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Índice: D
Capa Biografias
Artista
famoso pela intensidade de suas cores e por experimentos que o levaram a revolucionar
a maneira de trabalhar os tons, Eugène Delacroix é o mais conhecido representante
do estilo romântico na pintura. As cenas de paixão, violência e sensualidade,
aliadas ao colorido das vestes e paisagens, fizeram a fama desse pintor da nobreza,
nascido Ferdinand-Victor Eugène Delacroix a 26 de abril de 1798, no subúrbio parisiense
de Saint-Maurice.
Seu pai, um membro do governo que havia votado a favor da execução de Luís 16, em 1793, morreu quando
Delacroix tinha sete anos. O então pequeno Eugène vivia em Bordeaux, e alguns meses mais tarde retornaria a
Paris com a família. Sua mãe morreu em 1814, restando-lhe viver com a irmã, Henriette. Um ano depois,
inscreve-se como aprendiz no estúdio de Pierre-Narcisse Guérin, famoso pintor e professor de sua época.
Tinha início uma produção artística que só teria fim com sua morte, 48 anos depois.
Delacroix ingressa na Escola de Belas Artes de Paris, e é ali que conhece Theódore Géricault, um jovem
pintor que lhe seria de grande influência por sua dramaticidade e maneira inovadora de usar as cores.
Diferentemente dos artistas mais clássicos e acadêmicos, Géricault inspira Delacroix a inovar tanto na
composição quanto na escolha de temas mais políticos e atuais para suas telas.
Artista culto e bem-relacionado, Delacroix era também um homem elegante e espirituoso, apesar de
demonstrar, por vezes, um temperamento explosivo. Foi amigo do casal Chopin e George Sand, e bastante
influenciado pelos trabalhos intensos e dramáticos de Rubens, pelas paisagens do inglês John Constable e
pelos poemas de Lord Byron, cujos temas transportou para diversos trabalhos. Sua obra mais famosa, "A
Liberdade Guiando o Povo" (1831), foi um sucesso por prestar glórias à democracia e à revolução que, um
ano antes, levara Luís Felipe ao poder. A obra foi imediatamente adquirida pelo governo pela quantia de
6.000 francos, bastante alta na época.
A viagem de quase seis meses à Espanha, Marrocos e Argélia, em 1832, seria importantíssima na trajetória do
artista, que a partir daí passou a retratar temas e episódios do Oriente Médio. As cores se intensificaram
e mostravam-se mais vibrantes. Delacroix passa a realizar trabalhos de grande escala em prédios públicos e
igrejas, pintando murais e painéis. O Salão do Rei e a biblioteca do Palácio Bourbon, além da biblioteca do
Palácio de Luxemburgo ostentam, até hoje, obras de grandes dimensões realizadas por ele.
Tendo participado diversas vezes do Salão de Paris e premiado com a Grande Medalha de Honra e a comenda da
Legião de Honra, foi eleito, ainda, membro da Academia de Belas Artes de Paris. Até um ministério
Delacroix assumiu após a revolução de 1830. Tantas honrarias, porém, não impediram que o artista passasse
seus últimos anos de vida recluso em seu estúdio em Paris, sem filhos ou muitos amigos. Suas crises de
laringite, que lhe afligiram durante grande parte da vida, foram a causa de sua morte, aos 65 anos.
Contexto histórico - As cores e os dramas de uma época
Delacroix nasceu em 1798, quase 10 anos após os acontecimentos que culminaram na "Revolução Francesa".
Napoleão Bonaparte se tornou Imperador em 1804 e, mesmo após sua prisão e exílio, em 1815, ideais
iluministas continuaram a se disseminar, baseados numa visão de mundo centrada no indivíduo, na razão e na
ciência para entender e explicar o mundo. É sob essa atmosfera que Eugène Delacroix inicia sua trajetória
artística, marcada por obras onde representaria acontecimentos histórico-políticos e homenagens à
democracia, à liberdade e à paz.
Considerado o maior expoente do Romantismo na arte, era um artista que acreditava que sua pintura tinha por
dever expressar todo tipo de experiência emocional intensa: paixão, luxúria, tristeza, violência, morte,
vitórias e derrotas. Seu uso inovador das cores, deixando de lado a tradicional técnica do "sfumato" ao se
pintar sombras, também é marcante: Delacroix sobrepunha cores complementares para obter maior riqueza e
vivacidade em suas telas (cada uma das três cores primárias possui sua complementar, que resulta da fusão
das outras duas).
Essa inovação técnica iria influenciar artistas de movimentos posteriores, impressionistas e
pós-impressionistas. Seu gosto por imagens exóticas influenciaria artistas do Simbolismo. Mas o perfil
extremamente romântico iria contrapor Delacroix a artistas mais clássicos e acadêmicos, típicos das escolas
de Belas Artes. Ingres talvez tenha sido seu maior "rival", e se notabilizou como "pintor oficial" ao
retratar personagens históricos famosos, como Napoleão e sua esposa Josefina.
De produção intensa e contínua ao longo da vida, após sua morte foram contabilizados em seu estúdio 853
pinturas, 1.525 pastéis, 6.629 desenhos e diversas estampas, litogravuras e cadernos de esboços. Levava
sempre um caderno à mão, a fim de poder passar para o papel toda idéia que lhe viesse à mente. Afirmava que
"se você não tiver habilidade suficiente para esboçar um homem caindo pela janela no espaço de tempo que o
corpo leva para chegar do quinto andar ao chão, então jamais será capaz de produzir uma obra de valor". Em
outra de suas frases, definiu bem sua postura como artista e intelectual: "Deve-se ter audácia ao extremo;
sem ousadia, sem extrema ousadia, não há beleza".
Fonte: Folha de S. Paulo
Conheça
algumas obras do artista