tradutor ou intérprete, estará sempre atento ao contínuo enriquecimento dos sentidos dos idiomas estrangeiros. No professor universitário ideal, todas estas habilidades devem conviver: o pesquisador em arquivos, por exemplo, que leva para a sala de aula as suas descobertas, tem em vista a atualização, necessária para o diálogo com os alunos e pesquisadores de outras nacionalidades. Em todos os campos, exige-se uma idêntica característica: dedicação e compromisso/comprometimento com a nossa problemática realidade educacional.
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Estima-se que, com o recente fechamento de muitos cursos de letras em faculdade particulares (São Paulo, por exemplo), em breve o mercado demandará um bom contingente de profissionais competentes dessa área para o ensino da língua portuguesa e literatura, pois essas disciplinas devem, evidentemente, permanecer no currículo escolar em todos os níveis. A globalização econômica, entre nós, passará pelo esforço de formar um bom contingente de falantes em inglês, espanhol e até chinês. A consciência da importância do trabalho do tradutor, expressa em recentes movimentos de valorização desta atividade profissional, trará benefícios para os leitores. Na minha opinião, enfim, a principal contribuição do curso de Letras, no futuro, deverá ser a formação de leitores capazes de ler as diversas camadas de significado de um texto, o que significa ler criticamente a nossa realidade. Essa formação sólida poderá proteger o cidadão da retórica que esconde interesses econômicos e políticos escusos. Um bom leitor, vota bem. Assim, o Brasil chegará a um desenvolvimento pleno quando passar a formar leitores que possam reivindicar o urgente equilíbrio sócio-cultural.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Certamente, no que tange à educação no ensino fundamental e médio, os baixos salários no início da carreira e a perversa ideologia que desacredita o trabalho do professor. Cabe a ele, contudo, regenerar a sua própria dignidade profissional, realizando um trabalho comprometido com a formação crítica dos alunos. Além disso, desafio a ser enfrentado é também a massificação. Como trabalhar uma classe como um conjunto de indivíduos, diante dos conteúdos que se procura transmitir? Como apostar numa educação humanista?
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Bons profissionais nos diversos campos da área de letras, vocacionados, comprometidos e atualizados, encontrarão sempre espaço profissional digno e, eventualmente, bem remunerado.
Como está o mercado de trabalho para a Linguística?
Penso que, afastando-se da vertente normativa (gramática) ou do estudo da evolução da língua (filologia), a linguística, em suas diversas disciplinas, procura, hoje, promover o conhecimento científico do funcionamento social/psíquico da linguagem, assim como da estrutura profunda da mesma, a partir de diversas teorias. Como professor de literatura, sugiro uma visita aos sites dos departamentos de linguísticas da USP http://www.fflch.usp.br/dl/ e da Unicamp http://www.unicamp.br/anuario/2007/IEL/DL/DL.html, por exemplo.


MEDICINA

Nome / idade: José Roberto Colombo Junior, 35 anos
Formação / ano: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 1997
Ocupação atual: Urologista do Hospital Israelita Albert Einstein e um dos médicos responsáveis pelas cirurgias com uso de robô
Destaques da carreira: residência em cirurgia geral e urologia no Hospital das Clínicas de São Paulo | pós-graduação em cirurgia robótica | fez parte da equipe do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e dos hospitais Sírio Libanês, Nove de Julho, São Luís e Oswaldo Cruz
Descreva um dia da sua rotina profissional
A rotina profissional é muito variada, e isto depende da especialidade médica escolhida, da atuação acadêmica e/ou privada. Especificamente na urologia, o médico pode atuar em consultório, centro cirúrgico, unidades básicas de atendimento médico, serviços de diagnóstico, ou ensino e pesquisa. Como autônomo, cada profissional pode organizar sua agenda da maneira que for mais adequada, mas a rotina de acordar cedo (6h) e chegar em casa após as 21h pode ser considerada comum, especialmente no início da carreira. Como atuo na área acadêmica e privada, normalmente frequento hospitais privados, a universidade e o consultório no mesmo dia. O computador faz parte da vida de um médico, seja para escrever trabalhos, acessar artigos, fazer pesquisa, checar resultados de exames, contato com pacientes e banco de dados de pacientes e/ou procedimentos.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
Dependendo da especialidade escolhida, a interação pode acontecer diretamente com o paciente, outros colegas, equipes de enfermagem etc. Existem especialidades médicas nas quais a interação com o paciente é pequena (radiologia, por exemplo), assim como em outras a interação acontece quase o tempo todo.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Trabalhar nos fins de semana é bastante frequente, principalmente no início da carreira, e dependendo da especialidade escolhida. Na minha área de atuação, o trabalho durante os fins de semana pode ser considerado rotina, seja fazendo visita em hospitais, atendendo em retaguarda de pronto-socorro, ou escrevendo artigos e preparando apresentações.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Sim, é possível. Mas no início da carreira essa não é a regra. É importante novamente frisar que dependendo da especialidade a ser seguida e área de atuação pode ser mais ou menos fácil poder montar a própria agenda.
