ENGENHARIA
CIVIL
Nome / idade: Amir Beber Gualda, 38 anos
Formação / ano: Pontifícia Universidade
Católica de Campinas (PUC-Camp), em 1995
Ocupação atual: Gerente de projetos da
construtora Camargo Corrêa
Destaques da carreira: atuou na construtora Mendes Júnior |
Descreva um dia da sua rotina profissional
Um engenheiro civil trabalha, em média, de 10 a 12 horas por dia
(pelo menos os que são voltados a grandes obras, grandes projetos).
Geralmente, o profissional recém-formado inicia sua carreira na área
da produção, na qual aprenderá na prática "o
jeito" de se fazer uma obra, seja ela uma estrada, uma hidrelétrica
ou uma simples edificação, como uma casa, por exemplo. A vivência
na produção é, sem dúvida, o passaporte para
este profissional galgar os maiores patamares em sua carreia – é
a partir dela também que ele terá a base para se dirigir às
áreas com as quais mais se identifica, como gerencias de produção,
comerciais/contratos, planejamento, entre outros. O dia-a-dia deste profissional
nunca é o mesmo – os problemas acontecem, como em toda obra,
e o profissional deverá "engenhar" dentro das normas e,
principalmente, com muito bom senso, as mais rápidas, seguras e baratas
soluções para o perfeito andamento deste projeto. No princípio,
sua atuação é muito maior na área externa (nas
obras) e, adquirindo experiência (geralmente depois de 5 a 8 anos
), ele passa a ter funções de coordenação ou
gerência, passando a atuar em escritórios. A coordenação
de produção e custos (metas estipuladas), controle de equipamentos,
mão-de-obra direta (histogramas), manutenção e controle
da qualidade nos serviços são as principais tarefas de um
engenheiro quando no início da carreira. E, é evidente, o
computador sempre auxiliará no desenvolvimento e acompanhamento destes
trabalhos. |
Assim que se forma, quais são
os caminhos que o recém-formado pode seguir na profissão?
Acredito que o melhor para o profissional recém-formado seja a vivência
na área de produção. Dessa forma, ele poderá
conhecer a fundo a essência de um profissional da engenharia civil,
a forma de se construir, a logística que se emprega em cada campo
ou área de trabalho, como o planejamento, produção,
controle (riscos de engenharia). Após esse período (de 5 a
7 anos), ele terá o embasamento necessário para escolher o
melhor caminho a seguir, podendo se voltar à própria área
de produção, qualidade, planejamento, gerenciamento de projetos
(neste caso, aconselha-se MBA em gestão de projetos), ou seja, diversas
áreas nas quais este profissional poderá atuar – dependendo
apenas da área que ele mais gosta, em que deve desempenhar sua melhor
performance. |
Em que medida você interage com outras pessoas durante
o seu trabalho?
Um engenheiro deve interagir o dia inteiro com pessoas de diferentes tipos.
Trabalhamos com os "doutores" de área (diretores e superintendentes)
e também, como na grande maioria das vezes, com os operários. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Não, ou melhor, isto é muito difícil de acontecer.
Geralmente, o dia do engenheiro inicia-se às 7h e prolonga-se até
às 17h, 18h ou 19h. Isso varia com o prazo do contrato. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Sim, na grande maioria das vezes, os contratos firmados com clientes sinalizam
que os trabalhos serão realizados nos fins de semana, principalmente
aos sábados. Em casos em que, por situações adversas,
o prazo contratual é posto em dúvida pelo cliente e/ou pela
própria contratada, podendo gerar atraso na entrega deste projeto,
daí então torna-se necessário a realização
de trabalho aos sábados, domingos e até feriados. |
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
A falta de investimento, principalmente em obras de infra-estrutura, em
nosso país. Temos hoje milhares de quilômetros de rodovias
a serem feitas e/ou recuperadas, escassez de usinas geradoras de energia
(hidrelétricas, termoelétricas), deficiência em hospitais,
escolas. Enfim, o país precisa gerar mais investimentos no setor,
buscando considerável acréscimo no número de empregos
registrados e com expressiva melhora na vida do cidadão. |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
É extremamente necessário estar "up to date" com
novos métodos e formatos, que aparecem constantemente. Isso pode
ser feito por meio de qualificações profissionais, ou com
novos equipamentos e softwares. Por isso, é sempre bom estar "ligado".
Quanto a cursos de línguas, por exemplo, o inglês não
é nem questionado por muitos profissionais de RH, pois eles já
pressupõem que o profissional domina completamente o inglês.
Aconselha-se também, principalmente aos projetos voltados ao Mercosul,
que o espanhol seja também outra língua fluente. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar
várias empresas de início ou já se estabelecer em um
único emprego?
Acredito que, a princípio, o melhor seja se firmar em uma única
empresa. Existem pontos positivo e negativos. Na mesma empresa, com o passar
dos tempos e demonstrando bom trabalho, a tendência é a ascensão
profissional. Por outro lado, a linha de pensamento e de trabalho que esta
empresa exerce terá sempre o mesmo formato e, mudando de empresa,
você irá encontrar novas maneiras, jeitos e até linguagens
diferentes de trabalho. É interessante também viver este lado,
é um novo desafio. |
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A engenharia, por si só, já encanta. A realização
pessoal, a consciência de saber sua contribuição para
um projeto, não tem preço. Pude fazer parte de projetos importantes,
como o prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes e o Rodoanel (SP): sempre
que passo por lá, paro e fico lembrando dos bons (e complicados)
momentos que passei. E o meu orgulho é poder mostrar para os meus
filhos a obra que ajudei a construir. |
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
Na engenharia, o profissional deve ter a capacidade de saber "engenhar"
– este , como já dito , será o diferencial no mercado
para este profissional. É evidente que, por melhor que este profissional
seja, a humildade e o bom-senso deverão ser sempre adjetivos utilizados
durante o seu trabalho. |
Como você decidiu embarcar nessa área?
No meu caso, foi motivo familiar. Meu pai é engenheiro. Tenho tios
e primos engenheiros. Assim, decidi seguir a carreira. |
O curso exige muitos cálculos. Então qual é
a maior dificuldade para um engenheiro civil?
Depende muito. Na faculdade, as disciplinas de cálculo, mecânica
dos fluidos e resistência dos materiais foram pra mim as mais terríveis.
Na vida profissional, foi escolher a modalidade que mais me dá prazer:
a vconstrução de rodovias. |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
Indiferente. No nosso mercado, todas as modalidades são aceitas. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Isso depende muito, mas acredita-se que com 5 anos vivenciando uma área
específica, este profissional obtenha estabilidade. |
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um
profissional dessa área?
O profissional deve estar inteiramente comprometido com o seu papel e
suas funções. E me lembro de um ensinamento de um antigo
chefe (e grande empresário da construção): na engenharia,
você deve ter 10% de matemática – os outros 90% serão
de bom-senso.
|
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10
anos?
Vejo como promissor. O país vive uma época de crescimento,
e, para daqui a 5 anos, teremos a realização da Copa do Mundo
do Brasil. Esse evento fatalmente gerará investimentos diretos na
construção de nosso país. |
DESIGN
DE GAMES
Nome / idade: Thiago Guarino Appella, 23 anos
Formação / ano: Universidade Anhembi Morumbi, em
2006
Ocupação atual: Gerente de produtos da Electronic Arts (EA),
produtora e distribuidora de jogos de computador
Destaques da carreira: especialização em gerenciamento
de projetos |
Descreva um dia da sua rotina profissional
Por conta de oportunidades no mercado de trabalho brasileiro, hoje atuo
como gerente de produtos, no departamento de marketing da Electronic Arts.
É sempre bom dizer que, por conta da pirataria, há muitas
limitações em ações e campanhas para os lançamentos,
já que a verba é definida de acordo com o volume de vendas
projetado. Meu trabalho é baseado em um escritório, mas não
se restringe somente a este local. Além de muitos encontros sobre
parcerias, visitas a clientes-chave e ações de relações
públicas, quem trabalha com marketing deve sempre estar em alerta
para toda e qualquer oportunidade que aparecer. Ou seja, mesmo aos finais
de semana, quando estou passeando e, teoricamente, não deveria pensar
em trabalho, acabo sempre avaliando as possibilidades de atividades que
se encaixam com a estratégia para os produtos que gerencio. Sendo
o "embaixador" de um produto/franquia dentro da empresa, preciso
estar disponível no período comercial para todo e qualquer
suporte para outros setores - que sempre precisam de detalhes sobre os produtos
e do plano de marketing destes. Mesmo utilizando o computador em quase 100%
do tempo, ainda há espaço para muitas apresentações,
nas quais é preciso uma habilidade extra para transmitir sua comunicação
da melhor forma possível. E, sem dúvida, o que consome mais
tempo é o e-mail – a melhor e mais barata forma de comunicação
em uma empresa global. |
É necessário se atualizar
de forma permanente na sua profissão?
Sem dúvida alguma deve-se estar sempre atualizado sobre o mundo dos
games. Esta indústria, apesar de estar muito baseada em criatividade
e comunicação, tem como fundação a tecnologia.
Portanto, nesta área é preciso estar atualizado não
só nos games que revolucionam no roteiro, na direção
de arte ou na tecnologia, mas é muito importante também saber
como está o modelo de negócio, ações virais
e correlatos do mundo corporativo. Há um erro gravíssimo na
concepção dos cursos de games hoje, sem exceção:
games não é uma formação ou disciplina, na verdade
é um conglomerado de disciplinas. Em outras palavras, os cursos oferecem
uma formação em games com diversas matérias, desde
matemática até animação 3D, passando por marketing
e inteligência artificial, que no final de quatro anos formam um profissional
genérico. Mas o mercado não é composto dessa forma
e muito menos sua formação acadêmica. O correto seria
estudar a fundo o que você quer fazer dentro da indústria de
games e escolher seu curso universitário: fazer ciências da
computação, caso você queira programar, fazer design,
caso você queira ser artista/designer e assim por diante. Portanto,
para quem se forma nos cursos de games disponíveis atualmente, faz-se
extremamente necessário uma pós-graduação para
especialização em sua área e evitar que o profissional
seja mais um genérico no mercado. Não tente fazer tudo. Escolha
uma área e seja o melhor nela. E, claro: inglês é fundamental.
Qualquer kit de desenvolvimento, manual de software, literatura da área
e possíveis investidores exigirão inglês. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Não trabalho aos fins de semana. Tento deixar tudo em dia durante
a semana. Entretanto, como ofereço um alto comprometimento com
a empresa, quando é extremamente necessário ter que trabalhar
nos fins de semana para cumprir uma data, trabalho sem nenhum problema. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Não posso fazer meu próprio horário de trabalho, pois
há outros departamentos e outras empresas que dependem de informações
que eu devo fornecer; e como eles trabalham somente em horário comercial,
é este o horário que devo estar disponível. |
Assim que se forma, quais são os caminhos que o recém-formado
pode seguir na profissão?
