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Capa Biografias
Joaquim Maria Machado de
Assis nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e faleceu no mesmo local em 1908. Filho
de pai mulato e pobre e mãe, lavadeira açoriana, foi criado pela madrasta, Maria
Inês, em extrema miséria, após a morte do pai. Ocupou as mais variadas profissões:
vendedor de balas, sacristão da igreja da Lampadosa, aprendiz de tipógrafo, empregado
da Imprensa Nacional e do Diário do Rio, redator do Diário Oficial,
jornalista e funcionário público, nomeado oficialmente pela Secretaria da Agricultura.
Fez o primário em escola pública e estudou francês e latim com o padre Silveira
Sarmento. Posteriormente, seguiu como autodidata, entregando-se à leitura variada.
Na revista A Marmota publicou seus primeiros versos aos 18 anos de idade.
De saúde frágil, epilético, gago e míope,
Machado se tornou reservado e tímido. Aos 30 anos casou-se com Carolina Xavier
de Novais, irmã do poeta português Faustino Xavier de Novais. A esposa, que
não lhe deu filhos, lhe inspirou a criação da personagem Dona Carmo da obra
Memorial
de Aires (1908). Foi o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira
de Letras.
Características literárias
Machado de Assis é o grande romancista brasileiro do século XIX. A complexidade
de sua obra se reflete na caracterização psicológica de suas personagens e no
retrato criado para a sociedade da época. A paisagem preferida é a humana,
expressa através de sutilezas que dão originalidade ao trabalho. Os temas comuns
são: o adultério, o casamento, visto como forma de comércio ou troca de favores,
a exploração do homem pelo próprio homem. As mulheres são o ponto forte da
criação machadiana. A figura feminina representa mulheres recatadas, sedutoras,
adúlteras, fatais e dominadoras. Elas estão presentes também em seus contos,
cerca de quase duzentos.
A narrativa apresenta peculiaridades que
denotam a preocupação consciente do escritor com a linguagem. Constantemente,
o leitor é convocado a participar da história que revela sua forma ficcional,
estabelecendo uma metalinguagem, ou seja, a obra chama atenção para sua ficcionalidade,
volta-se para si mesma, na tentativa de se examinar, como a justificativa que
se encontra no primeiro capítulo de Dom
Casmurro, tentando explicar o título do livro.
Esse trabalho minucioso de explicitação da
ficcionalidade da obra resulta em lentidão e cuidado extremo, o que dificulta a
leitura para os principiantes. A descrição do caráter das personagens é, muitas
vezes, ambígua, permitindo diferentes opiniões. O narrador vai contando a
história em meio a ironias e ceticismo, compondo um humor de difícil definição,
mas que se revela em desdém contra as convenções humanas, ridicularizando-as,
desnudando as hipocrisias mais íntimas, criando tipos imortais.
A obra reflete, também, as leituras do
escritor, demonstrando estar em sintonia com o espírito da época. Escreve com
correção e bom gosto, aproxima a linguagem escrita da falada, expondo modismos.
Os livros de Machado de Assis foram traduzidos para várias línguas e têm sido
objeto de estudo de inúmeros pesquisadores nacionais e internacionais.
Sua obra pode ser dividida em duas fases:
a primeira apresenta características do Romantismo sob a influência de José
de Alencar, mas revela o que há de melhor no escritor cearense, enaltecendo
o aspecto urbano e social, formadores do indivíduo. Ainda, nesse período, escreve
grande parte de sua obra teatral. É a segunda, porém, com características de
Xavier de Maistre, que demonstra a independência do autor brasileiro, inaugurando
o Realismo no Brasil. Alfredo Bosi afirma que é nessa fase que o escritor desenvolve
a "análise das máscaras que o homem afivela à consciência tão firmemente
que acaba por identificar-se com elas". O trabalho que marca a mudança
de rumo do prosador é Memórias
Póstumas de Brás Cubas, destacando-se também Quincas
Borba.
Principais obras
Fase Romântica
Poesias - Crisálidas (1864); Falenas
(1870); Americanas
(1875).
Romances - Ressurreição (1872);
A
Mão e a Luva (1874); Helena
(1876); Iaiá
Garcia (1878).
Contos - Contos Fluminenses (1870); Histórias da
Meia Noite (1873).
Teatro - Hoje avental, amanhã luva (1860); Queda
que as mulheres têm para os tolos (1861); Desencantos (1861); O Caminho da Porta
(1863); O Protocolo (1863); Quase Ministro (1863); Os deuses de casaca (1865);
Tu, só tu, puro amor (1880); Não consultes médico (1896); Lição de botânica
(1906).
Fase Realista
Romances - Memórias Póstumas de
Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú
e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).
Contos em jornais e revistas -
Papéis
Avulsos (1882); Histórias
sem Data (1884); Várias
Histórias (1896); Páginas Recolhidas (1899); Relíquias da Casa Velha (1906).
Poesia - Ocidentais
(1901).