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
A falta de tempo para me dedicar à família e amigos, associados a baixa remuneração e qualidade de trabalho oferecidas, especialmente no início da carreira.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
Não existe uma resposta correta ou regra para esta questão. Isto dependerá das ofertas de emprego e dos objetivos e ambições de cada pessoa.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
A atualização e aprendizado constantes são necessários para que o médico possa oferecer o diagnóstico e tratamento mais adequados para cada tipo de situação. Esta atualização pode ser realizada em congressos, consulta a periódicos e revistas médicas. A pós-graduação também pode ser realizada e é cada vez mais importante na medida em que o mercado de trabalho exige profissionais cada vez mais preparados. O domínio do inglês é essencial na profissão, já que os periódicos, livros e congressos mais importantes são todos realizados neste idioma.
Assim que se forma, quais são os caminhos que o recém-formado pode seguir na profissão?
Após a graduação médica, normalmente a formação é complementada pela residência médica para o médico generalista se especializar em determinada área. Uma vez terminada a residência o médico pode optar em seguir a carreira acadêmica em universidade ou laboratório de pesquisa, atuar na carreira privada, seja em consultório ou hospital, atuar em empresas da área farmacêutica e/ou de material cirúrgico. Pode-se também atuar em mais de uma área das citadas, dedicando-se em tempo parcial à pesquisa e ensino e atuando em medicina privada, por exemplo.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
Ter a oportunidade de trabalhar em hospitais de alto padrão e o respeito de colegas mais experientes. Além disso, é extremamente gratificante ter a oportunidade de ajudar outro ser humano.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
É possível a atuação como autônomo, sendo esta a forma de atuação mais frequente. Novamente, a especialidade médica é decisiva para planejar a área de atuação.
Em relação a reações emocionais que algumas pessoas têm quando vêm sangue. Como posso ter certeza de que esta é a carreira que devo realmente seguir?
Este fato não é raro e, na minha opinião, não deve ser um problema, já que durante o curso médico o aluno acaba se acostumando com estas situações. É importante lembrar que embora durante a graduação o aluno seja exposto às diversas áreas, ele vai optar pela especialidade que lhe for mais agradável e interessante, que pode não envolver procedimentos cirúrgicos, sangue ou mesmo contato direto com pacientes.
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
De maneira geral o mercado exige a sub-especialização, ou seja, que o profissional domine uma área específica de sua especialidade. Pacientes e instituições procuram profissionais que atuem também na área acadêmica e, em geral, apresentem alguma titulação de pós-graduação. Com o grande número de escolas médicas em atividade, o número de profissionais no mercado está aumentando rapidamente, portanto a diferenciação é fundamental.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Preservar a ética, manter-se atualizado e oferecer o melhor para os pacientes, apesar de normalmente trabalhar em condições não ideais.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
A dedicação à profissão e constante aperfeiçoamento são imprescindíveis no exercício da profissão.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Não é possível fazer uma previsão deste "tempo para estabilidade". Isto é extremamente variável e depende da especialidade, objetivos e ambições pessoais e áreas de atuação.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
A disposição, ética, perfeccionismo e carisma são qualidades que, em minha opinião, são fundamentais para o sucesso profissional e pessoal nesta área.
Trinta anos é uma idade avançada para começar uma carreira de medicina?
De maneira alguma a idade deve ser considerada uma barreira para iniciar a carreira médica. Não é raro encontrarmos pessoas que inicialmente optaram por outras áreas antes de iniciar na medicina. Apesar de algumas dificuldades, é uma carreira bastante gratificante e com enorme possibilidade de áreas de atuação.
Alguns estudantes desde pequenos apresentam interesse pela área médica, apesar da maioria dos familiares ser contra. E passar em medicina em uma universidade federal não é fácil. O que aconselharia fazer para manter o ânimo e não se deixar abalar com toda essa pressão?
Manter o otimismo e seus objetivos acima de tudo. Apesar de não ser fácil, com dedicação e esforço, sem perder o foco, é possível superar este obstáculo.


