Recomende esta página para um amigo
Imprimir
Índice: J
Capa Biografias
Jânio da Silva Quadros nasceu
em Campo Grande, no então estado de Mato Grosso e atual capital do Mato Grosso
do Sul, no dia 25 de janeiro de 1917, filho de Gabriel Quadros e de Leonor da
Silva Quadros. Em 1935, ingressou na Faculdade de Direito. Formado, montou um
pequeno escritório de advocacia no centro da capital e começou a lecionar em dois
colégios.
Concorreu a vereador nas
eleições de 1947, pela legenda do Partido Democrata Cristão (PDC), não obtendo
votos suficientes para sua eleição. Porém, com a suspensão do registro do
Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a posterior cassação dos mandatos de seus
parlamentares, sobraram muitas cadeiras na Câmara Municipal de São Paulo, onde o
PCB possuía a maior bancada. Jânio foi um dos suplentes chamados a preencher
esses lugares em 1948. Seu trabalho como vereador foi decisivo para projetá-lo
na vida política paulista.
Seu prestígio cresceu tanto que
em outubro de 1950 foi eleito deputado estadual. No exercício do mandato,
percorreu todo o interior do estado, sempre insistindo na bandeira da
moralização do serviço público e pedindo sugestões ao povo para resolver os
problemas de cada região. A capital paulista assistiu, no início de 1953, à
primeira campanha eleitoral para a prefeitura em 23 anos, desde a Revolução de
1930. Jânio foi lançado candidato do PDC em coligação com o Partido Socialista
Brasileiro (PSB), vencendo por larga margem as principais máquinas partidárias
locais.
Assumiu a prefeitura aos 36
anos, e um dos seus primeiros atos foi promover demissões em massa de
funcionários, iniciando uma cruzada moralizadora que marcou sua gestão. Em 1954
desincompatibilizou-se do cargo para candidatar-se a governador do estado de São
Paulo. Vencendo as eleições, foi empossado governador em 31 de janeiro de 1955.
Desde o início do seu governo, procurou ampliar seu espaço político no nível
nacional, estabelecendo contatos com o presidente João Café Filho. A aproximação
entre ambos criou condições mais propícias para o governo paulista realizar um
trabalho de recuperação financeira do estado.
Com a posse de Kubitschek em
janeiro de 1956, começou a aplicação do Plano de Metas. São Paulo foi o estado
mais beneficiado com a implantação de novas indústrias e a concentração de
crédito mas, apesar disso, Jânio permaneceu alinhado com a oposição udenista em
relação a aspectos importantes da política econômica vigente. A expansão
econômica de São Paulo nesse período se refletiu no aumento da receita
tributária do estado e na criação de condições favoráveis à diminuição do
déficit financeiro herdado dos governos anteriores.
A campanha para a sucessão
presidencial de 1960 foi realizada em um quadro alterado pelas transformações
econômicas e sociais ocorridas durante o governo de Kubitschek, cuja política
desenvolvimentista provocou um grande crescimento das cidades.
No dia 20 de abril de 1959, um
grupo reuniu-se na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no Rio de Janeiro e
fundou o Movimento Popular Jânio Quadros (MPJQ), lançando nessa ocasião a
candidatura do ex-governador de São Paulo à presidência da República. Jânio
venceu as eleições de 3 de outubro de 1960. No mesmo pleito, João Goulart foi
eleito vice-presidente. Logo depois de eleito, Jânio viajou para a Europa,
retornando pouco antes de sua posse.
Jânio Quadros e João Goulart
foram empossados em 31 de janeiro de 1961. Contrariando a expectativa geral, o
discurso de posse do presidente foi discreto e gentil, chegando a tecer elogios
ao governo anterior. Porém, na noite desse mesmo dia, Jânio atacou violentamente
o governo Kubitschek em cadeia nacional de rádio, atribuindo ao ex-presidente a
prática de nepotismo, ineficiência administrativa e responsabilidade pelos altos
índices de inflação e pela dívida externa de dois bilhões de dólares.
No início do seu governo, Jânio
tomou uma série de pequenas medidas que ficaram famosas, destinadas a criar uma
imagem de inovação dos costumes e saneamento moral. Também investiu fortemente
contra alguns direitos e regalias do funcionalismo público. Reduziu as vantagens
até então asseguradas ao pessoal militar ou do Ministério da Fazenda em missão
no exterior, e extinguiu os cargos de adidos aeronáuticos junto às
representações diplomáticas brasileiras.
Do ponto de vista
administrativo, tentou uma maior centralização de poderes com a adoção de uma
mecânica de decisões que diminuísse o peso do Congresso Nacional e ampliasse a
esfera de competência da Presidência. Com o fortalecimento do movimento sindical
e das ligas camponesas, e o crescimento dos conflitos sociais, começou a ganhar
corpo um movimento político a favor das chamadas reformas de base e de uma
reorganização institucional. O próprio movimento sindical estabeleceu relação
ambígua com o governo, apoiando a política externa, combatendo a econômica e
divergindo, em sua maioria, da proposta de abolição do imposto sindical,
sustentada pelo ministro Castro Neves.
Em 13 de março de 1961, Jânio
anunciou os rumos de sua política econômica em discurso transmitido por cadeia
de rádio e televisão. Anunciou também uma reforma cambial que atendeu aos
interesses do setor exportador e dos credores internacionais, punindo fortemente
os grupos nacionais que haviam contraído financiamento externo durante a
vigência da taxa anterior. Apesar da melhoria obtida na situação orçamentária, a
reforma cambial foi combatida pelos partidos de oposição. Entretanto, esse
conjunto de medidas do governo Jânio foi muito bem recebido pelos credores
estrangeiros e resultou em novos acordos financeiros.