Existem diversos caminhos depois que você pode seguir quando se forma,
mas isso não é exclusivo para games. Assim como em qualquer
área, você pode seguir a área acadêmica e de pesquisa
(que considero a mesma) ou ir para o mercado de trabalho, tanto em uma empresa
de terceiros como abrindo a sua própria. Como o mercado de games
no Brasil ainda é muito pequeno, a alternativa mais vista é
a abertura do próprio negócio. Lembrando que isso não
é conselho algum, somente um retrato do que acontece no mercado. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar
várias empresas de início ou já se estabelecer em um
único emprego?
Nenhuma empresa e nenhum emprego é igual ao outro. Por experiência
própria, aprendi muito passando por várias empresas e a experiência
adquirida em empregos anteriores e diversificados compõe minha caixa
de ferramentas de conhecimento e habilidades. Mudar de emprego é
bom, mas chega um momento em que as opções se esgotam, já
que temos poucas empresas de games no Brasil, com forte concentração
em São Paulo. Há até mesmo carência de algumas
carreiras dentro da área de games no Brasil, nas quais a única
alternativa é trabalhar no exterior. |
Em que medida você interage com outras pessoas durante o
seu trabalho?
O tempo todo é preciso estar em contato com outras pessoas e outros
setores, principalmente quando a data de lançamento do jogo está
chegando e é preciso ter respostas e informações rápidas
para que você prossiga com seu trabalho. Cada departamento tem seu
planejamento e é preciso trabalhar o seu produto de acordo com as
limitações que outros setores terão, principalmente
para não acontecer retrabalho e atrasar um lançamento. |
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Me decepciona o amadorismo que ainda temos no Brasil e a falta de apoio
do governo com nossa categoria, que poderia dar um grande boom em terras
tupiniquins. Assim como divulgado por toda mídia, nossa categoria
fatura mais que Hollywood, nos EUA, já faz um tempo. |
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
Ultimamente tem me surpreendido como este mundinho, antes considerado nerd,
está se massificando. Muito pelo leque de produtos oferecidos, mas
também por conta da geração que já nasce conectada
e high tech. Quem não conhece o Nintendo Wii ou mesmo nunca perdeu
umas horas em um jogo de internet. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
A tentação em mudar de área. Definitivamente, games
não é uma área onde se ganha muito bem no Brasil. Mas
trabalhar com algo que você ama, não tem preço. Ainda
mais depois que você se envolve com os bastidores - você não
quer largar nunca. |
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
Sem entrar nos quesitos técnicos, o profissional na área de
games – principalmente no Brasil – precisa ter em mente que
ele deve fazer mais que o combinado. Essa é a principal característica
que vejo nas pessoas ao meu lado. Além disso, o pensamento coletivo
é muito bem vindo, visto o cenário brasileiro e o quanto podemos
contribuir para o nosso próprio crescimento. Esta é uma idéia
que venho praticando com o IGDA (uma associação internacional
de desenvolvedores de games, na qual represento o capítulo Paulista). |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
Como a indústria brasileira de games é muito pequena, a tendência
é que as pessoas comecem a abrir o próprio negócio.
Isso já está acontecendo aos poucos, e tende a aumentar, já
que a cada ano muitos profissionais entram no mercado oriundos dos diversos
cursos de games, mas as empresas não podem absorvê-los. |
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
Isto é muito pessoal e cada um deve se conhecer primeiramente. Como
em qualquer área, o profissional tem qualidades e fraquezas. No meu
caso, como tenho muitos títulos sob meu gerenciamento, a organização
e atenção aos detalhes são habilidades que estão
em meu radar em todo período de trabalho. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Infelizmente nossa carreira não é uma ciência exata,
ou seja, depende muito de nosso empenho e das oportunidades de mercado.
Comecei a trabalhar com games em 2003, quando iniciei a faculdade, e creio
que somente hoje tenho certa estabilidade. Entretanto, o período
que nos deixa mais inseguro é logo após nos formarmos. Correr
atrás do primeiro emprego sob CLT e assumir mais responsabilidades
são os primeiros passos para esta estabilidade. |
Quais tipos de cursos livres eu poderia fazer para conseguir
trabalhar nesta profissão?
Complementando o que disse anteriormente, games não é uma
disciplina por si só. Você pode fazer vários tipos
de cursos livres, mas antes de tudo você precisa decidir o que quer
fazer. Um exemplo da área de design: você pode fazer alguns
treinamentos em animação e 3D, desde estudos sobre anatomia
humana, como silhuetas (posições-chave), e timing. Esse
processo de escolha da sua área de atuação é
difícil, já que o mundo de desenvolvimento de games não
é muito difundido e você acaba optando por fazer uma faculdade
de games somente para descobrir sua vocação.
|
Uma pessoa que não tem dom para fazer desenho pode fazer
o curso de design de games?
Com certeza. O nome design foi erroneamente traduzido e reconhecido como
"desenho", o que não é verdade. Melhor seria falar
em "planejamento", "projeto". O designer de games é
o responsável pela diversão, mecânicas de jogo e a forma
como o jogo deve ser jogado. Este profissional precisa ter uma bagagem de
jogo incrível e o processo de criação de jogos é
um aprendizado. Ao passo que você vai criando jogos, seu conhecimento
vai aumentando e seu trabalho se aprimora. |
Qual seria a expectativa para o profissional desta área
aqui no Brasil? Realmente existe mercado de trabalho e o profissional brasileiro
é bem visto pelas grandes empresas?
Espero não estar sendo a pessoa que o faça desistir dos seus
sonhos, espero que pondere meus comentários e que tome a melhor direção
baseado neles. A minha impressão é que curso de games virou
a "bola da vez", toda universidade vai ter o seu, já que
o interesse está aumentando cada vez mais. Entretanto, não
há nada fomentando o desenvolvimento do mercado, nem universidades,
nem o governo. E tenho certeza de que o mercado brasileiro não tem
capacidade de absorver os profissionais recém-formados. Como citado
acima, o que tem acontecido muito é a abertura de novos negócios
pelos recém-formados. No mercado internacional de desenvolvimento
de games, não conta muito sua nacionalidade. Conta sua experiência
e casos de sucesso. É muito comum ver em descrições
de empregos o requisito: ter trabalhado no processo de desenvolvimento de,
no mínimo, dois jogos lançados. |
Esse curso é mais voltado para programação?
Para trabalhar com games, não é preciso um curso de games.
Escolha uma disciplina e siga em frente. Games não é uma disciplina,
é um conglomerado delas. Será importante conhecer como funciona
e como se integram as disciplinas que compõem a indústria,
mas isso é facilmente obtido em sites, revistas especializadas, fóruns
de discussão e palestras. Infelizmente, os cursos de games no Brasil
são bem genéricos e acabam abordando as diversas disciplinas
da área de forma superficial, alguns se aprofundam mais do que outros
em alguns conhecimentos – uns em design, outros em programação.
Não tenho dúvida de que, se fizer um curso profundo na área
de conhecimento almejada, poderá trabalhar na área de games
com um conhecimento maior ao obtido em um curso de games. |
Qual seria a diferença entre um curso técnico em
design de games e o bacharelado oferecido nas faculdades?
A diferença é a bagagem cultural que você terá
a oportunidade de adquirir em uma universidade. Sendo que a criação
de um game é baseada muito em inspiração, conhecimento
e cultura, a universidade se torna essencial para sua formação.
Mas caso você opte por fazer outro curso universitário, já
adquirindo a bagagem importante para você, não vejo nenhum
problema em fazer um curso técnico em games para conhecer mais sobre
este mundo. Como o nome do curso diz, é técnico e, normalmente,
vai te ensinar como fazer, mas não o que fazer. |
É muito complicado montar sua própria empresa de
animações e jogos digitais? Como dar o primeiro passo?
Esta é uma visão muito particular: eu não abriria minha
empresa sem antes ter conhecimento e experiência de mercado que me
dessem um bom destaque e reconhecimento na área. Abrir empresa é
fácil, o difícil é você fazer a empresa girar
com o que se propôs a fazer. Conheço pessoas que abriram empresas
de jogos logo depois de terminarem a faculdade e acabaram por serem especialistas
em desenvolver sites. Quando se tem uma empresa, você tem necessidades
primárias a serem cumpridas, e a principal é fazer dinheiro. |
DIREITO
(ADVOCACIA)
Nome / idade: Luiz Fernando Martins Castro, 47 anos
Formação / ano: Faculdade de Direito do Largo de
São Francisco (USP), 1984
Ocupação atual: Advogado e vice-presidente da Comissão
Especial de Informática da Ordem dos Advogados do Brasil, em São
Paulo
Destaques da carreira: mestre em direito civil pela USP | doutor
em direito e informática pela Faculdade de Direito de Montpellier,
na França
|
Descreva um dia da sua rotina profissional.
Os advogados trabalham pelo menos 8 horas por dia. Normalmente, começam
mais tarde do que as empresas (por volta das 9h) e também terminam
mais tarde (após as 18h). As atividades são variadas e dependem
do tipo de trabalho que eles fazem, e também do local onde trabalham.
Estamos sempre trabalhando no computador, seja para realizar um trabalho
(petições, contratos, memorandos), seja para receber e mandar
e-mails profissionais, além de pesquisa de textos (leis e julgados),
e também para acompanhar o andamento de processos. Geralmente, temos
horário de almoço, mas não raras vezes somos chamados
para reuniões ou audiências que nos obrigam a fazer um lanche
rápido. |
Em que medida você interage com
outras pessoas durante o seu trabalho?
O advogado interage com muita gente, raramente trabalhando sozinho. Tem
que receber o cliente, que o procura com alguma demanda, precisa interagir
com a sua equipe jurídica dentro do escritório ou empresa,
além do pessoal de apoio (secretária, bibliotecária
e estagiários – que dão uma grande ajuda nas tarefas
diárias). E, externamente, isso também acontece muito, pois
estamos em constante contato com juízes, funcionários de cartórios
judiciais (nos fóruns), delegados de polícia, escrivãos
e funcionários de outros órgãos da administração
pública, junto aos quais realizamos algum tipo de serviço.