NUTRIÇÃO

Nome / idade: Patrícia Rebelo, 30 anos
Formação / ano:
Centro Universitário São Camilo, em 2001
Ocupação atual:
Nutricionista e consultora de assessorias esportivas especializadas em treino outdoor; especialista em regimes para atletas, gestantes, idosos, crianças e adolescentes
Destaques da carreira:
especialização em ciências aplicadas ao esporte | especialização em adolescência para equipe multidisciplinar | especialização em nutrição esportiva
Descreva um dia de sua rotina profissional
Às segundas-feiras, atendo em conjunto com um médico clínico e geriátrico. Minha agenda começa às 8h e termina às 16h. Nem sempre fico o tempo todo em atendimento; geralmente, atendo quatro pacientes e, nos horários livres, faço cardápios, pesquiso a respeito de algum caso especifico ou tiro dúvidas de pacientes de outros médicos que estão na sala de espera. Em geral, esse é um dia bem leve, pois a maioria dos pacientes são idosos e a consulta sempre termina com muito bate-papo. De terça a sexta atendo no meu consultório particular e minha agenda, geralmente, começa às 8h e vai até às 19h. No consultório, a primeira consulta dura 1h15 e os retornos, 40 minutos. Atendo, no máximo, onze pessoas por dia; em dias mais leves, sete pessoas. Geralmente, tenho intervalos de 1h entre consultas, nos quais, duas vezes por semana, tento encaixar algum exercício.
Quando estou sem paciente no consultório, faço trabalho de pesquisa, trabalho on-line respondendo dúvidas de pacientes, escrevo artigos para revistas, monto aulas ou fico estudando para me atualizar – seja usando o computador, lendo livros, artigos, ou conversando com outros profissionais que trabalham comigo. Nos dois lugares que atendo existem outros profissionais da área de saúde e estamos sempre trocando figurinhas sobre trabalho. Existem ainda alguns dias que faço atendimento na casa de pacientes: nesses dias chego a ficar duas horas fora do consultório.
Ao entrar no mercado de trabalho é melhor experimentar varias empresas de inicio ou já estabelecer-se em um único emprego?
Vou usar meu exemplo para tentar esclarecer meu ponto de vista. Saí da faculdade na certeza de que queria trabalhar com nutrição esportiva, mas na dúvida de por onde começar. Então, iniciei pela área de pesquisa para me aprimorar mais, pois não me sentia segura. Fiz uma especialização na Escola Paulista de Medicina sobre crianças e adolescentes, desde a área de alimentação (obesidade, esportes, crescimento) até a área psicológica. O curso ensinava a prática de atendimento, que era meu maior objetivo. Mas como precisava ganhar dinheiro, procurei um emprego no período que tinha livre: achei uma empresa de copos que queria uma nutricionista para ajudá-la nas vendas em restaurantes e cozinhas de grandes empresas. Minha função era fazer visitas, apresentar meu produto e deixar o contato para futuros pedidos com o vendedor. Não era o que eu queria fazer, mas estava me ajudando a conhecer grandes restaurantes e cozinhas de grandes empresas. Depois de quatro meses, procurei emprego em clínicas de estética e academias para começar meus atendimentos. Consegui fazer bons contatos profissionais e aluguei uma sala em um escritório de assessoria esportiva próximo ao parque do Ibirapuera (tinha atingido o meu objetivo: trabalhar com nutrição esportiva). Passei, então, a estabelecer novas metas como fazer cardápio para restaurantes e atender crianças e adolescentes. A nutrição estética e todos os meus empregos anteriores me ajudaram a aumentar meu leque de oportunidades.
Você trabalha no fins de semana? Com que frequencia?
Não tem uma regra no fim de semana. Às vezes, atendo um ou dois pacientes no máximo (somente em casos de urgência); outras vezes, sou convidada a ministrar aulas ou palestras e, na maioria das vezes, uso os fins de semana para participar de eventos esportivos – que, embora não sejam efetivamente trabalho, pois lá me exercito e divirto, incluem minha atuação, pois acabo vendo meus pacientes e ajudando-os sempre que possível nos cuidados com a alimentação.
Você faz seu próprio horário de trabalho?
Faço meus horários, mas não deixo que isso seja motivo para falta de disciplina. Tenho a liberdade de alterar a agenda, mas procuro só fazer isso em caso de necessidade. Na maioria das vezes, eu procuro chegar às 8h e sair às 19h. Mas é claro que, se um paciente falta ou cancela a consulta e eu não consigo colocar ninguém no lugar dele, acabo chegando mais tarde ou saindo mais cedo do trabalho.
É necessário se atualizar de forma permanente em sua profissão?
