Recomende esta página para um amigo
Imprimir
Índice: G
Capa Biografias
João Guimarães Rosa nasceu
em Codisburgo (MG) e morreu no Rio de Janeiro em 1967. Filho de um comerciante
do centro-norte de Minas, fez os primeiros estudos na cidade natal, vindo a cursar
Medicina em Belo Horizonte. Formado Médico, trabalhou em várias cidades do interior
de Minas Gerais, onde tomou contato com o povo e o cenário da região, tão presentes
em suas obras.
Autodidata, aprendeu alemão e russo, e tornou-se diplomata, trabalhando em vários
países. Veio a ser Ministro no Brasil no ano de 1958, e chefe do Serviço de Demarcação
de Fronteiras, tratando de dois casos muito críticos de nosso território: o do
Pico da Neblina e das Sete Quedas. Seu reconhecimento literário veio mesmo na
década de 50, quando da publicação de Grande
Sertão: Veredas e Corpo de Baile, ambos de 1956. Eleito para ocupar
cadeira na Academia Brasileira de Letras no ano de 1963, adiou sua posse por longos
anos. Tomando posse no ano de 1967, morreu três dias depois, vítima de um enfarte.
Guimarães Rosa é figura de destaque dentro do Modernismo.
Isso se deve ao fato de ter criado toda uma individualidade quanto ao modo de
escrever e criar palavras, transformando e renovando radicalmente o uso da
língua.
Em suas obras, estão presentes os termos coloquiais típicos
do sertão, aliados ao emprego de palavras que já estão praticamente em desuso.
Há também a constante criação de neologismos nascidos a partir de formas típicas
da língua portuguesa, denotando o uso constante de onomatopéias e aliterações. O
resultado disso tudo é a beleza de palavras como "refrio", "retrovão", "levantante",
"desfalar", etc., ou frases brilhantes como: "os passarinhos que bem-me-viam",
"e aí se deu o que se deu – o isto é".
A linguagem toda
caracterizada de Guimarães Rosa reencontra e reconstrói o cenário mítico do
sertão tão marginalizado, onde a economia agrária já em declínio e a rusticidade
ainda predominam. Os costumes sertanejos e a paisagem, enfocada sob todos os
seus aspectos, são mostrados como uma unidade, cheia de mistérios e revelações
em torno da vida. A imagem do sertão é, na verdade, a imagem do mundo, como se
prega em Grande Sertão: Veredas. O sertanejo não é simplesmente o ser
humano rústico que povoa essa grande região do Brasil. Seu conceito é ampliado:
ele é o próprio ser humano, que convive com problemas de ordem universal e
eterna. Problemas que qualquer homem, em qualquer região, enfrentaria. É o
eterno conflito entre o ser humano e o destino que o espera, a luta sem tréguas
entre o bem e o mal dentro de cada um, Deus e o diabo, a morte que nos
despedaça, e o amor que nos reconstrói, num clima muitas vezes mítico, mágico e
obscuro, porém muitas vezes contrastando com a rusticidade da realidade. Seus
contos seguem também, de certa forma, a mesma linha desenvolvida dentro de seu
único romance.