Eu diria que o advogado tem de interagir sempre, e que o resultado de seu
trabalho depende em grande parte dessa habilidade de se relacionar com pessoas,
pois sempre estamos "advogando" e não "impondo"
o interesse de nossos clientes. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Um advogado que organiza o seu tempo de maneira produtiva consegue, na
maioria das vezes, não levar trabalho para casa, à noite,
ou nos fins de semana. Mas é inevitável que em momentos
de maior demanda, ou urgência, isso ocorra. E se você atuar
na área criminal, saiba que essas urgências sempre surgem
nesses horários. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Eu diria que o advogado mais experiente, e que tenha uma equipe, tem maior
flexibilidade de horário, mas isso não se aplica aos profissionais
que estão começando, pois senão cada um desejaria fazer
o seu horário. Mas não se esqueça de que o advogado
acaba tendo de se sujeitar a horários de reuniões marcados
por clientes e de audiências designadas pelo juiz, cujo horário
pode atrasar bastante. |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
O advogado tem de estudar sempre, em toda a sua vida profissional. Durante
a faculdade, deve buscar frequentar os vários cursos e atividades
extracurriculares que são oferecidos, o que, além de enriquecer
a sua formação, lhe permitem ter uma ideia mais clara dos
diferentes ramos do direito. Hoje, vemos muitos cursos de pós-graduação
(latu sensu ou de "especialização") impropriamente
procurados por alunos que tiveram uma formação deficiente
na graduação. Mas isso lhes permite rever muita matéria
que não foi aprendida na graduação, e se aprofundar
em outras mais específicas e focadas, objetivo principal desses cursos.
Quanto a línguas estrangeiras, acho fundamental e mesmo imprescindível
que o advogado saiba se comunicar, ler e escrever em inglês, e preferencialmente
em uma outra língua (como o espanhol, em primeiro lugar, ou outras
línguas mais usuais como francês, alemão e italiano).
Atualmente, é comum vermos alunos estudando línguas como japonês
e chinês. Na prática, não acredito que um advogado brasileiro
(sem ascendentes dessas nacionalidades) possa dominar amplamente uma dessas
línguas, a ponto de trabalhar efetiva e autonomamente numa delas,
mas conhecê-las será sempre um facilitador de relações
pessoais, se você for lidar com pessoas, advogados e empresas que
sejam desses países. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar
várias empresas de início ou já se estabelecer em um
único emprego?
Por um lado, como os jovens ingressam muito cedo na faculdade, com pouco
conhecimento da profissão, seria útil e recomendável
que pudessem conhecer diferentes atividades da advocacia (escritório
pequenos, especializados em matérias específicas ou mais generalizadas,
ou em escritório grandes, com dezenas, ou mesmo centenas de advogados),
e mesmo das demais profissões jurídicas, como a de juiz e
promotor de Justiça, além da advocacia em defesa dos entes
públicos (procuradorias). Mas hoje em dia, com a grande concorrência
na profissão, existe uma tendência de se efetivarem estagiários
mais antigos, que já estejam integrados na "cultura" do
escritório ou empresa. Em resumo, eu diria que o aluno pode e deve
testar diferentes trabalhos nos dois primeiros anos da faculdade e já
tentar focar em algo mais preciso e com que mais se identifique, a partir
do terceiro ano. |
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A profissão de advogado nos obriga a buscar uma evolução
constante, seja através dos estudos, seja no campo do relacionamento
humano. Lembre-se que o advogado é sempre procurado para resolver
um problema concreto do cliente, que normalmente lhe traz graves preocupações
(questões de família, empresariais, desafios econômicos),
assumindo assim grande responsabilidade, pois passa a fazer parte de sua
vidas. Tudo isso permite um enriquecimento de suas relações
humanas, e costumo dizer que o advogado aprende com os erros dos clientes.
|
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
No início da carreira os advogados não costumam ser bem remunerados,
o que leva muitos bacharéis a preferirem as carreiras públicas,
com um bom salário inicial e estabilidade. Porém eu diria
que em cinco anos de profissão um advogado bem sucedido já
consegue equiparar seus rendimentos ao de um profissional de carreira pública.
E a partir daí, cada caso é um caso, intimamente ligado ao
desenvolvimento das aptidões anteriormente referidas, com especial
relevância à sua capacidade de captar clientes. O crescimento
profissional do advogado é constante, enquanto nas carreiras públicas
é mais lento. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Não conseguiria indicar um único, mas vários desafios,
permanentes, como: necessidade de constante atualização técnica;
captação de clientes com bom perfil; gestão do escritório,
com custos crescentes; morosidade dos processos e dificuldade de sua gestão
nos fóruns; grande oferta de serviços, pelos concorrentes,
levando, muitas vezes, ao aviltamento dos honorários. |
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Não acho que a profissão tenha me trazido grandes decepções.
Posso, contudo, qualificar de frustrante o fato de a advocacia não
ser devidamente valorizada, existindo uma certa prevenção,
ou má-vontade, por parte de alguns juízes, promotores, delegados
de polícia e funcionários em geral, que não raras vezes
possuem uma ideia preconceituosa face aos advogados, ignorando as dificuldades
permanentes no exercício da advocacia. |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
O modelo da advocacia autônoma, do profissional generalista, que era
comum há 20 ou 30 anos, vem sendo substituído pelo modelo
de escritórios maiores, com equipes especializadas em determinados
temas, sobretudo nas grandes cidades. Mesmo nesse modelo, a tendência
do advogado bem sucedido é se tornar sócio do escritório,
mas para isso deverá evoluir na profissão, conseguindo reunir
aptidões técnicas (conhecendo bem a matéria a que se
dedica) e conseguindo angariar clientes para o escritório, o que
entendo relevante para o crescimento do profissional. |
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
O primeiro e fundamental requisito é a adequada capacidade de expressão,
verbal e escrita. E isso não quer dizer saber "falar difícil".
Muito pelo contrário, a advocacia atual exige a capacidade de redação
simples, direta, precisa e correta. Para isso, o aluno deve ler e escrever
muito, inclusive para o uso adequado da linguagem jurídica. A advocacia
pressupõe um bom raciocínio lógico e uma capacidade
extrema de negociar, de saber ceder para também ganhar. Lembre-se
que a sobrecarga da Justiça tem dificultado a vida do profissional
que atua no fórum, obrigando-o a desenvolver a capacidade de encontrar
soluções para o seu cliente, fora dos processos judiciais. |
Vale a pena iniciar uma faculdade de direito após os
30 anos? Conhece algum advogado bem sucedido que iniciou nesta idade?
O exercício da advocacia pode se dar após os 30 anos. Porém,
o início da profissão é penoso sob muitos aspectos,
o que não chega a ser um impeditivo. Lembre-se que a carreira de
advogado pode ser longa, sendo muito comum ver advogados com 45 ou 50
anos de formado, em plena atividade, pois todos os conhecimentos acumulados
valorizam o profissional. Para aquele profissional que inicia a carreira
em idade mais madura, eu sugeriria tentar advogar em área mais
ligada às suas experiências anteriores (como por exemplo:
em assuntos comerciais, ou mesmo técnicos como ligados à
área da saúde, engenharia etc).
|
Quais são as principais especializações para
um profissional de Direito e quais estão mais em falta no mercado
de trabalho?
Posso listar algumas especializações em voga, como: direito
processual, direito dos contratos, direito do consumidor, direito do trabalho,
direito do comércio internacional. Não vejo com clareza a
"falta" de nenhum especialista no mercado, mas constato a valorização
no mercado para jovens estudantes e recém-formados que saibam escrever
bem, que tenham uma atitude pró-ativa na busca de soluções
para o cliente e para o escritório e, sobretudo, que tenham uma visão
de médio e longo prazo, que se traduza em dedicação
à profissão e compromisso com o escritório ou órgão
que o contrata. |
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
Como já me referi, acredito que o profissional deve ter grande aptidão
de comunicação (verbal e escrita), sólidos conhecimentos
teóricos, boa capacidade de relacionamento interpessoal, e mesmo
comercial, para saber se valorizar e ter o seu serviço valorizado
pelos clientes. E jamais deve perder a humildade, pois os nossos desafios
se renovam diariamente, e nunca se deve menosprezar um caso, e menos ainda
os colegas de profissão. |
Em que áreas um advogado pode trabalhar?
Em todas as áreas acima referidas. Logicamente que são distintas
as rotinas e atividades, devendo o estudante identificar as suas características
pessoais que mais se encaixam com cada uma dessas atividades, isto é,
se ele gosta de estudar e ensinar (área acadêmica), se tem
maior aptidão prática de se relacionar e resolver questões
práticas (advocacia), se tem perfil para um trabalho mais rotineiro
e estável (serviço público). |
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou
10 anos?
Com o aumento brutal do número de faculdades e de formandos, o
mercado está muito concorrido. Todavia, existe um crescimento na
demanda de profissionais em função do crescimento do número
de ações, sendo relevante o crescimento de ações
envolvendo consumidores e fornecedores e das chamadas "pequenas causas",
além do surgimento de novas áreas da profissão, ligadas
às novas tecnologias, desporto e entretenimento, propriedade intelectual
etc. |
|
ENGENHARIA
ELÉTRICA
Nome / idade: Alberto Furtado Scodiero Júnior,
37 anos
Formação / ano: Escola Politécnica
da USP (Poli-USP), em 1996
Ocupação atual: Especialista em telecomunicações
da empresa de telefonia Claro
Destaques da carreira: desenvolveu redes de celulares no
Brasil e no México | atuou em empresas como Ericsson e TIM |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor
experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer
em um único emprego?
Essa estratégia depende muito das oportunidades que surgirem. Mas
é importante ter paciência no início da carreira e não
esperar ascensões meteóricas, porque isso não é
a regra e, sim, a exceção. Não acho que se deva trocar
de empresa apenas para experimentar uma nova, mas, sim, quando as perspectivas
forem realmente melhores do que a atual. Uma mudança de emprego implica
em sair da sua zona de conforto, restabelecer-se na nova organização,
integrar-se à nova equipe e construir novamente sua imagem no novo
ambiente. Há que se pesar sempre todos esses aspectos. |
Em que medida você interage com
outras pessoas durante o seu trabalho?
O meu trabalho, como em outras áreas da engenharia, faz parte de
um processo. Neste sentido, mesmo quando executo atividades isoladamente,
interajo com meus predecessores, clientes internos ou prestadores de serviço
que executam meus projetos ou as ações resultantes das minhas
análises. Mas é natural na área de engenharia de rádio
frequência que muitas atividades típicas do engenheiro sejam
realizadas através de um grupo de profissionais com o mesmo tipo
de especialidade ou com capacitações ligeiramente diferentes,
ou seja, a interação pessoal é diária e constante. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Isto depende da etapa de projeto em que a atividade do engenheiro de rádio
frequência esteja inserida. Em situações de "startup"
de novas redes celulares, por exemplo, é muito comum um nível
de atividade muito intenso e fins de semana ocupados com o trabalho. Mas
isso não é a regra e, em geral, não é necessário
trabalhar nos fins de semana. Entretanto, o mercado de telefonia celular
no Brasil é bastante competitivo e o profissional que pretende
ingressar nesta área deve estar preparado para responder a altas
demandas e trabalhar sob pressão. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
O engenheiro, embora seja considerado um profissional liberal, normalmente
executa sua função trabalhando em empresas, seja como funcionário
cujo contrato é regido pela CLT ou como consultor autônomo.