Sim, pois a faculdade apresenta um pouco de tudo que é possível fazer na profissão. Mas é necessário aprimorar-se no tema de seu interesse, e depois manter-se sempre informado, pois em poucos meses aparecem novas informações que são importante no dia-a-dia da profissão – como produtos para atletas, pesquisas recentes que ajudam ao combate de obesidade etc. A pós-graduação e cursos constantes são importantes. Trabalhar com o público exige estar bem informado sobre o que acontece ao redor para poder conversar com ele de igual para igual. O conhecimento de línguas também é muito importante, pois além de necessário em pesquisas, abre mais caminho para trabalho: o inglês e o espanhol são as principais. Já passei por situações em que um paciente ia fazer uma maratona no exterior e precisava de algumas orientações para o jantar. Liguei para o hotel em Buenos Aires e solicitei o cardápio ideal para meu paciente, em espanhol.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
Meu trabalho depende de mim. Tenho uma assistente que me ajuda em pesquisas, correções de textos, organiza minha agenda, cuida dos pagamentos e faz contatos com pacientes. Fico uma parte do tempo sozinha, durante minhas pesquisas e acertando as prescrições dos cardápio dos meus pacientes. Mas sempre estou atendendo alguém – no mínimo sete e, no máximo, 12 pessoas por dia.
Assim que se forma quais são os caminhos que o recém-formado deve seguir na profissão?
É possível seguir em varias áreas, pois a nutrição tem um leque muito grande de possibilidades. Você pode trabalhar em hospitais, empresas, restaurantes, academias, hotéis, spas, além da área de pesquisa, entre outros. O profissional pode ser administrador, pesquisador, cientista, cozinheiro, professor e trabalhar com atletas e crianças. Ou seja, tudo o que envolve a alimentação.
O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
Muitas vezes estou fazendo meu trabalho e sei que estou no caminho certo, mas vejo que alguma coisa não dá certo. Não me decepciono, acho uma solução alternativa e contorno a situação. Ainda não tive frustrações, pois sei que parte do meu trabalho depende da outra pessoa, e não somente de mim.
Para qual estilo de pessoa você indicaria essa profissão?
Uma pessoa que goste da área de saúde, se preocupe com o próximo, trabalhe bem sozinho e em equipe e goste de alimentação ou tudo que se refere a ela.
Qual a habilidade mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Gostar do que faz.
Na sua opinião qual o perfil ideal para um profissional desta área?
Ter carisma para cativar o público (que é seu cliente/paciente), gostar de estudar sempre, preocupar-se com a saúde e ser flexível.
Qual o maior desafio para o exercício de sua profissão?
Saber entender as necessidade do público para o qual está trabalhando. O profissional pode ter toda a teoria, mas não adianta nada se não souber como aplicá-la.
É possível trabalhar como autônoma ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Os dois jeitos são possíveis. No meu caso, sou 100% autônoma, mas é comum grandes empresas terem em sua lista de pagamento profissionais de nutrição. E mesmo uma nutricionista que estiver contratada em uma empresa pode fazer trabalhos extras.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Depende do objetivo de cada um. O custo inicial para atender é baixo, basta uma sala, computador, poucos móveis e balança. Tudo facilmente pago com poucos clientes. Mesmo assim, o profissional acaba ganhando muito pouco no início, mas o lucro vem rápido. Basta saber reinvesti-lo bem em novos conhecimentos e em projetos empreendedores.
Como é o mercado de trabalho, é difícil conseguir emprego na área?
Atualmente, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, mas a área de alimentos e nutrição está crescendo muito. Há muitos empregos – e muitos candidatos para as vagas. Portanto, não acho difícil conseguir emprego, desde que o candidato saiba o que quer, tenha as qualidades necessárias e corra atrás de seu objetivo.
O que mais agradou/surpreendeu de forma positiva?
Surpreendo-me com coisas que podem mudar a vida do paciente e sua auto-estima. É o caso de pacientes desiludidos, com hábitos e saúde muito ruins, que de repente dão a volta por cima e se tornam pessoas saudáveis, com rotinas saudáveis e praticantes de atividade física. Esses exemplos de vida e determinação me levam a ter muita satisfação por fazer parte desse resultado.


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Nome / idade: Tony de Cala, 38 anos
Formação / ano: Universidade Paulista (Unip), em 1995
Ocupação atual: Proprietário e diretor-executivo da empresa dC Marketing Esportivo
Destaques da carreira: especialização em gestão do esporte pela Faculdade Trevisan | atuou como diretor de marketing da agência Namosca, gerenciando contas como a da Adidas
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
Em agência, você interage bastante com pessoas, em diversas reuniões. É claro que você também realiza atividades sozinho e, dependendo do seu cargo, com o auxílio de outras pessoas.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
No meu caso, trabalho em quase todos os fins de semana. Atuo com marketing esportivo e, normalmente, os jogos acontecem aos fins de semana. Com o tempo, você acaba se acostumando.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Sim, sem o menor problema. Porém, isso é bem difícil aqui no Brasil. O home office ainda é um grande tabu por aqui. Muitas vezes, penso: "Por que estou aqui? Poderia tranquilamente fazer isso do meu laptop, num café qualquer ou em casa". Mas isso ainda é uma grande utopia. No futuro, será uma tendência, até para atender às necessidades do mercado.
Assim que se forma, quais são os caminhos que o recém-formado pode seguir na profissão?
