Recomende esta página para um amigo
Imprimir
Índice: B
Capa Biografias
No
exercício despótico do cargo de primeiro-ministro, Mussolini reunificou a Itália,
implantou reformas sociais e restaurou à força a ordem perturbada por greves e
distúrbios. Perdeu-se, no entanto, pela ambição de construir um império por meio
da guerra de conquista.
Benito Amilcare Andrea Mussolini nasceu em Dovia
di Predappio, na província de Forli, em 29 de julho de 1883, filho de um
ferreiro. Começou a trabalhar como professor, mas logo seu interesse se voltou
para a revolução. Em 1902 mudou-se para a Suíça, numa tentativa de escapar do
serviço militar, mas suas atividades esquerdistas acabaram por causar sua
expulsão do país. De volta à Itália, esteve em Trento, então sob o domínio
austríaco, onde foi novamente preso e expulso. Nessa época, suas leituras
filosóficas, especialmente as de Nietzsche, haviam firmado sua crença na
violência como elemento fundamental para a transformação da sociedade.
Nomeado em 1910 secretário do Partido Socialista
em Forli, começou a editar o jornal La Lotta di Classe. Depois de liderar um
movimento operário contra a guerra turco-italiana, foi condenado a cinco meses
de prisão.
Seu prestígio aumentava e em 1911, Mussolini já
era um dos principais dirigentes socialistas da Itália. No ano seguinte passou a
editar o Avanti!, órgão oficial do Partido Socialista, cuja tiragem fez crescer
muito. Em 1914, sustentou a neutralidade da Itália na primeira guerra mundial,
de acordo com a linha do Partido Socialista. Aos poucos, porém, passou a
defender a França e o Reino Unido e foi expulso do partido. Fundou então o
jornal Il Popolo d'Itália, no qual continuou a defender a entrada da Itália na
guerra, e organizou os Fasci d'Azione Rivoluzionaria (Grupos de Ação
Revolucionária). Em abril de 1915 voltou a ser preso.
Depois que a Itália declarou guerra à Áustria,
Mussolini foi convocado. Ferido em 1917, voltou a editar seu jornal, cada vez
mais violento no ataque aos socialistas. Em 1919 fundou os Fasci di
Combattimento (Grupos de Combate), em Milão. O novo movimento, de ideologia
socialista e nacionalista, pregava a abolição do Senado, a instalação de uma
nova constituinte e o controle das fábricas por operários e técnicos.
Em 1920, um movimento operário no norte da Itália
foi inicialmente apoiado por Mussolini, que chegou a propor uma frente comum
contra os patrões e os trabalhadores de extrema-esquerda. Rejeitada a proposta e
contornada a situação pelo governo liberal, Mussolini capitalizou a seu favor o
pânico da burguesia em relação ao comunismo, e o movimento recebeu vultosas
contribuições pecuniárias. Surgiram as Squadre d'Azione, milícias
anticomunistas, vistas com bons olhos tanto por liberais como por
democrata-cristãos, esta na época a maior força política da Itália.
Em 1921, Mussolini foi eleito para o Parlamento, e
os Fasci di Combattimento passaram a chamar-se Partido Nacional Fascista. Depois
de organizar em outubro de 1922 a marcha contra Roma, o Duce, como Mussolini era
chamado, recebeu do rei Vítor Emanuel a incumbência de formar um novo governo,
no qual predominavam, em princípio, liberais e democrata-cristãos. O Parlamento
conferiu a Mussolini plenos poderes. Em 1923 foi criado o Grande Conselho
Fascista e oficializadas as Squadre d'Azione, com o nome de Milizia Volontaria
per la Sicurezza Nazionale.
Em 1925 instaurou-se a ditadura fascista. Todas as
formas de oposição foram suprimidas; os candidatos a postos eletivos passaram a
ser indicados pelas associações fascistas; as corporações profissionais,
diretamente controladas pelo governo, substituíram os sindicatos; os códigos
judiciários foram revistos; e a polícia ganhou plenos poderes.
Em política externa, as aspirações de Mussolini
foram limitadas na prática pelo reduzido poderio militar da Itália. Em 1927, ele
estabeleceu um protetorado sobre a Albânia; em 1935 invadiu a Etiópia; e em 1937
interveio na guerra civil espanhola.
Durante a segunda guerra mundial, sua aliança com
Hitler, decidida no auge das conquistas militares alemãs, permitiu-lhe
incorporar territórios da Iugoslávia.
Derrotado na Grécia em 1940 e na África em 1941, teve sua liderança repudiada
pelo Grande Conselho Fascista em 1943. Destituído e preso, foi libertado pelos
alemães e tentou manter-se no poder no norte da Itália, mas, já desmoralizado
e isolado, foi preso por partigiani (guerrilheiros) italianos, ao tentar
fugir para a Suíça. Julgado sumariamente, foi fuzilado com sua amante, Clara Petacci,
em Dongo, Itália, em 28 de abril de 1945. Seus corpos foram pendurados de cabeça
para baixo numa praça de Milão.