Portanto, deve seguir a diretriz de dedicação horária
especificada em seu contrato. Algumas empresas permitem flexibilidade de
horários e até atuação em "home office".
No meu caso, especificamente, tenho horário flexível. |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
Manter-se atualizado é importante em qualquer área do conhecimento.
A atuação na área de tecnologia exige não apenas
estar atualizado, mas também estar preparado para reciclar quase
que totalmente o conhecimento acumulado em tecnologias em constante substituição.
Existem cursos de especialização voltados para esse tipo reciclagem
tecnológica. Treinamentos são oferecidos pelas empresas desenvolvedoras
de tecnologia, mas é importante ser bastante autodidata para se manter
atualizado. Com respeito a línguas estrangeiras, obviamente que o
domínio do inglês é fundamental. As empresas que atuam
globalmente utilizam o inglês como língua oficial internamente.
Muitas consideram o mercado brasileiro inserido dentro de unidades de negócio
da América Latina, portanto se comunicar em espanhol também
é importante. |
Para algumas pessoas, alguns cursos como mecatrônica, engenharia
eletrônica, engenharia elétrica, engenharia de teleinformática
etc. são a mesma coisa. Quais as diferenças principais entre
esses cursos e outros que possam ter alguma relação com essa
área?
Normalmente, os cursos de engenharia contemplam um ciclo básico de
formação em exatas com disciplinas de cálculo e física.
Diferenciam-se depois pela finalidade das áreas. A engenharia elétrica
destina-se ao desenvolvimento de sistemas que se utilizam da transformação
de energia elétrica para cumprir suas finalidades. Já a engenharia
mecatrônica, como habilitação específica da engenharia
mecânica, destina-se ao desenvolvimento de sistemas mecânicos
controlados eletronicamente, destinados aos mais diversos fins, mas principalmente
industriais. |
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Não guardo decepções na minha profissão. A gama
de possibilidades que se abre ao engenheiro ao longo de sua carreira é
bastante grande, dando pouco espaço para decepções. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Creio que o maior desafio seja ser eficiente nas soluções
demandadas ao engenheiro. Eficiência implica obter soluções
de execução viável, de baixo custo e com a urgência
necessária. |
Como engenheiro elétrico, posso me especializar em alguma
área de energia, como por exemplo a energia solar?
Sim. Geração e distribuição de energia elétrica
estão entre as atribuições do engenheiro elétrico.
Energia solar é um das áreas de pesquisa em geração
de energia na qual este profissional pode se especializar. |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
Sim, é possível trabalhar como autônomo, atuando como consultor ou empreender
seu próprio negócio, seja como desenvolvedor de tecnologia ou como prestador
de serviços de engenharia. |
O que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva em sua profissão?
A diversidade de campos de atuação é bastante grande,
o que possibilita ao engenheiro elétrico escolher aquilo que mais
lhe agrada.
|
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
O engenheiro deve utilizar seu conhecimento técnico em algo prático
e viável. Considero essa a principal habilidade ao exercício
da profissão. |
Quais campos se pode atuar e como é o dia-a-dia de um
engenheiro elétrico?
A engenharia elétrica compreende as áreas de geração,
transmissão e distribuição de energia elétrica,
microeletrônica, computação, telecomunicações
e automação elétrica. O seu dia-a-dia pode ser consideravelmente
diferente nessas áreas, sobretudo porque o campo de atuação
é vasto, com espaço para áreas típicas de
engenharia como desenvolvimento de produtos ou projetos e outras como
pré-vendas, pós-vendas, qualidade, operações
etc. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Assim como em outras carreiras, na engenharia não se alcança
estabilidade, pois a evolução é constante e até
necessária. Há sempre algo novo a ser desenvolvido, estudado,
aprendido e executado. |
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10
anos?
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Ainda existe muito espaço para o setor de telecomunicações
crescer no Brasil. A consolidação do mercado de telefonia
móvel e fixa ainda está em evolução após
apenas 10 anos da privatização do sistema Telebrás.
Considerando a telefonia móvel, os avanços tecnológicos
têm aberto novas formas de exploração do mercado e a
banda larga móvel deverá crescer muito nos próximos
anos, trazendo oportunidades para o engenheiro elétrico em toda a
cadeia produtiva do setor. |
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
O engenheiro deve ser bastante analítico e pragmático. É
necessário ser curioso e observador. Deve ter conhecimento técnico
profundo e saber aplicá-lo com criatividade para desenvolver as melhores
soluções aos desafios que lhe são impostos. Deve ter
método em suas ações, porém, sem excessos para
manter-se eficiente. Deve estar sempre disposto ao estudo para se manter
atualizado. |
LETRAS
Nome / idade: Marcos de Moraes, 42 anos
Formação / ano: Universidade de São
Paulo (USP), em 1991
Ocupação atual: Professor de literatura
brasileira na Universidade de São Paulo (USP)
Destaques da carreira: doutorado em literatura brasileira
pela USP | organizador da Correspondência Mário de Andrade
& Manuel Bandeira | desenvolve pesquisas sobre memorialismo a partir
da correspondência de escritores no Instituto de Estudos Brasileiros
(IEB-USP) |
Descreva um dia da sua rotina profissional
O professor de letras, em uma universidade pública, cumpre, em geral,
contrato de dedicação exclusiva, ou seja, ministra aulas,
realiza pesquisas e orienta trabalhos de iniciação científica
e de pós-graduação, na área específica
de seu conhecimento. Isso quer dizer uma dedicação de 40 horas
semanais às tarefas acadêmicas. Atividades de docência
e de pesquisa definem uma agenda ao mesmo tempo prevista (sala de aula)
e flexível (desenvolvimento de projetos em arquivos, consulta a bibliotecas,
participação em bancas, reuniões de trabalho etc).
Livros, teses, periódicos, documentação de fonte primária
(manuscritos, correspondência de escritores etc), computador (acesso
a programas de textos, a bases de dados e à internet) são
objetos cotidianos de um estudioso da área de letras. Espaço
de produção do conhecimento e de diálogo intelectual,
as pesquisas universitárias almejam o desenvolvimento pedagógico
e científico de largo alcance social. No campo dos estudos literários,
especificamente, a organização de acervos de escritores, tendo
em vista a sua democrática difusão, bem como a preparação
de edições fidedignas de obras, por exemplo, ecoam no espaço
escolar e na imprensa, favorecendo reflexões que possam ampliar o
conhecimento sobre determinado assunto. |
Em que medida você interage com
outras pessoas durante o seu trabalho?
As pesquisas universitárias na área de Letras são realizadas
individualmente, levando em consideração, sempre, os diálogos
que envolvem colegas da própria universidade e de outras instituições.
Configuram-se estudos de aspectos literários (interpretação
de obras, de autores, de períodos literários, brasileiros
e estrangeiros), bem como linguísticos. Essas pesquisas são
frequentemente divulgadas em congressos nacionais e internacionais, suscitando
o apuro crítico-reflexivo do pesquisador. Muitos professores formam
grupos de pesquisa que se reúnem periodicamente, ou equipes de trabalho,
em atividade conjunta mais cotidiana, em projetos temáticos de grande
envergadura e caráter multidisciplinar, congregando estudiosos de
várias instituições universitárias. Assim, no
meu caso, além do projeto individual que prevê a edição
da correspondência reunida do escritor Mário de Andrade, participo
do projeto temático subvencionado pela Fapesp, processo de criação
de Mário de Andrade, sob a coordenação, no Instituto
de Estudos Brasileiros da USP, de minha colega, a professora Telê
Ancona Lopez, pesquisa que, aproximando estudiosos de diferentes áreas
das artes e humanidades, deseja compreender os meandros da produção
literária do criador de Macunaíma, a partir de seus manuscritos,
cartas e biblioteca. Vale assinalar, contudo, que tanto projetos individuais
ou coletivos visam também a formação de jovens pesquisadores,
alunos de graduação e de pós-graduação. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
Leitura de dissertações/teses e de projetos de orientandos,
preparação de aulas, produção de artigos científicos,
emissão de pareceres, assessorias a instituições públicas
de fomento à pesquisa são, efetivamente, muitas vezes, realizadas
em horários alternativos e nos fins de semana. Entretanto, a noção
de trabalho do professor pode ganhar nuanças valorativas, pois essas
atividades são avaliadas como momentos úteis, que propiciam
uma permanente (in)formação. Sob uma perspectiva mais ampla,
o professor de literatura, atento à realidade brasileira e às
expressões artísticas de seu tempo, estuda sempre; estuda
quando vai ao cinema, ao teatro ou a exposições, pois o diálogo
previsto da literatura com as artes (e com a sociedade em sentido amplo)
será certamente objeto de sua reflexão crítica em sala
de aula e em seus trabalhos acadêmicos. Reforça as perspectivas
de inter e transdisciplinaridade em seu trabalho, em seu diálogo
com a sociedade. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Cumprindo a grade de docência (graduação e pós-graduação),
de seu contrato de trabalho e previamente determinada em reuniões
de área da disciplina, o professor de letras põe em marcha
sua pesquisa de acordo com um cronograma por ele próprio definido
e avaliado por comissões científicas da universidade à
qual está ligado. Algumas etapas de seu projeto precisam, por exemplo,
ser desenvolvidas fora do própria universidade, em bibliotecas, acervos
documentais públicos e privados; algumas vezes, a pesquisa demanda
a consulta de documentos e livros em instituições culturais
e universitárias no exterior. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar
várias empresas de início ou já se estabelecer em um
único emprego?
Para o professor universitário de letras que inicia a carreira, o
mercado de trabalho é, infelizmente, neste momento, restrito e muito
competitivo, em decorrência, principalmente, do fechamento de muitos
cursos dessa área em faculdades particulares. Nessa direção,
tem sido comum a atuação de mestres e doutores em Letras em
instituições de ensino médio, públicas e particulares,
muitas delas oferecendo salários não compatíveis com
a formação adquirida. O professor universitário, formado
em letras em importantes universidades dos centros mais desenvolvidos do
país, muitas vezes tem dificuldade em aceitar a idéia de se
transferir para áreas mais carentes no interior do Brasil, mesmo
quando a remuneração se mostra pertinente. O mercado de trabalho
para o graduado em letras, como se sabe, abre-se para o ensino, tanto quanto
para as áreas relacionadas à produção do livro
(preparação de texto, revisão, difusão editorial
etc), à atuação no campo da tradução
(ou de intérprete), e à assessoria linguística (o novo
acordo ortográfico vem, aliás, demandando profissionais qualificados).