O caminho mais indicado é um estágio antes de você se formar, mesmo que não seja numa grande agência. Pode ser num veículo, numa produtora, numa empresa, agência de pequeno porte. Esse estágio vai lhe dar bagagem para que, após a sua formatura, você ingresse no mercado com uma boa experiência. No caso de carreira acadêmica, o que mais conta é o network, sua rede de relacionamentos: estar em contato com pessoas da área, passando as suas experiências e sempre trocando informações. No mundo da propaganda e marketing, network é essencial.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
Ao ingressar no mercado de trabalho, é importante estar aberto a aprender de tudo um pouco. Uma agência tem diversos departamentos: criação, eventos, mídia, produção, operações, planejamento – enfim, é muito difícil você se estabelecer em um único emprego ou departamento até pela pouca experiência. Com o tempo, você vai perceber onde melhor se encaixa.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Neste mercado, é preciso se atualizar SEMPRE. Pós-graduação é muito importante, especialização, cursos de pequena duração – os chamados cursos de férias – enfim, tudo o que estiver ao seu alcance. Quanto a curso de línguas, isso é extremamente importante e o mercado hoje valoriza quem sabe outra língua além do inglês.
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Sem trocadilhos, o que mais me decepcionou é a chamada "propaganda enganosa": na entrevista de emprego para a agência, eu achei que era uma coisa; no dia-a-dia de trabalho, vi que não era nada daquilo. Mas valeu como aprendizado.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
O que mais me agradou é que o Brasil mudou muito e, cada vez mais, o mercado publicitário cresce e se profissionaliza. Estamos na véspera do maior evento esportivo do mundo – a Copa do Mundo de 2014 – e isso vai abrir muito o nosso mercado. Nos próximos cinco anos, o mercado publicitário e de eventos vai sofrer uma grande revolução. É importante estarmos preparados para esse novo desafio.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Tudo tem o seus prós e contras. Trabalhar como empregado tem as suas vantagens, como estabilidade e vínculo empregatício, por exemplo, mas obviamente tem seus problemas. Empreendedorismo é fundamental para que você consiga trabalhar como autônomo ou até mesmo abrir o seu próprio negócio, como foi o meu caso.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O perfil ideal de um profissional nessa área é uma pessoa extremamente antenada, versátil, aberta a aceitar novos desafios, organizada, atualizada com assuntos gerais – e a internet é um grande canal para estar por dentro de tudo o que acontece no nosso mercado.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Crescer no mercado sem deixar de lado a satisfação do cliente. Atender a muitos clientes sem a estrutura devida é um erro estratégico muito grande. O grande desafio é dosar a equação de crescimento versus satisfação do cliente.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Na verdade, eu coloco dois pontos fundamentais: administração do tempo, esse é o grande paradigma do nosso mercado. Perde-se muito tempo com reuniões intermináveis, processos internos burocráticos e, muitas vezes, o cliente – que é o principal – fica em segundo plano. O outro ponto é estar sempre atualizado.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Não existe um tempo certo, mas eu diria que cinco anos aproximadamente é o tempo ideal para que você consiga atingir a tão sonhada estabilidade.
Como você descobriu que queria fazer publicidade?
Na verdade, o que contribuiu para a minha decisão foi oportunidade de mercado. Tudo passou pela escolha da carreira e a análise do mercado de trabalho. Nessas horas, temos que ser racionais. Não é uma decisão fácil, mas tenho a felicidade de trabalhar com aquilo de que gosto.
O que se deve fazer para destacar-se na área?
Alguns fatores como um bom curso de publicidade, estágio durante a faculdade, uma pós-graduação ou intercâmbio ajudam muito. Mas além disso tudo, o que o mercado mais necessita é de especialização. Acabou o tempo em que o bom profissional era aquele que sabia de tudo. É necessário se especializar em alguma área do marketing e da publicidade para ter destaque no mercado.
Como está o mercado de trabalho para publicidade? Fale um pouco mais do dia-a-dia de um profissional em uma agência de publicidade.
Publicidade é um dos mercados que mais cresce no Brasil. As grandes holdings da publicidade internacional estão presentes no nosso país. Uma área de grande destaque nos últimos anos é a de branding, ou seja, a atividade de tornar a marca ativa em seu mercado, levá-la ao contato direto com o consumidor, através eventos, experimentação e outras atividades. O dia-a-dia de uma agência de publicidade passa pelo constante desafio de satisfazer o nosso principal ativo: o cliente. Todas as áreas da agência têm que funcionar para que o trabalho seja entregue de forma clara e direta, atendendo às necessidades do cliente. Qualquer vacilo pode significar a perda da conta – e concorrência não falta nesse mercado.