No dia 7 de julho de 1961,
Jânio reuniu todo o seu ministério para estudar as reformas do imposto de renda
e dos códigos penal, civil e de contabilidade. Enquanto desenvolvia uma política
interna considerada conservadora e plenamente aceita pelos Estados Unidos,
procurou afirmar no plano externo os princípios de uma política independente e
aberta a relações com todos os países do mundo. Essa orientação provocou
protestos de inúmeros setores e grupos que o apoiavam.
Também levou adiante seu
projeto de estabelecer relações com as nações do bloco socialista. Em maio,
recebeu no palácio do Planalto a primeira missão comercial da República Popular
da China enviada ao Brasil. O mesmo fato se repetiu em julho com a missão
soviética de boa vontade, que pretendia incrementar o intercâmbio comercial e
cultural entre o Brasil e a União Soviética. As primeiras providências para o
reatamento diplomático entre os dois países começaram a ser tomadas em 25 de
julho, mas o processo só seria concluído durante o governo Goulart.
As relações entre os países
americanos e os Estados Unidos foram debatidas em agosto na reunião
extraordinária do Conselho Interamericano Econômico e Social, conhecida como
Conferência de Punta del Este. Ao fim da reunião, Ernesto Che Guevara, ministro
da Economia de Cuba, viajou para a Argentina e, depois, para o Brasil a fim de
agradecer a posição tomada por esses dois países para impedir a discussão de
qualquer tema político na conferência. Jânio aproveitou o encontro com Guevara
para pedir, com êxito, a libertação de 20 padres espanhóis presos em Cuba e
discutir as possibilidades de intercâmbio comercial por meio dos países do Leste
europeu. Finalmente, em 18 de agosto condecorou o ministro cubano com a Ordem
Nacional do Cruzeiro do Sul, o que provocou a indignação dos setores civis e
militares mais conservadores.
Havia sido deflagrada uma grave
crise política. A posse de João Goulart, então em visita oficial à China, seria
o desdobramento legal da renúncia de Jânio Quadros. No próprio dia 25 de agosto
ocorreram as primeiras manifestações populares. No dia 27 o presidente
demissionário embarcou em um navio com destino a Londres, levando os chefes
militares a cogitarem o envio de um barco de guerra para forçar seu desembarque
em Salvador, onde tomaria um avião militar de volta a Brasília, plano que não
foi concretizado. O Congresso aprovou o Ato Adicional promulgado em 3 de
setembro, garantindo o mandato de Goulart até 31 de janeiro de 1966 em regime
parlamentarista. Goulart foi finalmente empossado no dia 7 de setembro.
Jânio retornou da Europa a
tempo de disputar o governo paulista e foi lançado pelo Partido Trabalhista
Nacional (PTN) e pelo Movimento Trabalhsita Renovador (MTR). Entretanto, não
conseguiu unir novamente as forças que o haviam apoiado na eleição anterior,
sofrendo sua primeira derrota eleitoral e ficando em posição relativamente
marginal à vida política nacional até a eclosão do movimento político-militar
que derrubou o governo Goulart em 31 de março de 1964.
Teve seus direitos políticos
cassados em 10 de abril de 1964 por decisão do Comando Supremo da Revolução,
passando, então, a dedicar-se a atividades privadas. Nesse período, participou
da vida política de forma moderada e indireta, acompanhando candidatos e
distribuindo declarações à imprensa, assinadas por sua esposa Eloá Quadros.
Com a política de distensão
implantada pelo presidente Ernesto Geisel a partir de 1974, Jânio voltou a
aparecer com alguma freqüência no noticiário político. Ao longo de 1977 e 1978,
defendeu a convocação de uma assembléia nacional constituinte que promovesse a
institucionalização do movimento de 1964 e implantasse uma "democracia forte".
Com o início da organização de
novos partidos políticos no segundo semestre de 1979, manifestou simpatia pelo
Partido Trabalhsita Brasileiro (PTB), no qual ingressou oficialmente em 15 de
novembro de 1980, sendo lançado candidato ao governo paulista na convenção
realizada pela agremiação em abril de 1981. Com a divulgação da informação de
que o governo proibiria coligações partidárias nas eleições de 1982, publicou um
manifesto em 26 de junho de 1981, comunicando seu afastamento do PTB e
defendendo a fusão de todos os partidos de oposição.
Depois de recusar convites dos
partidos Democrático Trabalhista (PDT) liderado por Leonel Brizola e Democrático
Republicano (PDR), que não chegou a obter registro definitivo na Justiça
Eleitoral, Jânio se filiou novamente ao PTB em 3 de novembro e, no fim desse
mês, anunciou que concorreria à Câmara dos Deputados e não ao governo paulista.
Entretanto, voltou atrás dessa decisão e aceitou reassumir sua candidatura nos
moldes anteriores. No pleito de novembro de 1982, concorreu ao governo de São
Paulo na legenda do PTB, sofrendo aí a segunda derrota eleitoral em toda sua
carreira política.
Em 1985 retornou ao centro da
política lançando-se candidato à prefeitura de São Paulo pelo PTB, no pleito de
15 de novembro desse ano. Eleito, foi empossado em janeiro de 1986.
Concluiu seu mandato na
prefeitura em dezembro de 1988. Em abril de 1989, realizou viagem de turismo
pela Europa e Oriente Médio. Após seu retorno ao Brasil, em maio, filiou-se ao
Partido Social Democrata (PSD).
Em novembro de 1990, já
sofrendo problemas de saúde, Jânio foi abalado pela morte de sua esposa, Eloá do
Vale, com quem teve dois filhos. Nos dois anos posteriores, seu estado de saúde
agravou-se, vindo a falecer em 16 de fevereiro de 1992 em São Paulo.