Imagino que a profissionalização cotidiana, em uma única
empresa ou em trabalhos de freelancer, buscando-se a excelência das
tarefas cumpridas, torna-se, na verdade, a moeda de troca para a inserção
vantajosa nesse mercado igualmente competitivo (mas, carente de bons profissionais). |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
Ao egresso do curso de letras cabe o permanente esforço de atualização,
tendo em vista as novas pesquisas em desenvolvimento nas universidades,
nos estudos literários e linguísticos. As universidades oferecem
frequentemente cursos de extensão que facultam a atualização
e abertura de territórios de exploração novos. A pós-graduação
em letras, essencial para o refinamento do pensamento crítico, tanto
quanto para uma aproximação das atuais vertentes críticas
e linguísticas, exige a proficiência em língua estrangeira;
em uma língua, no mestrado; em duas, no doutorado. |
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Como professor no curso de letras em uma importante universidade pública,
tenho percebido que muitos alunos chegam com uma bagagem de leitura muito
deficiente e com poucas referências históricas e culturais;
resultado certamente da fragilidade da formação escolar básica.
Esses alunos não parecem demonstrar interesse pela atuação
no magistério público, no ensino fundamental e médio
(por questões salariais, principalmente). Assim, temos um processo
de formação consistente que pouco será revertido para
o melhoramento da educação de base, no que se refere aos estudos
de língua portuguesa e de literatura brasileira. |
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
O curso de letras, ao se abrir para os mais diversos tipos de pesquisas
nos estudos literários e linguísticos, favorece o desenvolvimento
de amplo espectro de vocações profissionais. Uma pesquisa,
bem realizada, promoverá o diálogo pontual com a sociedade
brasileira, seja no âmbito editorial (propondo edições
de clássicos da literatura em textos fidedignos, de inéditos
de autores expressivos do sistema literário brasileiro e de documentos
testemunhais, como cartas), seja no âmbito linguístico-pedagógico
(sugerindo vertentes teórica e didáticas novas). |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
Se o graduado em letras optar pelo ensino, estará, em geral, vinculado
a uma instituição pública ou empresa, escola e curso
de línguas etc; se preferir o trabalho de revisor, será funcionário
de editoras ou de jornais/revistas (em papel e em sites) etc. Poderá,
contudo, atuar como autônomo dando cursos de língua (portuguesa
ou estrangeira) para particulares, em empresas e em outras instituições.
Devidamente concursado, poderá ser tradutor juramentado, prestando
serviços para embaixadas. Ou intérprete, auxiliando empresários
ou promovendo traduções simultâneas/consecutivas em
eventos universitários internacionais. O mestre/doutor em letras
será docente em universidades públicas e particulares, no
Brasil e exterior, ou, em um novo caminho que agora desponta, pesquisador
em fundações culturais subvencionadas pelo capital privado. |
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
O profissional da área de letras pode ter vários perfis: se
tiver exclusivamente vocação para professor, desejará
sempre o aprimoramento do diálogo da (in)formação na
sala de aula; se possuir inclinação para pesquisador em fontes
primárias, terá gosto pela longa permanência em arquivos
e bibliotecas; se pretender, em nosso país, dedicar-se ao estudo
das línguas indígenas, assumindo longas permanências
longe dos centros urbanos; se tiver aptidão para revisor, cultivará
a atenção e a competência linguística; se preferir
ser tradutor ou intérprete, estará sempre atento ao contínuo
enriquecimento dos sentidos dos idiomas estrangeiros. No professor universitário
ideal, todas estas habilidades devem conviver: o pesquisador em arquivos,
por exemplo, que leva para a sala de aula as suas descobertas, tem em vista
a atualização, necessária para o diálogo com
os alunos e pesquisadores de outras nacionalidades. Em todos os campos,
exige-se uma idêntica característica: dedicação
e compromisso/comprometimento com a nossa problemática realidade
educacional. |
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10
anos?
Estima-se que, com o recente fechamento de muitos cursos de letras em faculdade
particulares (São Paulo, por exemplo), em breve o mercado demandará
um bom contingente de profissionais competentes dessa área para o
ensino da língua portuguesa e literatura, pois essas disciplinas
devem, evidentemente, permanecer no currículo escolar em todos os
níveis. A globalização econômica, entre nós,
passará pelo esforço de formar um bom contingente de falantes
em inglês, espanhol e até chinês. A consciência
da importância do trabalho do tradutor, expressa em recentes movimentos
de valorização desta atividade profissional, trará
benefícios para os leitores. Na minha opinião, enfim, a principal
contribuição do curso de Letras, no futuro, deverá
ser a formação de leitores capazes de ler as diversas camadas
de significado de um texto, o que significa ler criticamente a nossa realidade.
Essa formação sólida poderá proteger o cidadão
da retórica que esconde interesses econômicos e políticos
escusos. Um bom leitor, vota bem. Assim, o Brasil chegará a um desenvolvimento
pleno quando passar a formar leitores que possam reivindicar o urgente equilíbrio
sócio-cultural. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Certamente, no que tange à educação no ensino fundamental
e médio, os baixos salários no início da carreira e
a perversa ideologia que desacredita o trabalho do professor. Cabe a ele,
contudo, regenerar a sua própria dignidade profissional, realizando
um trabalho comprometido com a formação crítica dos
alunos. Além disso, desafio a ser enfrentado é também
a massificação. Como trabalhar uma classe como um conjunto
de indivíduos, diante dos conteúdos que se procura transmitir?
Como apostar numa educação humanista? |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Bons profissionais nos diversos campos da área de letras, vocacionados,
comprometidos e atualizados, encontrarão sempre espaço profissional
digno e, eventualmente, bem remunerado.
|
Como está o mercado de trabalho para a Linguística?
Penso que, afastando-se da vertente normativa (gramática) ou do estudo
da evolução da língua (filologia), a linguística,
em suas diversas disciplinas, procura, hoje, promover o conhecimento científico
do funcionamento social/psíquico da linguagem, assim como da estrutura
profunda da mesma, a partir de diversas teorias. Como professor de literatura,
sugiro uma visita aos sites dos departamentos de linguísticas da
USP http://www.fflch.usp.br/dl/ e da Unicamp http://www.unicamp.br/anuario/2007/IEL/DL/DL.html,
por exemplo. |
MEDICINA
Nome / idade: José Roberto Colombo Junior, 35
anos
Formação / ano: Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (USP), em 1997
Ocupação atual: Urologista do Hospital
Israelita Albert Einstein e um dos médicos responsáveis
pelas cirurgias com uso de robô
Destaques da carreira: residência em cirurgia geral
e urologia no Hospital das Clínicas de São Paulo | pós-graduação
em cirurgia robótica | fez parte da equipe do Instituto do Câncer
do Estado de São Paulo e dos hospitais Sírio Libanês,
Nove de Julho, São Luís e Oswaldo Cruz |
Descreva um dia da sua rotina profissional
A rotina profissional é muito variada, e isto depende da especialidade
médica escolhida, da atuação acadêmica e/ou privada.
Especificamente na urologia, o médico pode atuar em consultório,
centro cirúrgico, unidades básicas de atendimento médico,
serviços de diagnóstico, ou ensino e pesquisa. Como autônomo,
cada profissional pode organizar sua agenda da maneira que for mais adequada,
mas a rotina de acordar cedo (6h) e chegar em casa após as 21h pode
ser considerada comum, especialmente no início da carreira. Como
atuo na área acadêmica e privada, normalmente frequento hospitais
privados, a universidade e o consultório no mesmo dia. O computador
faz parte da vida de um médico, seja para escrever trabalhos, acessar
artigos, fazer pesquisa, checar resultados de exames, contato com pacientes
e banco de dados de pacientes e/ou procedimentos. |
Em que medida você interage com
outras pessoas durante o seu trabalho?
Dependendo da especialidade escolhida, a interação pode acontecer
diretamente com o paciente, outros colegas, equipes de enfermagem etc. Existem
especialidades médicas nas quais a interação com o
paciente é pequena (radiologia, por exemplo), assim como em outras
a interação acontece quase o tempo todo. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Trabalhar nos fins de semana é bastante frequente, principalmente
no início da carreira, e dependendo da especialidade escolhida. Na
minha área de atuação, o trabalho durante os fins de
semana pode ser considerado rotina, seja fazendo visita em hospitais, atendendo
em retaguarda de pronto-socorro, ou escrevendo artigos e preparando apresentações. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Sim, é possível. Mas no início da carreira essa não
é a regra. É importante novamente frisar que dependendo da
especialidade a ser seguida e área de atuação pode
ser mais ou menos fácil poder montar a própria agenda. |
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
A falta de tempo para me dedicar à família e amigos, associados
a baixa remuneração e qualidade de trabalho oferecidas, especialmente
no início da carreira. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar
várias empresas de início ou já se estabelecer em um
único emprego?
Não existe uma resposta correta ou regra para esta questão.
Isto dependerá das ofertas de emprego e dos objetivos e ambições
de cada pessoa. |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
A atualização e aprendizado constantes são necessários
para que o médico possa oferecer o diagnóstico e tratamento
mais adequados para cada tipo de situação. Esta atualização
pode ser realizada em congressos, consulta a periódicos e revistas
médicas. A pós-graduação também pode
ser realizada e é cada vez mais importante na medida em que o mercado
de trabalho exige profissionais cada vez mais preparados. O domínio
do inglês é essencial na profissão, já que os
periódicos, livros e congressos mais importantes são todos
realizados neste idioma.
|
Assim que se forma, quais são os caminhos que o recém-formado
pode seguir na profissão?
Após a graduação médica, normalmente a formação
é complementada pela residência médica para o médico
generalista se especializar em determinada área. Uma vez terminada
a residência o médico pode optar em seguir a carreira acadêmica
em universidade ou laboratório de pesquisa, atuar na carreira privada,
seja em consultório ou hospital, atuar em empresas da área
farmacêutica e/ou de material cirúrgico. Pode-se também
atuar em mais de uma área das citadas, dedicando-se em tempo parcial
à pesquisa e ensino e atuando em medicina privada, por exemplo. |
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
Ter a oportunidade de trabalhar em hospitais de alto padrão e o respeito
de colegas mais experientes. Além disso, é extremamente gratificante
ter a oportunidade de ajudar outro ser humano. |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
É possível a atuação como autônomo, sendo
esta a forma de atuação mais frequente. Novamente, a especialidade
médica é decisiva para planejar a área de atuação. |
Em relação a reações emocionais que
algumas pessoas têm quando vêm sangue. Como posso ter certeza
de que esta é a carreira que devo realmente seguir?
Este fato não é raro e, na minha opinião, não
deve ser um problema, já que durante o curso médico o aluno
acaba se acostumando com estas situações. É importante
lembrar que embora durante a graduação o aluno seja exposto
às diversas áreas, ele vai optar pela especialidade que lhe
for mais agradável e interessante, que pode não envolver procedimentos
cirúrgicos, sangue ou mesmo contato direto com pacientes. |
Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10
anos?