RELAÇÕES PÚBLICAS

Nome / idade: Angelina Gonçalves de Faria Pereira, 46 anos
Formação / ano: Instituto Cultural Newton Paiva Ferreira, em 1986
Ocupação atual: Assessora de comunicação social da Superintendência de Museus da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e presidente do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas
Destaques da carreira: pós-graduação em políticas públicas e gestão governamental pela Fundação João Pinheiro (MG) | professora da Faculdade Anhanguera | atuou como assessora de relações públicas da Fundação Clóvis Salgado - Palácio das Artes
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
A interação do profissional de relações públicas com outras pessoas é muito grande, pois ele é o responsável por intermediar a comunicação da instituição com seus diversos públicos, sejam eles internos (funcionários e seus familiares) ou externos (comunidade, imprensa, governo, fornecedores, consumidores). É por meio desta interação que este profissional terá condições de detectar algum problema na organização e desenvolver estratégias e ações de comunicação direcionadas para aquele público específico. Para que o profissional de relações públicas desempenhe seu papel com eficiência, é fundamental que ele tenha bom relacionamento também com os gestores e, principalmente, com o departamento de recursos humanos, pois muitas ações que serão desenvolvidas na empresa precisarão do envolvimento destas áreas e também de todos os funcionários da instituição, afinal de contas, ninguém trabalha sozinho.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
A melhor fase para experimentar e adquirir experiência é quando ainda somos estudantes. Neste caso, esta experiência pode ser adquirida por meio dos estágios, que podem ser desenvolvidos em uma agência de comunicação, em um departamento de relações públicas de uma empresa pública ou privada, e até desenvolvendo trabalhos voluntários, pois o mais importante para você neste momento é criar a sua própria rede de relacionamentos. As oportunidades aparecem onde menos esperamos. Para entrar no mercado de trabalho não basta ter o diploma de comunicação social com habilitação em relações públicas, pois esta é uma profissão regulamentada. Neste caso, além de ter a graduação, o aluno deve solicitar o seu registro junto a um conselho regional. Quando se torna um profissional devidamente registrado e entra no mercado de trabalho, sugiro que ele se estabeleça primeiro em uma organização e tente aprimorar ao máximo o conhecimento adquirido na academia. Depois de um determinado tempo nessa organização, se ele começar a sentir que poderia desenvolver muito mais ou não está satisfeito financeira e profissionalmente, aí, sim, deve procurar outra empresa que atenda às suas necessidades e expectativas. Para se firmar num mercado tão competitivo é necessário que o relações públicas construa a sua própria imagem profissional, que só é possível com muito trabalho e atualização constante.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
O profissional de relações públicas terá flexibilidade em seu horário de trabalho quando desenvolver atividade como autônomo, como acontece com os consultores e assessores de relações públicas. Caso o profissional trabalhe em uma empresa pública ou privada, certamente ele terá que obedecer ao horário de trabalho destas instituições.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
Sim, trabalho também nos fins de semana, mas de forma esporádica. Esta demanda só ocorre quando acontecem eventos ou atividades realizadas pela empresa nos sábados e domingos.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Atualização é necessária em qualquer profissão. O Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas acaba de divulgar pesquisa que mostra que 44% dos profissionais de relações públicas registrados no país possuem alguma especialização e 17% estão com a especialização em curso. O conhecimento de uma língua estrangeira não é apenas necessário e, sim, obrigatório em nossa profissão.
O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
A cada dia que passa, tenho certeza absoluta de que escolhi a profissão certa. Mas não é só na minha profissão, acredito que todos os profissionais sentem que suas profissões deveriam ser mais valorizadas pela sociedade.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A possibilidade exercer várias atividades, a questão estratégica, os relacionamentos que se criam no exercício da profissão e o status do cargo, sempre muito perto e participativo junto ao centro de tomada de decisões da instituição.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
No Brasil e na America Latina a profissão de relações públicas tem como principal característica a "departamentalização", ou seja, a atuação em departamentos e setores de comunicação e relações públicas de uma empresa pública ou privada. Na Europa e nos Estados Unidos, o profissional de relações públicas é autônomo, prestando serviços de consultoria para empresas públicas ou privadas; ou é dono de agências de comunicação e relações públicas. No Brasil, a cada dia cresce este tipo de atuação profissional e hoje já é possível encontrarmos vários profissionais autônomos atuando como consultores ou assessores.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O profissional de relações públicas deve ser dinâmico, pró-ativo e vanguardista. Deve ter a capacidade de ler e prever cenários. Ser ético e correto, sempre atento às questões socioculturais e econômicas de nossa sociedade.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
O maior desafio para o exercício da profissão é mensurar os resultados dos investimentos feitos pela empresa, pois o trabalho do profissional de relações públicas é intangível. É preciso que ele fique atento e demonstre sempre que necessário, seja por meio de relatório ou de dados estatísticos, o retorno deste investimento.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
É preciso que o profissional tenha, acima de tudo, um bom relacionamento interpessoal e capacidade gerencial, pois ele é responsável pela interlocução com todos os públicos da organização.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Como em qualquer profissão, a estabilidade vem com o tempo e está associada ao desempenho de seu trabalho enquanto profissional e de sua postura ética. Para mim, a "estabilidade" está intimamente ligada à construção do nome da pessoa no exercício de sua profissão.