De maneira geral o mercado exige a sub-especialização, ou
seja, que o profissional domine uma área específica de sua
especialidade. Pacientes e instituições procuram profissionais
que atuem também na área acadêmica e, em geral, apresentem
alguma titulação de pós-graduação. Com
o grande número de escolas médicas em atividade, o número
de profissionais no mercado está aumentando rapidamente, portanto
a diferenciação é fundamental. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Preservar a ética, manter-se atualizado e oferecer o melhor para
os pacientes, apesar de normalmente trabalhar em condições
não ideais. |
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
A dedicação à profissão e constante aperfeiçoamento
são imprescindíveis no exercício da profissão. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Não é possível fazer uma previsão deste "tempo
para estabilidade". Isto é extremamente variável e depende
da especialidade, objetivos e ambições pessoais e áreas
de atuação.
|
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
A disposição, ética, perfeccionismo e carisma são
qualidades que, em minha opinião, são fundamentais para o
sucesso profissional e pessoal nesta área. |
Trinta anos é uma idade avançada para começar
uma carreira de medicina?
De maneira alguma a idade deve ser considerada uma barreira para iniciar
a carreira médica. Não é raro encontrarmos pessoas
que inicialmente optaram por outras áreas antes de iniciar na medicina.
Apesar de algumas dificuldades, é uma carreira bastante gratificante
e com enorme possibilidade de áreas de atuação. |
Alguns estudantes desde pequenos apresentam interesse pela área
médica, apesar da maioria dos familiares ser contra. E passar em
medicina em uma universidade federal não é fácil. O
que aconselharia fazer para manter o ânimo e não se deixar
abalar com toda essa pressão?
Manter o otimismo e seus objetivos acima de tudo. Apesar de não ser
fácil, com dedicação e esforço, sem perder o
foco, é possível superar este obstáculo. |
NUTRIÇÃO
Nome / idade: Patrícia Rebelo, 30 anos
Formação / ano: Centro Universitário São
Camilo, em 2001
Ocupação atual: Nutricionista e consultora de assessorias
esportivas especializadas em treino outdoor; especialista em regimes para
atletas, gestantes, idosos, crianças e adolescentes
Destaques da carreira: especialização em ciências
aplicadas ao esporte | especialização em adolescência
para equipe multidisciplinar | especialização em nutrição
esportiva |
Descreva um dia de sua rotina profissional
Às segundas-feiras, atendo em conjunto com um médico clínico
e geriátrico. Minha agenda começa às 8h e termina às
16h. Nem sempre fico o tempo todo em atendimento; geralmente, atendo quatro
pacientes e, nos horários livres, faço cardápios, pesquiso
a respeito de algum caso especifico ou tiro dúvidas de pacientes
de outros médicos que estão na sala de espera. Em geral, esse
é um dia bem leve, pois a maioria dos pacientes são idosos
e a consulta sempre termina com muito bate-papo. De terça a sexta
atendo no meu consultório particular e minha agenda, geralmente,
começa às 8h e vai até às 19h. No consultório,
a primeira consulta dura 1h15 e os retornos, 40 minutos. Atendo, no máximo,
onze pessoas por dia; em dias mais leves, sete pessoas. Geralmente, tenho
intervalos de 1h entre consultas, nos quais, duas vezes por semana, tento
encaixar algum exercício.
Quando estou sem paciente no consultório, faço trabalho de
pesquisa, trabalho on-line respondendo dúvidas de pacientes, escrevo
artigos para revistas, monto aulas ou fico estudando para me atualizar –
seja usando o computador, lendo livros, artigos, ou conversando com outros
profissionais que trabalham comigo. Nos dois lugares que atendo existem
outros profissionais da área de saúde e estamos sempre trocando
figurinhas sobre trabalho. Existem ainda alguns dias que faço atendimento
na casa de pacientes: nesses dias chego a ficar duas horas fora do consultório. |
Ao entrar no mercado de trabalho é
melhor experimentar varias empresas de inicio ou já estabelecer-se
em um único emprego?
Vou usar meu exemplo para tentar esclarecer meu ponto de vista. Saí
da faculdade na certeza de que queria trabalhar com nutrição
esportiva, mas na dúvida de por onde começar. Então,
iniciei pela área de pesquisa para me aprimorar mais, pois não
me sentia segura. Fiz uma especialização na Escola Paulista
de Medicina sobre crianças e adolescentes, desde a área de
alimentação (obesidade, esportes, crescimento) até
a área psicológica. O curso ensinava a prática de atendimento,
que era meu maior objetivo. Mas como precisava ganhar dinheiro, procurei
um emprego no período que tinha livre: achei uma empresa de copos
que queria uma nutricionista para ajudá-la nas vendas em restaurantes
e cozinhas de grandes empresas. Minha função era fazer visitas,
apresentar meu produto e deixar o contato para futuros pedidos com o vendedor.
Não era o que eu queria fazer, mas estava me ajudando a conhecer
grandes restaurantes e cozinhas de grandes empresas. Depois de quatro meses,
procurei emprego em clínicas de estética e academias para
começar meus atendimentos. Consegui fazer bons contatos profissionais
e aluguei uma sala em um escritório de assessoria esportiva próximo
ao parque do Ibirapuera (tinha atingido o meu objetivo: trabalhar com nutrição
esportiva). Passei, então, a estabelecer novas metas como fazer cardápio
para restaurantes e atender crianças e adolescentes. A nutrição
estética e todos os meus empregos anteriores me ajudaram a aumentar
meu leque de oportunidades. |
Você trabalha no fins de semana? Com que frequencia?
Não tem uma regra no fim de semana. Às vezes, atendo um ou
dois pacientes no máximo (somente em casos de urgência); outras
vezes, sou convidada a ministrar aulas ou palestras e, na maioria das vezes,
uso os fins de semana para participar de eventos esportivos – que,
embora não sejam efetivamente trabalho, pois lá me exercito
e divirto, incluem minha atuação, pois acabo vendo meus pacientes
e ajudando-os sempre que possível nos cuidados com a alimentação. |
Você faz seu próprio horário de trabalho?
Faço meus horários, mas não deixo que isso seja motivo
para falta de disciplina. Tenho a liberdade de alterar a agenda, mas procuro
só fazer isso em caso de necessidade. Na maioria das vezes, eu procuro
chegar às 8h e sair às 19h. Mas é claro que, se um
paciente falta ou cancela a consulta e eu não consigo colocar ninguém
no lugar dele, acabo chegando mais tarde ou saindo mais cedo do trabalho. |
É necessário se atualizar de forma permanente em
sua profissão?
Sim, pois a faculdade apresenta um pouco de tudo que é possível
fazer na profissão. Mas é necessário aprimorar-se no
tema de seu interesse, e depois manter-se sempre informado, pois em poucos
meses aparecem novas informações que são importante
no dia-a-dia da profissão – como produtos para atletas, pesquisas
recentes que ajudam ao combate de obesidade etc. A pós-graduação
e cursos constantes são importantes. Trabalhar com o público
exige estar bem informado sobre o que acontece ao redor para poder conversar
com ele de igual para igual. O conhecimento de línguas também
é muito importante, pois além de necessário em pesquisas,
abre mais caminho para trabalho: o inglês e o espanhol são
as principais. Já passei por situações em que um paciente
ia fazer uma maratona no exterior e precisava de algumas orientações
para o jantar. Liguei para o hotel em Buenos Aires e solicitei o cardápio
ideal para meu paciente, em espanhol. |
Em que medida você interage com outras pessoas durante o
seu trabalho?
Meu trabalho depende de mim. Tenho uma assistente que me ajuda em pesquisas,
correções de textos, organiza minha agenda, cuida dos pagamentos
e faz contatos com pacientes. Fico uma parte do tempo sozinha, durante minhas
pesquisas e acertando as prescrições dos cardápio dos
meus pacientes. Mas sempre estou atendendo alguém – no mínimo
sete e, no máximo, 12 pessoas por dia. |
Assim que se forma quais são os caminhos que o recém-formado
deve seguir na profissão?
É possível seguir em varias áreas, pois a nutrição
tem um leque muito grande de possibilidades. Você pode trabalhar em
hospitais, empresas, restaurantes, academias, hotéis, spas, além
da área de pesquisa, entre outros. O profissional pode ser administrador,
pesquisador, cientista, cozinheiro, professor e trabalhar com atletas e
crianças. Ou seja, tudo o que envolve a alimentação. |
O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
Muitas vezes estou fazendo meu trabalho e sei que estou no caminho certo,
mas vejo que alguma coisa não dá certo. Não me decepciono,
acho uma solução alternativa e contorno a situação.
Ainda não tive frustrações, pois sei que parte do meu
trabalho depende da outra pessoa, e não somente de mim. |
Para qual estilo de pessoa você indicaria essa profissão?
Uma pessoa que goste da área de saúde, se preocupe com o próximo,
trabalhe bem sozinho e em equipe e goste de alimentação ou
tudo que se refere a ela. |
Qual a habilidade mais útil e necessária para o
exercício da profissão?
Gostar do que faz. |
Na sua opinião qual o perfil ideal para um profissional
desta área?
Ter carisma para cativar o público (que é seu cliente/paciente),
gostar de estudar sempre, preocupar-se com a saúde e ser flexível. |
Qual o maior desafio para o exercício de sua profissão?
Saber entender as necessidade do público para o qual está
trabalhando. O profissional pode ter toda a teoria, mas não adianta
nada se não souber como aplicá-la. |
É possível trabalhar como autônoma ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
Os dois jeitos são possíveis. No meu caso, sou 100% autônoma,
mas é comum grandes empresas terem em sua lista de pagamento profissionais
de nutrição. E mesmo uma nutricionista que estiver contratada
em uma empresa pode fazer trabalhos extras. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Depende do objetivo de cada um. O custo inicial para atender é baixo,
basta uma sala, computador, poucos móveis e balança. Tudo
facilmente pago com poucos clientes. Mesmo assim, o profissional acaba ganhando
muito pouco no início, mas o lucro vem rápido. Basta saber
reinvesti-lo bem em novos conhecimentos e em projetos empreendedores. |
Como é o mercado de trabalho, é difícil conseguir
emprego na área?
Atualmente, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, mas
a área de alimentos e nutrição está crescendo
muito. Há muitos empregos – e muitos candidatos para as vagas.
Portanto, não acho difícil conseguir emprego, desde que o
candidato saiba o que quer, tenha as qualidades necessárias e corra
atrás de seu objetivo. |
O que mais agradou/surpreendeu de forma positiva?
Surpreendo-me com coisas que podem mudar a vida do paciente e sua auto-estima.
É o caso de pacientes desiludidos, com hábitos e saúde
muito ruins, que de repente dão a volta por cima e se tornam pessoas
saudáveis, com rotinas saudáveis e praticantes de atividade
física. Esses exemplos de vida e determinação me levam
a ter muita satisfação por fazer parte desse resultado. |
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Nome / idade: Tony de Cala, 38 anos
Formação / ano: Universidade Paulista (Unip),
em 1995
Ocupação atual: Proprietário e diretor-executivo
da empresa dC Marketing Esportivo
Destaques da carreira: especialização em
gestão do esporte pela Faculdade Trevisan | atuou como diretor
de marketing da agência Namosca, gerenciando contas como a da Adidas |
Em que medida você interage com outras pessoas
durante o seu trabalho?
Em agência, você interage bastante com pessoas, em diversas
reuniões. É claro que você também realiza atividades
sozinho e, dependendo do seu cargo, com o auxílio de outras pessoas. |
Você trabalha nos fins de semanas?
Com que freqüência?
No meu caso, trabalho em quase todos os fins de semana. Atuo com marketing
esportivo e, normalmente, os jogos acontecem aos fins de semana. Com o tempo,
você acaba se acostumando. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Sim, sem o menor problema. Porém, isso é bem difícil
aqui no Brasil. O home office ainda é um grande tabu por aqui. Muitas
vezes, penso: "Por que estou aqui? Poderia tranquilamente fazer isso
do meu laptop, num café qualquer ou em casa". Mas isso ainda
é uma grande utopia. No futuro, será uma tendência,
até para atender às necessidades do mercado. |
Assim que se forma, quais são os caminhos que o recém-formado
pode seguir na profissão?
O caminho mais indicado é um estágio antes de você se
formar, mesmo que não seja numa grande agência. Pode ser num
veículo, numa produtora, numa empresa, agência de pequeno porte.
Esse estágio vai lhe dar bagagem para que, após a sua formatura,
você ingresse no mercado com uma boa experiência. No caso de
carreira acadêmica, o que mais conta é o network, sua rede
de relacionamentos: estar em contato com pessoas da área, passando
as suas experiências e sempre trocando informações.
No mundo da propaganda e marketing, network é essencial. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar
várias empresas de início ou já se estabelecer em um
único emprego?
Ao ingressar no mercado de trabalho, é importante estar aberto a
aprender de tudo um pouco. Uma agência tem diversos departamentos:
criação, eventos, mídia, produção, operações,
planejamento – enfim, é muito difícil você se
estabelecer em um único emprego ou departamento até pela pouca
experiência. Com o tempo, você vai perceber onde melhor se encaixa. |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
Neste mercado, é preciso se atualizar SEMPRE. Pós-graduação
é muito importante, especialização, cursos de pequena
duração – os chamados cursos de férias –
enfim, tudo o que estiver ao seu alcance. Quanto a curso de línguas,
isso é extremamente importante e o mercado hoje valoriza quem sabe
outra língua além do inglês. |
O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Sem trocadilhos, o que mais me decepcionou é a chamada "propaganda
enganosa": na entrevista de emprego para a agência, eu achei
que era uma coisa; no dia-a-dia de trabalho, vi que não era nada
daquilo. Mas valeu como aprendizado. |
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
O que mais me agradou é que o Brasil mudou muito e, cada vez mais,
o mercado publicitário cresce e se profissionaliza. Estamos na véspera
do maior evento esportivo do mundo – a Copa do Mundo de 2014 –
e isso vai abrir muito o nosso mercado. Nos próximos cinco anos,
o mercado publicitário e de eventos vai sofrer uma grande revolução.
É importante estarmos preparados para esse novo desafio. |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
Tudo tem o seus prós e contras. Trabalhar como empregado tem as suas
vantagens, como estabilidade e vínculo empregatício, por exemplo,
mas obviamente tem seus problemas. Empreendedorismo é fundamental
para que você consiga trabalhar como autônomo ou até
mesmo abrir o seu próprio negócio, como foi o meu caso.
|
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
O perfil ideal de um profissional nessa área é uma pessoa
extremamente antenada, versátil, aberta a aceitar novos desafios,
organizada, atualizada com assuntos gerais – e a internet é
um grande canal para estar por dentro de tudo o que acontece no nosso mercado. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Crescer no mercado sem deixar de lado a satisfação do cliente.
Atender a muitos clientes sem a estrutura devida é um erro estratégico
muito grande. O grande desafio é dosar a equação de
crescimento versus satisfação do cliente. |
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
Na verdade, eu coloco dois pontos fundamentais: administração
do tempo, esse é o grande paradigma do nosso mercado. Perde-se muito
tempo com reuniões intermináveis, processos internos burocráticos
e, muitas vezes, o cliente – que é o principal – fica
em segundo plano. O outro ponto é estar sempre atualizado. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Não existe um tempo certo, mas eu diria que cinco anos aproximadamente
é o tempo ideal para que você consiga atingir a tão
sonhada estabilidade.
|
Como você descobriu que queria fazer publicidade?
Na verdade, o que contribuiu para a minha decisão foi oportunidade
de mercado. Tudo passou pela escolha da carreira e a análise do mercado
de trabalho. Nessas horas, temos que ser racionais. Não é
uma decisão fácil, mas tenho a felicidade de trabalhar com
aquilo de que gosto. |
O que se deve fazer para destacar-se na área?
Alguns fatores como um bom curso de publicidade, estágio durante
a faculdade, uma pós-graduação ou intercâmbio
ajudam muito. Mas além disso tudo, o que o mercado mais necessita
é de especialização. Acabou o tempo em que o bom profissional
era aquele que sabia de tudo. É necessário se especializar
em alguma área do marketing e da publicidade para ter destaque no
mercado. |
Como está o mercado de trabalho para publicidade? Fale
um pouco mais do dia-a-dia de um profissional em uma agência de publicidade.
Publicidade é um dos mercados que mais cresce no Brasil. As grandes
holdings da publicidade internacional estão presentes no nosso país.
Uma área de grande destaque nos últimos anos é a de
branding, ou seja, a atividade de tornar a marca ativa em seu mercado, levá-la
ao contato direto com o consumidor, através eventos, experimentação
e outras atividades. O dia-a-dia de uma agência de publicidade passa
pelo constante desafio de satisfazer o nosso principal ativo: o cliente.
Todas as áreas da agência têm que funcionar para que
o trabalho seja entregue de forma clara e direta, atendendo às necessidades
do cliente. Qualquer vacilo pode significar a perda da conta – e concorrência
não falta nesse mercado. |
RELAÇÕES
PÚBLICAS
Nome / idade: Angelina Gonçalves de Faria Pereira,
46 anos
Formação / ano: Instituto Cultural Newton
Paiva Ferreira, em 1986
Ocupação atual: Assessora de comunicação
social da Superintendência de Museus da Secretaria de Estado de
Cultura de Minas Gerais e presidente do Conselho Federal de Profissionais
de Relações Públicas
Destaques da carreira: pós-graduação
em políticas públicas e gestão governamental pela
Fundação João Pinheiro (MG) | professora da Faculdade
Anhanguera | atuou como assessora de relações públicas
da Fundação Clóvis Salgado - Palácio das Artes |
Em que medida você interage com outras pessoas
durante o seu trabalho?
A interação do profissional de relações públicas
com outras pessoas é muito grande, pois ele é o responsável
por intermediar a comunicação da instituição
com seus diversos públicos, sejam eles internos (funcionários
e seus familiares) ou externos (comunidade, imprensa, governo, fornecedores,
consumidores). É por meio desta interação que este
profissional terá condições de detectar algum problema
na organização e desenvolver estratégias e ações
de comunicação direcionadas para aquele público específico.
Para que o profissional de relações públicas desempenhe
seu papel com eficiência, é fundamental que ele tenha bom relacionamento
também com os gestores e, principalmente, com o departamento de recursos
humanos, pois muitas ações que serão desenvolvidas
na empresa precisarão do envolvimento destas áreas e também
de todos os funcionários da instituição, afinal de
contas, ninguém trabalha sozinho. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é
melhor experimentar várias empresas de início ou já
se estabelecer em um único emprego?
A melhor fase para experimentar e adquirir experiência é quando
ainda somos estudantes. Neste caso, esta experiência pode ser adquirida
por meio dos estágios, que podem ser desenvolvidos em uma agência
de comunicação, em um departamento de relações
públicas de uma empresa pública ou privada, e até desenvolvendo
trabalhos voluntários, pois o mais importante para você neste
momento é criar a sua própria rede de relacionamentos. As
oportunidades aparecem onde menos esperamos. Para entrar no mercado de trabalho
não basta ter o diploma de comunicação social com habilitação
em relações públicas, pois esta é uma profissão
regulamentada. Neste caso, além de ter a graduação,
o aluno deve solicitar o seu registro junto a um conselho regional. Quando
se torna um profissional devidamente registrado e entra no mercado de trabalho,
sugiro que ele se estabeleça primeiro em uma organização
e tente aprimorar ao máximo o conhecimento adquirido na academia.
Depois de um determinado tempo nessa organização, se ele começar
a sentir que poderia desenvolver muito mais ou não está satisfeito
financeira e profissionalmente, aí, sim, deve procurar outra empresa
que atenda às suas necessidades e expectativas. Para se firmar num
mercado tão competitivo é necessário que o relações
públicas construa a sua própria imagem profissional, que só
é possível com muito trabalho e atualização
constante. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
O profissional de relações públicas terá flexibilidade
em seu horário de trabalho quando desenvolver atividade como autônomo,
como acontece com os consultores e assessores de relações
públicas. Caso o profissional trabalhe em uma empresa pública
ou privada, certamente ele terá que obedecer ao horário de
trabalho destas instituições. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
Sim, trabalho também nos fins de semana, mas de forma esporádica.
Esta demanda só ocorre quando acontecem eventos ou atividades realizadas
pela empresa nos sábados e domingos. |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
Atualização é necessária em qualquer profissão.
O Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas
acaba de divulgar pesquisa que mostra que 44% dos profissionais de relações
públicas registrados no país possuem alguma especialização
e 17% estão com a especialização em curso. O conhecimento
de uma língua estrangeira não é apenas necessário
e, sim, obrigatório em nossa profissão. |
O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
A cada dia que passa, tenho certeza absoluta de que escolhi a profissão
certa. Mas não é só na minha profissão, acredito
que todos os profissionais sentem que suas profissões deveriam ser
mais valorizadas pela sociedade. |
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A possibilidade exercer várias atividades, a questão estratégica,
os relacionamentos que se criam no exercício da profissão
e o status do cargo, sempre muito perto e participativo junto ao centro
de tomada de decisões da instituição. |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
No Brasil e na America Latina a profissão de relações
públicas tem como principal característica a "departamentalização",
ou seja, a atuação em departamentos e setores de comunicação
e relações públicas de uma empresa pública ou
privada. Na Europa e nos Estados Unidos, o profissional de relações
públicas é autônomo, prestando serviços de consultoria
para empresas públicas ou privadas; ou é dono de agências
de comunicação e relações públicas. No
Brasil, a cada dia cresce este tipo de atuação profissional
e hoje já é possível encontrarmos vários profissionais
autônomos atuando como consultores ou assessores. |
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
O profissional de relações públicas deve ser dinâmico,
pró-ativo e vanguardista. Deve ter a capacidade de ler e prever cenários.