Quais são os exemplos de empresa que um relações públicas pode trabalhar?
Qualquer empresa que perceba que deve trabalhar o relacionamento com seu público, ou seja: todas. Empresas privadas de pequeno, médio e grande porte, passando por instituições públicas, ONGs etc. O mercado para o profissional de relações públicas tem crescido muito nas micro e pequenas empresas. Vale ressaltar que no Brasil 98% das empresas são micro ou pequenas.
Algumas pessoas dizem que o curso de relações públicas está muito desvalorizado no mercado de trabalho e que só têm vagas em grandes empresas. Isso é verdade?
Não é verdade. O mercado esta em amplo crescimento para a atuação profissional de relações públicas. As empresas estão percebendo que a manutenção de sua imagem no mercado está vinculada ao relacionamento que elas estabelecem com seus públicos (funcionários, fornecedores, comunidade, imprensa, mundo oficial, dentre outros). E esse relacionamento deve ser feito de forma profissional. Uma oportunidade para o profissional. O mercado está aberto para todos aqueles profissionais que estejam dispostos a trabalhar e mostrar a sua competência.
Quais são as áreas em que se pode trabalhar?
O profissional de relações públicas pode atuar em empresas de grande porte, instituições públicas, micro e pequenas empresas, ONGs, desenvolvendo ações de comunicação interna e externa, no terceiro setor em ações de relacionamento com comunidades e responsabilidade social. Cerimonial e organização de eventos, assessoria de imprensa, relacionamentos on-line e em muitas outras áreas.
Como é o dia-a-dia de um profissional de relações públicas?
É duro, mas é muito é recompensador. O profissional de relações públicas deve iniciar seu dia informado sobre o mercado de atuação da empresa em que trabalha. A jornada pode ser muito calma ou muito agitada, dependendo do projeto ou ação em que ele esteja envolvido. Muita conversa de trabalho com sua equipe, profissionais da empresa, muitas ideias e poucos recursos, alguns sustos e muitas surpresas, mas no final do dia é sensação do trabalho cumprido é muito gratificante.


TURISMO

Nome / idade: Vanessa Rolim, 35 anos
Formação / ano: Faculdade Luís Antonio Machado, em 1995
Ocupação atual: Gerente de reservas da Marriott Brasil em São Paulo
Destaques da carreira: atuou em hotéis como Renaissance, Gran Meliá (atual Sheraton WTC) e rede Estanplaza (SP) | especialista em turismo em resorts, telemarketing reativo e excelência em atendimento pela Signature do Brasil
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
Trabalho em uma central de reservas regional, com uma equipe de 18 pessoas. Esse grupo atua em conjunto com vários outros departamentos da empresa, como a área de vendas, controladoria e recepção. Minha função é estabelecer a estratégia de trabalho para a equipe, em conjunto com as áreas relacionadas, para que as vendas estejam alinhadas aos objetivos dos hotéis para cada período específico. Para isso, fazemos reuniões constantes, observando tendências de mercado, feedback de clientes, resultados, históricos anteriores e, assim, tomamos decisões e orientamos a equipe.
O mercado diferencia um graduado de um técnico em turismo? Essa diferenciação é positiva ou não?
É claro que o preparo acadêmico é importantíssimo, e pode, sim, fazer a diferença na hora da seleção de um currículo para entrevista. Porém, ter um diploma não define o profissional na prática. O que realmente faz diferença é o perfil da pessoa, sua disposição e sua experiência: de nada vale ter uma pós graduação e MBA se não souber sorrir e atender bem.
Sobre sua outra questão: o turismo só significa viajar quando se escolhe trabalhar como guia de turismo, por exemplo. Na verdade, é quase o oposto: é trabalhar para se criar uma estrutura que permita ao viajante se sentir acolhido e amparado – e isso quase sempre é desenvolvido na sua cidade mesmo. Dessa forma, é possível, sim, trabalhar numa área administrativa e não ter contato direto com o viajante, por exemplo.
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Meu horário de trabalho é razoavelmente fixo, podendo variar de acordo com a demanda de ligações ou alguma necessidade específica. Geralmente, trabalho em horário comercial.