Ser ético e correto, sempre atento às questões socioculturais
e econômicas de nossa sociedade. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
O maior desafio para o exercício da profissão é mensurar
os resultados dos investimentos feitos pela empresa, pois o trabalho do
profissional de relações públicas é intangível.
É preciso que ele fique atento e demonstre sempre que necessário,
seja por meio de relatório ou de dados estatísticos, o retorno
deste investimento. |
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
É preciso que o profissional tenha, acima de tudo, um bom relacionamento
interpessoal e capacidade gerencial, pois ele é responsável
pela interlocução com todos os públicos da organização. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Como em qualquer profissão, a estabilidade vem com o tempo e está
associada ao desempenho de seu trabalho enquanto profissional e de sua postura
ética. Para mim, a "estabilidade" está intimamente
ligada à construção do nome da pessoa no exercício
de sua profissão. |
Quais são os exemplos de empresa que um relações
públicas pode trabalhar?
Qualquer empresa que perceba que deve trabalhar o relacionamento com seu
público, ou seja: todas. Empresas privadas de pequeno, médio
e grande porte, passando por instituições públicas,
ONGs etc. O mercado para o profissional de relações públicas
tem crescido muito nas micro e pequenas empresas. Vale ressaltar que no
Brasil 98% das empresas são micro ou pequenas.
|
Algumas pessoas dizem que o curso de relações públicas
está muito desvalorizado no mercado de trabalho e que só têm
vagas em grandes empresas. Isso é verdade?
Não é verdade. O mercado esta em amplo crescimento para a
atuação profissional de relações públicas.
As empresas estão percebendo que a manutenção de sua
imagem no mercado está vinculada ao relacionamento que elas estabelecem
com seus públicos (funcionários, fornecedores, comunidade,
imprensa, mundo oficial, dentre outros). E esse relacionamento deve ser
feito de forma profissional. Uma oportunidade para o profissional. O mercado
está aberto para todos aqueles profissionais que estejam dispostos
a trabalhar e mostrar a sua competência. |
Quais são as áreas em que se pode trabalhar?
O profissional de relações públicas pode atuar em empresas
de grande porte, instituições públicas, micro e pequenas
empresas, ONGs, desenvolvendo ações de comunicação
interna e externa, no terceiro setor em ações de relacionamento
com comunidades e responsabilidade social. Cerimonial e organização
de eventos, assessoria de imprensa, relacionamentos on-line e em muitas
outras áreas.
|
Como é o dia-a-dia de um profissional de relações
públicas?
É duro, mas é muito é recompensador. O profissional
de relações públicas deve iniciar seu dia informado
sobre o mercado de atuação da empresa em que trabalha. A jornada
pode ser muito calma ou muito agitada, dependendo do projeto ou ação
em que ele esteja envolvido. Muita conversa de trabalho com sua equipe,
profissionais da empresa, muitas ideias e poucos recursos, alguns sustos
e muitas surpresas, mas no final do dia é sensação
do trabalho cumprido é muito gratificante. |
TURISMO
Nome / idade: Vanessa Rolim, 35 anos
Formação / ano: Faculdade Luís Antonio
Machado, em 1995
Ocupação atual: Gerente de reservas da
Marriott Brasil em São Paulo
Destaques da carreira: atuou em hotéis como Renaissance,
Gran Meliá (atual Sheraton WTC) e rede Estanplaza (SP) | especialista
em turismo em resorts, telemarketing reativo e excelência em atendimento
pela Signature do Brasil |
Em que medida você interage com outras pessoas
durante o seu trabalho?
Trabalho em uma central de reservas regional, com uma equipe de 18 pessoas.
Esse grupo atua em conjunto com vários outros departamentos da empresa,
como a área de vendas, controladoria e recepção. Minha
função é estabelecer a estratégia de trabalho
para a equipe, em conjunto com as áreas relacionadas, para que as
vendas estejam alinhadas aos objetivos dos hotéis para cada período
específico. Para isso, fazemos reuniões constantes, observando
tendências de mercado, feedback de clientes, resultados, históricos
anteriores e, assim, tomamos decisões e orientamos a equipe. |
O mercado diferencia um graduado de um
técnico em turismo? Essa diferenciação é positiva
ou não? É claro que o preparo acadêmico
é importantíssimo, e pode, sim, fazer a diferença na
hora da seleção de um currículo para entrevista. Porém,
ter um diploma não define o profissional na prática. O que
realmente faz diferença é o perfil da pessoa, sua disposição
e sua experiência: de nada vale ter uma pós graduação
e MBA se não souber sorrir e atender bem.
Sobre sua outra questão: o turismo só significa viajar quando
se escolhe trabalhar como guia de turismo, por exemplo. Na verdade, é
quase o oposto: é trabalhar para se criar uma estrutura que permita
ao viajante se sentir acolhido e amparado – e isso quase sempre é
desenvolvido na sua cidade mesmo. Dessa forma, é possível,
sim, trabalhar numa área administrativa e não ter contato
direto com o viajante, por exemplo. |
Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Meu horário de trabalho é razoavelmente fixo, podendo variar
de acordo com a demanda de ligações ou alguma necessidade
específica. Geralmente, trabalho em horário comercial. |
Assim que me formo, quais são os caminhos que posso seguir
na profissão?
Em hotelaria, há uma grande variedade de opções, dependendo
da área escolhida. Todas elas oferecem a possibilidade de desenvolver
uma carreira acadêmica em paralelo a partir de um certo nível
de experiência, e algumas oferecem a possibilidade de mudança
de área de atuação. |
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar
várias empresas de início ou já se estabelecer em um
único emprego?
O setor hoteleiro é bastante versátil e dinâmico, e
as pessoas costumam trabalhar em várias redes diferentes. Nada impede,
porém, que você se identifique logo com o primeiro hotel e
se estabeleça de vez ali. Entretanto, o mais comum é a grande
movimentação de pessoal entre os hotéis. |
É necessário se atualizar de forma permanente na
sua profissão?
Com a globalização, é fundamental manter-se atualizado
com a tecnologia e a informação, e as especializações
só têm a agregar. No setor hoteleiro, por se tratar de um ambiente
ainda mais global, quanto mais idiomas o profissional dominar, melhor. O
inglês é imprescindível, e outras línguas são
um grande diferencial. |
O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
Foi um pouco difícil me adaptar ao ritmo e coordenar minha vida a
partir do momento em que passei a trabalhar aos sábados e domingos,
o que é bastante comum na hotelaria. Eu folgava durante a semana,
quando todos trabalhavam, e eles viajavam nos feriados, enquanto eu estava
trabalhando no balcão da recepção. A adaptação
exige bastante força de vontade e dedicação.
|
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
O retorno imediato que temos do nosso trabalho. Comecei na recepção:
cara a cara com o hóspede, sabemos na mesma hora se fizemos um bom
trabalho ou não. Aprendi a me auto-motivar desta forma, por meio
deste retorno imediato. Não há nada melhor do que um hóspede
agradecer sorrindo, com sinceridade. Faz a gente ter orgulho de todo o trabalho
que tivemos para atendê-lo. |
É possível trabalhar como autônomo ou empresário
na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre
como empregado?
A menos que você abra seu próprio hotel ou pousada, a tendência
é de seguir cada vez para hotéis maiores, ou para escritórios
corporativos, em posições mais estratégicas. A hotelaria
é uma área que permite bastante flexibilidade de movimentação
entre os departamentos e desenvolvimento da carreira. |
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional
dessa área?
Antes de mais nada, é preciso ter o que a rede Marriott chama de
"espírito de servir": ter "alma de hoteleiro".
É preciso ter paixão pela profissão, ser dinâmico
e bem-humorado, tem que estar disposto a ir além e surpreender os
hóspedes e ter a genuína intenção de fazer com
que eles se sintam em casa. É preciso muito esforço e dedicação,
fazendo escolhas difíceis em prol da carreira. |
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
O maior desafio é equilibrar a vida pessoal e a profissional. É
complicado tentar combinar as férias escolares dos filhos, o cinema
com o marido e as reuniões de última hora em pleno fim de
semana. É complicado, mas não impossível. |
Qual habilidade é a mais útil e necessária
para o exercício da profissão?
Comunicação e empatia com clientes, além de muito jogo
de cintura e improvisação. Conseguir um jato particular e
ingressos para levar um sheik até Nova York para assistir ao musical
Cats no fim de semana, só porque ele estava com tempo livre e morrendo
de vontade de ver a peça, é um exemplo disso. |
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar
certa "estabilidade" na sua carreira?
Esse tempo é bastante relativo, dependendo da área e da sua
disposição. No meu caso, conquistei o primeiro cargo de gerência
com 25 anos, mas já vi tanto pessoas o fazerem mais cedo como o contrário. |
Como está o mercado de trabalho hoje, e as previsões
para daqui a quatro anos.
Acredito que a economia está começando a se estabilizar novamente,
e investimentos voltaram a ser feitos em novos hotéis em todo o país
– o que é excelente para o mercado de trabalho. Estou torcendo
para que o ritmo de crescimento deste mercado se recupere o mais rápido
possível. |
Com o que o turismólogo trabalha? Qual é sua rotina?
O turismólogo tem uma infinidade de áreas de atuação
para escolher: administração, hotelaria, agências de
viagem, restaurantes etc. Pode-se trabalhar na Embratur, por exemplo, ou
na contabilidade, em um bar, como guia de turismo. Enfim, há uma
ampla gama de opções de trabalho na área. A rotina
está diretamente ligada à área escolhida e pode variar:
desde efetuar planilhas de controle, como acompanhar grupos em excursões
ou gerenciar um restaurante. |
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Como uma boa hoteleira, sim. Às vezes, é preciso trabalhar
no fim de semana, principalmente porque a central está aberta aos
sábados e, normalmente, este é o dia ideal para resolvermos
assuntos internos – como reuniões de departamento, por exemplo. |
Há mais ou menos dois anos, pessoas diziam que esta profissão
teria grande fôlego porque as pessoas estariam cada vez mais estressadas
e poderiam priorizar o turismo para descansar, viajar etc. Isto ainda é
válido na sua opinião?
Na minha opinião, as pessoas são bem criteriosas para viajar
a lazer. Porém, eu posso falar melhor de outro turismo que se desenvolve
cada vez mais: o de negócios. As pessoas precisam viajar para buscar
mais oportunidades e opções de mercado, para fechar novos
contratos e ampliar sua área de atuação – e esta
é a grande base dos hotéis metropolitanos. Nos grandes pólos
turísticos é diferente, as atenções estão
voltadas para grupos de incentivo das empresas. |
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Fonte: Revista