Assim que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
Em hotelaria, há uma grande variedade de opções, dependendo da área escolhida. Todas elas oferecem a possibilidade de desenvolver uma carreira acadêmica em paralelo a partir de um certo nível de experiência, e algumas oferecem a possibilidade de mudança de área de atuação.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
O setor hoteleiro é bastante versátil e dinâmico, e as pessoas costumam trabalhar em várias redes diferentes. Nada impede, porém, que você se identifique logo com o primeiro hotel e se estabeleça de vez ali. Entretanto, o mais comum é a grande movimentação de pessoal entre os hotéis.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Com a globalização, é fundamental manter-se atualizado com a tecnologia e a informação, e as especializações só têm a agregar. No setor hoteleiro, por se tratar de um ambiente ainda mais global, quanto mais idiomas o profissional dominar, melhor. O inglês é imprescindível, e outras línguas são um grande diferencial.
O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
Foi um pouco difícil me adaptar ao ritmo e coordenar minha vida a partir do momento em que passei a trabalhar aos sábados e domingos, o que é bastante comum na hotelaria. Eu folgava durante a semana, quando todos trabalhavam, e eles viajavam nos feriados, enquanto eu estava trabalhando no balcão da recepção. A adaptação exige bastante força de vontade e dedicação.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
O retorno imediato que temos do nosso trabalho. Comecei na recepção: cara a cara com o hóspede, sabemos na mesma hora se fizemos um bom trabalho ou não. Aprendi a me auto-motivar desta forma, por meio deste retorno imediato. Não há nada melhor do que um hóspede agradecer sorrindo, com sinceridade. Faz a gente ter orgulho de todo o trabalho que tivemos para atendê-lo.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
A menos que você abra seu próprio hotel ou pousada, a tendência é de seguir cada vez para hotéis maiores, ou para escritórios corporativos, em posições mais estratégicas. A hotelaria é uma área que permite bastante flexibilidade de movimentação entre os departamentos e desenvolvimento da carreira.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
Antes de mais nada, é preciso ter o que a rede Marriott chama de "espírito de servir": ter "alma de hoteleiro". É preciso ter paixão pela profissão, ser dinâmico e bem-humorado, tem que estar disposto a ir além e surpreender os hóspedes e ter a genuína intenção de fazer com que eles se sintam em casa. É preciso muito esforço e dedicação, fazendo escolhas difíceis em prol da carreira.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
O maior desafio é equilibrar a vida pessoal e a profissional. É complicado tentar combinar as férias escolares dos filhos, o cinema com o marido e as reuniões de última hora em pleno fim de semana. É complicado, mas não impossível.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Comunicação e empatia com clientes, além de muito jogo de cintura e improvisação. Conseguir um jato particular e ingressos para levar um sheik até Nova York para assistir ao musical Cats no fim de semana, só porque ele estava com tempo livre e morrendo de vontade de ver a peça, é um exemplo disso.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Esse tempo é bastante relativo, dependendo da área e da sua disposição. No meu caso, conquistei o primeiro cargo de gerência com 25 anos, mas já vi tanto pessoas o fazerem mais cedo como o contrário.
Como está o mercado de trabalho hoje, e as previsões para daqui a quatro anos.
Acredito que a economia está começando a se estabilizar novamente, e investimentos voltaram a ser feitos em novos hotéis em todo o país – o que é excelente para o mercado de trabalho. Estou torcendo para que o ritmo de crescimento deste mercado se recupere o mais rápido possível.
Com o que o turismólogo trabalha? Qual é sua rotina?
O turismólogo tem uma infinidade de áreas de atuação para escolher: administração, hotelaria, agências de viagem, restaurantes etc. Pode-se trabalhar na Embratur, por exemplo, ou na contabilidade, em um bar, como guia de turismo. Enfim, há uma ampla gama de opções de trabalho na área. A rotina está diretamente ligada à área escolhida e pode variar: desde efetuar planilhas de controle, como acompanhar grupos em excursões ou gerenciar um restaurante.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Como uma boa hoteleira, sim. Às vezes, é preciso trabalhar no fim de semana, principalmente porque a central está aberta aos sábados e, normalmente, este é o dia ideal para resolvermos assuntos internos – como reuniões de departamento, por exemplo.
Há mais ou menos dois anos, pessoas diziam que esta profissão teria grande fôlego porque as pessoas estariam cada vez mais estressadas e poderiam priorizar o turismo para descansar, viajar etc. Isto ainda é válido na sua opinião?
Na minha opinião, as pessoas são bem criteriosas para viajar a lazer. Porém, eu posso falar melhor de outro turismo que se desenvolve cada vez mais: o de negócios. As pessoas precisam viajar para buscar mais oportunidades e opções de mercado, para fechar novos contratos e ampliar sua área de atuação – e esta é a grande base dos hotéis metropolitanos. Nos grandes pólos turísticos é diferente, as atenções estão voltadas para grupos de incentivo das empresas.
 
Fonte: Revista Veja